Notas iniciais
Oi de novo :) Hoje vim postar mais um capítulo hoje e eu espero que gostem e comentem :) beijos

P.O.V THEODORO

Eu ainda não acredito que ela se foi. Ela não podia ter feito isso comigo. Eu não aceito isso, e muito menos quero aceitar. Já faz um tempo que acordei desse maldito coma. Mas para quê? Para saber que agora sou o sobrevivente de uma fatalidade e ela partiu sem ao menos dizer adeus. E eu ficar aqui sozinho e saber que o culpado pela sua morte sou eu ? Mas que porra aconteceu comigo? Minha vida estava horrível, eu até enganava bem indo nas festas e bebedeiras da faculdade, pegando qualquer mulher que eu quisesse e aí ela apareceu e eu a quis como jamais desejei outra mulher. Eu poderia ter impedido. Não deveria tê- lá deixado dirigir, e aquele maldito carro na estrada...

Eu só queria que tudo voltasse ao normal. Mas eu sei que nada vai voltar ao normal, nunca mais.

***

Eu estava entrando em depressão ficando naquele hospital, além de ter uma pequena fratura na espinha , mas nada que não tivesse médicos para resolver. Recebi visitas de terapeutas e de uma psicóloga. Ela me fazia perguntas demais de coisas que eu não queria responder .

– Olá, eu me chamo Shawna Tunner, sou sua psicóloga.

–Eu não preciso de nenhuma psicóloga.

–Não é o que diz no seu diagnostico. — E pela primeira vez olho em sua direção. Cabelos castanhos escuro, quase negros, olhos azuis e um belo rosto. Mas eu não me importo, será que ela não poderia me deixar sozinho ?

–Theo! Como esta se...

– Theodoro! Me chame de Theodoro.- Já disse que odeio que pessoas que não sejam da minha família ou pessoas próximos a mim sejam me chame de Theo? Doutora abusada .

– Tudo bem , como está se sentindo?

– Bem , na medida do possível. — Respondo ríspido .

– Theodoro, o que você e eu vamos conversar hoje, pode fazer você se sentir melhor eu te garanto. — Ela fala com um sorriso gentil, o que não é retribuído por mim.- Não precisa ser ser sobre o acidente, só estou aqui para te ajudar no que for preciso. Mas o acidente é a causa do seu sofrimento, deveria se abrir com alguém e para isso não precisa ser necessariamente comigo.

Não consigo falar sobre esse maldito acidente sem chorar então só fico calado e com os olhos fixos nos meus dedos para não chorar.

– Theodoro... Vamos lá , você vai se sentir melhor falando o que sente. — Eu continuo com a minha expressão fixa e não olho para ela. — Theodoro eu sinto muito ... Podemos ... É... conversar isso outro dia, se você quiser.

Não sabia porque ela estava falando tão mansinho comigo até sentir gotas quentes de lágrimas

escorrendo pelas minhas bochechas .

– Eu só não quero ter que ficar relembrando que foi por minha culpa que ela morreu ... Eu só não queria ter sobrevivido aquilo. Ela me deixou sozinho, e essa culpa... vai acabar comigo ... Eu ...- E choro novamente . Já falei que odeio me sentir fraco e principalmente na frente de uma mulher. Ela me avalia como pode, já que o meu estado é deplorável. Minha família está se esforçando para tentar me entender. Depressão não é um coisa boa de se tratar, e até de se compreender por quem não está se passando por isso.

Recebo a visita dessa doutora Shawna todos os dias, será que ela não cansa não ? Eu não quero ter que falar novamente com essa mulher. Grande ego e alto confiança, essa é a definição para ela.

–Eu ainda não sei por que você ainda continua vindo aqui... Não gosto de você.- Falo olhando em seus olhos e noto uma pontada de fúria neles. Consegui! Comemoro internamente e dou um sorriso de lado e a vejo paralisar. Congelar e ficar feito pedra. Reações estranhas de uma mulher estranha, eu nem continuo a sorrir depois dessa. Ela simplesmente se levanta da cadeira e caminha em direção a porta me deixando ali. Me incomodo, e não sei ao certo dizer o por que.

***

Eu sofri uma fratura na coluna e como tal não poderia ficar de pé sem sentir uma pequena e incomoda dor, o médico disse que era normal, mas nada que algumas pequenas sessões não dessem jeito.

– Angelo, quando eu irei sair dessa cama sem sentir dor ?- Falo meio frustrado, não aguento tomar remédios. É comprimidos para a depressão, para dor, para dormir sem sentir dor e por aí vai. Não aguento ficar nesse hospital e quanto antes sair daqui melhor.

–Calma campeão, você já está muito melhor desde que acordou do coma e acredite daqui a mais o menos um mês você já vai estar melhor, acredite em mim. E falando nisso, por que a doutora Shawna pediu para que outra psicóloga lhe orientasse agora ?

