Por trás dos olhos azuis

2 Como conheci o Idiota Queen.


Notas iniciais
Espero que gostem ♥ Boa leitura, meus melzinhos.

—Vamos lá, Sin, mais rápido!

Eu estava treinando naquela manhã (cadê a novidade?) com Cindy. Eu gostava dela porque ela me lembrava de Roy. Os dois eram muitos amigos antes de ele, bem, antes de ele...desaparecer. Toda vez que treinávamos juntas, era como se um pedaço do meu coração quase tivesse sido colocado no lugar por algumas horas. Além do mais, servia como distração para o inferno que eu teria de ir mais tarde. A escola. Eu odiava a escola desde os meus 13 anos quando quebrei o nariz de um garoto. Desde, ninguém falava/ria/olhava para mim. Você pode achar que fosse exagero, não era.

Em determinadas situações, eu me sentia como o Greg, de O Diário de um Banana, e eu tivesse o toque do queijo. Acho que no meu caso, era a doença de: Não fique perto perto se quiser que seu nariz fique no lugar certo.

E eu me sentia verdadeiramente mal por isso. Não de ter feito o que fiz, mas porque agora não tinha amigos e apesar de toda loucura que era minha vida, eu precisava de amigos, principalmente na escola- onde ninguém sabia nada sobre mim- e eu poderia agir como uma pessoa normal.

— Qual é, Lis, eu tô fazendo meu melhor. Pega mais leva aí, pô! — Seu rosto estava vermelho e uma quantidade considerável de suor escorria por sua pele.

— Nenhum inimigo vai pegar leve com você — A olhei duramente. Confesso que eu não era a melhor das amigas quando estava lutando. Eu sempre exigia mais do que a pessoa poderia dar e, no meu subconsciente, sabia que era por causa de Roy. Se todos tivessem dado um pouco mais de si, talvez ele estivesse aqui comigo. Talvez. Olhei para Cindy novamente e me peguei dizendo:

— Okay, relaxe um pouco. Eu vou me arrumar para ir ao meu inferno pessoal mais conhecido como escola.

{...}

Estava pondo minha roupa quando meu pai entrou em meu quarto. Seu semblante era sério.

-Megan — Meu pai nunca, jamais me chamava de Felicity. Era sempre Megan para ele. Eu odiava esse nome.

—Hum? — Ele arqueia as sobrancelhas. Então, digo em um tom condescendente: — Sim, papai?

-Não tem graça. Por que diabos você quebrou a perna de 3 meninos? -Ele diz, bravo.

–Nós estávamos lutando! Eu não tenho culpa se eles eram lerdos! — Tentei, em vão, me defender.

-Eu sei o porquê disso tudo, Megan — Agora é a minha vez de arquear as sobrancelhas.- E isso não vai trazê-lo de volta -A dor, tão conhecida por mim, vem com toda sua força e eu não consigo mais. Começo a soluçar e meu pai me abraça -Shiii, tá tudo bem, meu amor. Eu vou achá-lo.

—Você promete?

—Eu prometo. E eu tenho uma novidade.

—O quê?

— Nós vamos nos mudar. Se lembra quando você falou que queria ter uma casa, abre aspas, normal, fecha aspas? Então, eu e sua mãe achamos uma casa perfeita. Tem jardim, um quintal grande, uma piscina, e o mais importante: Seus computadores e um espaço para você treinar. O que me diz? — Eu me animo de verdade com a notícia. Eu sempre quis uma casa onde pudesse levar meus amigos (se eu tivesse amigos) apesar de querer revirar os olhos com tanta esbanjação. É tão típico do meu pai.

—Obrigada, pai, sei que não é fácil para o senhor. Obrigada mesmo.

—Tudo por você, meu amor — Eu olho para aquelas íris claras tão familiares para mim e me permito chorar mais uma vez, em silêncio.

—É tão estranho.

—O que, meu anjo? — Meu pai me olha carinhosamente.

—Nós estamos fazendo planos para uma casa de verdade. Só nossa. Tudo o que o Roy sempre quis e ele nem está aqui. Eu sei que ele não está morto, pai. Eu sinto isso. Mas eu não como ele está. Será que ele é bem alimentado? Será que ele está com sede? Com sono? COMO ELE ESTÁ? Eu não aguento mais não saber!

—Megan, preste bem atenção no que irei te dizer, sim? — Eu assenti.- Eu vou achar seu irmão. Nem que eu tenha que ir ao inferno 50 vezes, mas eu vou encontrar meu filho. E também, na nossa nova casa tem um quarto especialmente para ele. Eu sei que ele vai voltar. Eu sei.

