Por Você
19 Final - Parte II
Notas iniciais
Enquanto isso, Tamaki e Haruhi se revezavam no baile para dar atenção às garotas da escola que queriam dançar com os belos hosts. Sim, elas os viram chegar juntos, e claro que as fujoshis de plantão só faltaram explodir de felicidade com a cena dos dois chegando de braços dados ao salão de festas. Porém essa alegria durou pouco para os dois, uma vez que apenas eles tinham que dar conta de todas as garotas que estavam sem par, já que Hikaru e Kaoru ainda não haviam chegado e Kyouya polidamente se esquivava das investidas das garotas. Sem contar que Honey não saía da mesa de doces, e Mori-Senpai se recusava a se afastar do menor. Não que algumas garotas não tivessem tentado convidar o moreno para uma dança. Mas quando isso acontecia, o mais alto dizia que tinha vindo como acompanhante do Haninozuka e imediatamente uma nuvem de yaoi fangirls com nariz sangrando aparecia, e carregava para longe a ousada garota que tivera a infeliz ideia de tentar algo com o Morinozuka. Pobres garotas, provavelmente sofreriam uma lavagem cerebral a base de mangas e animes shonen-ai, yaoi, lemons, etc.
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Do lado de fora do salão, um rapaz de olhos âmbares olhava de um lado para ou outro do pátio, à procura de um certo ruivo. Foi surpreendido quando uma mão tocou seu ombro e sentiu a presença de alguém atrás de si. Virou-se abruptamente quando esse alguém lhe disse:
– Fujiwara-san? Você é Fujiwara Kouji?
– H-haai! Sou eu. Como sabe meu nome? – o rapaz mostrou-se um pouco assustado. O outro era mais alto e mais forte que si, e não havia soltado seu ombro. Sabia seu nome e sobrenome e, assim que olhou para seu rosto ficou com uma expressão esquisita. “Onde estava Kaoru? Por que ele não chegara até agora?” pensava o mais baixo.
O mais alto não soube dizer bem o que sentiu quando o rapaz virou-se para si. Aqueles olhos... Eram tão parecidos com os de Kaoru, e tinham o mesmo brilho ingênuo e gentil. Ficou atordoado por alguns instantes e logo percebeu que devia estar com uma cara esquisita, pois o menor o olhava amedrontado. Percebeu também que ainda segurava-lhe o ombro, e tratou de soltá-lo imediatamente.
– Oh, perdoe-me! Bom, deixe eu me apresentar: Sou Kojima Shinji, do terceiro ano, amigo do Kaoru.
– Amigo do Kaoru-kun? Aconteceu alguma coisa com ele? – o mais jovem demonstrou certo desespero, fazendo com que o moreno abrandasse mais ainda o tom de voz em sua fala seguinte, a fim de acalmar o outro.
– Calma, não aconteceu nada demais. Ele apenas me pediu que te avisasse que houve um imprevisto e ele chegará mais tarde, e que infelizmente não poderá ser seu acompanhante, pois virá com o irmão.
Shinji viu o semblante do menor murchar visivelmente, o que lhe cortou o coração. Porém se surpreendeu com a fala seguinte do de cabelos castanhos:
– Bom... Pelo menos ele e o Hikaru-san devem ter se entendido. Ele andava tão triste ultimamente. Espero que eles estejam bem. – tentou forçar um sorriso, ainda que se sentisse tão dilacerado por dentro. – Bom, eu vou embora então. Obrigada por me avisar, foi um prazer conhece-lo, Kojima-San, ou melhor, Kojima-Senpai. – fez uma pequena mesura e virou-se para ir embora.
O mais velho, no entanto, sentiu-se comovido com a situação, e antes que o menor pudesse se afastar, puxou delicadamente uma de suas mãos, dizendo:
– Pode me chamar só de Shinji. – sorriu charmoso – Então, já que estamos aqui e eu também estou sem par... Você não quer me fazer companhia? Ou melhor, você me daria à honra de me acompanhar essa noite, Kouji-kun? Aliás, posso te chamar assim?
O menor corou visivelmente. Claro que achara o mais velho muito bonito, mas estava tão triste naquele momento que não ficou reparando em detalhes. Não sabia como responder e algo acabou surgindo em sua mente:
– F-foi o Kaoru-kun que te pediu para fazer isso? – Ficaria muito magoado com o ruivo se ele tivesse mostrado esse tipo de atitude.
