Por Uma Noite
1 Capítulo Único!
Notas iniciais
Por uma noite.
Daniel estava desolado, mais uma vez Lucinda morrera em seus braços, e nada ele pudera fazer a não ser observar o corpo de sua amada ser sucumbido pelas chamas.
Era noite, Daniel caminhava pelo parque, as mãos nos bolsos desgastados de sua calça jeans, o cabelo bagunçado e sua visível profunda tristeza. O cheiro das flores adentravam seu nariz, fazendo-o se lembrar novamente deles. Flashes de momentos felizes juntos vinham em sua mente enquanto e vento batia em seu rosto, e novamente imagens de seus últimos momentos invadiram a bela lembrança que estava tendo dela, fazendo-o sacudir a cabeça.
Ele estava sozinho ali, era preferível assim, mais do que nunca precisava de um momento só dele, em ninguém atrapalhando-o.
Sentou-se em um banco de madeira velho e a pintura cinzenta desgastadas pelos anos de uso. O vento novamente batia em seu rosto, bagunçando ainda mais seus lisos cabelos loiros. Daniel fechos seus lindos olhos cinzentos sem brilho, enquanto apreciava o momento. Abriu novamente os olhos, o tráfego de carros
não era tão grande, nessa hora, não era de se estranhar.
Passos poderiam ser ouvidos, e o rangido de velho banco, o fez ter certeza que alguém sentara ao seu lado. Primeiramente pensou ser Ariane ou Gabbe para consola-lo, ou Cam, para fazer suas piadinhas, ele não estava no clima para isso.
Mas diferente de tudo que ele pensava, não era nenhuma das alternativas anteriores. Era uma bonita garota, com não tão longos cabelos loiros, seus olhos eram em um tom um pouco claro, mas ainda assim, castanhos. Ela apertava um casaco branco contra o corpo claro, parecia tremer, e o observava atentamente.
— O que um garoto tão bonito está fazendo aqui triste? — ela perguntou com um sorriso simples, mas ainda sim belo, em seu rosto.
— E o que uma garota como você está fazendo tarde da noite em um parque, com um cara que ela nem conhece? Posso ser um estuprador. — recrutou Daniel, tirando os olhos dela.
— É justo. Bem, eu acho que você não é um estuprador, mas posso está enganada, então estou confiando em você. — disse ela simplesmente. — Então... Qual o seu nome?
— Daniel.
— É um nome bonito... Sou Caroline, mas pode me chamar de Carol, se você quiser, é claro. — disse Caroline. — Então, Daniel... Vai me contar o que tanto te perturba?
— Você não entenderia...
— Você poderia tentar me explicar... Eu talvez entenderia. — Caroline estava convicta de suas palavras.
— Não é tão fácil... — Daniel tentava ao máximo fazer aquela garota se afastar. Não podia dizer a verdade, não poderia se passar por louco.
— Por favor... — Ela implorava.
— Eu... não posso. — Ele disse com um suspiro cansado.
— Tudo bem, não vou mais insistir.
Caroline levantou-se logo, não iria mais incomodar Daniel, dava para perceber que ele não queria conversar com ela.
— Ei espera. — Daniel puxou delicadamente a mão de Carol, fazendo-a virar-se surpresa para ele.
Ele observou-a alternar o olhar entre as mãos dos dois e seus olhos, fazendo-o solta-la rapidamente.
— Desculpe. — disse Daniel totalmente envergonhado. — Não queria...
— Não, está bem. — Caroline abriu um lindo sorriso para ele.
— Olha, não tem como te explicar no momento, mas quem sabe esta noite você não me convence a te contar? — Daniel arqueou a sobrancelha para a garota.
— Isso é um desafio? — Carol riu divertida colocando a mão na cintura.
— Está com medo? — Daniel perguntou.
— Medo? Eu?
— Está parecendo... — Daniel provocou-a.
— Tudo bem, eu aceito! — Carol estendeu a mão a ele com o dedo mindinho levantado.
— Juramento do dedinho?