–O que ? Eu não faço ideia.- Ele me olha com um olhar de dúvida e isso meio que é engraçado, eu tenho que admitir.- Angelo tem me ajudado, e, certo que esta fazendo o seu trabalho mas, ele e eu, meio que estamos nos tornando amigos, eu acho.

–Vamos lá Theodoro, o que você falou para ela ? Olha eu a conheço desde que eu estava como residente aqui no hospital. Já até à convidei para sair, mas ela não aceitou é claro.- Isso sim me faz rir, e alto por sinal já que ele me acompanhou, e estávamos os dois rindo feito dois retardados.

–Ela é que muito alto-confiante e isso me deixa fora do sério. Ela acha que vai conseguir que eu fale desse maldito acidente e eu não quero. Então eu falei que não gostava dela e eu acho que isso a magoou de alguma forma.

–Se você diz.- E ele se levanta da poltrona perto da porta e vai embora.

Fico me perguntando se fiz bem em afasta- lá. Mas o que eu estou falando, eu não a suporto, e é isso que me deixa irritado, eu me sinto mal por ter dito aquelas palavras a ela.

***

Já estou a seis meses aqui e não quero ter que ficar mais tempo tendo que saber o motivo para isso. O acidente, a morte e todo esse sofrimento. Não dá para aturar tudo isso, e irei pôr um fim em tudo isso essa noite.

Passar todo esse tempo no hospital voltado somente para essas terapias, tanto psicologicamente quanto fisicamente não esta ajudando. Eu ainda me sinto mal, não externamente, mas sim, internamente.

Quando a noite cai, e eu me vejo sozinho no quarto totalmente inercio de que horas são, me levanto cuidadosamente e caminho em direção a janela. Vejo que é bem alto, e não vai ser agora que eu vou ser esse covarde idiota que tenho sido por um longo tempo da minha vida. Subo no parapeito da janela ouço a porta se abrir e um som meio que um rosnado sair de uma pessoa e foi tudo muito rápido, ela, sim ela veio em minha direção furiosa, me agarrou com força e me puxou para dentro do quarto, mas nesse impasse caímos de cheio no chão. E porra, isso só não doeu pra caralho porque ela meio que amorteceu minha queda e eu a vi com raiva, e chorando. Ela estava chorando muito, será que eu a machuquei ?

–Shawna ? Você... esta bem ?- E o meu desespero começa quando ela balança negativamente.

Me levanto depressa, e a levanto em seguida rápido demais, que nossos corpos se chocam fortemente. Ela começa a me empurrar em direção a cama e isso é mais engraçado do que doloroso, mas me seguro para não rir.

–O que você estava pensando em fazer seu imbecil ? Está ficando maluco de vez ? Oh meu Deus ! Que droga.- A vejo esbravejar diversas vezes, e eu a vejo com bastante raiva, mas eu não consigo responder nada até que ela continua.

–Você faz ideia do que ia fazer ? Tentar se matar Theodoro, que burrada. Você escapou de um acidente que matou sua noiva e agora que fazer essa burrada ? Você não pensa na sua família e seus amigos ? Eu achei que você fosse diferente, mas você é só um garotinho mimado e fútil.- Ela fala apontando tudo isso na minha cara e eu continuo a escutando sem expressar nenhuma reação.

Até que ela vem rapidamente em minha direção e me beija. Simplesmente me beija. E eu deveria corresponder certo ? Mas eu não consigo, só não consigo. Passamos algum tempo com nossos lábios colados, com suas mão em meu rosto e meus braços seguros em sua cintura. É bom e reconfortante, mas ao mesmo tempo estranho e tão errado. Eu não quero magoa- lá de forma alguma, mas eu não consigo afasta- lá de mim. Quando eu tenho forças para afasta- lá eu ainda permaneço de olhos fechados, e quando eu abro vejo ela com olhos arregalados e confusa, e isso me deixa confuso também.

–Isso não devia ter acontecido Shawna...

–Eu sei e sinto muito, eu me deixei levar... eu …- Ela se desvencilha dos meus braços, e tira as mãos do meu rosto.- Eu acho que eu estou misturando as coisas, e é anti- ético … Oh meu Deus, eu posso ser demitida... O que eu vou fazer...- Ela esta desesperada e andando de um lado para o outro e eu me sinto culpado por tudo. Se eu não tivesse tentado pular ela não teria me salvado e me beijado e a gente não estaria tão embaraçados e constrangidos.

–Ninguém vai saber de nada Shawna, desde do acontecimento mais cedo, ou do beijo. — Ela me olha totalmente sem expressão agora, e ficamos em silencio por alguns segundos.

–Você tentou se matar. Você faz ideia do que isso representa ? Você está em sério estágio de depressão e espera que eu não faça nada ? Eu não posso omitir isso.

E é nesse momento que eu me vejo em uma situação complicada. Ou eu a chantageio, ou eu vou ter que frequentar terapia por mais tempo do que eu quero. O que eu faço ?

Notas finais
comentem gente !!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.