Por que tão sério? Sorria!
1 Capítulo 1 - Por que tão sério? Sorria!
Notas iniciais
Capitulo único — Por que tão sério? Sorria!

Aquela era uma manhã especial, ao menos aos olhos de Rocinante que saltitava de um lado ao outro na cozinha.
O sol reluzia majestoso no topo do céu azul, indicando que o horário era próximo do meio dia. Os raios de luz passavam por dentre as folhas nas árvores que cercavam o prédio e invadiam boa parte da cozinha onde descansavam vários ingredientes que Rocinante havia passado a manhã inteira preparando.
O chão frio, antes tão branco como poderia ser, agora se encontrava coberto por doces, farinha, pedaços quebrado de prato e até mesmo cacos de vidro que ele derrubara em suas muitas quedas causadas por seu jeito desastrado.
Ele sabia que Law gostava de manter suas coisas limpas, o que explicava o fato do chão parecer brilhar quando chegara ali, e por esses e outros motivos, por muitas vezes tentara abaixar-se e recolher os cacos de vidro o que apenas resultara em mais desastres de todos os tipos e pequenos cortes espalhados por toda a extensão da mão do homem.
Também havia alguns galos em sua cabeça do momento em que tentara de levantar e batera a mesma contra a bancada ou mesmo quando abrira a porta do armário alto da cozinha e, sem querer, derrubara alguns utensílios sobre si.
Ele se queimara tentando levar a massa ao forno e escorregara na farinha que ele mesmo havia deixado cair no chão. Haviam muitos hematomas em seus braços onde, por muitas vezes batera enquanto tentava fazer coisas simples como passar pela porta.
Oh, Rocinante certamente era um cara descuidado...
─Cora-san. ─ O homem loiro que, atualmente, tinha a cabeça enfiada no fundo da geladeira procurando onde havia colocado ali mais cedo, levou um susto com o chamado. O suficiente para pular, bater sua cabeça o teto da geladeira e adicionar um terceiro galo à sua coleção. ─ O que você está fazendo?
─Oh, Law! Você acordou! ─ Rocinante ofereceu um sorriso para o mais novo junto a um abraço, mal percebendo o quão ruim parecia a aparência de Trafalgar.
Olheiras já eram quase parte do estilo de Law uma vez que o cirurgião costumava passar noites em claro fazendo plantão no hospital, porém, naquela manhã, pareciam grandes bolsas negras que, em conjunto a sua pálpebras levemente caídas, lhe davam uma aparência mais cansada que o normal.
Seu nariz estava inchado, como uma grande bolota vermelha e, enrolado ao cobertor como uma criança acordando nas manhã de sábado para assistir desenhos animados, os fios negros de seu cabelo pareciam mais rebeldes que de costume. Para não mencionar seu olhar mal-humorado.
─Feliz aniversário! ─ Rocinante exclamou sorrindo com seu jeito excêntrico enquanto, furtivamente, empurrava Law para fora da cozinha. — Eu tenho algo para você, espere aqui.
E, assim, o cirurgião sequer teve chance de responder enquanto o homem mais velho correu de volta para dentro.
Ele pode ouvir alguns gritos e maldições lançadas ao fogão pela parte do loiro, algo sobre "aquele aparelho estupido ter lhe queimado... De novo", antes do mesmo voltar exibindo um bolo entupido com velas coloridas.
Na visão de Trafalgar, o doce parecia num tanto murcho e pendendo para a esquerda, os desenhos feitos com glacê não faziam qualquer sentido e as velas estavam próximas de cair e começar um incêndio, porém ele não pode deixar de esboçar um sorriso em seu rosto para a expressão alegre de Cora-san, que corria em seus direção.
Não era como se Rocinante precisasse de ajuda externa para tropeçar, mesmo assim, podia-se dizer que não era estranho que o homem tropeçasse estando correndo daquela forma sobre toda aquela farinha.
Mas, dessa vez, o grande culpado por sua queda era, de fato, o fogo das velas que se espalhara pela manga de sua camisa, que agira em conjunto com seus pés que insistiram em tropeçar um no outro quando Rocinante passou a pular tentando se livrar do fogo.