Estou realmente feliz pela notícia que recebi, mas a palavra "inferno" acaba me lembrando de algo.

—Hum...isso faz me lembrar uma coisa — Ele franze a testa.

—O quê?

—Estou atrasada!

{...}

Eu odeio a escola. E dessa vez digo isso não porque não tenho amigos. É porque simplesmente detesto esse sistema.

Nenhum aluno pode expressar opinião oposta aos superiores.

QUE MERDA É ESSA?

Sério. Como uma pessoa vai crescer se não se expressar?

A verdade é que o Brasil está em meio a uma crise. Vivemos em uma época de ditadura disfarçada. Ou eles acham que eu não reparei que os professores de filosofia e sociologia estão "faltando" cada vez mais? E quando vem, é somente essas porcarias de aula teórica. Nenhum deles desperta nada em nossa mente. É tudo tão robótico e computadorizado, e se eu, Felicity, disse "computadorizado" numa frase que não foi para um elogio, então, meu filho, a coisa tá feia!

E estava mesmo.

Indo de mal a pior.

Esses dias eu estava com Rosa na biblioteca e ela me disse que foram tirando de lá, mais de 100 livros. Segundo eles, os livros continham informações que podiam fazer o Brasil se tornar um caos. Sim, até porque se as pessoas começarem a usar o próprio cérebro, com certeza tudo irá se tornar um caos...para melhor! E, como eu pensava, já estava começando os meus feitos.

Como por exemplo, mudar totalmente o conteúdos de alguns livros depois de aprovados pelo nosso "PAI".

É sério, o cara nos obrigava a chamá-lo assim. Era um pé no saco.

Enfim, em livros que o exaltava, eu o humilhava. Colocava frases e conteúdos de alguns caras como Karl Marx. Fazia apologia ao livre-arbítrio, entre outras coisas. Eu esperava que desse certo e já estava começando maquinar mais alguns planos para pôr em prática, mas tudo que podia fazer agora era esperar e aturar meus últimos tempos de Biologia.

E foi um inferno.

Biologia já era tão inútil em minha vida. E para piorar tudo, eles ainda passavam trabalhos completamente tediosos e chatos.

—Devo avisá-los que cada trabalho será feito em duplas que eu mesmo irei escolher — Toda a turma reclamou. Eu só conseguia me concentrar em uma palavra. Dupla -...Kyle e Wayne, Kent e Prince...Smoak e Queen.

Quê?

—Queen? — Era primeira a vez que eu me pronunciava em sala.

—Sim, Smoak. Oliver Queen. Algum problema? — Ele falou como se eu fosse uma idiota. Eu murmurei um não inaudível e ele se limitou a um arquear de sobrancelhas.

Por que um professor tinha que passar exercício em dupla? Sério, pra que esse merda? Pra tornar minha vida um caos? Se for, parabéns! Conseguiu.

Aliás, eu tenho outra dúvida:

Quem é Oliver Queen?

Por que todas as garotas da sala se viraram para mim como se quisessem me matar quando minha dupla foi anunciada? Eu nem sabia quem era! Aliás, eu não sei quem é ninguém nesse colégio, exceto a bibliotecária.

— Oi!- Sou interrompida dos meus devaneios por uma voz desconhecida. Sério? Faz 3 anos que ninguém falava comigo e justo agora, quando meu humor está abaixo do pré-sal tem de vir alguém?

—Que é?- Soou ríspido, eu sei. Mas eu não queria falar com ninguém e nem me dou o trabalho de olhar para cima.

—Humm — A pessoa, que eu deduzi ser um menino pela voz grave, soltou um grunhido envergonhado. Eu quase senti pena. Quase. Eu podia ser bem maléfica mesmo. Sou filha de Dark, fazer o que — Você é Felicity, certo?

—Sim — Respondi, curta e grossa.

—Sou Oliver. Acho que somos parceiros do laboratório. Ou seremos, pelo menos — Eu levanto o olhar, pela primeira vez, dando de cara com um menino de cabelos loiros e meios grandinhos, com uma expressão envergonhada e com grandes olhos azuis me encarando.

—Ah, é você — Ele assente, estupidamente, devo dizer. Não era um pergunta. — Olha, você quer mesmo fazer o trabalho comigo? Eu posso fazer e pôr seu nome!

—Não. Eu quero fazer — Ele diz, firme. Prendo um palavrão direcionado a ele.

—Ok, e como será? — Digo, meio maliciosamente.