– Não, claro que não! Eu nem aceitaria uma coisa dessas... Bom, pensando bem, se ele tivesse me dito que você era tão bonitinho talvez aceitasse sim. – viu o menor ruborizar ainda mais, e achou a cena adorável, mas achou melhor ser um pouco mais discreto dali em diante, apesar do menor ter realmente lhe chamado atenção. – Fica tranquilo, o Kaoru só me pediu para te avisar mesmo, e também pra dizer que depois lhe explicaria tudo melhor. Mas olha, eu estava falando sério quanto a gente entrar e aproveitar o baile, vai ser bom pra você se divertir e não ficar pensando em bobagens. Mas se você não quiser mesmo eu posso te acompanhar até sua casa também... Se não for incomodar, claro.
A verdade é que Shinji realmente se sentira subitamente atraído pelo mais jovem. Era estranho e até um pouco bizarro, mas ver aquele garoto com uma expressão tão triste e parecendo tão frágil o fez ter vontade de cuidá-lo e protege-lo. Entendi as razões de Kaoru e esperava que ele e o irmão realmente tivessem se resolvido. E é claro que se, de quebra, ele saísse ganhando nessa história, melhor ainda.
O menor parecia ponderar sobre as possibilidades. Ele já havia visto o maior várias vezes junto com Kaoru, e ele pareceu sincero consigo. Se Kaoru confiara nele para lhe dar o recado, não havia motivos para desconfiar do maior. Concordava também que de nada adiantava ficar se lamentando, seria melhor aproveitar a festa e, até mesmo, a companhia inesperada.
– B-bom... Acho que podemos entrar um pouco pra não perder a viagem, não é?!
– Assim é que se fala! Venha, vou pegar alguma coisa pra gente tomar. – Segurou novamente a mão delicada do menor e o puxou para dentro do salão, o que provocou novamente um rubor nas faces do mais jovem.
O mais velho olhou para ele sorridente e pensou que ainda poderia dar muitos motivos para ele corar dali para frente.
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Ali mesmo no salão, não muito longe dos dois, era possível ver uma irritada garota, belamente trajada com um vestido lilás tomara que caia os cabelos presos em um coque com algumas mechas lhe caindo sobre o rosto e uma maquiagem discreta, que apenas valorizava os seus, naturalmente, belos traços. Renge estava esperando Kyouya, que educadamente pediu licença para usar o lavabo, porém o rapaz já havia saído da mesa em que estavam há um bom tempo e ainda não fizera menção de retornar. Impaciente, a jovem moça resolveu dar uma volta à procura do moreno, talvez ele tivesse sido interceptado por alguma outra garota, e ela não permitiria isso. Não que ela tivesse ciúmes, claro que não! Era só que o Ootori havia prometido dar-lhe total atenção, então que agisse conforme o combinado. Pelo menos era isso em que a garota tentava acreditar.
Mentalizando as palavras que diria para ralhar com o moreno quando o encontrasse, Renge mal percebeu quando foi puxada bruscamente para um espaço entre os tecidos que caíam do teto, fazendo a decoração da festa. Imediatamente ela fez menção de agredir a pessoa em questão, porém teve sua outra mão segurada, até com certa delicadeza, pelo tal indivíduo. Porém, quando virou o rosto na intenção de dirigir-lhe uma série de impropérios (que será de bom tom não repetir nessa história, afinal se trata de uma fanfic de família), percebeu que se tratava, nada mais, nada menos, do que aquele a quem estava procurando.
O moreno agora segurava-lhe as duas mãos ligeiramente erguidas ao lado do rosto, e um sorriso indecifrável brincava em sua face.
– Ky-Kyouya?! Por que demorou tanto? E o que pensa que está fazendo?! – A garota disse a última parte já tentando se desvencilhar dos braços do maior, depois de passada a surpresa inicial.
– Fique calma, apenas estou cumprindo o que lhe prometi. – Virou o corpo, trocando de posição com a moça, de forma que ela pudesse ficar encostada na parede e os tecidos lhes cobrissem, impedindo totalmente a visão deles para quem estava na festa.
– Co-como assim? Eu não me lembro de ter combinado esse tipo de coisa! – A garota tremia um pouco em expectativa pelas ações seguintes do mais alto.
– Ora, Renge, você deixou bem claro que eu deveria bajulá-la a noite toda. Aqui nenhuma outra garota me impedirá de executar a tarefa a qual fui incumbido – O Ootori continuava se utilizando de seu tom irônico enquanto falava, e aproveitava para se aproximar cada vez mais do corpo da loira.
