Por Você

14 Capítulo 14


Notas iniciais
Oláaa!!!!!!!!!!!
Olha só quem voltou! XD
Sem pedidos de desculpas, eu avisei que ia demorar bastante, nao é?
Espero que você não se decepcionem com esse capítulo, finalmente eu tive um lampejo de inspiração e um feriado pra escrever.
Nada mais a dizer por aqui, leiam as notas finais, onegai!!!

No dia seguinte Hikaru foi acordado pelo irmão, que o chamava pela 4ª vez seguida e, não tendo sucesso, acabou por chacoalha-lo pelos ombros.

- Ne Hikaru, acorde logo, não vai dar tempo de tomar café!

O mais velho acabou despertando, depois do tratamento “delicado” que recebera do seu gêmeo. Com os olhos inchados e visivelmente cansado, levantou-se, indo ao banheiro fazer sua higiene.

- Está parecendo um zumbi, Hikaru. O que houve?

Hikaru deteve-se, por um instante, antes de adentrar o banheiro e, virando lentamente a cabeça na direção do irmão, resmungou:

- Não dormi direito.

Kaoru estranhou o fato, afinal ele próprio havia dormido perfeitamente bem, então o que causara o desconforto do irmão não devia ser nenhum fator que pudesse tê-lo afetado também. Como o mais velho parecia estar mal humorado, achou melhor perguntar sobre isso em outro momento.

A verdade é que Hikaru passara a maior parte da noite em claro. Assim que se deitou ele adormeceu, mas fora acometido por sonhos perturbadores e acabou acordando pouco mais de uma hora depois de ter adormecido. O restante da noite, o mais velho dos Hitachiin passou acordado, sem conseguir pegar no sono, que só veio por volta de 40 minutos antes do horário de despertar dos irmãos.

Durante todo o dia na escola, Hikaru não conseguiu prestar atenção às aulas ou a qualquer outra coisa. Por diversas vezes o ruivo tentou se concentrar nas palavras do professor de Japonês ou nos cálculos que Haruhi resolvia com facilidade ao seu lado. No entanto, a todo momento se via tendo flashes de memória do sonho que tivera no início da noite. O mais velho dos Hitachiin não se lembrava com detalhes de seu sonho, mas sabia que o mesmo continha diversas cenas eróticas envolvendo a si mesmo e uma outra pessoa que ele sabia conhecer, mas não conseguia se lembrar de quem era. Estranhamente, ele tinha certeza de que não se tratava de uma mulher, e era isso que o deixava extremamente perturbado. A lembrança de estar em um momento tão íntimo com alguém do mesmo sexo lhe causava um desconforto muito grande.

Flashback on

Os corpos de ambos suavam devido à fricção contínua e a alta temperatura do local, porém nenhum deles parecia preocupado com isso, pelo contrário, faziam questão de diminuir ainda mais o espaço entre eles, esfregando as peles uma na outra, parecendo querer ser fundir em um único ser. As línguas brincavam fora das bocas, serpenteando uma na outra numa dança extremamente erótica, porém não mais do que o contato das mãos de Hikaru com o corpo abaixo de si. O ruivo mais velho apartou o ósculo por alguns instantes para poder observar melhor o corpo do outro. A largura dos ombros, a falta de seios, e os músculos, ainda que pouco desenvolvidos, dos braços, não deixavam dúvidas de que se tratava de um corpo masculino, porém isso parecia perfeitamente normal para Hikaru durante o sonho. Por incrível que pareça ele sentia que aquela era uma situação totalmente comum e aquele corpo muito familiar. Após alguns instantes de observação, o mais velho dos Hitachiin se pós a estimular os mamilos do parceiro com a boca, circundando cada um deles com a língua e depois fechando os dentes fracamente sobre a pele e puxando, recebendo em troca gemidos muito sensuais do parceiro. Suas mãos desciam despudoras pelas costas, apertavam as nádegas macias as separando, o que causava suspiros no amante. Aos poucos começou a insinuar um de seus dedos na entrada apertada do outro, podendo perceber que este passou a cravar as unhas em suas costas em resposta ao estímulo prazeroso que estava recebendo. Não se aguentando mais, o ruivo deslizou seu dígito para dentro do pequeno orifício, podendo sentir toda a macies da carne úmida e quente do rapaz o acolhendo. Passou a esfregar ainda mais o seu quadril no do companheiro, insinuando seu pênis já completamente rigído e gotejante conta a alheio, já na mesma situação. Porém, quando afastou os olhos do corpo alheio para fitar seu rosto, tudo se tornou um borrão a sua frente, e o rapaz pode apenas distinguir os lábios do outro se movendo para formar uma frase que ele não compreendeu e depois se fecharem novamente num sorriso repleto de amargura, talvez o sorriso mais triste que ele já tinha visto durante toda a sua vida, o que lhe causou um aperto muito grande no peito.

