Por maçãs
1 Capítulo único
Notas iniciais
Por maçãs
Escrito por Meiline Damestein
— Como a Branca de Neve e sua maçã envenenada.
Tampei o nariz com a mão direita. A mesma segurava um lenço contra meu nariz e tinha um recente odor de lavanda. Obrigado Santo sabão, exclamei a mim mesmo. O cheiro que os hospitais constantemente exalavam sempre fora um incômodo. Maior parte mental. Não saberia definir se seria o cheiro do álcool — ou formol — , medicamentos e outras coisas, ou um trauma mental, já que passei maior parte da minha infância em um hospital. O odor de lavanda era mesmo reconfortante, enquanto inspirava e expirava o ar de meus pulmões, deixando o lenço quente e até mais agradável, observei a situação. O que se faz em plena uma hora da manhã, com uma mãe em prantos, um pai com uma grande carranca, um menino de seis anos sem entender nada e uma loira hiperativa que olhava tudo com desdém? Me encostei em uma parede, dando passagem a uma enfermeira que passeava com um senhor em uma cadeira de rodas. Pigarrei um pouco tentando quebrar o constrangedor silêncio. Tentativa falha. Ficara mais tenso, pois chegara dois policiais. Irei explicar por partes.
Vivo na Europa, em pleno século XX. Sou um jornalista e tenho uma prima adotiva, a loira hiperativa que enfrentava tudo e a todos com um olhar desdenhoso. Ela é uma publicitária. É uma mulher de mente ativa e orgulhosa, em seus tempos livres da publicidade, se dedica a se intrometer na vida alheia agindo como detetive e acredite, ganhamos uma bela de uma fama com isto. Seus tempos livres se resumiam em tempos onde seu marido está maior parte nas reuniões e viagens de empresário, quando seu filho mais novo não está tendo seus constantes ataques de asma e sua filha mais velha, está nas casas das amigas e enrolando tempo nos estudos. Eu só dedico-me porque é uma adrenalina que interfere em minhas veias, gosto disto, não sei desde quando, mas me corrompe e gosto de ser um corrompido. O homem carrancudo que encarava tudo com olhos frívolos nos chamou para investigar o caso. Olhei para o menino que se agarrava inconscientemente nas barras de seu paletó. Estava assustado e confuso. Até agora eu também estou. Mas conhecendo a prima que tenho e seu gênio forte, teria uma explicação totalmente baseada na ciência para aquela situação.
Uma veia saltava da testa daquele homem, algo me alertava que ele poderia avançar em qualquer um a qualquer instante. Não o culpo. Mais a diante estava sua ex-esposa. Bem, não usaria o termo "esposa", mas sim, amante. Seu nome era Anna. O menininho assustado e confuso era fruto da relação de ambos, chamado de Frank. O caso fora aberto há quatro dias, a policia e o instituto médico legal já declarara o caso fechado. Mas o homem carrancudo, Ron, nos chamou, era clara sua desconfiança. Sabia e afirmava para nós, que não era somente aquilo que a policia e o instituto médico legal afirmara sobre a vítima, tinha algo mais. Ele estava certo, sabia onde estava mirando. Tudo o que tínhamos era um caso fechado que circulava entre quatro pessoas: Anna, a mãe. Frank, o garoto assustado. Ron, o homem que nos chamara... e por fim a vítima, Francis. Irmão gêmeo mais novo de Frank. Eles eram gêmeos idênticos. Idênticos mesmo, além da aparência se pareciam também em quesitos de personalidade. Mas de acordo com Ron, era fácil discernir Francis, ele tinha um sinal abaixo da língua, o que Frank não tinha além de Francis ser protetor de seu irmão mais velho. Mas tirando isto, realmente eram iguais. E fora isto que causou aquele caso.
