Por você mil vezes - Se não fosse amor
42 Convites inesperados
Notas iniciais
(...) Tudo aconteceu em questão de milésimos de segundo. Eu colocando a mão em seu ombro, Ethan abrindo os olhos, colocando a mão em meu pescoço e me atirando por cima dele para o outro lado da cama, me deixando imobilizada em baixo dele e me sufocando. Mas que porra é essa? Eu estou sendo atacada pelo meu próprio namorado?
“Ethan, eu não tô conseguindo respirar!” Disse desesperada e em pânico. Era o meu Ethan, mas não parecia ele, sua expressão estava diferente, sombria e estava me assustando muito.
Consegui levantar um pouco a perna e o golpeei nas costelas, eu aproveitei o momento em que a sua guarda abaixou um pouco, graças ao golpe que eu havia dado, utilizei uma das técnicas que meu personal tinha me ensinado e usei o peso de Ethan contra ele, o empurrei de cima de mim, cruzei seus braços sobre o seu corpo, o deixando imobilizado debaixo de mim, tentando o deixar parado, mas, ele não parava de tentar se soltar.
“Ethan, sou eu, Sophie! Pelo amor de Deus!” Gritei e ele começou a se acalmar, sua expressão do rosto suavizou, sua respiração, que antes estava irregular, agora estava começando a ficar mais calma. Respirei aliviada e saí de cima dele, sentando na poltrona de frente à cama. “Caramba... Você é forte mesmo...” Pensei alto, alisando meu pescoço, ainda tentando me recuperar do susto. Olhei para ele, que agora estava sentado na cama.
“Você também.” Ele falou e passou a mão no rosto. “Você está bem?” Ele me olhou preocupado.
“Estou, eu só... Só preciso respirar um pouco.” Apoiei meus cotovelos em meu joelho. “E você?”
“Eu o quê?” Ele me olhou como se não entendesse minha pergunta.
“Está bem? Quero dizer... Parecia que estava tendo um sonho, ou pesadelo... Sei lá.” Falei e ele desviou o olhar de mim.
“Eu... Eu sinto muito, por tudo isso, eu nunca ia querer te machucar, eu apenas...” Ele parou por um momento e se levantou, começando a juntar suas coisas.
“Espera, aonde você vai?” Levantei também, mas, não me aproximei muito dele. Embora eu soubesse que ele não havia feito aquilo de propósito, confesso que ainda estava um pouco assustada.
“Vou para casa, é claro.”
“Não, você vai ficar aqui!” Me coloquei de frente a porta, impedindo que ele saísse e cruzei os braços.
“Sophie, não seja imprudente. Há poucos minutos atrás eu estava te estrangulando, tenha bom senso e saia da frente.” Ele disse cerrando os dentes.
“Não vou sair. Você vai ficar aqui!” O confrontei. Ele suspirou derrotado e sentou na cama, apoiando a cabeça nas mãos.
“E se eu te machucar de novo? E se eu te machucar pra valer?” Ele me olhou receoso.
“Você não vai!” Me abaixei, com as mãos apoiadas em seu joelho. “Você só teve um sonho ruim e vai ter sonhos piores se você se isolar. Deixa eu te ajudar.” Ethan ficou pensativo por um momento, depois me olhou sério.
“Eu trouxe meus remédios para dormir, vou tomar um, só para garantir.”
“Mas, você disse que fica dopado quando toma eles.”
“É melhor dopado do que te causar danos maiores.” Ele se levantou e andou até a porta.
“Ethan acho que ficou bem claro que eu sei como me defender, você não precisa desses remédios...” Falei e ele se virou em minha direção. “Eu tô aqui com você, não precisa de remédios.” O abracei, receosamente. Ele colocou as mãos ao redor do meu corpo e me abraçou com força.
Afastei um pouco meu rosto e o beijei, o senti retraído no comigo, como se eu estivesse beijando um estranho, ele se afastou, mas eu coloquei meus braços ao redor do seu pescoço e o puxei para mais próximo de mim, suas mãos pararam em minhas costas e ele começou a me beijar com mais força e mais intensamente. Mordi seu lábio inferior, forte e ele me virou, fazendo com que ficasse com as costas na parede e alisou minha coxa a apertando, me fazendo gemer em resposta ao seu toque. Ethan me pôs em seu colo e me levou para a cama, ele se deitou, me deixando por cima dele e tirei sua blusa, beijando suas cicatrizes, desde o pescoço e descendo até a barriga. Eu sabia que ele precisava disso, precisava que alguém o lembrasse da sua realidade agora.
