Possibilities
1 Capítulo 1-O Primeiro Desmaio
POSSIBILITIES
Capitulo 1-O Primeiro Desmaio
(Seattle, 19:18h, Apartamento de Joseph)
—O QUÊ?!! Acha mesmo que a culpa é minha por você ter perdido seu emprego??(grita Joseph, derrubando um jarro da mesa que estava ao lado. A sala de onde estavam era escura)
— Acho mesmo seu pedaço de bosta!! E ainda achei que seria uma boa ideia nós morarmos juntos. Maldito emprego que fui ter pra conhecer um lixo como você. Ser demitida por conta de um lixo como você...filha da puta...(Responde Anna, andando em direção ao quarto rapidamente bufando de raiva, abrindo as gavetas e arremessando suas roupas na cama)
(Joseph segue Anna, andando devagar e passando as mãos suadas por seu rosto. A raiva se apoderava de seu corpo. Gotas de suor tomavam parte de sua testa)
—Então é assim é? vai embora??!
—Vou!(replica Anna, colocando suas roupas dentro de uma mala branca que ganhara mês passado. Nem contara os pares, apenas enfiava as peças dentro da mala com suas mãos trêmulas, enquanto lágrimas começara a saltar de seus olhos lentamente)
—Que bom! Sua cadela!
—É!...que bom mesmo! (Anna fecha a porta do quarto com toda força, deixando Joseph pro lado de dentro)
(Joseph anda de um lado para outro entre algumas peças dela caídas no chão. Com a respiração ofegante e com o rosto avermelhado de raiva, ele se senta na cama olhando para o teto. Lágrimas não saíam de seus olhos. Apenas o ar de raiva com profundo arrependimento de escolhas que tivera feito em sua vida. As mais marcantes)
—Eu vou pra casa da minha irmã!(grita Anna, do lado de fora. Sua voz saíra rouca, com um desespero por chorar entalado em sua garganta)
(Joseph não hesitara em perguntar algo que nunca imaginou perguntar á alguém após uma briga)
—V-Volta que horas?...
(Não houve resposta, apenas a batida da porta. ''Maldita porta barulhenta, mesmo quando ela não a bate!'')
(Joseph se levanta de sua cama. ''Um copo de água pode me acalmar''. Ele então parte para a cozinha, abrindo a geladeira lentamente. Estava pensando sobre tudo aquilo a cada respirada que dava. Ele pega a jarra d'água, mas a deixa em cima da pia e abaixa sua cabeça em direção ao chão. Ao olhar para atrás, Joseph vê algumas fotos em cima do tapete, que Anna tinha derrubado ao sair segundos antes. Ele anda até o tapete dando passos longos, e se abaixa pegando as fotos, dobrando-as e guardando em seu bolso da calça)
—Maldita!
(O celular de Joseph logo toca. Era uma ligação de sua mãe, Amy)
—O que minha mãe quer, se eu estava lá a tarde toda?...(resmunga Joseph)
(Joseph abre a porta de seu apartamento, com o objetivo de ir na calçada de sua rua, e atende a ligação no caminho)
—Mãe?
—Alô, filho? Ta tudo bem aí??(questiona Amy pelo celular, com uma voz calma)
—Claro-
—Não acho que esteja. A senhora Foster, sua vizinha, me ligou agora a pouco. Ela me informou de uma gritaria vindo de seu apartamento. Ela reconheceu a voz da Anna também(replica Amy, dando pra ouvir sua respiração que se pesava ao terminar cada palavra) Você não fez nenhuma bobagem não, né?