Pensando bem, a Houshakuji realmente havia ficado irritada com a quantidade de garotas que praticamente se atiravam para cima de Kyouya durante aquele baile. Ainda que ele recusasse os convites para dança de todas elas, toda a vez que ele a loira começavam um assunto, aparecia uma nova pretendente (leia-se cara-de-pau) e o moreno percebeu o quanto isso estava a aborrecendo.
A garota, porém, não imaginaria que Kyouya fosse fazer algo a respeito e, ainda agora, tinha dúvidas quanto aos próximos movimentos do mesmo.
– Bom, primeiramente, eu creio que lhe devo um pedido formal de desculpas por aquele incidente no outro dia. – Kyouya tinha agora uma expressão muito séria no semblante.
– Iie, n-não importa mais. – A loira balançou a cabeça pros lados em negativa, corando um pouco ao se lembrar da situação. Ficara um pouco chateada, mas no final das contas aquilo não devia ter tido a menor importância para o moreno, então ela mesma não devia valorizar tanto o fato, pensou tristemente.
– Pra mim importa muito, e faço questão de me desculpar adequadamente. Para tanto, acredito que a melhor forma seja continuarmos de onde paramos, porém sem escadas, esbarrões e quedas. – tocou o queixo dela com os dedos da mão direita, levantando-o para que ela olhasse em seus olhos.
– O que? – Renge arregalou os olhos, mas ao encarar os orbes escuros penetrantes, pode somente suspirar e permitir que ele continuasse o ato que pretendia. Fechou os olhos e deixou-se mergulhar no mar de sensações que o mais alto lhe proporcionaria com o toque prometido.
Kyouya sorriu minimamente com a expressão de entrega da menor e, soltando-lhe a outra mão, segurou a nuca da garota, puxando seu rosto para mais próximo, e enfim capturando-lhe os lábios num beijo lento e sensual, repleto de significados, mas também de dúvidas e incertezas que ainda lhes causariam muita dor de cabeça, mas também renderiam momentos de muita felicidade.
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Apesar de serem os protagonistas da história, serem parte da equipe organizadora do baile e do grande atraso que os acompanhava, não se pode dizer que a chegada dos gêmeos fez com a festa parasse, mesmo porque a maioria dos jovens ali presentes estava mais preocupada consigo mesmos. Isso é claro, excetuando os demais membros do host club e algumas fujoshis, que pararam sim o que estavam fazendo para ver os irmãos entrando no salão de mãos dadas e sorrisos nos rostos.
Hikaru trajava o seu terno com a camisa azul e gravata lilás, enquanto o mais jovem usava as peças nas cores contrárias e ambos estavam com os cabelos penteados totalmente para trás, com gel, o que tornava ainda mais difícil a tarefa de tentar distingui-los um do outro. Apenas Haruhi conseguiu a proeza e mesmo assim só depois de trocar meia dúzia de palavras com os gêmeos. Meia dúzia de palavras essas, que foram mais que suficientes para a Fujioka perceber a mudança que havia acontecido.
Quem os conhecia bem e convivia com os gêmeos, sabia que a situação entre eles andava mal das pernas, que estavam meio distantes, portanto foi com surpresa que viram os dois interagirem tão bem durante a festa e com os semblantes tão leves, parecia que realmente não estavam encenando. Nem é preciso dizer que a legião de fujoshis que estava alerta aos movimentos das duplas Haruhi e Tamaki e Mori e Honey rapidamente se deslocou para perto dos gêmeos quando, durante uma música mais calma, ambos começaram a dançar juntos, os corpos muito próximos e Kaoru com seu rosto apoiado no ombro do mais velho.
Lenços de papel, guardanapos, etc foram poucos para parar o sangramento nasal que atingiu as fangirls durante os momentos em que os gêmeos interagiam durante o baile, ainda que esses momentos não tivessem durado tanto, uma vez que algumas garotas conseguiram ultrapassar a barreira das fujoshis e tirar os gêmeos para uma ou outra dança.
Tamaki e Haruhi foram os que, de longe, ficaram mais felizes com a chegada dos irmãos Hitachiin. Além de sentirem um alívio pela situação entre eles pelo menos parecer estar resolvida, internamente ambos ansiavam por poder curtir a companhia um do outro no baile, coisa que poderiam fazer agora que as atenções não estavam mais tão voltadas para eles.
