Porcelana

1 Prologo - Snow


A música que toca no antigo rádio da academia é uma adaptação do padedé de Giselle. Estava na barra, alongando sozinha, e observando a neve cair lentamente, pela janela. Então o sinal toca e todas as garotas ali presentes saem correndo para o vestiário.

A Senhora Natasha me segura, avisando que eu deveria ir até a recepção do orfanato para pegar o correio depois que tomasse banho e me trocasse.

Saio do vestiario diretamente para onde a professora mandou. Era a primeira vez que tinha recebido correio na vida. A empolgação me corroía por dentro, mesmo eu sabendo que não tinha chance de ser adotada.

Podia ser um presente de aniversário de alguma das professoras do orfanato. Ou somente a carta de alforria. mas mesmo assim estava me matando de curiosidade.

Assim que entrei na sala, o sininho da porta tilintou. A mulher velha que estava atras do balcão me olhou e procurou o que deveria ser entregue a mim.

- Akemi Tse Hu? — ela perguntou segurando um envelope rosa claro que parecia ser aveludado.

- Isso mesmo. — respondi deixando minha mala em uma das cadeiras da sala e me aproximando do balcão.

- Desculpa, mas não está registrado quem lhe enviou. Só diz "feliz aniversário". — ela faz uma careta para arrumar o oculos na ponta do nariz e me entrega o envelope.

- Obrigada. — digo antes de sair, fazendo uma pequena reverencia com a cabeça.

Saio correndo da recepção e subo as escadas em direção ao meu quarto. Entro e bato a porta, me jogando na cama, ansiosa para abrir a carta misteriosa.

Dentro do envelope havia um papel perfeitamente dobrado no meio e uma corrente com um pingente de coração feito de rubi. No papel, estava escrito com uma caligrafia perfeitamente desenhada as seguintes palavras :" Olá, Criança;

Ao contrario do que pensa, você nunca esteve sozinha. Eu sempre entive contigo. Te observei crescer; desde o dia em que foi deixada na porta daquele orfanato, até hoje, o dia em que completa dezoito anos e está saindo dele.

Você foi a minha escolhida. Por isso lhe faço este convite. Te esperarei na grande mansão, hoje a noite.

Esteja a vontade para recusar.

Com amor,

Alguém que vai gostar de conhecer."

Congelei, e fiquei por um tempo indeterminado olhando para a folha texturada. Logo depois coloquei a corrente e comecei a arrumar minhas malas. Eu teria que sair dali de qualquer jeito; pelo menos agora eu tinha pra onde ir.

...

- Akemi... Você sabe que não precisa ir agora, não e? — Disse a diretora do orfanato.

- Eu ficarei bem. — Respondi a abraçado. — Até logo.

E foi assim que vim parar em um banco de praça cheio de neve, esperando um onibus atrasado e segurando com força o envelope rosa aveludado. Não vou negar que estou com medo. Mas hoje, qualquer coisa é lucro.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.