As consequências foram desastrosas.
O bolo voara longe... Bem, longe o suficiente para esmagar-se contra o rosto de Law, que não parecia muito contente com o fato.
O loiro congelou por um momento antes de disparar para desculpar-se com o cirurgião, mas o mesmo apenas murmurou amargamente que estava tudo bem e se retirou com o intuito de limpar-se.
Rocinante sabia que Law estava bravo pelo estado de sua cozinha, seu rosto e suas roupas, mas justamente por conhece-lo bem, sabia também sabia que Law era como uma adolescente na TPM: Ele não diria que estava irritado e nem como poder consertar tal situação. Ele estaria apenas esperando que Rocinante adivinhasse.
Não era assim que as coisas deveriam ter sido. O loiro queria ter entregado o bolo para Trafalgar e agora eles estariam se abraçando, rindo e comendo o doce, apenas para descobrir que Cora-san é um péssimo cozinheiro.
Rocinante culpava seu jeito desastrado enquanto esperava Law sair do banheiro, mas, meia hora depois, ele percebeu que talvez Trafalgar não quisesse sair.
E, foi assim que, Roci percebeu que teria que incrementar para poder reparar seu erro e dar um aniversário legal para seu amigo.
[...]
A tampa do vaso se encontrava levantada e Law apoiado sobre a mesma, uma vez que sua cabeça se encontrava levemente debruçada em direção sanitário, de modo que, as gotículas que escorriam de seu cabelo ─ ainda úmido depois de lavar seu rosto para livrar-se dos restos dos bolo ─ caíam sobre a água.
Ele estava ajoelhado, pálido e num tanto quanto tonto.
Law tinha estado realmente irritado mais cedo quando teve esfregar seu rosto diversas vezes para se livrar do doce meloso que o cobria e agora o cheiro aquela coisa horrorosa que costumam chamar de chocolate estava lhe deixando enjoado.
Ele estava sendo injusto, no entanto. Havia acordado com ânsia e irritado desde o começo, tais fatos apenas contribuíram para estragar ainda mais seu dia. Law odiava acordar doente e, acima de tudo, odiava chocolate, apenas não mais do que pão.
Trafalgar grunhiu em desgosto quando pensou que deveria, ao menos, tentar agradecer Cora-san pelo bolo, mas a grande verdade é que tudo que ele queria era passar o resto do dia em sua cama e tentar esquecer que era seu aniversário.
Law também não diria para o amigo que estava passando mal, afinal, ele era médico e poderia se virar bem com alguma pílulas.
O cirurgião estava saindo do banheiro quando ouviu o bater da porta de entrada de seu apartamento, ele não ouviu quaisquer outros sons depois disso o que o levou a checar alguns cômodos à procura de Cora-san.
Nada.
Law se viu parado em frente a sua cozinha tão limpa como quando havia a limpado na noite anterior, não sobrara um resquício sequer da bagunça que o loiro havia deixado ali mais cedo.
Trafalgar ficou ali por alguns segundos, num tanto quanto preocupado com o paradeiro de Cora-san.
Ele temia que talvez o mesmo pudesse ter caído da janela ou se explodido de alguma forma ─ seja lá como isso seria possível, mas considerando seu jeito naturalmente desengonçado, Law não duvidava de mais nada.
Eles estiveram conhecendo um ao outro muito bem ─ desde o dia que Rocinante havia despencado pela escada de incêndio até parar na janela de seu apartamento ─ e, por esse motivo, Law sabia que o loiro tendia a ser mais insistente que isso.
Oh, e como ele sabia. Desde o momento em que se conheceram e Cora-san havia decidido que seriam amigos, assim foi, do jeito que ele queria.
Hoje, os dois eram uma espécie de “melhores amigos”, algo que era estranho para o cirurgião uma vez que não dispunha de muitos que poderia denominar de tal forma, no máximo, colegas de trabalho como Shachi e Penguim.
