Por um instante
5 Capitulo 5
Acordei já no final da tarde. Olhei para o celular para ver se era tão tarde e tinha 16 ligações perdidas. Todas de Clark. Me lembrei imediatamente do acontecimento na noite passada e pensei que poderia ser algum problema relacionado.
Liguei para ele de volta, eram 19 horas, ele já deveria estar em casa. Ele não atendeu da primeira vez. Liguei novamente, chamou várias vezes até que ele atendeu, mas não tinha ninguém do outro lado da linha. Estava mudo. Perguntei se havia alguém, ou se ele estava brincando comigo e ele murmurou alguma coisa parecida com “Me ajuda” e a ligação caiu. Não tinha certeza se era aquilo que eu realmente tinha escutado, mas fui direto para o carro para ir para casa dele.Bati na porta, mas ninguém abriu... Ouvi um barulho atrás da porta, e a esperança aumentou. Era Nina, isso mesmo, a garota esquisita que me encarou pela manhã.. e não foi diferente, ela ficou na porta esperando que eu falasse algo como se estivesse fazendo favor... Decidi ser educada, só para mostrar que sou diferente. – É... Oi? O Clark está me procurando, ele está aqui? — Logo imaginei que seria inútil perguntar a ela, já que na minha ultima pergunta foi um pouco constrangedor ela não ter me respondido.– Não. Ele foi para a lanchonete no fim da rua. — Nossa, que simpatia!– Obrigada — Eu disse voltando para o carro. Tentei ligar para ele novamente e ele atendeu. Apenas disse: me encontre na lanchonete. Pisei o mais fundo possível e segui para lanchonete da minha mãe.– Oi? – Eu disse.– E aí? – Ele disse.E ai?? Eu quase atropelei uma velhinha por causa do "me ajuda" que eu havia escutado no telefone.– O que aconteceu? Você pediu minha ajuda. – O que? Não. Estava falando com o vizinho, para ele me ajudar no celular, a ligação estava todo tempo caindo.– Eu fiquei muito preocupada, quase bati o carro por sua culpa. – Ok. Preciso lhe contar uma coisa. Mas você tem que jurar segredo. Por favor. – Está tudo bem. Pode contar comigo Clark. Eu...Faltou energia na lanchonete e uma luz de dentro da cozinha fez eu apertar meus olhos.– Clark, o que será que... Clark? Ele não estava mais sentado na minha frente, onde ele foi parar?– Rachel, o que está fazendo? Levanta, está acontecendo alguma coisa.– Mas... – Estranho o fato das pessoas estarem saindo tão de pressa da lanchonete. Imediatamente lembrei-me da minha mãe que estava trabalhando na cozinha de onde veio a luz branca. Soltei-me com muita força de Clark e corri para cozinha, era como se tudo estivesse ocorrendo em câmera lenta, os pratos de ovos mexidos e panquecas caindo e fazendo barulhos fortes, pessoas gritando. Essas pessoas nunca viram uma falta de energia?–Rachel! – A voz de Clark estava desesperada, mas eu não prestava atenção do por que o desespero dele.Entrei na cozinha e gritei pela minha mãe, a luz era bem forte, parecia um holofote. A luz finalmente voltou e vi que minha mãe estava no chão com muito sangue na barriga.– Mãe? O que aconteceu? — Naquele momento senti um aperto imenso no coração. Que cena era aquela? Por que isso estava acontecendo? Me ajoelhei sem saber o que fazer.– Filha... me ajuda...– Mãe, o que aconteceu? O que foi isso na sua barriga? – Filha me ajuda...Virei para trás e vi que Clark estava absurdamente espantado com a cena. Então decidi agir por mim mesma.– Me ajuda Clark! Vamos levar ela rápido para o hospital. Apoiamos minha mãe em nossos ombros e com muita força e rapidez conseguimos por ela dentro do carro. Que estranho tudo aquilo, eu não sabia como agir diante disso tudo. Apenas respirei fundo, apoiei minha mãe sobre minhas pernas e pedi a Deus que tudo aquilo acabasse. Dei um sorriso para Clark como um agradecimento. E ele foi dirigindo a 120 km/h até chegarmos ao primeiro hospital que vimos.Chegamos no hospital e minha mãe foi atendida bem rápido. Depois de algumas horas na sala de espera eu me deitei no ombro de Clark. Eu o amava muito, eu não sei o que eu faria sem ele, ali era tão aconchegante, não existia um lugar melhor para aquele momento.– Rachel. O médico quer falar com você.– Ah desculpe.– Você está chorando? – Ele disse limpando a lagrima da minha bochecha.– Não, é por que eu estava de lado.– Bom dia Srta. Morgan. – Como assim dia? – Sua mãe terá que ficar aqui por um tempo até que os cortes estejam totalmente curados, ela teve que levar 7 pontos na região do abdômen. Acredito que logo ela receberá alta. Portanto, precisaremos que fique como acompanhante dela.– Eu posso vê-la?? Você sabe o que aconteceu?– Pelos exames feitos, sua mãe pode ter sido atingida propositalmente por uma faca. Já acionamos a perícia e a polícia para investigar o local, caso alguém tenha invadido. Eles vão querer conversar com você mais tarde.Ele saiu bem rápido, talvez por que tivesse ainda uma grande lista de pacientes.– Clark, como assim dia? Que horas são?– 4:30. Você dormiu no meu ombro. Vou ao banheiro venho em um segundo. Como sua mãe está?
– Ela vai ficar por aqui por um tempo... mas vai ficar tudo bem.Então ele saiu.Eu estava em um colapso emocional, então apoiei as mãos sobre meu rosto e comecei a pensar um pouco na situação. Uma senhora que estava ao meu lado, percebeu que talvez eu estivesse precisando de conforto.– Olá menina — A voz dela era como um calmante. — O que faz aqui na sala de espera?– Ah, olá senhora. — Levantei meu rosto como uma forma de educação. — Minha mãe sofreu um acidente na cozinha da lanchonete onde ela trabalha.– Me desculpe a indelicadeza... – Não, está tudo bem... eu estou mesmo precisando conversar. — Dei um sorriso tímido.– Mas e seu namorado? Vi que ele se preocupa com você mais do que uma velha idosa com câncer. — câncer? namorado? que?– Desculpa, mas de quem a senhora está falando?– Do rapaz que você estava agora. Ele é muito carinhoso com você. — Ela sorriu sem graça.– Ah... Não, somos apenas amigos. Melhores amigos. Uma enfermeira a levou para uma sala sem falar nada.Eu me senti estranha, mas um estranho bom. Não sei explicar exatamente o meu sentimento, mas sei que era bom. Mas, seria verdade? Clark me amava mesmo tanto assim? Não tinha cabeça para vidrar naquele momento, eu so queria que minha mãe estivesse bem. Talvez se eu não tivesse ido para casa de Clark nada disso teria acontecido.. Bobagem! Ou não.. Não sabia o que pensar.. Decidi sentar e esperar mais um pouco.
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