Pelo o que entendemos, Ron era um homem casado e tinha dois filhos homens com a atual esposa, obviamente seriam os herdeiros de seu vasto império, então nasceu seus dois filhos gêmeos. Somente havia três vagas de herdeiros em seu império, logo somente um dos gêmeos assumiria. Seria o que mostrasse maior responsabilidade e senso crítico. Mas pela idade muito tenra de ambos, possivelmente nem assumiriam o cargo. Ron estava mergulhado em culpa e eu via isto em seu semblante. Se um dos gêmeos, partisse para aquela casa, madurecesse como uma bela fruta, tomasse a herança de seus dois meio irmãos... Anna teria um lugar garantido e voltaria a se aproximar de Ron. Ela o amava, realmente. Eu não saberia dizer se Ron correspondia ou não, mas acho que não pela cara que empunhava quando se aproximava da amante e pelo chamado que nos fez. Tudo que ele precisava era um herdeiro e a amante queria proporcionar isto, voltando para seu lado e o amando até o final dos dias, saindo das sombras e ganhando seu amor e luxo de vida. Então ela tomara uma decisão.
Há quatro dias, após a visita de Ron para lhe dar uma pensão — obviamente um jeito de "calar a boca" de Anna e agradar seus filhos. Mas no fundo, eu sentia que ele realmente amava seus garotos e não esperava que eles tomassem seu império como herança, eu via em seu jeito de referi-se a eles, ele apenas queria um futuro feliz e defendê-los até o fim de seus dias, mas ele falhou em seus desejos. Pois seu filho mais novo, Francis, fora morto há quatro dias. Ron visitou sua amante há cinco dias, em uma segunda, às dez horas e três minutos da manhã. Permaneceu até às vinte horas e trinta e sete minutos da noite. Ele brincara com seus filhos a tarde toda. Ele não queria ser um pai ausente, mas só podia fazer essas visitas uma vez por semana. Antes ele explicara a sua amante que ele não queria que nenhum dos dois se envolvessem em seu trabalho e futura herança, até sua morte lhe daria uma vida razoável para que ambos construíssem um futuro feliz com as próprias mãos e pediu para que a mesma não os incentivasse a se meterem na sua outra família. Anna perguntou: "Mas e se eles conseguirem ultrapassar seus outros filhos?", ele afirmou que claramente nenhum dos dois poderiam fazer isto e mesmo assim, somente um poderia. Ele obviamente se arrependeria dessas palavras até este instante e pelo resto da sua vida. Saíra da casa, abraçando seus filhos e dando-lhe presentes, não para agradá-los. Era um amor paternal.
Os gêmeos estavam de férias e acordaram na manhã seguinte ansiosos para brincar com os novos presentes. Ansiosos para mais um dia de vida e descobertas, a centelha da vida infantil não é fascinante? A vida deles eram isoladas em um conjunto de casas com média estrutura financeira. Sua casa era uma das maiores, um grande terreno e arejados por grandes e bem cuidadas árvores. Em outras palavras, o ambiente perfeito para a liberdade de uma criança. Como a casa da vovó. Naquela manhã, inicialmente parecida como qualquer outra, Anna serviu o café da manhã: uma sopa de legumes. Saíram cheio de adrenalinas meio a área florestada da casa, mas Frank retornara após dois minutos.
— Mamãe.— Chamou o menino, os olhos iluminados, sorriso pueril e uma voz manhosa. Anna se virara para seu filho, limpando um prato de porcelana — A macieira está cheia de frutinhos vermelhos... Papai disse que a senhora um dia poderia fazer uma torta com eles.
— Entendo. Então quer uma torta de maçã? — O garoto a olhou impassível. Ela se aproximou, limpando as mãos no avental branco, se inclinou apoiando uma das mãos nos joelhos e outra tocou com o indicador no nariz do menor — Maçã. É o nome dos frutinhos vermelhos, Frank. Maçã. Bonito, não acha?
— Maçã.— Ele repetiu piscando os olhos sucessivamente, ele repetiu vagarosamente.
A mãe se ergueu e confirmou que iria fazer a torta, com tanto que ele e Francis colhessem os frutos. Ele ficara encantado e de imediato fora contar a seu irmão. Não demorou muito para que ambos já estivessem nos galhos mais altos, usando toalhas em seus colos e pegando os frutinhos vermelhos.
— Francis. — O mais velho chamou. O seu reflexo o olhou. Ele ergueu o fruto, mostrando ao outro — Maçã.
— Eu sei. É o nome, não é? Papai me contou. Não é bonito? — Perguntou o mais novo olhando a fruta na mão do mais novo. O mesmo retraiu sua mão e colocou a fruta na toalha sobre seu colo — Olhe bem, Frank. O vermelho incessante e atraente da casca, a pureza e solidez do conteúdo e suas esperanças gêmeas.
