Porque eu amo te odiar!
1 Minha vida vai virar um inferno
Notas iniciais
Clara: O senhor só pode estar de brincadeira comigo!
Treinador: não um pouco senhorita, a senhorita terá que fazer aulas de reforço de matemática para melhorar suas notas, ou não poderá jogar o fim do campeonato.
Clara: tudo bem, mas eu posso fazer na turma do Cadu.
Treinador: não, não pode, pois a turma do senhor Carlos Eduardo está cheia, só restando aulas particulares com a senhorita Meireles.
Clara: senhor Tavares, o senhor sabe que nós nos odiamos, e não conseguimos permanecer mais do que 5 min num mesmo ambiente e que me fazer passar duas horas sozinha com ela?
Treinador: já disse senhorita Fernandes ou é isso ou a senhorita está fora do time.
Clara: DROGA!!
Treinador: suas aulas começam às 15h, as terças e quintas.
Clara: obrigada, senhor Tavares. Eu disse com ironia, isso não poderia estar acontecendo, tudo o que menos preciso e ficar perto da Meireles durante quatro horas por semana. Me levantei e sai batendo a porta, maldita seja essa droga de matemática.
Flavia: e ai qual era o assunto tão importante?
Clara: você acredita que vou ter que fazer reforço em matemática?
Flavia: e só isso gerou aquele estrondoso grito, e a quase derrubada da porta? O Cadu vai te ajudar, você sabe que ele te adora.
Clara: se fosse só isso e se fosse com ele estava tranquilo. Pude perceber a cara de horror e espanto de Flavinha.
Flavia: uee se não e com o Cadu e com....
Clara: Marina Meireles, a aquela praga em formato de ser humano. Que ódio!!
Flavia: isso vai dar merda! Ela exclamou pra quase todo o corredor ouvir.
Clara: e você acha que eu não sei, eu ainda disse ao Tavares que nós não poderíamos ficar muito tempo perto, mas ele explicou que e isso ou eu estou fora do time.
Flavia: e quando começa?
Clara: amanhã depois do treino; minha vida e um inferno. Estou indo pra casa quer uma carona?
Flavia: obrigada meu amor, mas tenho um trabalho de biologia pra fazer.
Clara: aquele que o senhor bigode fez questão de sortear os grupos?
Flavia: sim. Ela disse desanimada.
Clara: com quem você ficou?
Flavia: com o Cadu, e o Curupira.
Clara: nossa amiga estamos mal mesmo, eu com a praga, e você com peste da Vanessa. Não sei como você vai fazer pra aguentar ficar perto dela e da língua afiada dela. Eu disse sorrindo, Vanessa era prima da Meireles, dupla inseparável. Ela era branca, com os olhos claros, e um cabelo vermelho fogo, e que para tudo tinha resposta. Eu sabia que Flavinha gostava dela, mas lidar com o curupira, era prova de fogo pra qualquer um.
Flavia: você ri porque não vai ser você que vai ter aguentar ela por uma sozinha.
Clara: porque? E o Cadu?
Flavia: ele vai estar em horário de aula, sabe que nosso geniozinho adora uma sala de aula. Cadu era nosso amigo desde pequeno, um amor de pessoa, educado, bonito, inteligente, e apesar de não gostar de praticar muitos esportes era um exímio nadador, o que ajudava bastante a manter o físico dele. Era de uma das famílias mais ricas do Rio, mas era muito tranquilo e nunca usava isso para se desfazer de ninguém, fora que tinha um sorriso quase perfeito.
Clara: então tudo bem, vou para casa, qualquer coisa liga, te amo morena. Eu disse dando um beijo em sua testa.
Flavia: até mais tarde, ah você faz o jantar? Não sei que horas vou sair daqui hoje.
Clara: tudo bem faço sim, beijinhos. Nós morávamos sozinhas no apartamento que meu pai me deu no Leblon, minha família era toda carioca, mas tinha preferido voltar a morar em Goiás depois da morte do meu pai, mas eu não queria voltar pra lá, por causa dos estudos e do futebol, e como já estava com 17 anos minha mãe me deixou ficara aqui, e quando minha prima Flavia resolveu vir junto, ficou ainda melhor já que não ficaríamos sozinhas.