— É o melhor dos juramentos, depois de feito não pode ser quebrado.
— Okay. — Daniel juntou seus dedinhos e riram juntos.
— Como posso te convencer então?
— Vai ter que descobrir, não sou de dar dicas...
— Ok. — Carol pareceu pensativa. — Que tal irmos em um parques de diversão?
— Não acho que tenha algum aberto está hora...
— Podemos invadir.
— É assim que tentará me convencer? — Daniel perguntou rindo. — Invadindo parques Srta. Caroline? Isso é muito feio...
— Vai dizer que nunca fez isso?
— Eu sou um garoto muito comportado...
— Sei... Vem. — Carol agarrou a mão de Daniel, puxando-o rapidamente para levantar-se do banco.
Eles foram correndo até o parque de diversão mais perto da cidade. Não era tão longe, eles caminharam de mãos dadas sem nem perceber.
O parque era imenso, tinha todos os divertimentos possíveis, Roda gigante, Barraca do beijo, Montanha russa, Twister, Navio Viking, Autopista, Surf, Carrossel, e até um pequeno teleférico que tinha uma linda vista da cidade.
— Como vamos entrar aí? — Daniel perguntou enquanto dava boas olhadas.
— É simples, pulamos o portão...
— E as câmeras, alarmes, guardas, não tem nada disso? — Daniel pareceu surpreso.
— Por incrível que parece, não. As pessoas daqui, não são desse tipo.
— Nossa, ok, vou primeiro.
O portão não era tão grande, feito de uma madeira antiga e bem resistente. Daniel pulou com uma grande facilidade, Caroline ficou muito surpresa com sua agilidade.
Agora era a vez dela, o salto de sua bota foi o que mais incomodou-a, foi um pouco mais difícil, mas com um pouco de esforço — E uma grande ajuda de Daniel — Ela conseguiu.
— Qual você quer ir primeiro? — Daniel perguntou.
— Que tal a roda-gigante? — Ela perguntou sorrindo.
— Então tá.
Juntos eles foram até a roda-gigante, ela era imensa. Daniel ligou-a e eles dois sentaram. Devagar, eles foram subindo, até terem chegado ao topo, de lá era possível ver a cidade, bem iluminada, e também tinha uma bela vista da praia, que não era tão longe dali.
— Você não acha que estamos demorando muito tempo aqui em cima? — Carol perguntando olhando para baixo, mas logo de arrependeu, estava muito longe do solo. Levantou a cabeça e fechou os olhos, segurando fortemente nos braços de Daniel, o mesmo sorriu.
— Também acho, será que emperrou?
— Quê?! Não pode ser, vamos ter que esperar até amanhã aqui? Ah meu Deus, o que será que minha mãe vai achar, senhor.
— Fica calma... — Mal Daniel falou isso, a roda-gigante voltou a funcionar, para alívio de Carol, que soltou o braço dele.
Quando chegaram no chão, Carol logo pulou do banquinho avermelhado.
— Acho que da próxima vez que voltar aqui, será uma boa, evitar um pouco a roda gigante. — disse ela, causando risos no Daniel. — Que tal você escolher agora?
— Que tal o Carrossel? — disse ele.
— Eu adorava ele quando criança. — disse Carol. — Mas fazia depois que eu não vou.
— Terá a chance agora.
Os dois foram juntos até o carrossel. Ele era rodeado de luzes douradas, seus cavalos eram totalmente brancos, exceto a crina que alternava nas cores, azul, lilás e rosa.
Daniel ajudou Caroline subir, pegando-a pela cintura e colocando-a em cima do cavalo com crina lilás, e subiu no que estava ao lado, que a crina era azul.
Carol ria como uma criança, o vento batia em seus cabelos loiros, fazendo-os voar. Ela levantava-se e sentava de novo, jogava a cabeça para trás, e nunca tirava o sorriso do rosto, fazendo-o sorrir também.
— Não é lindo? — Ela pergunta a Daniel que estava distraído admirando sua beleza.
— Completamente...