O mais velho olhava para o que o irmão mais novo demonstrava. Ele devorava a fruta e lhe mostrava com cuidado a parte da fruta. Seus olhos brilharam nas sementinhas pretas. Ele via apenas duas.
— Que poético, Francis.— O mais velho sorriu — A casca não parece nosso papai? Sempre nos protegendo e sendo tão gentil conosco? E o con-teú-do... Nossa mãe? A parte mais doce e amorosa? Talvez sejamos as sementinhas.
Francis soltou uma risadinha brincalhona. Ele tinha de concordar com seu gêmeo, era realmente parecido. Ele balançou as pernas no ar da altura que árvore proporcionava de seu galho. Pegou mais uma maçã e olhou para as que o irmão pegara. A quantidade era menor que a sua. Ele olhou para o rosto de Frank que o encarava. Estava próximos um do outro, devido aos galhos que estavam. Francis se inclinou um pouco, não havia perigo. O galho era forte e não tinha como seu corpo pender meio ao desequilíbrio de sua leve inclinação. Ele tocou com as pontas dos dedos o rosto de seu irmão. Frank o olhou no fundo nos olhos e sorriu, também se aproximara e o tocara na bochecha com as pontas dos dedos. Um carinho mútuo. Francis se inclinara mais um pouco e baixou sua cabeça. Frank, de suas bochechas passara a lhe tocar de leve nos cabelos, o carinho continuou até a mão de Francis deixar de tocar seu rosto e seu torso se inclinar todo para frente. Frank olhou rápido para seu irmão, os cabelos deles se tornarem evasivos. Frank estranhou a situação, seu irmão estava se inclinando demais, logo ele... Cairia.
Seu corpo gelou. Dito e feito. Francis caíra da altura da árvore e as maçãs foram junto com ele. Na queda de seu corpo contra o chão, a sentença final veio, ele quebrara o pescoço causando sua morte. Aparentemente. Frank descera de imediato, correndo até seu irmão que sequer o respondia. Fora até sua mãe e lhe explicou a situação. Ela estancou ali mesmo, meio ao desespero e susto. Tudo por maçãs. A policia veio e o laudo feito pelo instituto médico legal, afirmaram uma tragédia infeliz. O menino caíra e quebrara o pescoço. Uma infelicidade. O pai ao saber da notícia, sentiu seus pés leves e sua alma cair em um abismo. Até sua atual esposa e filhos, lamentaram a situação, surpresos e até com senso de culpa. Frank, era o único que não entendia. Por que seu pai chorava? Por que sua mãe chorava? Por que seu irmão não voltara para casa? Por que não comeu sua prometida torta de maçã naquele dia? Ninguém lhe dizia nada. O pai andava pelo quintal afim de lembrar os momentos do dia anterior que tivera com os filhos, decidira que cortaria a macieira, não queria a existência dela perto de seu outro filho. Mas era muito estranho, seu filho já havia caído de muitas árvores e nunca algo assim aconteceu. Jamais caíra de "cabeça". Era como se sua queda fosse forçada. Chamara dois detetives. Não que ele estivesse suspeitando de um atentado de sua atual família para seus gêmeos... Mas era só para ter certeza. Quem diria que sua certeza era tão cruel. Que realidade, não é?
Minha prima, detestara o caso, até ela estava convencida da tragédia infeliz que Francis sofrera, mas mesmo assim ela decidira fazer todo processo de investigação. Notou que aos fundos do quintal com outra casa, próximo ao cercado havia cicuta. Para quem não sabe, cicuta é uma planta altamente tóxica somente encontrada na Europa e África do Sul. Ela estava isolada e a quantidade era muito pouca, mesmo assim, minha amada priminha observou que recentemente havia sido cortado algumas partes da planta. De imediato pediu para o instituto de médico legal novamente fazer um outro laudo no corpo de Francis. Ele estava prestes a ser enterrado. Que inconveniente. Mas era melhor assim, conhecendo minha parceira de investigação, ela seria capaz de desenterrar o pobre Francis e fazer as coisas do pior modo. O resultado fora claro: Envenenamento por cicuta. Minha prima dera seu cínico sorriso. Ele havia sido envenenado. Arrepie-me. Cicuta fora o veneno usado para executar Sócrates. A morte vem na forma de paralisia, a mente fica em alerta, mas o corpo não responde e, eventualmente, o sistema respiratório é desligado.