— Aahh...(suspira Joseph rapidamente)é aquele problema de semanas atrás. Ela foi demitida pelo canal 09,e me culpa totalmente por isso-
—Se há uma culpa parcial de você, por favor se desculpe com ela. O início da salvação é o conhecimento da culpa
(Aquelas palavra de sua mãe, poderiam acertar mais em cheio a consciência de Joseph. Apesar de ter 29 anos, Joseph ainda era uma pessoa teimosa a aceitar conselhos das pessoas, ou até mesmo abrir novas possibilidades)
—Olha mãe, eu to confuso ,cansado. Ela disse que ia pra casa da irmã dela,ela estava muito brava que até fez as malas pra sair. Acha que ela vai voltar, mãe?...(pergunta Joseph com uma tonalidade de preocupação em sua pergunta, e logo se senta na calçada de sua rua)
— O amor verdadeiro entre duas pessoas sempre se unifica nas crenças um do outro. Você acredita em alguém e esse alguém pode acreditar em você...você a ama, não perca as oportunidades de se desculpar por tudo com ela. E isso não é imoral. Imoral é quando nós desistimos de nós mesmos
—É...deve ter razão, mãe(responde Joseph, com a voz mais baixa. Ele se sentira de volta aos 12 anos, ao levar bronca por ter quebrado algum objeto caro de sua casa. O silêncio toma conta da rua por alguns segundos)
—Filho, vou indo aqui. Seu pai ta me esperando pro jantar. Te amo(Termina Amy, antes de desligar a ligação)
(Joseph guardando o celular em seu bolso, olha para os lados na rua que estava. Escuridão com poucos feixes de luzes entre os prédios distantes. O céu totalmente limpo com destaque á lua, que naquela noite parecia estar maior que o normal. Alguns minutos observando-a, foi o suficiente para acalmar a suja alma de Joseph. Pequenas ventanias frias tomara conta da rua)
(Joseph apoia seus braços para trás na calçada e suspira. O conforto vinha com as longas respiradas que Joseph dava. Uma moradora de rua com vestimentas velhas e rasgadas de cor acinzentada o cutuca no ombro. Joseph se assustara com a presença da senhora. Seus passos eram silenciosos)
—Oi, minha senhora(diz Joseph, com ar de preocupação e confusão)
—Me chamo Natalie, moço. Tem algum trocado que pudesse me dar? Estou 3 dias sem ter o que comer e beber
(Ainda com suas respirações longas e pesadas, Joseph retira de seu bolso uma nota de 20 dólares e estende para a senhora)
—Pode ficar com esses 20 dólares
(Natalie pega a nota devagar. Ela estava um pouco assustada com o valor que nunca tera recebido de uma pessoa desconhecida. ''Velha. Vagabunda. Comprará drogas'', eram as únicas coisas que ganhara ao fazer seus pedidos nas noites frias, pelas ruas de Seattle)
—É...é muita generosidade, meu rapaz. Se eu pudesse pagar com algo em troca...-
—Não, não precisa
—Que Deus te ajude no que esteja passando. A lua está tão bela hoje, né?
(Aquelas palavras da senhora, embaralhara qualquer pensamento que Joseph estivera tendo segundos atrás. Era estranho, apenas)
(A senhora segue embora naquela rua vazia e silenciosa,enquanto Joseph ao refletir sobre suas palavras, olha em direção á Lua por um tempo. ''Por mais que eu tente, ainda me preocupo se eu e a Anna acabamos de vez. Queria apenas poder consertar as coisas que fiz...todas as coisas que fiz...até mesmo os problemas com meu pai...'')
(Após alguns segundos de pensamentos, Joseph ainda olhava a Lua, mas sua visão começara a ficar turva e embaçada. Ele apoia suas mãos em sua cabeça, pressionando-a com uma força mínima. A visão de Joseph se embaça totalmente, e ao ficar com tontura e seu corpo fraco, Joseph desmaia na calçada. Seu corpo apenas se debruça contra a calçada, como uma fruta que caíra da árvore)
(Após um tempo, Joseph acorda em um quarto de apenas roupas brancas. Uma linda enfermeira de cabelos castanhos com sorriso doce vinha em sua direção. Era magra. Seu uniforme era compatível com suas limitadas, porém, lindas curvas de seu corpo)
—Bom dia, senhor
—Onde estou??(interrompe Joseph, perguntando a coisa mais rápida que pudera sair de sua boca. Ele expressara a mais sensata confusão em seu olhar)
(Um relógio próximo a cama em que estava, marcara 05:36h)
— O senhor foi encontrado na rua. Alguns jovens que passavam por lá nos ligaram, pois desconfiaram que você estava morto. Uma unidade do SAMU foi enviada e era apenas um desmaio, mas poderá ir embora,não foi nada...(sorri a gentil enfermeira)
(Joseph se levanta da cama devagar da cama, com medo de seu corpo estar frágil. Em seguida, segue para a porta da quarto, dando passos lentos e olhando para os lados. ''Uma pegadinha?'')
(Joseph foi para o ponto ônibus na avenida Cloctland. Era uma manhã bonita para se caminhar. Mas o acontecimento não saíra de sua mente. Mal olhara para o rosto de alguém na rua ou no ônibus. Sua mente era tomada por ''Por quê eu desmaiei?''; por minutos ele se recordara da noite passada. Detalhe por detalhe)
(Apartamento de Joseph,06:15h)
(Joseph no corredor de seu apartamento, decide tocar a campainha da senhorita Foster, sua vizinha do ‘’16’'. Não levara alguns segundos, e Senhora Foster abrira a porta com uma expressão confusa. Jazia em sua mão, uma xícara de café com leite. E o maldito pijama branco de renda, que Joseph tivera nojo de imaginar em idosas)
—Ah...bom dia, Senhora Foster. Sobre ontem, não precisa se preocupar em avisar o síndico. Não haverá mais brigas. Eu e Anna nos separamos(diz Joseph, ao pressionar os lábios os molhando. O nervosismo secara a boca de qualquer um nesses momentos)
—Q-Quem é você?(pergunta a senhora, já confusa em ter visto o rapaz)
—Como?
