Porto Maribel

2 Mamãe chama, mamãe cuida


Tentei retornar para o Vinícius, porém nenhum sinal dele. Fiquei apavorado pensando que os milicianos levaram-no para bem longe e mataram. Depois de escapar dos brutamontes, fiquei num posto de saúde. Usava uma jaqueta preta com capuz e uma máscara.

— Em que tu se meteu, homem? — Perguntou Hélio ao chegar no local.

— Preciso da sua ajuda pra ontem. Eu acho que sou alvo da milícia.

— Calado. Vem aqui.

Ele me puxou para fora do posto e me deu um sermão como nunca antes. Disse sobre a venda das drogas e que o cara do bar era o responsável por me levar a esse mundo. Hélio se tremeu, prometendo dar um tapa na minha cara.

— O que faço?

— Melhor voltar pro Maranhão. Se você é alvo da milícia, esquece o Rio.

Sério. Meu mundo acabou. Todo o meu sonho foi por água abaixo.

— Mas eu preciso que você dê um rolê lá no meu apartamento.

— Eu?!

— Quero que pegue as minhas roupas e o que puder. Saí com tanta pressa que só fiquei com a roupa do corpo.

Meu amigo me xingou. Pedi com bastante carinho até ele ceder. Tudo bem que sou folgado, mas somos amigos, e amigo é pra acudir outro.

Demorou uma eternidade para Hélio retornar com uma mala. Deixei tudo explicado para na hora de chegar lá ele conseguir ser o rápido suficiente. Parece que deu certo.

— A minha vontade é de dar na sua cara, meu bom. Aqui tá o máximo de roupas que eu peguei. Estou morto. — Vi que ele colocou na minha mala com rodinhas. Abri e vasculhei peça por peça.

— E como foi?

— Não havia ninguém. Entrei no apartamento. Estava vazio. Cara, se o teu problema é a milícia, esquece mesmo essa cidade. Vai por mim. É pior do que mexer com o narcotráfico. Esses caras são até policiais que possuem uma vida dupla.

As palavras tiveram um impacto. Eu tremi na base. Tava me cagando de medo. Não quero amanhecer desovado em um matagal.

— Não tem como ajudá-lo nesse momento, exceto deixá-lo aqui por essa noite. Só não fica triste por eu não te ajudar mais.

— Não esquenta. Eu entendo perfeitamente a situação.

— É que mexer com esse bagulho de milícia é a coisa mais estúpida de se fazer. Tenha uma boa noite.

Aproveitei que estava sentado no sofá do Hélio para me deitar ali mesmo. Não sei o que fazer a partir de amanhã.

...

O bom filho à casa torna. Nunca esse ditado teve tanto sentido pra mim agora. Ter que retornar para a vila de pescadores no Maranhão era a única alternativa cabível.

— Mamãe? — falei com ela pelo celular.

— Sim, filho.

— Ocorreu umas coisas que complicaram a minha vida aqui e preciso voltar.

— Não me deixa preocupada, filho. O que houve?

— Depois eu conto. Seguinte, eu preciso de dinheiro pra passagem do avião. E também... — De súbito, Hélio tomou o meu celular e desligou. — Que porra é essa?

— Vagabundo tá no vermelho e ainda explora a tua mãe? Não sente vergonha?

— O que você quer que eu faça? Eu gosto de viajar de avião.

— No, no, no, no, no... meu caro gafanhoto. Você tá mais lascado do que o Wilson Witzel. Pobre andar de avião? Não. Pobre anda de busão.

— Quê?

— Rodoviária, meu chapa. Pega a estrada.

Sinceramente eu odeio viajar de ônibus por demorar demais chegar ao destino e a probabilidade de dar merda ser maior. Olhei para uma fila com distanciamento social. Era para comprar o ticket da viagem.

Apesar de ser brega viajar de busão, o preço da passagem era significativamente mais barato. Enfim, comprei, entrei, sentei e cochilei, se morrerei não é porque sou gay.

...