A paralisia veio quando ele inclinou o torso e baixara a cabeça enquanto acariciava o rosto do irmão. Seu sistema respiratório parara e sua grande inclinação fez seu corpo despencar. Ele já estava morto antes de cair da árvore. Mas como não era o suficiente, o pobre Francis na queda contra o chão quebrara o pescoço. Sorte para o culpado, a morte por envenenamento seria ocultado por essa infelicidade. Seria, até minha prima meter seu nariz de detetive no meio. Mas então quem era o culpado? Você já deve pensar: "Obviamente a família atual de Ron". Então aqui afirmo para vocês.Errado. A família atual de Ron não tinha nada contra a segunda família, chegaram até os convidar para permanecer uma estádia com eles no Natal e Ano Novo. "Era atuação". Também não, a atual esposa de Ron era uma moça que acabara de sair de seu país fugindo da guerra, tudo que queria era paz. Convenceu seus filhos a lidarem de formar amorosa e pacifista com a situação. Era uma moça doce e bem educada. O resultado me surpreendera.
— O culpado é óbvio. — Minha prima indagava com sua típica voz arrogante — É você, Anna.
Eu pisquei sucessivamente. Minha audição falhara em capturar a voz dela ou meu cérebro interpretara errado? Ela levantou o dedo e apontara no meio da cara de Anna. A mesma estava com o rosto vermelho e ameaçava entrar em prantos.
— Deixe de drama e admita sua culpa, Anna. Você matou seu próprio filho. — Adorava a sensibilidade e a calma persuasão de minha prima para lidar com os casos. A mulher se sentou assutada. Ron balançava a cabeça enquanto acariciava as costas de Frank, que como de praxe, estava confuso. — Você não vai admitir? Então eu irei dizer a verdade.
Eu praticamente deixei meu queixo despencar. De acordo com a análise feita pela minha parceira, a culpada era a amante de Ron. Anna após ouvir as claras palavras de Ron, as que ele dizia que somente um poderia competir com seus outros dois filhos, decidira escolher seu favorito e mantê-lo vivo. Renunciando pelo outro filho e dando-lhe a poção da morte. O escolhido para sobreviver fora o filho mais velho, Frank e o sentenciado a execução através do cicuta, fora Francis. Nesse momento, todos ali presente se surpreenderam. Até os policiais que vieram. Eu estava tão assustado que balancei a cabeça, foi então que notei a presença de Frank. Ninguém parecia se lembrar dele e pior, diziam o assassinato e frieza da mãe ao matar seu gêmeo, ali na cara dura para ele. Imagino a dor dele. Mas pelo menos o pouparia de viver em mentiras no futuro. Voltando a crua verdade, ela preparou duas sopas de legumes naquela manhã. A primeira era a pura e saudável, a segunda era a envenenada. Francis devorara sua própria morte. Como a Branca de Neve e sua maçã envenenada. Pobre garoto. Lágrimas começaram a percorrer o rosto do pai, que fechava o punho e permitia as bochechas ficarem vermelhas.
Ele estava se consumindo na culpa e ainda sentia o inevitável ódio por Anna. Ela fizera por um amor doentio em busca de reconhecimento. Fazendo um dos filhos morrer, teria um longo período de consolação ao lado do marido e incentivaria seu filho restante a se estabelecer como herdeiro. Tudo um plano. Com o tempo, seu filho amadureceria e se tornaria herdeiro, dando seu lugar na merecida casa e ficando como merecida esposa ao lado de Ron. O quão longe o amor rejeitado de uma mulher iria? O cheiro de lavanda do pano que segurava até agora contra meu olfato sumira. Pobre Francis, morrera por ambição. Minha prima deu a ordem para os policiais prendessem Anna. A mesma sequer reagia, apenas segurava suas mãos contra o peito e derramava lágrimas de maneira silenciosa. Ron balançava a cabeça, inconformado. Ele limpou as lágrimas e pediu licença para minha prima, queria conversar a sós com ela. Parece que ele finalmente notara a presença de Frank ali e decidira afastá-lo da conversa. Deixando-me sozinho com o menino. Transformei a dor dele na minha e aproximei-me dele.