De certa forma, eram tão próximos que agora Cora-san tinha a chave de sua casa, embora os motivos não tenham sido tão nobres quanto pareçam.
A grande verdade era que, Law havia feito isso como uma medida preventiva para que o homem parasse de tentar adentrar sua casa pela escada de incêndio, correndo o risco de tropeçar nos próprios pés e cair do terceiro andar.
Cora-san era teimoso e Trafalgar não poderia impedi-lo de tentar ir visitar sua casa todos os dias para bater papo e, embora nunca houvesse tido em voz alta, Law gostava de sua companhia, por isso, lhe dera a chave para visse e fosse sem demais preocupações.
─Bu! ─ O cirurgião, que estava tão envolto nos próprios pensamentos, pulou com o susto e seu corpo, que já fraquejava por conta do resfriado, parecia querer desmontar junto com seu coração acelerado.
Ele caiu, sentindo o ódio quando seus joelhos rasparam contra o piso.
Assustá-lo daquela forma... Francamente... Parecia coisa daquele colegial chamado Luffy que, às vezes, o perseguia com suas brincadeiras infantis.
Law virou-se para xingar até o inferno o infeliz que havia brincado consigo de forma tão imatura, apenas para ter seus olhos arregalados em total surpresa para o que viu.
Era Rocinante. Ou, ao menos, parecia por baixo de todas aquelas camadas de maquiagem e roupas estampadas com corações.
Em sua cabeça, residia uma touca vinho que cobria os cachos dourados de seu cabelo e, sobre suas costas, uma capa cheia de penas extravagantes pretas.
Law engasgou.
─Cora-san, o que diabos você está fazendo? ─ Ele disse quando, finalmente, se viu capaz de retomar sua atitude desinteressada e, num tanto quanto, indignada.
─Eu vou fazer você rir. ─ Rocinante declarou com um sorriso pateta se espalhando por seus lábios.
Aquele homem era mais velho que Law, porém sua mente infantil na maior parte do tempo não parecia concordar com tal afirmação de modo que, “Corazón” ─ modo como ele se autodenominara por estar usando aquela fantasia. ─ agora se via fazendo palhaçadas de todos os tipos apenas para ver o amigo feliz.
Não funcionou, embora.
Ele tentara mágicas fajutas, piadas ruins, puns e até mesmo um tombo que Trafalgar não soube distinguir se fazia parte do “número de comédia” de Rocinante ou era apenas seu jeito desastrado se manifestando novamente.
Nada.
Law encarava com estranheza o amigo que, agora, se via desesperado por todas palhaçadas acabarem tão rápido sem, sequer, serem capazes de fazer o cirurgião esboçar um sorriso sequer.
─Você está ridículo. ─ Comentou frio.
─O-o que? ─ Corazón colocou as mãos sobre seu peito em um gesto dramático, como se Law houvesse lhe acertado com uma flecha naquele ponto, e, então, se jogou no chão com uma expressão comicamente depressiva.
[...]
Tudo bem, talvez Rocinante tivesse falhado miseravelmente em sua tarefa e talvez isso tivesse deixado Law mais irritado, mas ele ainda não estava disposto a desistir.
─Onde você conseguiu essa maquiagem e essas roupas estúpidas? ─ Trafalgar perguntou, num tanto quanto indelicado.
─Err... Eu peguei emprestado com a Jora. ─ Gaguejou Rocinante levemente envergonhado com o rosto enfiado na pia para tentar lavar o batom que ainda restava ali.
─Você está parecendo o seu irmão. ─ Comentou amargamente.
─Não seja tão cruel. ─ Rocinante choramingou do seu modo pateta. ─ Não pode estar tão ruim.
[...]
Não era segredo para ninguém que Donquixote Rocinante era um homem tremendamente alto e desajeitado, de modo que, fazia com que o cirurgião de 1,90 tivesse que olhar para cima para conversar consigo e, muitas vezes, ficar na ponta dos pés para alcanças determinadas áreas enquanto tentava tratar seus inúmeros machucados.
Tralfagar estava sempre tendo que cuidar do mais velho e, por isso, Cora-san era muito grato.