Cansado depois de longas horas pela estrada. A viagem terminou na rodoviária de São Luís. Até que aproveitei um pouco aquilo. Deram uma relaxada nas restrições. Foi o suficiente para o povo se aglomerar. Esperei na fila, comprei, entrei e... cês sabem.

PORTO MARIBEL — CAPITAL DA PESCA MARANHENSE

No litoral leste, perto dos lençóis, ficava a minha terra natal, Porto Maribel. Saí daqui aos 22 anos e passei quase 7 anos longe desse lugar. Dizem que mudou drasticamente. O governo estadual restaurou casas e bairros históricos. Por exemplo, as pistas eram de paralelepípedos no centro. Prédios históricos e coloridos davam o charme. Fiquei espantado, haja vista aqui era um lixo quando saí. De fato foi uma grande surpresa.

Passei por vários lugares. Havia um museu da pesca, mas estava fechado pela quarentena. Restaurantes e bares também fechados. O centro basicamente estava totalmente sem atrações, por isso caminhei pelas ruas para ir na direção do porto.

— Cuidado. — Fui empurrado. Caí no chão com um homem sobre mim.

— Que é isso? — Questionei indignado.

— Você não viu? Aquele vaso de planta despencou da janela da casa.

Realmente um jarro de argila caiu com uma planta. Na varanda estava um gato preto com branco se roçando, e com certeza esse bichano fora o culpado da minha quase ida ao hospital.

Percebi pela primeira vez o sujeito sobre mim. Era jovem que nem eu. A diferença era que ele se vestia porcamente. Uma camiseta regata preta, boné virado para trás, uma calça que lembra um macacão de um cara que trabalha numa oficina, tênis e uma pulseira rosa com coraçãozinho. Brega. Mas pelo menos era bonitão — o sufixo "ão" foi só expressão porque o cara era do meu tamanho. Enfim, corpo forte, bronzeado e musculoso. Prestei atenção nos seus olhos totalmente pretos logo acima de uma máscara. Qual a probabilidade disso? E pra quem não sabe os olhos "pretos" são castanhos bem escuros. Os dele eram pretos mesmo.

— Terra para turista. Já voltou?

— Desculpa. Eu não prestei atenção no que...

— Então passa dez reais.

— Oi? — ...

— Eu digo e repito. Passa dez reais. Ah não, você pensa que eu sou um ladrão. Não, só estou cobrando a minha ajuda. Salvei a sua vida, por isso quero ser recompensado.

Eu não acredito. O vagabundo falando uma bosta dessa em pleno dia do meu retorno.

— Escute, moço.

— Caio.

— Escute, Caio. Eu não pedi para ser salvo. Salvou-me porque quis. E mesmo assim não se cobra dinheiro por uma ação dessa. Não dei consentimento.

— E daí se você não deu consentimento? Eu te salvei e pronto. Quero a minha recompensa. Ou você não vê os noticiários? Há um vírus matando por aí.

— Uau! Eu sou burro. Não sabia disso. Por favor, licença.

Caminhei rápido e sem olhar para trás. Bati os pés firmemente, porque também estava furioso. Logo escutei um grito. Era o tal Caio falando com dois PMs que transitavam na rua. Ele apontou para mim. Saí correndo.

— Vagabundo. Eu mato ele. — praguejei.

Corri tanto, mas tanto, que a rodinha da minha mala se soltou. Fiquei num ódio tremendo.

Enfim, eu, somente o bagaço, cheguei ao porto da cidade. Era estranho ter que voltar para o ambiente em que você nasceu e viveu toda a sua infância.

O porto ficou modernizado. Barcos pesqueiros e de turismo eram vistos no cais. Havia casas coloridas de frente ao oceano. Tais habitações mais pareciam da Europa. Entre essas casas e o mar havia uma calçada com mais ou menos dez metros de largura que ia por um trecho com vários quilômetros. A espessura da calçada era de mais ou menos dois metros acima do nível do mar.

Caminhei como um transeunte sem destino. Sequer reconhecia o lugar exato da casa dos meus pais. Foi preciso eu perguntar para um morador que vendia balas. Recebi uma boa orientação e voltei a caminhar.