É claro que ambos não se arriscariam a fazer nada que pudesse ser mal interpretado, mesmo porque todos ainda achavam que Haruhi era homem, e também porque nenhum dos dois tinha coragem de dar o primeiro passo para avançar naquela estranha relação.
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Em plena madrugada o baile se encerrava. Os jovens saíam alegres. Alguns acompanhados daqueles que vieram consigo e outros de alguém que encontraram lá mesmo. Poucos foram os que saíram desacompanhados ou infelizes. A festa havia sido um sucesso e a arrecadação para as entidades também. Kyouya teria ficado imaginando o lucro que obteria depois que a empresa contratada para tirar as fotos lhe mandasse o material pronto, se não estivesse muito ocupado em acompanhar até um casa uma certa loira.
A Houshakuji estava silenciosa demais ao lado do moreno no banco do carro guiado pelo motorista da família Ootori. Kyouya segurava sua mão discretamente, mas não dizia nada, respeitava o momento da garota que parecia envergonhada e um pouco pensativa.
Renge não podia acreditar no que havia acontecido. Há muito que já não tinha esperanças quanto a algum sentimento da parte do moreno. Tudo bem que o convite havia lhe deixado feliz, mas ela acreditou que havia sido apenas uma forma gentil do mais alto lhe pedir desculpas pela situação embaraçosa do outro dia. Não podia imaginar que o Ootori teria um plano armado para aquela situação e muito menos que tal plano envolvesse passar praticamente metade do baile aos beijos e amassos às escondidas. O pior de tudo era perceber que adorara todos aqueles momentos e mal podia esperar para que se repetissem.
Na verdade esse era o maior problema da loira: Será que esses momentos se repetiriam?
A garota sempre tivera uma personalidade marcante, sempre muito falante, dominadora, etc. Porém perto de Kyouya sentia-se completamente frágil, sem saber como agir, o moreno exercia sobre ela um fascínio inexplicável e tinha um poder de sedução que a desarmava completamente. Além, é claro, de ter um raciocínio rápido e respostas diretas que, às vezes, acabavam a deixando sem palavras. Por isso tudo ela tinha medo... Medo de se entregar a um sentimento que poderia não ser recíproco, medo de mostrar um lado frágil e se machucar, medo de criar expectativas que não se realizariam e, finalmente, medo de idealizar uma pessoa que não existia na vida real e se decepcionar.
Sua linha de pensamentos foi cortada quando o luxuoso automóvel parou em frente a residência dos Houshakuji e Kyouya imediatamente saiu do carro e deu a volta para abrir a porta para a garota.
Renge sentiu-se mais envergonhada ainda ao ver o moreno com a mão estendida para ela do lado de fora do carro, mas acabou aceitando-a a seguindo para a porta de sua casa acompanhado do rapaz.
Quando chegaram a porta e a moça fez menção de se despedir com um aceno, o moreno cortou o silencio com suas palavras totalmente inesperadas:
– Acha que podemos marcar um jantar ainda essa semana para que eu faça o pedido oficial – Kyouya disse normalmente, com uma expressão nula no rosto, como uma dona de casa que acaba de dizer para uma amiga que comprou um novo tira-manchas para a roupa.
– C-como? Pe-pedido? – A garota quase engasgou tamanha a sua surpresa. Não poderia ser o que ela achava que era... Ou poderia?– O que quer dizer com isso?
– Bom, ambos somos de famílias importantes e acredito que não seria bom para nossos para a reputação de nossas famílias se ficássemos nos encontrando às escondidas. Por isso creio que seria adequado fazer um pedido formal de namoro aos seus pais, não concorda? – Kyouya ainda mantinha sua expressão impassível, ainda que por dentro se corroesse de nervosismo e ansiedade pela reação da garota.
– Mas, mas...Namoro? E-eu não sei... – Renge não sabia o que dizer. Kyouya estava mesmo a pedindo em namoro? Seria esse o pedido mais estranho que já vira. Apesar que ela nunca havia sido pedida antes também e, pensando melhor, entre os dois tudo havia sido estranho desde o começo, não havia porque ser diferente agora.
Kyouya ficou um pouco inseguro com a reação da loira e, por um instante, isso pode ficar visível em seu rosto, que tomou uma expressão de decepção, porém foi logo substituída pela máscara de frieza habitual.
– Devo entender sua atitude como uma negativa, então? Acho que me precipitei em meu julgamento. Peço desculpas. – Engoliu em seco antes de continuar – Devo me retirar agora, tenha uma boa noite, Houshakuji-san.