Agora, Rocinante estava determinado a retribuir o favor dando o melhor aniversário de todos para o homem que por tantas vezes o ajudara. Era a sua vez de “cuidar de Law”.
─Por que estamos no parque? ─ Indagou o cirurgião mal-humorado sentindo sua cabeça começar a latejar com o sol quente batendo contra seu rosto.
─Você adora o parque.
Sim. Certamente Law era como uma adolescente na TPM.
Esse tipo de atitude afastaria a maior parte das pessoas, porém Cora-san ─ como gostava de chama-lo ─ era diferente por algum motivo.
─Você diz que aqui as pessoas não te incomodam enquanto você tenta ler. ─ Rocinante sorriu enquanto erguia um livro grosso de páginas amarelas na direção do amigo. ─ Olha, eu trouxe seu livro favorito, Law.
E, pela primeira vez no dia, o loiro pode ver um sorriso se esboçar na face do cirurgião, o que o incentivou a continuar.
─E-e... Podemos comprar café, Law, eu juro que não vou, sem querer, derrubar cair em você ou fazer muito barulho quando eu cair do banco.
Trafalgar lhe ofereceu uma expressão pacifica seguida de um acenar com a cabeça em sinal de concordância, que era o modo do mesmo demonstrar seus momentos de felicidade.
[...]
Era uma tarde quente e agradável.
O parque de Dressrosa era um lugar bonito por onde se estendia uma sempre verde grama e árvores baixas de galhos grossos por onde as crianças se penduravam. Era conhecido sua coleção natural de girassóis que cobriam boa parte de seu terreno.
Law se encontrava apreciando a calma do lugar enquanto folhava seu velho exemplar “Dom Quixote de La Mancha” e Rocinante se dedicava à atividades menos intelectuais, como dar comida aos patos que por ali passavam.
Ele não se importava em passar horas ao lado de Trafalgar, mesmo não proferindo uma palavra sequer, desde que pudesse ver a expressão satisfeita de Law, estava feliz.
Apenas estar com ele era o suficiente.
Mas, agora, Rocinante se encontrava tão envolto em seus pensamentos ilógicos sobre como aquela pequena família de patos parecia adorável que mal notara um par de olhos acinzentados sobre si durante incontáveis minutos.
─Hm, o que foi, Law? ─ Indagou com curiosidade.
─Oh, nada. ─ O outro respondeu com um sorriso se formando pelo canto dos lábios mostrando que achava graça em algo. ─ É que há um personagem com o seu nome nesse livro, ele me lembra um pouco você, Cora-san.
─Verdade? ─ Rocinante parecia se animar com a ideia. ─ E quem ele é? Um cavaleiro valente e justo? Ou... Ou o amigo sábio do principal? ... Já sei! ─ Ele deixou um grande sorriso invadir sua face. ─ É O HERÓI, NÃO É?!
A mente do homem mais velho se inundava com diversos pensamentos de quão incrível poderia ser tal personagem que levava seu nome nas costas.
─Não. É o cavalo. ─ Law disse sem rodeios.
A reação de Rocinante não poderia ser descrita de outra forma senão cômica. Um misto entre decepção, indignação e surpresa de parecia realmente engraçada.
─E por que ele te lembra de mim?! ─ Perguntou aos berros em descrença.
─Pangaré desengonçado. ─ E, com apenas duas palavras, Law conseguira descrever tanto o amigo quanto o animal do livro com seu modo desinteressado, quase frio.
Rocinante era dramático, pela segunda vez naquele mesmo dia, ele agia como se Law houvesse lhe acertado com uma flecha no peito por conta de suas palavras quase cruéis que demonstravam a opinião nua e crua do mesmo.
Enquanto “Cora-san” parecia querer se jogar no canto da depressão, Trafalgar voltou seus olhos para o livro, embora sua mente não estivesse realmente focada na palavras ali escritas.
Suas memórias pareciam focar mais uma vez no dia que se conheceram, era uma tarde como essa e Law folhava o mesmo livro na calma de seu apartamento.