Depois de um bom tempo no carrossel, Daniel ajudou Carol a sair do brinquedo, levando-a para o centro do parque, onde as estrelas estavam mais visíveis. Os dois se deitaram na grama, Carol com as mãos cruzadas sobre a barriga, e Daniel com a mão esquerda ao lado do corpo e a outra embaixo da cabeça.
— É tudo tão lindo, as estrelas, a noite, aqui... — Carol virou o rosto para Daniel que observava as estrelas com um lindo sorriso. Ao sentir o olhar da garota ao seu lado, virou-se para olha-la.
— Também acho.
— Então... Já te convenci a contar seu segredo?
— Ainda não, mas talvez esteja perto. Não é uma garantia. — Daniel riu.
— Depois de tudo isso? Ok, isso parece que vai ser difícil, mas vou conseguir.
— Tenho certeza.
Seus rostos estavam muito próximo, o clima romântico, dificultava ainda mais o momento, Daniel ainda não estava pronto para se envolver com outra pessoas, que não fosse Lucinda.
Levantou-se rapidamente, limpando toda a poeira que estava em sua calça jeans desbotada, deixando-a Caroline confusa ainda deitada. Daniel estendeu a mão, e a levantou.
— Tem mais algum lugar que queria me levar? — Daniel perguntou tentando aliviar a tensão que tinha se formado.
— Tem um...
{...}
A música estava muito alta. Eles estavam em uma festa.
— Não me disse que ia me trazer em uma festa. — Daniel disse quase gritando por causa da música alta.
— Um dos garotos da minha escola é o anfitrião, eu queria vir, mas não tinha ninguém que me acompanhasse. — disse ela com as mãos nos bolsos da calça.
— Não parece muito o seu estilo... — Daniel disse enquanto se esquivava de um garoto bêbado que quase caiu em cima dele.
— E não é... Mas foi o primeiro lugar que eu pensei. — disse Carol. — Vamos entrar?
— Vamos.
Eles dois entraram pelo o grande portão preto, o gramado era separado pelo um caminho de pedra iluminado por luzes. Um belo jardim coberto por uma grande, flores de todas as cores, as mais belas. Grandes árvores, uma delas possuía um balanço.
Carol observou Lucas andar em sua direção, ele trajava uma calça jeans desbotada na cor que parecia ser preta, uma camisa branca que marcava seus músculos, e uma jaqueta preta.
— Que bom que veio. — Lucas a cumprimentou, e observou Daniel com indiferença. — Você é...?
— Daniel. — Ele respondeu do mesmo modo.
— Espero que você aproveite a festa. — Lucas olhou diretamente par Carol, ignorando completamente Daniel. Saiu logo em seguida.
— Quem é ele? — Daniel perguntou carrancudo.
— Um ex-namorado. — Carol deu de ombros.
— Ex?!
— É, mas faz tempo.
Os dois entraram na casa, todos estavam se divertindo. Alguns se agarravam nos cantos, outros subiam as escadas, provavelmente para os quartos, outros embebedavam-se, e alguns estavam caídos no chão.
— Isso aqui está um desastre. — Carol disse.
— E eu pensava que era pior. — Daniel disse. — Esses adolescentes de hoje.
— O que tem? — Carol virou-se para Daniel. — Você fala como se fosse de outra época.
— Às vezes eu acho que sim. — Daniel disfarçou.
— Eu quero um refrigerante... — disse Carol enquanto caminhava até o bar. Logo o barmen virou-se para ela, com um sorriso de mostrar todos os dentes.
— O que deseja? — Ele perguntou encostando o braço perto de onde o de Carol estava.
— Ahn... Um refrigerante, por favor. — Ela falou afastando o braço do desconhecido.
Logo Daniel se aproximou, sentando ao seu lado. Ele parecia muito desconfortável com aquele lugar, Carol percebeu isso.
— Se quiser, podemos ir embora. — Carol sugeriu.
— Não sem problemas. — Daniel sorriu. Mas o que ele queria mesmo era sair dali.