Parti para o estacionamento para pegar minha moto, mesmo não tendo idade, eu já tinha carteira, e adorava sentir o vento batendo contra mim. Estava tirando a moto, quando ouço aquela voz melodiosa, que eu tanto odiava.
Marina: ora, ora se não e a minha mas nova aluna, Clara Fernandes.
Eu a olhei de cima a baixo, ela vestia uma blusinha branca larguinha, um shortinho jeans meio rasgado, deixando aquelas belíssimas pernas de fora, espera belíssimas? O sol deve estar muito quente mesmo, já estou falando besteiras.
Marina: que foi lindinha o gato comeu sua língua? Ou foi uma daquelas vadias com quem você anda se esfregando. Ela sorria de lado. Eu me aproximei perigosamente dela.
Clara: anda tomando conta da minha vida, professora? O sorriso dela sumiu, mas ela não se deu por vencida. Ela se aproximou mais ainda de mim, e sussurrou no meu ouvido.
Marina: eu vou fazer da sua vida um inferno Fernandes! Aquilo foi demais pra mim, eu a empurrei.
Clara: olha aqui sua praga, minha pouca paciência com você já está esgotando, continua me irritando que eu saio do time, mas quebro a sua cara antes.
Marina: uii que meda dela. A gargalhada dela foi o estopim, eu a garrei pelos braços e joguei contra a parede.
Clara: continua brincando com o perigo, continua.
Marina: me solta Fernandes, eu não estou brincando. Ela se debatia, mas eu era mais forte que ela, e não me mexi um cm.
Clara: presta bem atenção no que eu vou te dizer, fica fora do meu caminho.
Marina: ME SOLTA!!!
Treinador: senhorita Fernandes, solte a senhorita Meireles agora. O voz dele era grossa e firme. Eu a soltei e me virei para ele, que tinha uma cara de pouquíssimos amigos.
Treinador: para minha sala as duas AGORA!
Clara: mas treinador eu já estava saindo.
Treinador: eu disse agora Clara. A veia do seu pescoço saltava, eu sabia que estava ferrada, ele só chamava os alunos pelo nome, quando estava a ponto de cometer um alunissidio. Passamos na frente e nos encaminhávamos para a sala dele de cabeça baixa.
- sentem-se! Ele disse, batendo a porta com um pouco mais de força que o necessário.
- olha eu já estou cansado dessa birrinha adolescente de vocês duas, parecem duas crianças mimadas. Tudo e motivo pra vocês quererem sair no tapa, e isso tem que acabar, por bem ou por mal.
Clara: eu não fiz nada, ela que foi me incomodar, eu estava indo embora pra casa quieta.
Marina: eu só fui falar com você dá aula de amanhã e você me atacou sem mais nem menos. Ela terminou de falar com a maior cara de pau do mundo.
Clara: olha aqui sua praaag...
Treinador: CHEGA!!! Eu levantou, dando um tapa na mesa.
- se vocês querem que seja por mal tudo bem, assim seja. As duas estão de castigo até o final do mês, e cumprirão comigo todas as tardes.
Marina: mas eu tenho aula do curso de fotografia as segundas e quartas.
Clara: e eu tenho o treino.
Treinador: como suas tarefas são dentro da escola, vocês poderão cumpri-las, mas assim que terminarem se encaminharão até aqui para o início do castigo.
Clara/Marina: mas senhor Tavares.
Treinador: não tem mais ou meio mais, está dito e ponto! Agora sumam da minha frente, e seu eu souber que as senhoritas brigaram, dentro ou fora da escola, estendo o castigo pelo ano inteiro!
Nós nos levantamos e saímos em silencio, eu estava odiando aquilo; eu não ia ter que aturar a Meireles, só 4h por semana, agora teria que aguenta-la todos os dias durante um longo mês.
Marina: você me paga Fernandes! Ela rosnou pra mim.
Clara: vamos ver lindinha. Eu rosnei de volta e sai a largos passos.
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