Fez questão de chama-la pelo sobrenome, forçando uma formalidade que em nada combinava com suas atitudes anteriores.
E então Renge percebeu o quanto o moreno podia ser transparente às vezes. Naquele momento ela conseguia lê-lo perfeitamente. Kyouya estava certo de que seu plano correria exatamente como o previsto, porém a reação dela o desarmou. Acreditando que fora recusado, sentiu-se completamente desestabilizado e, para não demonstrar sua decepção, fez questão de, mais uma vez, tentar passar uma impressão de total insensibilidade.
A garota sorriu minimamente com essa realização e, antes que o mais alto pudesse dar dois passos, ela puxou-o pela manga do terno fazendo-o virar novamente para si. Ficou então na ponta dos pés e plantou um singelo selinho nos lábios do moreno, dizendo em seguida:
– Vamos com calma, temos bastante tempo para pensar sobre isso, Ky-ou-ya! – disse sorrindo, e depois abriu a porta da casa e entrou, acenando para um Kyouya totalmente atônito que viu a porta se fechar rapidamente atrás da garota.
Apenas a lua e as estrelas puderam presenciar o raro sorriso singelo e verdadeiro que surgiu nos lábios do Ootori antes deste se virar e voltar para o carro que o levaria de volta a sua casa.
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Outro que passava por uma situação estranha ao levar sua acompanhante de volta para casa era Tamaki. O meio francês estava aterrorizado com a possibilidade de Ryouji ainda estar acordado esperando a filha. Sabia o quanto o mais velho era super protetor com Haruhi e o quanto estava se arriscando naquele momento.
Ambos vieram conversando amenidades dentro do carro, ainda que por dentro tudo que ambos desejavam era dizer um ao outro o que sentiam.
Era uma situação estranha sob qualquer perspectiva que se olhasse. Haruhi achava que Tamaki gostava dela, mas não tinha certeza sobre a profundidade desses sentimentos, uma vez que o loiro era educado, cortês e amigável com todos, principalmente com as garotas e com ela ele tinha um maneira de demonstrar carinho muito parecida com a de seu pai. Como ter certeza que o sentimento não era apenas fraternal? Já no caso de Tamaki, ele recentemente passara a suspeitar que a garota podia vir a corresponder ao que ele sentia. Ou que pelo menos estava um pouco mais averta às suas investidas. Mas como ter certeza de que ela apenas não queria magoá-lo e por isso se mostrava mais amigável?
Para quem olhava de fora ficava a dúvida, podia ser algo a mais a tensão que parecia existir entre eles, como podia também não ser. Claro que as fujoshis de plantão imaginavam que os dois apenas estavam passando por uma crise de aceitação da própria homossexualidade e que por isso ainda não haviam tido coragem de se declarar um para o outro. Quem sabe o que diriam elas se soubessem que Haruhi é na verdade uma garota...
Absortos em seus pensamentos e entretidos pela conversa trivial, mal perceberam quando o carro parou e já se encontravam à frente da casa da Fujioka.
Tamaki engoliu em seco ao chegar com ela até a entrada do pequeno apartamento e antes que pudesse dizer qualquer coisa, a porta foi aberta por um Ryouji com expressão de poucos amigos que puxou ambos pelo braço levando-os para dentro.
Foi com grande terror que o meio-francês adentrou a residência dos Fujioka acompanhado de uma atordoada Haruhi.
Porém a continuidade dos eventos foi muito melhor do que qualquer um deles esperava.
De início Ryouji fez questão de dar um sermão sobre a demora dos dois, fez um drama básico sobre Haruhi não ligar para ele, que se esforçou tanto para criá-la e etc. Depois acusou Tamaki de ser o motivo da rebeldia (?!) da filha. Até aí nada anormal para os padrões dele. O problema foi quando, sem motivo aparente, o mais velho ficou repentinamente ficou sério e disse aos dois que se eles quisessem namorar teriam que seguir do jeito dele. Antes que os mais jovens pudessem dizer algo, foram bombardeados com: a) uma série de regras sobre namoro dentro e fora de casa, b) limites quanto a contato físico, c) uma constrangedora conversa sobre sexo, gravidez e afins (que por sinal os fez corar até a ponta das orelhas), d) noivado e casamento ( que fez Tamaki suar frio e Haruhi revirar os olhos) e, finalmente, e) apresentação formal de Haruhi a família Suou.