Sentado em uma das poltronas da sala, virado em direção à janela, sua paz foi atrapalhada pelo estrondo vindo da escada de incêndio que passava pelo lado de fora de seu apartamento.
Era óbvio o que havia acontecido depois.
Depois de salvar Rocinante de cair do terceiro andar ─ sem nunca ter descoberto como aquele homem havia ido parar na escada de incêndio em primeiro lugar ─ eles, de alguma forma, se tornaram amigos. Fruto da insistência do outro.
Law poderia ter caído na gargalhada ao ouvir o nome do novo amigo, isso se tivesse senso de humor. Parecia uma grande brincadeira, mas Rocinante estava falando sério.
E ali estava, o grande motivo de Trafalgar ter o apelidado de Cora-san: Pura e simplesmente para que a imagem de uma cavalo não lhe viesse à mente toda vez que conversasse com o mesmo.
Embora, Law sequer se lembrasse de onde havia tirado tal apelido.
[...]
Rocinante estava feliz que, enfim, parecia ter cumprido seu objetivo inicial daquele dia. Agora tudo parecia bem, ele sequer havia cometido a fatalidade de derrubar café em Law.
Estava pronto para cantar vitória como um gamer que acredita ter zerado um jogo, mas claro que nada acaba antes do chefão final fazer seu movimento.
E lá estava.
─Oh, Rocinante, como vai o meu irmãozinho fofo? Fufu. ─ Doflamingo sorriu sarcástico enquanto bagunçava os fios loiros do cabelo do irmão.
─Doffy...
─Ora, o que é isso? ─ Ele riu cínico. ─ Por que tão sério? Não está feliz em me ver?
Foi então que os olhos de DoFlamingo, escondidos por trás das grossas lentes de seus óculos extravagantes, caíram sobre a imagem de Trafalgar que permanecia imóvel atrás de Rocinante.
─E você, Law? ─ Provocou. ─ Não vai me cumprimentar?
O cirurgião apenas virou a cara fingindo não ter ouvido, o que resultou nas grandes mãos de Doflamingo puxando suas bochechas enquanto o mesmo abaixava para que ficassem da mesma altura.
─Mal criado como sempre. Fufufu.
Law rangeu os dentes antes de se afastar do homem de forma bruta. DoFlamingo tinha um talento natural para irritar Trafalgar de um modo como ninguém mais fazia, nem mesmo Luffy.
Mal podia acreditar que ele e Cora-san eram irmãos quando um lhe tirava do sério daquele modo e o outro parecia ser a fonte de seu conforto.
Doffy havia passado um tempo com eles depois disso o que, definitivamente, havia estragado o dia para Law e, embora Rocinante quisesse lhe ajudar, não podia apenas chutar seu irmão para longe. Ao contrário, na verdade, ele gostava da companhia do mesmo.
O sol se punha no horizonte e os três ainda conversavam a beira do lado enquanto Law se via tendo que controlar o impulso querer de matar Doflamingo a cada vez que ele ria daquela forma irritante.
Aquilo parecia que não chegaria a um fim tão cedo quando o toque com a música tema “Donatella” da Lady Gaga preencheu o ambiente, obrigando o loiro mais velho a pegar o celular rosa choque no bolso de sua calça extravagante.
I am so fab
Check out I'm blonde, I'm skinny, I'm rich
And I'm a little bit of a bitch
Law nunca fora fã de Vergo, mas aquele homem tinha sua gratidão eterna à partir do momento em que Doflamingo disse que teria que ir para uma reunião com mesmo naquele exato momento.
Era como uma sensação de alivio se ver livre dele, embora ainda sentisse seu corpo fraquejar e agora estivesse começando a ter dificuldades em manter-se de pé.
─Cora-san, acho que eu também deveria ir. ─ Disse sem expressar qualquer emoção.
─Eeeh? O quê? Não! ─ Rocinante protestou colocando suas mãos grandes sobre os ombros do amigo para que o mesmo ficasse. ─ Olha, Law, se é por causa do Doffy...
─Não é isso. Cora-san, eu apenas... ─ Law tossiu um pouco se tornando incapaz de continuar.
