Erick ia protestar, mas Ian já havia saído.

Sophie e Erick ficaram em um silêncio constrangedor. Ela então decidiu explorar um pouco mais a pequena casa abandonada que eles estavam hospedados.

Sophie acabou encontrando uma vassoura meio velha, e ficou aliviada por achar alguma coisa para fazer. E começou a varrer a sala, pois era lá que eles estavam dormindo, ela tinha que fazer alguma coisa, não aguentava mais só ficar parada. Esse era o maior problema de ser um fugitivo e ter que viver escondido, o tédio era mortal, pensou Sophie. Erick percebeu o que ela estava fazendo.

– Você não precisa disso. — Disse ele se levantando do sofá.

– Por que não?

– Veja. — disse ele mostrando suas asas. Ele a bateu e todo o pó que havia naquela sala estava saindo pela janela aberta.

Quando ele parou, a sala ainda parecia bastante suja, mas com certeza ficara mais limpa do que se ela estivesse a limpado com aquela vassoura velha.

– Obrigada, mas agora eu não tenho nada pra fazer. — Disse Sophie.

– Desculpe. — Disse ele. Ele se sentou no sofá, agora mais limpo, e Sophie se sentou ao seu lado.

– O que anjos fazem para passar o tempo? — Perguntou ela.

– Nós voamos, na maior parte do tempo, mas no momento não podemos fazer isso. — Disse ele.

Eles ficaram em silêncio por alguns minutos.

– Estou sentindo algo estranho. — Disse ele. — Nunca senti isso antes, é ruim e me dá vontade de ter algo pra fazer, seja lá o que for.

Sophie sorriu, ela sabia exatamente o que era e também estava sentindo isso. Na verdade esse sentimento a estava deixando louca

– O nome disso é tédio. — Disse ela. — Os humanos costumam ter quando não tem algo para fazer.

– Isso é frustrante. — Disse ele.

– Concordo e proponho que façamos alguma coisa.

– Mas o que vamos fazer aqui? Não tem absolutamente nada nessa casa. E nossa atual situação não nos permite sair daqui — Disse ele passando as mãos no cabelo frustrado.

Sophie começou a se lembrar no que ela fazia para manter seu irmão entretido quando seu pai saía para buscar comida. E por fim lembrou-se de algo que ela gostava muito de fazer.

– Vamos dançar. — Disse ela.

Erick arregalou os olhos.

– Hein?

– Quando meu pai, eu e meu irmão estávamos fugindo, meu pai sempre saía para buscar comida, então eu e meu irmão sempre ficávamos sem ter o que fazer então nós dançávamos. — Disse Sophie. Ela olhou para Erick e viu que ele ainda a estava encarando com os olhos arregalados.

– Anjos não dançam? — Perguntou ela.

– Não. — Respondeu Erick.

– Eu te ensino então. — Disse ela se levantando do sofá e pegando a mão de Erick para que ele se levantasse também.

– Acho que não é uma boa ideia. — Disse Erick.

– Por quê?

– Não quero fazer papel de bobo Sophie.

– Estamos sozinhos aqui e você não é bobo. — Disse ela.

Ela se aproximou dele e colocou uma das mãos no ombro de Erick e com a outra ela pegou uma das mãos dele.

– Coloque sua outra mão em volta da minha cintura. — Disse ela. Ele parecia muito desconfortável, mas fez o que ela pediu. — Agora, só se mecha.

Ela começou a cantarolar alguma música e eles ficaram se mexendo de um lado para o outro.

Sophie olhou para Erick e ele a estava encarando. Seus olhos verdes estavam completamente concentrados no rosto dela. Ela parou de cantarolar.

– O que foi? — perguntou ela.

– Nada, só não estou mais sentindo o tédio. — Disse ele fazendo-a sorrir.

– Que bom. — Disse ela. — Vamos melhorar isso.

– Como assim?

– Vamos fazer algo mais avançado do que ficarmos apenas nos mexendo de um lado para o outro. — Disse ela. — Damos dois passos para cada lado quatro vezes e no final do último passo você me roda. Entendeu?

– Acho que sim. — Disse ele passando a mão no cabelo parecendo confuso e envergonhado.

Ela sorriu.

– Pronto?

Ele assentiu e ela recomeçou a cantarolar. Eles deram os dois passos para a esquerda e mais dois para a direita, mas na hora de rodar eles estavam muito perto no sofá e Erick acabou se desequilibrando e caiu sobre o sofá e Sophie acabou caindo em cima dele.

– Desculpe, eu disse que não sabia dançar. — Ele estava ficando vermelho.

Sophie riu.

– Não, você foi ótimo até a última parte. — Respondeu ela ainda rindo.

– Pare de rir.

– Não dá. — Disse ela. — É que anjos ficam uma gracinha quando estão envergonhados.

Ele também riu lembrando-se da queda.

Ian entrou na sala nesse momento e estranhou a cena. Sophie ainda estava em cima de Erick e eles ainda estavam rindo, mas quando seus olhares encontraram os de Ian eles pararam de rir imediatamente e Sophie se levantou.

– O que aconteceu? — Perguntou Ian.