Ele estava parado e olhava o chão fixamente. Seu olhar estava frio e não derramava lágrimas. O toquei no queixo e sorri calorosamente após o ato, me ajoelhei a sua frente ficando de cara com aqueles olhinhos inocentes.
— Sinto muito, Frank. — Tentei dizer como um sussurro. Foi quando notei uma reação dele, sua sobrancelha esquerda tremeu levemente.
— Frank... — Ele sussurrou, arregalando lentamente os olhos.
— Sim. Eu sinto muito... A pro...— Ele me olha diretamente, fazendo eu me calar.
— Sabe guardar segredo, detetive? — Assustei-me com aquela pergunta. Aquele menino assumiu uma voz com tom frio e sério, quase como de um adulto. Como uma criança saberia fazer aquilo?
— Sim...— Respondi inconsciente
— Minha mamãe não sabe quem eu sou. — Ele sussurrou olhando para o lado.
— Como assim?... — Perguntei hesitante.
— Sabe a diferença entre mim e "Francis"?— Ele perguntou ainda olhando para o lado, seu olhar estava distante.
Eu lembrei-me de uma afirmação de Ron sobre seus filhos. Ele confundia seus filhos constantemente, até notar que Francis tinha um sinal abaixo da língua e Frank não, mas ainda sim, ele não poderia toda vez pedir para que ambos mostrassem a parte debaixo da língua. Então ele ainda os confundia e esperava que pelo menos, ao longo do crescimento deles algo os diferenciassem um do outro.
— O sinal... debaixo da língua.— Conclui.
Ele sorriu, algo que me assustou. Seu sorriso pareceu com o de um senhor benevolente ao jogar comida aos pombos. Ele olhou por cima de mim, atrás de si e ao redor, verificando alguma aproximação. O corredor estava vazio e os que passavam ali nem notavam nossa existência. Ele abriu a boca e lentamente levantou a língua, mostrando o sinal da diferença. Ele tinha o sinal. Arrepie-me. Francis?
— Você é Francis? — Balbuciei assustado. Ele acenou positivamente com o mesmo sorriso mas ainda seu olhar estava vago. — Mas como?
— Nossa própria mãe... nos confundiu. — Ele estremeceu e encolheu os ombros. Então notei algo, ele estava assustado. Exatamente agora, de acordo com o plano de Anna, quem deveria estar morto era ele. Mas ela os confundiu e quem pagou foi o verdadeiro Frank.
Prometi segredo a ele. Ele estava ciente da situação, por sito continuou a sorrir. "Viverei por mim e pelo meu irmão", senti meu coração apertar. Ele não odiava sua mãe e nem sequer pensava nisto, não culpava seu pai e nem algo do gênero, a única coisa que ele tinha era saudade do irmão. Do irmão mais velho, Frank. Ele levou as pontas dos dedos até a bochecha direita e uma lágrima do olho esquerdo percorreu seu rostinho. "Agora por meu irmão... serei Frank. Mantenha este segredo, por favor". Ele olhou novamente para o lado e afastou sua mão, pondo-a na lateral do corpo. "Minha última imagem dele... foi ele sorrindo. Quero manter esta imagem". Sorri, um pouco nervoso obviamente. "Eu só queria uma torta de maçã... foi culpa minha. No futuro, eu farei uma torta... e levarei para Frank. Papai será a cobertura e mamãe será o recheio". Estremeci. Minha mente logo cogitara que uma mente psicótica estaria se formando na minha frente, mas ignorei tal ideia. Vi ele finalmente se debulhando em lágrimas e chamando seu irmão baixinho. De instinto, o abracei.
Pobre menininho. Não. Pobres gêmeos. Uma torta de maçã... Não é mesmo? Maçã. Este nome para mim soa bonito agora. Quase poético. Ainda mais porque lembro-me que foi uma maçã que levou Eva e Adão a serem expulsos do Paraíso. Ligando os personagens da história original com o deste caso, há tantas semelhanças. Por maçãs, simplesmente Frank queria experimentar uma nova eguaria em seu paladar. Por maçãs, queria brincar um novo dia com seu irmão. Por maçãs, descobriria um novo nome e significado. Por maçãs, descobrira uma nova vida. Por maçãs, perdera seu irmão. Por maçãs... ele virou seu irmão e ele, Francis, morreu.
Fale com o autor