...
“E o sonho? Como era?” Falei enquanto alisava o cabelo de Ethan, estávamos deitados de frente um para o outro, minha perna estava em cima do seu corpo e sua mão alisava minhas costas.
“O mesmo de sempre...” Ele deu de ombros. “Trancado em algum lugar do mundo, sozinho, com fome, com sede, com medo...” Ele parou por um momento e escondeu o rosto no travesseiro.
“Foi só um sonho Ethan, você não vai passar por nada sequer parecido com aquilo de novo...” Tentei o reconfortar.
“Mas, se eu não vivo mais desse jeito, por que não consigo olhar pra frente?” Ele me encarou. “Acho que você tem razão, pra variar...”
“Sobre o quê?”
“Disse uma vez que não parece que eu saí do exército... E se isso for verdade? E se a única coisa que eu sei ser é o Capitão Cross e não apenas o Ethan? Eu era agressivo, impulsivo, a única coisa que me fez querer servir foi a raiva que eu sentia de tudo, de todo mundo. Não quero ser assim de novo, não quero sentir raiva, não quero nada disso e principalmente, não quero te machucar.”
“Não tem que ser assim de novo, o que aconteceu mais cedo foi um incidente, apenas isso.” Coloquei a mão em seu rosto e olhei por cima do seu ombro para o relógio e bufei revirando os olhos. “Eu preciso ir para o escritório... Você vai ficar bem?”
“Tem que ir mesmo?”
“Eu tenho uma reunião agora de manhã cedo, não sei que horas vai acabar. Fica aqui em casa e só descansa um pouco, assim que eu terminar as coisas lá eu volto para cá.”
“Tudo bem... Nunca vou conseguir me desculpar o suficiente pelo o que aconteceu.”
“Esquece isso.” Esbocei um sorriso. “Além do mais... Eu consegui imobilizar um homem com quase 1,90cm, que pesa o quê? Uns 100kg?” Falei com diversão.
“Na verdade, 113kg, mas... Você precisa me mostrar aquele golpe de novo.” Ele sorriu e eu me senti mais aliviada por ele estar visivelmente mais relaxado.
“Ensino, mas, seria interessante quando a gente tivesse vestido...” Falei rindo e ele se levantou, ficando por cima de mim e começou a me beijar. “Eu preciso me arrumar...” Disse entre o beijo.
“Só mais 5 minutos...” Ele sorriu.
Na verdade, demorou mais 30 minutos para que eu finalmente levantasse da cama.
“Oi Ken, bom dia!” Falei quando o vi em pé na cozinha, preparando o café da manhã.
“Bom dia! Café?” Ele sorriu.
“Por favor...” Assenti sentando no balcão. “Argh...” Gemi de dor.
“O que houve?” Ken me entregou minha xícara.
“Minhas costas estão doendo, acho que dei um mau jeito...”
“A noite foi animada então heim?” Ele riu e voltou a preparar a omelete que ele estava fazendo. Ah, você nem imagina como foi animada...
“Ken...” Comecei a falar e ele se virou de lado, para poder olhar para mim. “Você me disse uma vez que o Ethan tinha pesadelos...” Ele assentiu e eu continuei. “Com que freqüência isso acontecia?” Eu não criticaria Ethan pelos problemas que ele estava passando, mas eu também não podia mentir para mim mesma, me assustava um pouco a idéia de ele não ter controle de si quando estava tendo esses sonhos.
“Eu não sei te dizer com certeza Sophie, depois que ele saiu do exército só ficamos morando juntos por alguns meses antes de eu ter que viajar a trabalho... Mas, por que a pergunta? Ele teve um desses sonhos recentemente?” Kenny me olhou preocupado.
“Digamos que sim...” Admiti. “Eu só estou um pouco preocupada, eu não sei como eu poderia ajudar ele e eu quero ajudar, quero muito, mas... Eu não sei o que fazer.”
“Honestamente?” Ele desligou o fogo e se aproximou ficando de frente a mim. “Acho que você já está fazendo mais do que suficiente. O que quer que tenha acontecido ali essa noite, não é culpa sua... Eu não sei se ele comentou mais, em poucos dias, vão fazer 4 anos do incidente com a antiga equipe dele. Acho que isso mexe um pouco com ele ainda entende?”
