Roger, cujo o verdadeiro nome era Mark Bailer ou, ainda, Sirius Star, como o conheciam no lado obscuro da internet, não se sentia em nada à vontade, pois não gostava muito da polícia, devido as suas atividades um tanto ilícitas, como hacker. Fazia isso, mais pelo desafio de burlar a segurança e invadir os computadores de grandes empresas públicas e privadas, descobrir seus podres e jogar na rede, mas vivia de pequenos trabalhos para aqueles que tinham problemas corriqueiros dos analfabetos em informática, como instalar uma rede ou resgatar um programa, por isso, tentava se manter calmo diante do policial com jeito de galã, que se interessou por Alicia.

— Senhor Mark Bailer, você não tem emprego fixo? – Santini perguntou a ele. – Tem 27 anos, ainda mora com os pais.

— Tenho meu próprio negócio, trabalho por conta própria, faço pequenos reparos de informática. Além disso, meus pais tem uma casa grande e confortável, alugo o sótão deles, para poder trabalhar – ele explicou, um tanto sem jeito.

— Como o senhor veio parar aqui, nessa casa? – o policial indagou, mas uma vez, ouviu a história semelhante à de Alicia, com todos os detalhes iguais.

Sam estava sentado confiante, diante do detetive Lee, na frente da mesa da biblioteca, felizmente, era o último a ser interrogado.

— Sam, não é? – O detetive começou – Mas, qual é o seu verdadeiro nome?

— Edward Moore, tenho 29 anos, sou advogado e trabalho no escritório de advocacia Travel e Moore.

— E você é o Moore? – O detetive questionou descrente, que alguém tão jovem, fosse sócio de um escritório tão importante.

— Na verdade, esse Moore é meu pai – Edward, antes Sam, confirmou, com um sorrisinho irônico.

— Assim, suponho que não esteja aqui nessa, digamos, pela experiência ou pelo dinheiro? – O detetive indagou, cético. – Você não parece alguém, que precise se submeter a isso.

— Não, não preciso. Eu estou aqui pela diversão, queria fazer algo diferente. Quando vi aquela carta, pensei que poderia ser bem interessante, como estava de férias, resolvi arriscar – Edward emanava confiança, relaxado na cadeira e cruzando as pernas, parecia que falava a verdade. Para Lee, ele parecia apenas um garoto mimado e arrogante.

— Mas, é difícil acreditar, que um rapaz de bem-nascido como você, perderia suas férias em uma atividade um tão pouco convencional – O detetive Lee o instigou, mas Edward não se abalou.

— Por isso mesmo, por anos, minhas férias são sempre iguais, viagens para o exterior, baladas, praias paradisíacas, já estava cansado disso – ele afirmou de um modo pedante – então, imaginei participar de algo diferente, por isso eu vim parar aqui.

— Imagino como devia ser difícil para você essa vida – Lee replicou, com sarcasmo, erguendo as sobrancelhas hirsutas e grisalhas – Você também recebeu a tal carta-convite? – Ele questionou.

— Na verdade, não era para mim, mas para um funcionário do escritório, que me mostrou e disse que não aceitaria. Achei aquela história bem curiosa, então pedi para ela a carta, ele me deu, assim segui todo os passos indicados – Edward finalizou.

— E Lisa, você teve algum tipo de relação com ela?

— Detetive, ficamos trancados dias dentro dessa casa, era impossível não ter qualquer tipo relação com alguma pessoa aqui, pelo menos, superficial.

— E como era Lisa?

— Descontrolada, um tanto alucinada, principalmente, na última noite, antes de desaparecer.

— Se ela estava assim tão descontrolada. Por que nenhum de vocês ficou de olho nela? – o detetive questionou, encarando Edward, que parecia muito seguro e tranquilo, diferente dos outros nem um pouco intimidado com a situação.

— Porque nenhum de nós imaginaria, que ela saísse assim, no meio da noite, debaixo de toda aquela chuva, muito menos, que caísse do precipício – Edward declarou, sem se abalar. Ele havia crescido em um meio onde as emoções eram bastante dissimuladas e as palavras escolhidas com demasiado cuidado. Observou seu pai e o sócio dele por anos a fio, aprendeu muito com eles.

— Então, você acha que ela caiu do precipício?

— É o que parece, estava escuro, chovia muito, ela pode ter errado o caminho e escorregado, acabou caindo lá embaixo – Edward concluiu, dando de ombros.

— E isso não o abala?

— Não, detetive. Você pode até achar que só insensível, mas eu não me importo.

Algum tempo, mas tarde após os interrogatórios, os dois detetives se reencontraram, na biblioteca, para trocarem as suas impressões a respeitos do que descobriram do que estava acontecendo ali, Santini se espalhou confortavelmente no sofá, desejando um café, enquanto Lee, sentou se na poltrona, pensando na cerveja, que tomaria no bar, antes de voltar para o seu apartamento, solitário.

— Então, o que você achou? – Santini perguntou a Lee, querendo saber a opinião do colega mais experiente.

— Não sei, todas os relatos batem, tudo muito certinho, como se combinado – Lee falou, com cautela.

— Você desconfia de alguém especifico? – Santini quis saber a opinião dele, principalmente, pelo seu interesse na gostosa da Cynthia.

— Não, pelo visto, ninguém teria nada a ganhar com a morte dessa mulher. Pelos relatos, ela parecia estar desequilibrada.

— Mas, se tudo aconteceu como foi dito, alguém planejou muito bem – Santini considerou, quando outra policial se aproximou deles.

— Já temos o verdadeiro nome da tal Lisa. Ela se chama Julie Ross, 25 anos, desempregada, antes trabalhava no International Bank – a policial relatou. – Recuperamos os celulares dos envolvidos e temos os contatos dela. Ainda pegamos cabelos da escova, que estava no quarto dela, para mandar para análise e comparar com o sangue da roupa.

— Obrigado, Anne – Lee agradeceu a policial, que se afastou, ele anotou no seu bloco os dados recebidos.

— Você acha que possa ser apenas um acidente como Edward cogitou, ou tenha algo a ver com o roubo no banco que ela denunciou? – Santini perguntou a opinião do colega, um tanto ansioso pela resposta.

— Ainda não posso dizer nada. Apesar de estar inclinado para a hipótese de acidente, mas ainda não podemos descartar a possibilidade de crime. Precisamos olhar essas gravações, e esperar que um corpo apareça boiando no mar.

— Isso pode não acontecer – Santini conjecturou.

— Se não acontecer e não tivermos um corpo, ficará mais difícil provar que houve um crime, ou mesmo, um acidente – Lee declarou, sem emoção na voz. – Mas, vamos investigar um pouco mais sobre essa moça... – ele leu sua anotação. – Julie Ross.