O barmen chegou sorrindo, entregando o refrigerante a Carol que agradeceu, seu sorriso desapareceu, quando seu olhar encontrou-se com o de Daniel, que não tinha uma cara nada boa. O garoto logo saiu, para atender uma outra garota que acabava de chegar.
Carol bebeu o seu refrigerante em silêncio, enquanto sentia o olhar de Daniel sobre ela.
— Acho que já podemos ir embora. — Carol disse. — Estou começando a não gostar daqui.
Várias pessoas passaram cambaleando a sua frente, alguns deles esbarravam-se entre si. Um especialmente olhou para Carol com um sorriso malicioso, andando em sua direção.
— O-oi l-lindinha. — Sua voz falou com dificuldade por causa da bebida. O rosto de Carol de contorceu pelo seu mal hálito.
Ele tentou se aproximar novamente, dessa vez, impedido por Daniel, que segurou a gola de sua camisa roxa, e o arremessou do outro lado da sala, deixando Carol de boca aberta.
— Como você fez isso? — Perguntou ainda admirada.
— Eu... treinava. — Foi a melhor desculpa que Daniel pensou.
— Sei... — Carol falou desconfiada. — Tem algum lugar que queira ir? Estou sem ideias.
— Tem um sim.
{...}
A praia estava praticamente vazia, a essa hora da noite não era de se estranhar. Alguns poucos casais caminhavam pela a areia, rindo e se divertindo muito. A brisa estava gelada, trazia junto consigo o cheiro da água do mar salgado.
Daniel e Carol caminhavam lado a lado, suas mãos quase se tocavam. Juntos andavam pela a borda, onde a areia era fria e úmida.
— Esse é sem dúvidas o melhor lugar que a gente visitou até agora. — Carol disse olhando admirada pera o mar. Aquela linda imensidão azul.
— Melhor que o parque? — Daniel perguntou.
— Está melhor que a festa, o parque eu não sei, mas tenho um pressentimento que será.
Os dois continuaram andando até um pequeno quiosque, não era tão iluminado, algumas velas estavam presentes nas mesas mais afastadas, as únicas acesas, já as outras estavam apagadas por causa do vento.
Os dois sentaram em uma mesa, o garçom que veio logo atendê-los, piscou para Daniel antes de sair, indo em direção a um som que ficava ao fundo.
Uma música lenta começou a ser tocada, Daniel sorriu e estendeu a mão em direção de Carol, que o olhou confusa por um momento, até entender. Carol levantou-se calmamente, Daniel aproximou seus corpos, entrelaçando as suas mãos, seus olhares se encontraram, e o sorriso mais lindo foi aberto.
Ali sozinhos suas bocas se encontraram, Daniel segurou forte sua cintura, aproximando-os ainda mais, Carol colocou suas mãos no pescoço de Daniel. Os dois dançavam enquanto se beijavam, por fim, quando a música acabou, Daniel separou o beijo, e por um momento, ficaram com as testas encostadas, ouvindo simplesmente suas respirações aceleradas.
— Isso foi… — Carol não conseguia pensar no que falar.
— Eu sei…
Eles se separaram, mas suas mãos ainda estavam juntas.
— Juro que pensei ter visto uma coisa em você...
— O que?
— Nada. Mas...Tem um lugar... — Carol começou a falar. — Que eu estava tentando evitar hoje a todo custo, mas você... Meu deu confiança de ir lá.
— Que lugar?
— Vem.
{...}
O lugar era sombrio essa hora, estava vazio, a não ser por eles. Carol caminhava a frente, passando pelos os túmulos de pessoas que não estavam mais ali. Aquele lugar era refletido de tristeza, as plantas estavam mortas, e o cheiro não era nada agradável.
Eles pararam em frente a um túmulo especial, esse não era com os outros, bem limpo e polido, estava escrito na lápide “Érica Martin, para sempre em nossos corações” * 01/03/1998 † 30/05/2014.
— Hoje, faz exatamente uma ano em que ela morreu. — Carol ajoelhou-se em frente da lápide, onde estava uma flor amarela, a única viva.