Flashback off

O incômodo que as lembranças do sonho causavam em Hikaru eram devidas a dois motivos principais: O primeiro era o fato de ter sonhado algo tão erótico com um homem – não, Hikaru não era preconceituoso, mas também nunca teve dúvidas quanto a sua heterossexualidade, e agora isso o deixara completamente confuso – e ainda ter achado tudo tão normal, o segundo era a estranha familiaridade que ele parecia sentir com a tal pessoa no sonho, e que ele nem sabia quem era. A bem da verdade esse segundo era o que mais incomodava o garoto, a curiosidade de saber quem poderia ser aquela pessoa era o que não o deixava se concentrar nas aulas, pois o ruivo tentava de todas as formas vasculhar em sua mente alguma lembrança que desse uma pista de quem poderia ser seu amante misterioso. Não ficava muito confortável de chama-lo mentalmente dessa forma, mas não conseguiu pensar em outro nome que pudesse dar a ele.

Kaoru estranhou o comportamento do irmão naquela manhã, além de estar completamente alheio às aulas, parecia estar enfrentando um grande conflito interno. Era tão visível que, mesmo de longe, o mais novo conseguiu perceber os sinais de desconforto do mais velho. Não fora uma, nem duas vezes, que o flagrou apertando o lápis com violência, batendo os pés sem parar e franzindo o cenho, aparentemente sem motivo e para ninguém em específico. Kaoru conhecia esses sinais, sabia que o irmão agia dessa forma quando algo o estava irritando ou quando estava contrariado, porém dessa vez ele não sabia os motivos do mais velho.

Quando o sinal bateu, revelando que o horário de almoço já havia chegado, Kaoru cogitou a possibilidade de tentar conversar com o irmão, mas o mesmo pegou suas coisas e saiu em disparada pela porta, nem dando chance do mais novo se aproximar. O mais jovem dos Hitachiin ficou tão distraído observando as costas do mais velho enquanto ele se dirigia apressadamente para fora da sala, que nem sequer percebeu a aproximação de uma figura conhecida, notando-a apenas quando a mesma obstruiu seu campo de visão.

- Ano...Kaoru-san, será que a gente pode conversar?

O ruivo olhou com mais atenção para àquele que lhe dirigia a palavra, os cabelos castanho-aloirados estavam penteados para trás, deixando bem visíveis os olhos dourados que lembravam tanto os de seu irmão e os seus próprios.

- Ah, oi...Fujiwara-san, certo? – Kaoru ficou um pouco incomodado com a situação, não esperava encontra-lo tão repentinamente, mesmo porque ainda não tinha pensado numa resposta para dar ao garoto.

- Isso...mas pode me chamar só de Kouji...eu prefiro! – O mais jovem tinha um pequeno sorriso nos lábios, parecia extremamente feliz de apenas poder conversar com Kaoru normalmente.

No entanto, alguns instantes de um silêncio perturbador se instalaram entre eles, e coube ao recém-chegado quebrar o clima, já que o mais jovem dos Hitachiin não sabia como agir diante da situação.

- Então...você leu minha carta? – Enquanto falava, as faces de Kouji tomaram um tom incrivelmente rosado e sua voz foi falhando a medidas que as palavras saíam de sua boca, até se tornarem apenas um sussurro.

Kaoru sentiu como se tivesse engolido um quilo de cimento naquele exato instante. De todas as coisas que o garoto poderia falar, ele tinha que tocar direto nesse assunto?

- É...eu li sim, mas pra falar a verdade eu ainda não pensei direito sobre isso e... – foi interrompido bruscamente pelo outro que, agitando as mãos em frente do corpo como forma de negação, exclamou:

- Não precisa dizer nada agora Kaoru-san! Você pode pensar o quanto quiser...eu só queria saber se você tinha lido mesmo...mas não precisa ter pressa.