“Entendo...” Fiquei pensativa. “Mas, não tem nada mesmo que eu possa fazer?”
“Ele está mais responsável do que nunca com o trabalho, está se cuidando e pela primeira vez, levando um relacionamento realmente a sério... Você está fazendo muito, acredite. Eu entendo sua preocupação com ele...” Com ele e comigo também. “Mas, nesse momento, acho que ele não precisa de nada mais do que você está dando.”
“Obrigada.” Sorri.
“Bom dia meu povo!” Luke apareceu, beijou Ken rapidamente e me deu um beijo no rosto, sentando no banco ao meu lado. “Que bom que você ainda está aqui, lembra que marcamos horário hoje pra você e pro Ethan escolherem as roupas para o casamento?”
“Não lembrava, mas agora eu lembrei.” Pisquei pra ele. “Que horas temos que estar lá?”
“Está marcado para 17hrs, não ouse se atrasar. Mas, eu sei que você vai, então, tente só não se atrasar muito.” Ele falou ironicamente, Kenny e eu rimos. Olhei para o relógio em meu pulso e não para minha novidade, estava atrasada para minha reunião.
“Eu preciso ir...” Desci do balcão. “Avisa pro Ethan que eu encontro ele na loja para a prova das roupas mais tarde.” Tomei um último gole no meu café, andei em direção à porta, parando para fazer carinho em Baby, que tinha acabado de acordar.
“Está bem, até mais tarde!” Luke falou e antes que eu saísse, virei na direção da cozinha.
“Posso pedir um favor aos dois?” Andei de volta e parei próximo ao balcão. Ken e Luke se entreolharam e me olharam confusos.
“Posso ter o apartamento hoje só para o Ethan e eu?” Disse receosamente. “E antes que vocês se magoem ou achem que eu estou expulsando, eu conheço um hotel que é simplesmente maravilhoso, eu posso arranjar uma reserva para vocês dois, isso claro, se vocês toparem e não forem ficar chateados comigo.”
“Claro que topamos.” Ken disse sorrindo. “Vocês estão precisando de uma noite a sós.” Ele falou maliciosamente.
“Só não transem na minha cama e por mim tudo bem. Adoro dormir em hotéis, os café da manhã são espetaculares!” Luke falou.
“Ótimo, a Emily vai ligar pra vocês pra passar o endereço e tudo mais.” Disse animada. “E muito obrigada mesmo!” Sorri e saí de casa.
Cheguei ao prédio e fui direto para o andar da sala de reuniões, onde Matthew estava andando de um lado para o outro impaciente e suspirando aliviado quando me viu.
“Você sabe que...”
“Que eu estou atrasada. Conte uma novidade!” O interrompi e ele riu. “Então, me conta, estão muito mal humorados ou só o de costume?” Perguntei me referindo aos executivos que estavam esperando por nós.
“Eu diria que só o mau humor rotineiro... Então, faça a bondade de ser boazinha e tratar eles educadamente.”
“Eu sempre trato eles educadamente...” Cruzei os braços.
“Se referir a eles como idiotas pretensiosos de ternos baratos não é tratá-los com educação.” Ele disse com divertimento.
“Culpa deles que não concordaram comigo, você sabe como eu fico quando discordam de mim.” Disse andando em direção à sala de reuniões.
“Ah eu sei, vira o próprio satanás em forma de mulher...” Ele debochou de mim e eu o olhei feio.
“Bom dia senhores!” Falei sorrindo entrando na sala.
“Está atrasada...” Um deles resmungou e eu sentei em minha cadeira de costume.
“Ou... Vocês chegaram muito cedo.” Cerrei os olhos e vi Matthew tentando conter o riso ao meu lado.
A reunião seguiu tranquilamente, Matthew e eu tomamos as rédeas da situação logo no começo então os executivos não questionaram nada sobre nossas decisões sobre negócios que já tínhamos e sobre investimentos futuros. Quando, finalmente, a reunião acabou, subimos pelas escadas juntos até nosso andar, quando chegamos, Marissa estava em pé, conversando com Emily.
“Por favor, não me diga que planejamos algo pra hoje e eu esqueci!” Matthew falou, Marissa virou em sua direção rindo.