Ao terminar seu monólogo, os adolescentes encontravam-se mais brancos do que uma folha de sulfite recém saída do pacote, porém o mais velho não percebeu, ou ao menos fingiu não perceber, e saiu saltitante da sala dizendo que faria um chá para eles. Claro que antes de chegar a cozinha do pequeno apartamento ele voltou-se para a sala advertindo-os, com uma expressão sinistra, diga-se de passagem, de que não fizessem nada inapropriado enquanto esperavam.
Não é preciso dizer que esses instantes passaram completamente em silencio, assim como aqueles durante os quais tomaram o chá preparado por Ryouji. Era quase possível ver reticências pairando sobre as cabeças de Tamaki e Haruhi durante aquele silêncio constrangedor.
Foi o meio-francês, no entanto, que quebrou esse silêncio anunciando que precisava ir. Ryouji desejou-lhe boa noite alegremente, como se nada tivesse acontecido, e pediu para que viesse no dia seguinte ou durante a semana para que ambos pudessem ver os álbuns de fotos de Haruhi quando bebê.
Tamaki assentiu e seus olhos teriam brilhado caso não estivesse tão atordoado com os acontecimentos recentes.
A pequena Fujioka ofereceu-se para acompanha-lo até a porta e foi na frente para abri-la, momento que foi aproveitado por seu pai para segurar o loiro e ameaça-lo de morte caso fizesse sua preciosa filha sofrer.
Haruhi não estranhou a expressão extremamente assustada do maior quando chegaram a saída, aliás, depois de tudo aquilo ela não estranharia se um meteoro em forma de cupcake caísse em frente a sua casa ou se os postes da rua se transformassem em girafas de pijama pulando corda.
Depois de alguns longos momentos de silencio, ambos se permitiram olhar nos olhos um do outro.
Haruhi foi a primeira a se manifestar:
– E-eu...bom, me desculpe pelo meu pai. Ele realmente não tem noção das coisas às vezes... – A garota não sabia o que dizer, não tinha ideia do que passava pela cabeça do maior.
– Bom, pra falar a verdade eu acho que ele está certo – Haruhi fez uma expressão de incompreensão que fez o mais velho continuar – Se eu tivesse uma filha, provavelmente agiria do mesmo jeito.
– Sim...eu sei o quanto ele se preocupa comigo e fico feliz por isso mas, não precisava disso tudo. Nem há nada do tipo entre nós ...não é? – A pequena disse as últimas palavras num sussurro, numa rara demonstração de insegurança de sua parte.
– Talvez ele só tenha previsto minhas intenções – o loiro arrependeu-se no instante em que terminou de dizer essas palavras, porém ao ver as faces da garota tomarem uma tonalidade totalmente rubra, encheu-se de coragem e, tomando a mão direita de Haruhi entre as suas, continuou:
– Você quer namorar comigo?
A Fujioka pareceu hesitar por um instante, mas no momento seguinte aproximou-se Tamaki lhe dando uma abraço apertado.
O loiro espantou-se com a reação da garota, imaginava desde um tapa, uma gargalhada, um seco e doloroso não, até um beijo cinematográfico, mas não um abraço. Manteve-se com os braços no ar por um instante, até resolver retribuir o gesto da menor e, na sequencia, perguntou:
– Err...Haruhi...Isso é um sim ou um não? – Naquele momento ele pareceu esquecer-se de toda a conversa, ou melhor, de todo o monólogo do Fujioka. Apenas concentrava-se na garota em seus braços. Foi com uma mistura de alívio, alegria e euforia que sentiu a garota balançar a cabeça que estava contra seu peito, de cima para baixo, num sinal afirmativo.
A verdade é que Haruhi não queria que o maior visse as sutis lágrimas que brotaram em seus olhos quando ela assimilou as palavras dele.
Quando estava mais calma, a menor afastou-se um pouco do corpo do mais velho e pode sentir seu rosto sendo segurado pelas mãos dele, de forma a fazer com que encarasse o rosto do loiro a sua frente, se aproximando cada vez mais, disse muito próximo aos seus lábios: -Haruhi, eu amo você. – E a pequena teve os lábios tomados num beijo singelo e casto (beijo este observado atentamente pelo seu pai através do olho mágico) para em seguida ver, perplexa, o maior se distanciar em direção ao carro que o levaria de volta para a mansão da família Suou.
Naquele resto de madrugada nenhum dos dois jovens dormiria, pensando um no outro até o amanhecer.
Continua...
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