—Você é desse apartamento também?(pergunta Senhora Foster, ao deixar a xícara na mesa ao lado)
—Como assim quem sou eu? Sou o Joseph....filho de Amy...sua amiga da igreja(acrescenta Joseph, ao pensar que a senhora perdera a memória. Coisas de velhos)
(Senhora Foster, ainda confusa, torce um pouco o canto de seus lábios, num tom de desprezo e fecha a porta rapidamente, trancando-a)
—O que? Essa velha já está gagá assim, é??(resmunga Joseph, em voz baixa é claro. A audição dos velhos daquele edifício eram afiadas para poderem reclamar de algo)
(Joseph pega seu celular do bolso e disca o número de Amy. Após esperar alguns segundos, ela atende)
—Alô, quem é?(responde Amy, claramente com sono)
—Alô. Sou eu, mãe. Acredita que eu fui no apartamento da Senhora Foster e ela parecia não me conhecer? Hahaha...(Diz Joseph, terminando com rápidas e vagas risadas)
—Quem? Não conheço nenhuma Senhora Foster
(Joseph apenas ficara quieto por alguns segundos. Ele não processara a situação toda tão rápido)
—Como não? Da sua igreja! Senhora Foster, a baixinha...cabelo loiro, raiz branca
—Hahaha(risadas saíam primeiro da boca de Amy) Não...não tem nenhuma Foster na igreja que saiba. Conheço a Rachel, a Stella, Michelle-
(Joseph parara de escutar ali. ''É impossível estar acontecendo isso...impossível...impossível...''. Essas seguidas palavras repetidas, se complementaram com seguidos arrepios)
—Não, mãe...como assim? Ela te ligou ontem te informando da briga entre eu e a Anna...você ligou pra mim preocupado logo em seguida(dizia Joseph, com soluços que paravam em sua garganta á força)
—Eu não liguei ontem pra você...e quem é Anna?
(Precisou apenas do término daquela frase, para que Joseph arregalasse os olhos e se estagnasse totalmente em frente á porta da Senhora Foster. Seus olhos se focaram em um ponto da porta por segundos)
—Você ta bem, mãe?(era a única pergunta que Joseph fizera após aquilo o abalar)
—Claro meu filho. E as coisas por aí, como vão?
—Hmm, é...acho que bem. Tenho algumas papeladas para separar para o canal 09, para a reportagem da semana que vem. Tenho que ir, beijos, te amo mãe(termina Joseph rapidamente, correndo para seu apartamento)
(Ao abrir a porta, desviou seus olhos para o chão. ''Ela levou o tapete?''. O tapete do qual Anna comprara semanas atrás, realmente não estava lá. Joseph senta no sofá com todo seu peso)
—Só pode ser uma brincadeira coletiva isso. Como-hahaha, com certeza é uma brincadeira deles...me assustou por um momento
(Joseph pega algumas pastas cheias de papéis e coloca ao seu lado no sofá)
(''Eu poderia fazer com que Anna voltasse a trabalhar no canal 09...não entendo o motivo de terem a demitido...lembro-me de como nos conhecemos com a profissão de jornalista''. Pequenas lembranças eram bloqueadas aos poucos a cada respirada)
—Vou caminhar um pouco(exclama Joseph, ao jogar as pastas de volta á mesa)
(Avenida Broth, 06:25h)
(Após alguns minutos andando na rua, próximo a uma avenida um pouco movimentada, estava uma mulher de blusa rosa curta. Cabelos escuros até a nuca, um vestido azul apertado. ''Um corpo belo'', pensara Joseph. Uma carteira estava caída próxima a ela. Joseph se aproxima e se abaixa para apanhar a carteira)
—Moça, deve ter caído de sua bolsa...(diz Joseph, ao bater os olhos em alguns cartões que saíam da carteira. Era cartões de motel)
(A moça vira lentamente sua cabeça. Era Anna, com uma maquiagem mais extravagante, da qual Joseph nunca a vira usar)
—Anna??!(indaga ele, ao arregalar os olhos. Joseph não acreditara em mais nada em que vira)
—Como sabe meu nome??(pergunta Anna, ao comprimir seus olhos e estendendo a mão para pegar a carteira. ''Um cliente?'', passara pela mente de Anna)
—Q-que merda está fazendo? Você....-(Joseph sentira dificuldades em pensar em perguntas. Sua mente estava mais embaralhada que nunca)
—Só por favor, não atrapalhe meu ponto se não quiser(termina Anna, ao dar de costas para ele)
(Joseph, já trêmulo, se afasta de Anna aos poucos em passos pesados. Sua boca tremia para dizer algo. Para se desculpar de algo. Mas assim como seu corpo, sua mente se afastara de tudo que pudera sentir por Anna)
—-CONTINUA...
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