Kaoru pode ver o desespero nas palavras do mais jovem e sentiu um pouco de empatia pelo sofrimento dele. O medo de que ele o recusasse de imediato era palpável, e Kaoru teve pena de dispensá-lo sem que ao menos tivessem chance de se conhecer.

- Então... – Kaoru começou, hesitante – nós podíamos, sei lá, nos conhecer melhor, como amigos, pra eu poder te dar uma resposta...o que acha? – O Hitachiin mais novo ficou um pouco apreensivo pela decisão que havia tomado, mas achou que era a melhor maneira de não ferir os sentimentos do garoto e também uma oportunidade de se distrair.

É claro que Kaoru não achava certo brincar com os sentimentos dos outros, muito menos criar falsas esperanças, mas o brilho de felicidade nos olhos do rapaz quando proferiu essas palavras fez com que ele próprio acreditasse que poderia existir uma chance ali, uma chance de se libertar desse sentimento que nutria pelo irmão, uma chance de ser feliz, uma chance de deixar Hikaru mais tranquilo para viver seu romance com Haruhi, uma chance de se sentir vivo de novo. Foi pensando nisso que o ruivo nem percebeu quando o mais novo já o arrastava para o refeitório no intuito de almoçarem juntos.

Hikaru não comeu quase nada, ainda muito perturbado com o rumo de seus pensamentos. Deixou o refeitório da mesma forma como entrou, a passos rápidos, e seu humor só se fez pior quando avistou o irmão sentado almoçando junto a outro garoto, sorrindo enquanto conversavam. Pensou se esse seria o tal de Kouji que se declarara para ele no dia dos namorados, ou pior, se era algum novo pretendente do irmão. Viu-se ainda mais confuso quando tentou entender o porque de se irritar tanto com os possíveis relacionamentos de seu irmão, e acabou decidindo que não ficaria no host club naquela tarde, resolveu dar uma volta pela cidade para espairecer, depois ligaria para o irmão para que este avisasse aos outros hosts.

Já havia terminado seu almoço e apenas conversava sobre amenidade com Kouji, quando percebeu seu celular vibrar indicando o recebimento de uma mensagem. O mais jovem dos Hirachiin se surpreendeu ao ver que se tratava de um recado do irmão avisando que não iria ao clube, pois estava de mau-humor, e por isso daria algumas voltas mas que era para o mesmo não se preocupar e se ele faria o favor de avisar aos demais hosts. Kaoru respondeu a mensagem perguntando se o gêmeo realmente estava bem e se precisava de algo, ao que o mais velho respondeu que apenas precisava ficar um pouco sozinho para espairecer, mas que não se preocupasse, pois à noite ele estaria em casa normalmente.

O ruivo mais jovem não pode deixar de se preocupar com irmão, mas tentou disfarçar seu descontentamento da melhor maneira possível, pois não gostaria de falar desse assunto com o jovem Fujiwara.

A tarde se passou devagar para o jovem Hitachiin, já que o mesmo não tivera a companhia de seu precioso irmão. Durante todo expediente do Host Club, teve de se desculpar com as garotas pela falta do irmão, alegando que o mesmo se sentira mal e que ele próprio havia insistido para ficar cuidando dele, mas que o maior havia recusado veemente, dizendo que ele não deveria se prejudicar por sua causa, que era dever do mais velho cuidar dele, e não o contrário. As garotas imaginavam o diálogo narrado pelo mais novo e tinham incontáveis hemorragias nasais.

Ao chegar a casa encontrou o mais velho deitado lendo um mangá qualquer que não se deu ao trabalho de tentar reconhecer. Ao indagar sobre o que havia acontecido à tarde o mais velho desconversou, dizendo apenas que não estava no clima para o clube naquela tarde. O ruivo mais jovem resolveu não insistir e foi realizar suas tarefas rotineiras antes de descerem para o jantar.

As semanas seguintes seguiram praticamente da mesma forma, Hikaru parecia constantemente irritado e se mantinha distante de todos, com excessão de Haruhi. Vez ou outra não dava as caras no host club, cada vez alegando um problema diferente e mandando mensagens ao irmão pedindo que justificasse sua ausência, mensagens essas que eram praticamente o maior contato que o mais novo tinha o irmão nos últimos tempos, até mesmo em casa ele mal falava consigo, e no host club se limitava as encenações para as clientes, que também já começavam a perceber a mudança de comportamento do mais velho dos Hitachiin.