“Eu não posso simplesmente fazer uma visita inocente ao meu irmão no seu trabalho?” Ela falou e ele a abraçou rapidamente. “Tudo bem com você Sophie?”
“Tudo ótimo Marissa e com você e o bebê?” Disse educadamente.
“Nosso garotão está ótimo!” Matthew colocou a mão sobre sua barriga e Marissa revirou os olhos.
“Ah, já sabem o sexo?” Perguntei confusa.
“Não, mas ele está torcendo que seja um menino.” Ela disse rindo.
“E por quê?”
“Não vou agüentar uma Megan versão 2.0. Meu coração não suporta isso, iria enfartar antes dos 40 anos.” Matthew disse e eu gargalhei.
“Não fala assim da Meg!” O repreendi.
“Em todo caso, eu também vim aqui pra falar com você Sophie.” Marissa disse e eu franzi a testa. “Eu vou precisar voltar esse fim de semana para a Califórnia, por que meu marido está tendo um ataque de pânico por ficar sozinho, você sabe como os homens podem ser extremamente dramáticos quando querem...”
“Ah, nem me diga...” Falei.
“Mas, a minha mãe insistiu para fazer um chá de baby, devido termos muitas amigas aqui em Nova Iorque e eu vim te convidar.”
“Eu? Você tem certeza?” Falei, ela e Matthew me olharam confusos. “Embora eu fique muito feliz por você ter se dado ao trabalho de vir me convidar, pessoalmente, eu acho que não vou ser muito bem vinda nesse chá de baby...” Lindsay estaria lá e a mãe de Matthew estaria lá... Iria ser, no mínimo, muito desconfortável.
“Sophie, é o meu chá de baby e eu faço questão que você vá.” Ela pegou minha mão e sorriu. “Vão ser poucas pessoas e só mulheres, os únicos homens presentes vão ser Matt e Mase, mas, só por que vou usar eles como escravos para organizar tudo.” Ela disse e eu olhei para Matthew, sem graça. “Pelo menos, pense com carinho em ir está bem?” Ela tirou um papel de dentro da bolsa e me entregou. “Aqui tem o local, horário e tudo mais. Mas, por favor, venha, Megan vai adorar te ver lá e eu iria adorar também.”
“Tudo bem, eu vou pensar no assunto sim e obrigada de novo pelo convite.” Esbocei um sorriso e ela assentiu.
“Eu preciso ir para terminar de organizar tudo.” Ela se virou para Emily. “Foi um prazer conhecê-la, espero ter oportunidade de voltar aqui em breve.”
“Será um prazer!” Emily sorriu.
“Eu te acompanho até lá embaixo.” Matthew colocou a mão em suas costas. “Você veio com o motorista ou quer que eu te leve?”
“Eu vim dirigindo, não estou inválida...” Ela cruzou os braços e ele riu. “Tchau Sophie e espero que seja até amanhã!”
“Tchau Marissa.” Sorri e ela saiu com Matthew. “Isso está me cheirando a cilada...” Encostei-me no balcão de Emily que riu do meu comentário.
“Me pareceu bem inocente na verdade...” Ela disse sorrindo.
“Eu nunca fui a um chá de baby... O que se faz? A gente toma chá de bebê ou o quê?” Emily começou a gargalhar.
“É só uma forma de se nomear, geralmente se dá presentes ao bebê, comes e bebes como em toda festa normal...” Ela deu de ombros.
“Eu não sei se devo ir, acho melhor não...”
“Ela praticamente implorou para que fosse.” Emily disse e eu sabia que ela estava certa.
“Bem, eu decido sobre isso depois...” Dobrei o papel que Marissa me deu e fui andando para minha sala.
O resto do dia seguiu normalmente, quando estava próximo das 17hrs, comecei a arrumar minhas coisas para sair e tentar não me atrasar tanto. Quando terminei de resolver as últimas pendências, saí do escritório e Matthew estava saindo também.
“Milagre, saindo antes das 17hrs!” Disse.
“Sabe quando Marissa disse que ia usar Mase e eu como escravos? Ela estava falando sério...” Ele fez uma cara de tédio.
“Quem não está sendo bonzinho agora?” Falei andando em direção aos elevadores. “Até amanhã Emily!”
“Nos vemos amanhã Emily!” Matthew falou também.
“Até amanhã!” Emily acenou com a cabeça sorrindo.