—Posso sentar aqui?- Eu fico surpresa com a pergunta, mas assinto. — Antes de responder sua pergunta, responda-me a minha: Por que você não tem amigos?

Okay, essa doeu. Eu sabia que não tinha amigos, mas ouvir um estranho dizer era diferente.

—Porque todos me odeiam — Respondo, num fio de voz.

—Mas por quê?

—Por que você quer saber, afinal?

—Não sei. Eu estudo aqui há 1 ano e a única pessoa que a vi interagir foi a bibliotecária e merendeira. Oh, não posso esquecer da árvora lá de fora. Às vezes você senta lá e parece conversar com ela — Ele ri. E eu coro. Fortemente.

— Você tá me espionando, seu idiota? — Como ele sabia tanto sobre mim?

— Não — Eu arqueio uma sobrancelha. -Talvez um pouquinho, mas é que você sempre me intrigou.

— Nenhum adolescente de 15 anos usa a palavra "intrigou". Você pode ser um agente do governo tentando ver se eu estou ao lado deles — Eu provoco. Mas sei que não é verdade. Eu saberia, acredite.

—Toda adolescente de 15 anos tem amigos — Ele rebate. Essa doeu. — E eu jamais trabalharia para o governo. Eu os odeio.

O tom amargo dele me surpreende, e eu quase perguntei o porquê. Mas não era da minha conta.

—Okay, você venceu. Há 2 anos, o Cooper estava comprando não sei o que ali na frente. Não sei o que houve, mas algo o incomodou e ele começou a humilhar um senhor. Eu não gostei e quebrei seu nariz. E eu também odeio o governo

—Uau, você sai quebrando o nariz das pessoas assim? — Ele põe a mão em seu nariz como se estivesse protegendo-o. — Idiota. Isso não iria me segurar.

—A questão não é esse, seu idiota. O Cooper devia respeito ao senhor, pelo amor de Deus. Ele não tem direito de humilhar ninguém.

—É. Tudo bem. Você respondeu a minha, agora respondo sua. Que tal lá em casa mês que vem, dia 2, sábado? -Ele parecia ter pensado em tudo antes de conversar comigo, observei. Mas foi uma boa ele ter oferecido. Ele não poderia ir para minha casa mesmo. Só havia um problema. Meu pai.

—Tá, que horas? — Ele parece surpreso por eu não apresentar obstáculos.

—14H. Tudo bem pra você?

—Tudo — Nem precisava perguntar o local. Eu tinha meus truques de como saber.

—Okay — Ao contrário do que pensei, que ele sairia dali na mesma hora, ele abriu o que sei lá estava em sua bolsa e começou a comer. What?

—O que você está fazendo?

—Comendo. Quer? — Era chocolate. Eu quase me deixei envolver por aquele cheiro maravilhoso. Mas, felizmente, recobrei meu juízo.

—Não, idiota. Quis dizer: O que você está fazendo aqui, sentado comigo? Não deveria ir para seus amigos? — Eu nem sabia quem eram os amigos dele.

—Não quero ser amigo de um babaca.- Ele, então, me encarou profundamente. — Felicity, agora nós dois somos oficialmente parceiro de laboratório e amigos. Não aceito não como resposta.

E foi assim que começou minha louca amizade com Oliver Idiota Queen.

{...}

Depois daquela conversa, Oliver e eu nos tornamos amigos de verdade. Nós conversávamos sobre tudo e todos, sobre futilidades e até assuntos mais sérios . Ele era um pessoa bacana e eu gostava cada vez mais da amizade que estava se iniciando entre a gente. Quem não parecia gostar era meu pai. Apesar de eu só ver Oliver na escola, meu pai cismava que eu não deveria confiar nele e eu sempre rebatia dizendo que já tinha investigado tudo antes de tudo começar. E com "tudo", quis dizer a nossa amizade.

Eu jamais teria nada com aquele Idiota.

Hoje era o dia de nossa mudança, por isso, estávamos eu, minha mãe e o pai no carro. Eu ainda não tinha visto a casa e estava realmente ansiosa. Tão ansiosa que quase não reparei no SMS que havia chegado.

O nome "Idiota Queen" surgiu na tela.

*Vc já viu a ksa?*

Oliver. Ele parecia mais ansioso que eu para saber como era a casa. Fala sério.

*Ainda não, idiota. E é "c-a-s-a".*

Eu não conseguia me dirigir a ele sem chamá-lo de idiota por mais 5 frases, por isso tornei o apelido oficial.