Passei pelo cais. Os pescadores me viram, mas não me conheceram. Eu também não os reconheceria de maneira nenhuma. Apenas sei que, graças ao meu pai, eu vivia com esses caras no mar quando eu era criança. Lembro-me de gostar da pesca, porém hoje eu abomino.

O cheiro de peixe me deixou nauseado. Pensava que eles não trabalhavam na pandemia, mas soube que era um serviço essencial já que eles vendiam para supermercados locais.

— Obrigado pela orientação, senhor.

Vi os dois policiais se aproximarem. Sem saber para onde iria, dei um pulo para dentro do barco.

— O que você tá fazendo aí? — Indagou o velho.

— Por favor. Apenas não diga nada que estou aqui.

Fiquei escondido na cabine do barco e fiquei ouvindo a conversa do velho. Ele não me denunciou. Sorte.

— Obrigado.

— Eu te conheço, moleque? Você me parece familiar.

— Não sei. Ah sou filho do Leimar.

— Não brinca. Do seu Leimar? Aquele Leimar casado com a dona Maria de Fátima?

— Exatamente. O senhor conhece os dois?

— Mas é claro. Eles possuem um mercado. Vendemos peixe para ele e tal.

Fiz cara de surpreso. Meus pais montaram um mercado sem eu saber?

— Como assim?

— Meu filho, é melhor você vir comigo. Falar não é algo que gostaria de fazer. Você tem que ver com os seus próprios olhos.

Ele deixou o barco e me guiou a pé durante o caminho. Nesse ínterim, disse sobre o fato dos meus pais terem ganho na loteria. Eu já sabia dessa história. Papai apostou e ganhou 150 mil reais. No entanto, pensei que ele pusera na poupança, não que investira num projeto desse tipo. Irritei-me por não ser informado. Não sou digno de confiança?

Vi um tipo de estabelecimento parecido com um armazém ainda no porto. Pessoas entravam e saíam.

— Aqui é o mercado da sua família.
Fiquei boquiaberto. Eu sequer sabia disso. Vi com mais atenção que ao lado do mercado havia uma casa que parecia um mini prédio com dois andares. Eles reformaram a casa.

— Te peguei — disse alguém me dando um golpe mata-leão. Era Sabrina, minha irmã. — Fica esperto. Aqui já não é o mesmo lugar que conheceu há anos.

— Eu sei disso, e eu sei que vocês esconderam de mim sobre esse mercado. Já me excluíram da família?

— Você quem nos deixou pra trás, Júlio. Sua teimosia em ir com estranhos para um tour ao Rio de Janeiro. Levou um tempo para os nossos pais assimilarem as coisas.

— Não vai me dizer que ficou triste? Com certeza que não. Uma parasita como você que nunca saiu debaixo da saia da mamãe não tem qualificação nenhuma para me repreender. Tá na hora de procurar um macho, Sabrina.

— Vai te catar!

Minha mãe abriu a porta de casa e me deu um abraço apertado. Ela era mais baixa do que eu, portanto era bem baixa. Pegou minha mala, puxando-me para dentro. Logo vi na sala um cachorro poodle cheirar os meus pés.

— Desde quando tem animal?

— O Papaco tem seis anos.

— Tudo isso? Realmente eu tava por fora da minha própria família. E como está o papai?

— Em isolamento. Ele está com covid, por isso não pode sair por agora. Mas você pode vê-lo de longe.

Fui guiado ao quarto que mais parecia de hóspede. Ela queria conversar mais comigo, porém dei uma desculpa de que tomaria banho. Mamãe saiu. Tentei ligar para o Vinícius.

— Fala.

— Ei, cara. Onde você tava? Tentei te ligar umas trocentas vezes.

— Eu saí a trabalho. Nem estava no estado. Soube que foi embora para o Maranhão. Onde cê tá?

— Hahaha. Vinícius, não sou bobo. Cara, a milícia tava atrás de mim. E se eles interceptam a nossa ligação? Eu não vou falar onde estou. Vai que né...