Foi quando tudo pareceu se interligar na mente de Rocinante.
Trafalgar costumava ser num tanto quanto arisco com as pessoa, embora as coisas era diferentes com Cora-san, por algum motivo, ele costumava ser mais amigável e paciente com o mesmo, mas, naquele dia em especial, quase havia passado reto pela mente do loiro o fato de que Law estava mais irritável que o habitual.
Ele também havia tido algumas crises de tosse enquanto Doflamingo estava por perto. Rocinante apenas havia imaginado que era uma forma do cirurgião lhe fazer o sinal para se livrar de seu irmão.
Mas, agora olhando para o rosto corado de Law, ele só podia presumir que o mesmo estava queimado de febre.
Rocinante se sentia um inútil por não ter percebido antes e Trafalgar era apenas cabeça-dura demais para lhe dizer qualquer coisa.
─Você está com febre? ─ Perguntou quase retoricamente, pois antes mesmo de dar ao amigo a chance de responder, a mão do loiro já tocava a testa de Law na tentativa de obter a resposta por si mesmo. ─ W-wow! Está quente! Por que você não falou nada antes?
─Cora-san...
─Vamos voltar para a sua casa, eu vou cuidar de você. ─ Rocinante o cortou antes que pudesse protestar.
Donquixote Rocinante era um homem gentil e altruísta que realmente se importava com Law ─ apesar dele não ser uma pessoa fácil de lidar ─ mas, o grande problema do loiro, além de seu nome de cavalo, era que ele dominava as artes do efeito dominó.
O que eu quero dizer com isso? Você se pergunta. Bom, digamos apenas que talvez não seja uma boa ideia andar de mãos dadas com ele a menos, é claro, que você não se importe que ele tropece no meio do caminho e te leve para o chão junto com ele.
Talvez também não devesse fazer isso em um parque cheio de pequenos morros por onde vocês dois estariam rolando depois do tropeço, apenas para cair na água gelada do lago logo em seguida.
Não que Law tivesse considerado essa possibilidade antes que ela, de fato, acontecesse.
Rocinante sentiu-se submergir sobre a substancia liquida gélida, o que o deixou desesperado com a falta de ar o levando a debater-se descontroladamente para todos os lados, na inútil tentativa de, colocar sua cabeça para fora e gritar por ajuda.
─SOCORRO! EU NÃO SEI NADAR!
─Cora-san. ─ Law colocou a mão sobre um de seus ombros tentando acalmá-lo. ─ Levante-se, dá pé para você. ─Declarou com meia pálpebra direcionada para o outro como se aquela fosse a coisa mais óbvia do mundo e era.
Rocinante se sentira num tanto quanto envergonhado depois daquela cena que fizera apenas para descobrir que estava na parte rasa do lago, mas não era nada perto do que sentiu quando ouviu a série espirros vindos de Law que tremia com suas roupas encharcadas.
Alguns achavam seu jeito desastrado engraçado, e Rocinante, normalmente, aceitaria seu próprio defeito de bom-humor e até mesmo riria, porém agora não parecia nada mais do que uma grande merda ser assim.
[...]
Agora haviam grandes poças de água trilhando o caminho pelo apartamento do cirurgião até seu quarto onde os dois se encontravam atualmente.
Rocinante não havia dito uma palavra sequer desde então ─ excerto, é claro, sua breve explicação sobre o fato de ter perdido sua chave quando caiu no lago e agora precisar entrar na casa do amigo para se secar.
Law estava tremendo e espirrando quando tirou sua camisa molhada jogando-a em um canto qualquer do quarto e secar-se com a toalha que havia trazido consigo.
─Me desculpe. ─ Ouviu Rocinante murmurar de costas para si.
Trafalgar não estava realmente bravo com o que aconteceu, embora também não estivesse feliz de estar encharcado e com frio, mas quando viu os arranhões nas costas do outro, tudo pareceu se apagar em sua mente.
─Eu deveria fazer um curativo... ─ Comentou sentindo como Rocinante estremeceu com o simples toque de sua mão. Isso não havia acontecido antes.