*kla a bok, fel. E muda o meu nome na sua agenda, quebradora de narizes*

*Se vc n parar de me chamar assim, vou quebrar o seu.*

*Isso é uma ameaça?* Eu podia sentir o seu sorriso na frase.

*Não, é uma promessa.*

—Lis, chegamos — Minha mãe diz, sorrindo abertamente. Reviro os olhos. Donna Smoak cisma que eu e Oliver seremos um casal. Fala sério! -Mande um beijo para Ollie por mim.

*Cheguei, idiota. Dps falo ctg! Donna Smoak mandou um beijo*

Nem esperei a resposta e fui logo adentrando pela casa. Eu não tinha palavras para mostrar a meus pais o quanto havia gostado daquilo

—É...maravilhosa — Eu consegui falar, maravilhada.

Mamãe e papai me abraçaram

—Sim, minha menina. É a nossa casa.

Finalmente, eu tinha um lar.

{...}

Oliver estava sentado ao mesmo e nós estávamos no jardim de sua casa fazendo nosso trabalho. Eu estava pensando sobre minha casa. No dia da mudança, eu tinha visto todos os cantos da casa. Desde o quintal, sotão e porão imaginando como Roy se sentiria ao vê-la. E ainda tinha o quarto dele. Totalmente decorado com seus amados super-heróis e futebol. Eu sentia saudade de conversar com ele sobre essas coisas. De ouvir todo aquele entusiamo. Seu rosto angelical ficava vermelho e ele sempre arregalava os olhos de um modo bonito.

E sempre dizia:

"Whoa. Desculpe, Foy. Eu sempre acabo tagarelando demais"

—Fel, o que você acha... — Ele observa me estado e pergunta: O que aconteceu?

—Nada, Oliver — Falo, num fio de voz.

—Como nada? Você me chamou de Oliver, Fel — Eu esboço um sorriso. Ele estava tentando fazer com que eu me sentisse melhor.- E eu já vi essas expressões antes. Anda, desembucha.

Eu encarei aquela imensidão de azul em seus olhos e me perguntei:

Eu poderia contar a ele?

Contar sobre Roy?

Eu confiava nele tanto assim?

E me peguei encontrando a resposta:

—É sobre Roy.

— Quem?

— Meu irmão. Meu irmão gêmeo. Ele sumiu tem mais ou menos um ano e meio. Eu sinto tanta saudade dele — Finalmente, me permito chorar. Oliver me abraça.- Eu sinto tanta falta dele, Oliver. Todos os dias e todos os minutos. Ele era uma parte de mim. Quer dizer, ele é. Eu sei que ele está vivo.

Diferente do pessoal da Liga, ele não duvidou de mim quando disse que Roy estava vivo. O amei por isso

— O que aconteceu?

—Uns caras invadiram...o lugar onde eu morava e o pegaram. Eles tentaram pegar a mim antes, mas eu não deixei. E, às vezes, acho que deveria ter deixado que me pegassem. Roy é quem deveria estar aqui.

—Não, Fel, não foi culpa sua. Foi culpa desses caras. Você era uma criança. Não podia fazer nada — Ele olha para mim. A imensidão de azul em seus olhos me fazem relaxar um pouco. — Como ele era?

É tão difícil responder essa pergunta.

—Ele era incrível, sabe? Costumava me chamar de Foy — uma mistura de Felicity com Roy — porque as pessoas diziam que nós dois éramos um só, aí ele juntou nossos nomes. Eu era Foy e ele era Regan — Oliver parece confuso e eu explico. — Meu segundo nome é Megan.

—Sério? O meu é John. Megan é bonitinho. Mas ainda prefiro Quebradora de Narizes.

Ele estava tentando me animar.

—Você não passa de um idiota, Queen — Dou um soco de brincadeira em seu ombro.

Mas ele parece perdido em pensamentos, porque fica em silêncio uns minutos.

—Felicity? — Eu levo um susto com sua voz. Ele estava muito perto de mim.

—Oi.

Ele me aperta mais em seu abraço e diz:

— O Roy vai voltar. Nós vamos achá-lo. Eu prometo — O tom de voz dele é tão firme que meu coração se enche de esperança.

—Como pode prometer isso, Oliver?

—Eu não sei, Fel. Mas você sabe como eu sou com promessas. Eu sempre as cumpro, principalmente para as pessoas com quem me importo.

Olhei bem em seus olhos, naquelas íris azuis oceânicas e tive certeza de uma coisa:

Oliver Queen jamais mentiria para mim.

E ele não quebraria a promessa.

Nós íamos encontrar Roy.

Juntos.

Notas finais
E então? O que acharam, melzinhos?