Entramos no elevador juntos, Matthew apertou o botão para a garagem e eu apertei para a recepção, já que havia pedido para um dos seguranças deixar meu carro na entrada principal da empresa, afim de não perder muito tempo.
“Imagina se o elevador resolve parar...” Ele disse rindo.
“Não fala isso nem brincando!”
“Da última vez você gostou...” Ele falou baixinho e eu desviei o olhar dele sem graça.
“Não começa, por favor.”
“É mais feliz com ele do que comigo?” Ele falou me encarando e eu respirei fundo.
“São pessoas diferente e situações diferentes Matthew, é complicado.”
“Me explica então.” Matthew se encostou na parede e cruzou os braços.
“Ethan precisa de mim e de certa forma, acho que preciso dele também. Ele foi o motivo por eu não ter ficado péssima depois do que aconteceu entre você e a demônia.” Revirei os olhos.
“Quando você vai me perdoar por aquilo? Eu já disse que não quero nada com a Lindsay, eu quero com você! O que eu tenho que fazer?” Ele se aproximou e comecei a me afastar a medida que ele chegava mais perto.
“Você não tem que fazer nada Matthew, só ir viver a sua vida e me deixar viver a minha.” Senti a parede atrás de mim, ele colocou os braços de cada lado do meu corpo, me impedindo de sair e meu coração batia tão forte que eu podia jurar que ele conseguia ouvir.
“Eu só consigo pensar em você Sophie, o tempo todo... E penso no que nós dois poderíamos ter sido e no que podemos ser ainda.”
“Matthew, nossa breve história terminou tão rápido quanto começou!”
“Então diz agora aqui, na minha cara, que você não sente mais nada por mim.” Franzi a testa e ele começou a aproximar seu rosto do meu.
“Eu não sinto mais nada por você!” Disse tirando de forças que nem eu sabia que tinha e Matthew sorriu.
“Sempre mentiu mal...” Ele colocou a mão em meu rosto e o elevador fez o barulho tradicional, para avisar que a porta iria abrir.
Aproveitei a deixa e passei por debaixo de seu braço, andando o mais rapidamente possível para fora do prédio. Entrei em meu carro e passei uns momentos só respirando fundo, tentando recuperar a minha sanidade. Dirigi para a loja onde Luke tinha marcado para Ethan e eu escolhermos as roupas do casamento, tive que estacionar um pouco longe da loja, por não achar vaga para o carro. Ah Nova Iorque... Que cidade maravilhosa pra se estacionar. Por um lado achei bom andar um pouco, pra ter certeza de estar normal quando encontrar com Ethan. Matthew teve todas as oportunidades pra tentar se aproximar de mim, mas, claro, ele só quis fazer isso quando me viu tentando seguir em frente com outro cara. Quem não me garantia que isso é puro orgulho ferido por eu ter ficado com outro? Olhei para meu relógio, eram 17h30min. Argh droga... Nem peguei meu celular de dentro da bolsa, por que sabia que iam ter dezenas de ligações para reclamar do meu atraso.
“Ai!” Disse após esbarrar em uma senhora.
“Desculpe!” Ela falou calmamente.
“Não, eu que peço desculpas... Acho que não estava prestando atenção por onde andava.” Falei e a senhora começou a me encarar com a testa franzida. “Está tudo bem? A senhora se machucou?”
“Você, minha filha, corre perigo.” Ela falou séria.
“Todos nós senhora. É Nova Iorque. Se no fim do dia a gente conseguir chegar em casa com vida e com todos os nossos pertences, já é uma grande vitória.” Falei ironicamente.
“Muito cuidado com as decisões que você toma...” Ela falou e segurou minha mão, virando a palma para cima e a analisando.
“Ah... Já entendi. Olha, eu não tenho nada contra as religiões dos outros e as crenças, mas, eu não acredito em videntes.”
“Não sou vidente, sou sensitiva.” Ela me corrigiu sem tirar a atenção da minha mão.
“E não dá na mesma?”
“Escute com atenção...” Ela soltou minha mão e me olhou. “Você precisa tomar cuidado com o que vai decidir, tudo o que você faz gera uma conseqüência, algumas mais graves do que outras e você terá que viver com essas conseqüências. Muito cuidado com as pessoas, elas nem sempre são tão pacíficas como demonstram ser.”
“Como assim?”