Um silêncio constrangedor ocorreu depois da minha fala. Senti a respiração dele mais profunda do que o normal.

— Tudo bem. Eu entendo. Ligo para você depois.

Suspirei. Era nítido que ele ficou irritado por eu ter saído escondido. Mas a minha vida está em primeiro lugar. Antes ela do que um namoro que sequer começou. Sim, até que eu tava começando a gostar desse cara, mas não sou besta de depender de outros.

Procurei pelo banheiro. O cachorrinho chamado Papaco ficou cheirando meus pés. Entrei e fechei a porta. Ele ficou raspando as unhas e grunhindo. Abri e o vi deitado com cara de de pidão.

— O que você quer? Xô!

Ele continuou deitado. Fechei sem dar muita importância a ele. Mas o danadinho não parou de encher o meu saco enquanto eu me concentrava no vaso.

Após tomar um banho e vestir uma roupa mais simples, mamãe me chamou para ver o meu pai. Não pude me aproximar dele. Fiquei observando-o de longe, desde a porta do seu quarto. Ele mexia no celular enquanto respirava com ajuda de um respirador acoplado a um cilindro de oxigênio. Segundo ele aquilo era para garantir que os níveis de oxigenação não caíssem.

— Tudo bem, pai?

— Oi, filho. Como você foi no Rio de Janeiro?

— Fui bem. Soube que pegou coronavírus. Tudo bem?

— Claro. Apenas fiquei com febre e cansaço. Sinto nada. Nem cheiro e gosto. Acredita? Eu não sinto o cheiro dos peixes.

Odeio cheiro de peixe.

— Vai ficar tudo bem. O senhor vai sair dessa.

— Veio nos visitar?

— Talvez sim, talvez não. Vai depender de muita coisa.

— Se ficar, penso em colocá-lo para trabalhar no mercadinho. Você precisa se ocupar em algo. Mente vazia é oficina do diabo. Pense nisso.

Agradeci a proposta do meu pai, mas trabalhar como um simples empregado não era o meu sonho. Saí do quarto, fui para o lado de fora de casa e me sentei num banco de pedra que ficava na frente do portão.

Aquele lugar era tão nostálgico. Parecia que foi ontem quando saía com papai para ir de barco pescar. Não sei até que ponto eu era tolerante com o cheiro de peixe. Hoje em dia eu náo suporto.

O meu celular estava mais quieto do que de costume. Hélio sequer entrou em contato comigo a fim de me dar mais informação. Afinal eu me preocupo com o bem-estar daquele doidinho.

— Vai ser foda viver aqui.

...

Uma semana se passou. Papai melhorou bastante e estava livre da doença. Ele era o gerente do mercado. Chamou-me para ocupar a vaga de organizador. Perguntei o que raios isso fazia, e ele me explicou que eu trabalharia ajeitando os produtos nas prateleiras, podia ajudar a colocar os produtos dos clientes em suas sacolas e verificar os pordutos no estoque. Sabrina era encarregada de ficar no caixa.

— Vê se trabalha direito.

— Vá te catar.

Sério. Minha família, sobretudo a Sabrina, eram bem medíocres. Gastar dinheiro na porra de um mercado pé de chinelo era algo insultante. Ainda mais quando eu virei empregado de 1,99. Ah vá!!! Eu sou especial. Na minha cidade, a maioria era beta. Ser beta era mesma coisa do que 2-2=0. Eles não fazem a mínima da vantagem de ser um alfa. O ruim são os odores que eu sinto e me deixam enjoados, mas eu tenho muitas habilidades que me colocam acima desse pessoal meia boca dessa cidade.

Resmunguei até os últimos momentos antes do horário do almoço. Ajudava um senhor, mostrando os produtos nas prateleiras quando vi de relance um homem conversando com a minha irmã no caixa. Não pode ser! Era aquele energúmeno que tentou me extorquir dias antes. Mas o que ele fazia aqui?

— Qual é o mais barato?

— Hein?

— Eu tô perguntando qual é o arroz mais barato? Tá sem o preço aqui.