Em alguns fins de semana o mais velho ainda chavama a Fujioka para sair, e algumas vezes a pequena aceitava para que o garoto não se chateasse e também na tentativa de descobrir o que estava acontecendo com ele. Porém, tanto Hikaru, quanto Haruhi começaram a perceber que o que existia entre ele era pura e simplesmente amizade. Ambos sentiam-se muito confortáveis na presença um do outro, o carinho era enorme, mas era tão somente isso. Queriam que o outro fosse feliz, mas não poderiam ser eles próprios os responsáveis por essa felicidade, e sequer foi necessário dizer isso em palavras, pois ficou claro depois de alguns encontros. Não foi com estranheza que Hikaru se pegou um dia se lamentando com Haruhi sobre o relacionamento de seu irmão com o último pretendente. A pequena também não se surpreendeu com o comentário do ruivo:

- Agora eles ficam juntos pra lá e pra cá, só vejo ele sorrindo quando está com esse tal de Kouji, qual é a desse cara, hein? – Hikaru parecia realmente chateado com a situação

A castanha sorriu e argumentou:

- Mas Hikaru, você mesmo disse que esse rapaz até já se declarou pro Kaoru, é normal que ele esteja tentando alguma coisa, não? Você mesmo disse que não se incomodava com a opção do seu irmão...

- Mas eu não me incomodo! – interveio o rapaz, rapidamente – Eu só...não sei, não gosto desse cara...

- Nem desse, nem de nenhum outro, não é? – Haruhi constatou rindo.

- Como assim? – O mais velho dos Hitachiin parecia confuso com o rumo da conversa.

- Simples Hikaru, você não gosta desse Kouji, mas também não gostava dou outro...Shinji-senpai, não é? E provavelmente não vai gostar de nenhum outro rapaz que tente alguma coisa com o Kaoru, porque você acha que ninguém é bom o suficiente para ele. – A pequena parecia confiante de suas conclusões — Agora você tem que pensar no porquê disso...por que você não quer que ninguém se aproxime do seu irmão, Hikaru? Quando você descobrir isso, com certeza as coisas vão ficar muito mais claras. Pense nisso – A garoto concluiu e se levantou, deixando o ruivo a sós com o monte de dúvidas que povoaram sua mente.

Enquanto isso, se Hikaru estivesse atento, teria percebido o quanto Kaoru estava abatido. O novo afastamento do irmão o deixara ainda mais triste, o mais novo não comia direito, seu sono era atribulado, e não tinha quase disposição para nada. Os únicos momentos em que se permitia sorrir eram quando estava ao lado de Kouji, a alegria do garoto era contagiante e era impossível não rir das coisas que o mais novo dizia. Esses também eram os únicos momentos em que Koaru conseguia não pensar tanto no irmão, e por isso o ruivo acabara, de um jeito ou de outro, apreciando a companhia do Fujiwara.

Kouji sentia-se super feliz com a companhia do mais velho, mas não deixava de perceber o abatimento que se instalara nele, apenas não tinha coragem de tocar no assunto. Também o entristecia o fato do mais velho sequer parecer se lembrar de que ainda lhe devia uma resposta, mas diante da situação em que ele o via, achava melhor não o cobrar.

Nenhum dos dois, no entanto, fazia ideia do quanto a proximidade entre eles incomodava o mais velho dos HItachiin, que cada vez mais sentia que estava perdendo o seu irmão para outro “cara”.

Notas finais
Bom, acho que dá pra perceber que com esse capítulo a fic vai se encaminhando pra reta final, né?
Possivelmente depois de postar o final eu ainda coloque algum especial com o desfecho de cada um dos outros casais, se for da preferência de todo mundo, claro!
Meus agradecimentos à Marina M, Juli Blanc, Neko Girl, Ritsu Onodera e Okumura Yui pelos reviews, amo vocês, seus lindos!!!

Aguardo novos comentários e aceito todas as criticas que eu merecer.
Obrigada por terem acompanhado até aqui, espero postar o próximo muito em breve.

Bjs,

Moro-chan