“Desconfie de quem fica muito quieto, não se planeja assassinatos aos gritos.” Ela falou e eu arregalei os olhos assustada. “Cuidado minha jovem!” Ela disse e saiu.
Eu fiquei lá, parada, olhando para minha mão tentando ver o que ela via, mas não tinha nada demais. Eu heim... Cheguei na loja, Ethan estava ouvindo o que uma das estilistas falavam sobre o smoke que ele iria usar, sua expressão era uma mistura de pânico e tédio.
“Graças a Deus!” Ele disse quando me viu e veio andando em minha direção.
“Está tão ruim assim aqui?” Falei rindo.
“Eu não tenho idéia sobre o que elas estão falando...”
“Deixa comigo!” Pisquei para ele e comecei a conversar com as estilistas. “E vamos deixar ele com todo o conjunto preto, fica mais elegante...”
“Concordo... E qual vai ser a cor do seu vestido?” Hillary, uma das estilistas falou.
“Bom, a festa toda vai ser com decoração preto e branca, todos os convidados vão ao casamento usando essas cores, então eu vou querer preto pra combinar com o smoke dele...” Coloquei minha mão em seu braço. “Mas, podemos tentar colocar algo pra quebrar um pouco o preto.”
“Talvez uma faixa? Podemos fazer em branco, pra não sair da palheta de cores...”
“Ótimo Hillary, então traga alguns modelos pra eu experimentar, por favor.” Disse, Hillary assentiu e saiu com as assistentes.
Ethan sentou em uma poltrona e bateu a mão levemente em seu joelho, para que eu sentasse em seu colo e assim o fiz.
“Tudo bem? Você está estranha... Mais do que o normal.” Ele riu e pôs as mãos em minha cintura.
“Eu esbarrei em uma moça aqui próximo, ela era tipo uma vidente, sei lá...”
“E o que ela disse? Que você ter um namorado muito gostoso e bom de cama?”
“É... Digamos que quase isso.” Falei rindo.
Trouxeram alguns modelos de vestido, só para eu escolher o estilo que eu iria querer. Peguei um curto, verde, me troquei no provador, voltei para o salão e parei na frente do espelho, tentando desesperadamente não rir.
“O que você achou?” Perguntei para Ethan, o observando pelo reflexo do espelho.
“Você parece um abacate ambulante...” Ele falou e eu comecei a gargalhar.
“Agora imagina isso aqui, na cor preta.” Disse e Ethan ficou com a mão no queixo pensativo.
“Acho que prefiro um longo...”
“É, bem mais bonito...” Fiquei me olhando no espelho, alisando o tecido do vestido.
“Experimenta esse aqui.” Ethan pegou um vestido longo, com as costas nuas, verde e com uma marcação na cintura.
“É lindo...” Disse o analisando. “Já volto.” Pisquei para ele e voltei com o vestido escolhido. Prendi os cabelos em um coque, pra que o decote das costas ficasse mais evidente.
“Perfeita!” Ethan disse boquiaberto me olhando de cima a baixo. “Dá pra ver seus pássaros, isso é um problema?”
“Não...” Falei pensativa. “Não mais.” O olhei por cima do ombro e sorri.
“Temos um escolhido?” Hillary perguntou animada. Olhei para Ethan que sorria abertamente.
“Temos um escolhido!” Falei.
“Ótimo, só vamos tirar suas medidas, vamos marcar a primeira prova dos dois para daqui a 15 dias, ok?”
“Sim, por mim tudo bem.” Falei e Ethan também concordou.
Saímos da loja e voltamos para casa. Quando entramos, estava tudo silencioso. Nem Baby veio correndo nos receber, como ele geralmente fazia.
“Não tem ninguém em casa?” Ethan falou. “Quando eu sai, eles estavam aqui e não falaram que não iriam ficar aqui. Pra onde será que eles foram?”
“Eu sei pra onde eles foram...” Sorri e ele cerrou os olhos. “Eu posso ter pedido para eles nos darem uma noite a sós...”
“E por que você faria isso?” Ele começou a rir e me puxou colocando as mãos em minha cintura.
“Por que...” Coloquei as mãos em seus braços. “Eu quero te ajudar a não ter pesadelos.”
“E como você vai fazer isso?”
“Simples... Não te deixando dormir.” Sorri maliciosamente, Ethan sorriu também e me puxou me beijando.
Não houveram pesadelos essa noite.
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