Ele corou. Não podia evitar sabendo que Law havia percebido aquilo.
A grande verdade ali era bem clara, ele sempre nutrira um tipo de sentimento mais forte que simples amizade para com Law, mas considerando o modo naturalmente fechado de Trafalgar, ele nunca sabia ao certo que o outro pensava.
Algumas vezes, ele o via sendo perseguidos por garotas, mas nunca demonstrou algum interesse por qualquer uma delas. Law também nunca pareceu gostar de garotos e Rocinante gostava demais dele para apenas estragar tudo com uma declaração. Estava tudo bem desde que pudesse estar ao lado do mesmo.
Afinal, tudo que queria era deixa-lo confortável e vê-lo feliz.
Mas agora ele havia estragado tudo ─ de novo. ─, pois Law havia o pego de surpresa e ele não conseguira se controlar.
─N-não precisa, são só alguns cortes. ─ Murmurou tentando se afastar.
─Eu sou médico, Cora-san, é o meu trabalho. ─ Declarou Law com seriedade enquanto o arrastava para sentar em sua cama e pegava o quite de primeiros socorros que ambos tanto conheciam.
Rocinante ouviu o som das molas da cama afundado com o modo como o cirurgião subiu na mesma, se posicionando logo atrás de si para começar a passar o soro fisiológico com algodão.
Ele queria bater sua cabeça contra a parede com o fato de não ser capaz de evitar que seu corpo reagisse quando as mãos de Law, acidentalmente, roçavam contra sua pele.
─Pronto. ─ Trafalgar declarou dando leves tapinhas nos ombros de Rocinante, mas parou para observar o modo como o mesmo fitava o chão, sem qualquer reação. ─ O que foi, Cora-san?
─Não é justo. ─ Ele murmura cabisbaixo antes de virar-se para o cirurgião. Agora estavam cara a cara. ─ Era minha vez de cuidar de você.
─Eu gosto de cuidar de você, Cora-san. ─ Law fez uma pausa olhando para o rosto inexpressível de Rocinante antes de abrir um sorriso sarcástico em sua face. ─ Principalmente porque você é péssimo em fingir que não gosta quando eu te toco.
Rocinante paralisou diante o comentário. Ele só podia sentir seu coração acelerar e suas bochechas se preencherem com a coloração vermelho carmesim diante de seu nervosismo sobre como deveria reagir.
Tentou abrir a boca para retrucar, não que tivesse algo relevante para dizer, porém fora impedido por Law que lentamente fez seu caminho para prensar os lábios contra os de Cora, como se fosse apenas algo que estivessem habituados a fazer. Como se fosse natural para eles.
Rocinante não conseguia se manter tão calmo assim, no entanto.
Ele poderia apenas se ajoelhar ali mesmo e agradecer aos céus que Law não era capaz de ouvir o quão rápido seu coração batia agora ou ver como suas bochechas estavam vermelhas.
Tão inesperado.
─Eu te amo. ─ As palavras simplesmente escaparam da boca de Rocinante quando se separaram. Ele levou alguns segundos para perceber o que havia dito e então explodiu em constrangimento. ─ Ah! N-não é bem assim! Você sabe, eu...!
Rocinante olhou para o rosto de Trafalgar onde se estampava um sorriso num tanto sarcástico, quase sádico quando lhe olhava em provocação diante de sua frase.
Quase se assemelhava com o modo como seu irmão agia na maior parte do tempo. Qualquer coisa como “Oh, jura? Nem passou uma coisa dessas pela minha cabeça. Fufu!”
─N-não me olhe dessa forma. ─ Cora-san estava pronto para se jogar em um buraco bem fundo e nunca mais sair, mas se contentou em enterrar o rosto contra o travesseiro que descansava ao seu lado na, inútil, tentativa de esconder seu rubor.
Talvez no fim das contas, Rocinante tenha atingido seu objetivo.
Aquele era definitivamente o melhor aniversário que Trafalgar Law poderia ter desejado e tudo graças ao jeito desastrado de Cora-san.
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