— É aquele que o senhor pagará menos. Aí, aproveita e compra um enxaguante bucal porque tá feio o negócio.

Saí de perto do velho e fui me esconder mais ao fundo do mercado. Minha irmã apontou na minha direção. Vi o sujeito vir atrás de mim. Como assim?

— Aquele filho da puta tá vindo.

Observei ao meu redor. Uma porta nos fundos que dava acesso aos banheiros.

— Ele não pode me encontrar aqui. — Entrei numa das cabines.

Mas ele entrou. Pelo menos eu creio que seja ele. Deu alguns passos até o mictório e fez xixi. Era vergonhoso que um cara como eu fugisse de outra pessoa.

Respirei fundo quando o dito cujo terminou a mijadeira e saiu. Molhei o rosto. Não pude ignorar o fato de que era constrangedor, mas a vermelhidão em meu rosto denunciava outra coisa além de um simples sentimento de vergonha.

— Logo meu cio vai começar. Que droga!

No fim do dia, acabado, voltei para casa e me esparramei na cama. Era tão estreita que me dava desconforto nas costas. Sempre fui acostumado a dormir em cama de casal.

— Filho, posso entrar?

— Pode. — Mamãe sorriu ao me ver e sentou na cadeira de escritório que havia em meu quarto.

— Como foi o seu primeiro dia de trabalho?

— Normal. Se bem que estava acostumado a trabalhar em home office por causa da pandemia.

— É uma pena que foi por causa de uma doença que te obrigou a voltar para casa.

— Como foi que o papai se infectou?

— Ele foi para São Luís comprar umas mercadorias para estocar no mercado. Ele teve contato com alguém infectado. Eu fiquei com medo. Sabe a dona Francisquinha da mercearia? Aquela que você comprava doces.

— Sim.

— Morreu de covid há três meses. Eu fui ao hospital e presenciei a mulher se definhando no leito. Aquele tubo inserido em sua garganta, os pulmões sendo afetados. Pensei que era o fim do seu pai também.

— E a senhora?

— Não fui diagnosticada por sorte. Por isso estou dormindo em outro quarto.

A conversa com mamãe estava muito boa. Sabrina bateu na porta e avisou acerca da chegada de uma amiga dela.

— Ela veio jantar com a gente?

— Sim. Ela trouxe o filho.

— Olha só. Júlio, querido, que tal fazer o seu primeiro amigo na cidade? Retire a roupa, ponha algo mais informal e venha até a sala.
Fiz exatamente o que ela falou. Ouvi vozes quando ainda estava no corredor. Apareci perante às escadas.Vi apenas uma senhora de uns 50 e tantos anos. Simpática por sinal. Desci os degraus até me virar para a ir até a cozinha.

— Olá? — Eu disse. A porta da geladeira estava aberta. O rapaz fechou.

— Oi... Hum... Eu te conheço?

Meu queixo caiu completamente quando vi a pessoa à minha frente. Era o cara que eu vi semana passada tentando tirar dinheiro de mim por me salvar de um vaso na cabeça e que depois reencontrei hoje mais cedo. Ele me fez me trancar na porra de um banheiro.

— Prazer. Eu me chamo Caio. Para você é Caio Mastro!

— É o quê?!

— Muahahahaha. Brincadeira.

Fiquei me tremendo. A vontade era de dar um tapão no meliante.

Minha mãe chegou com a mãe dele e me apresentou.

— Os dois podem se cumprimentar — falou a minha mãezinha.

Olhei para o Caio.

VAI TOMAR NO CU!!!

Isso era o que eu queria dizer para ele, mas não podia!

— Caio Castro.

— Igual ao ator. — Franzi o cenho.

— Sim, o ator. Foi pura coincidência eu colocar o nome do meu filho e ficar parecido com o do galã global.

— Prazer, Caio. Meu nome é Júlio Anderson.

Cumprimentamo-nos. Os meros segundos com as mãos unidas foram suficientes para ele deslizar o dedo indicador na palma da minha mão. Esse psicopata!