— Sinto muito. — Daniel fez o mesmo, colocando a mão sobre o ombro de Carol.
— Não tem problema. — Disse ela. — Eu fiz de tudo para esquecer que hoje, fazia um ano que ela não estava mais aqui. Mas... Não foi possível.
— Porque me trouxe aqui?
— Eu não sei. — Disse ela. — Estou falando muito essas palavras ultimamente.
— É clichê usar essa frase, mas ela está em um lugar melhor...
— Eu realmente espero isso. Ela era não divertida, mas a diversão não levou-a a lugar nenhum, a não ser, o cemitério. — Carol suspirou encostando a cabeça no ombro de Daniel.
— Desculpe por hoje.
— O que? Desculpar? Hoje foi uma das minha melhores noites, desde que tudo vem acontecendo.
— Então... Já te convenci a me contar?
— Sim. — Ele sorriu olhando para as estrelas. — Não poderia te dar todos os detalhes.
— Sem problemas.
— Não faz muito tempo, a garota que eu amei a vida toda morreu, eu sei que algum dia ela voltará, mas, é difícil para mim.
— Isso é horrível. — Disse ela, mas tinha um pouco decepção em sua voz.
— Eu sei, mas hoje, você fez eu me sentir vivo de novo. Eu só digo obrigado por isso.
— Também tenho que te dizer isso.
— Mas tem um segredo meu que preciso contar...
— Qual?
Daniel levantou-se, tirando o casaco pesado de suas costas. De repente uma luz irradiou o local, dois pares de asas brancas saiam das costas dele, o brilho delas incomodava os olhos de Carol, mas ela não se importava. Levantou-se chegou perto de Daniel, e tocou as belas asas delicadamente, e olhou quando Daniel fechou os olhos.
— Você...?
— Sim.
— São tão lindas... Isso é inacreditável. — Seus olhos eram de uma criança como se acabasse de receber um doce.
— Não tão inacreditável.
— Você não parece real...
— Eu sou. — Daniel se aproximou de Carol, segurando seu rosto entre as mãos, lhe deu um beijo delicado, doce e gentil.
Carol estava sem palavras, não sabia o que dizer, só queria passar o resto de sua vida, nos braços dele.
Daniel a abraçou forte, e Carol não sentiu mais seus pés no chão, ele segurava firme sua cintura. Ela olhou para baixo, eles estavam voando, era ótima a sensação de poder voar, era como estar livre, ficou imaginando se Daniel sentia isso toda vez que voava.
Eles passaram por toda cidade, a maioria das pessoas estavam dormindo, assim ninguém perceberia um anjo e uma garota sobrevoando uma cidade. Estava silêncio, o único som, era as asas de Daniel batendo graciosamente para se manterem no céu.
A viagem durou, e Carol adormeceu nos braços de Daniel, não sem antes de lhe dar um último beijo, o de despedida.
{...}
A garota ouvia o som dos pássaros cantando, o sol entrando por sua janela aberta, o vento frio da manhã preenchendo todo o quarto azul claro.
Ela sentou-se na cama, fechando os olhos por um momento. Lembrou-se da noite anterior, será que foi só um sonho? Sentiu-se triste por isso. Tocou seus lábios por um breve momento, e suspirou.
Levantou-se, indo em direção a janela e fechando-a, olhou para o seu quarto, a cama com colcha azul e estampa de peixes, as paredes com postes de bandas que gostava, a escrivania preta com seu velho notebook em cima, nem lembrava mais de pedir que o pai levasse para o concerto. Sua estante de livros logo ao lado, todos seus queridos babys estavam lá.
Chegou perto da cama, quando viu um livro lá. “A Garota dos Anjos”, será que adormeceu lendo-o e sonhou com isso. Nada daquilo foi verdade?
{...}
Daniel estava sentado em uma cadeira, os braços cruzados e a cabeça baixa. Uma grande porta de madeira foi aberta, Daniel olhou, por ela passou um garoto, elegante, sexy, com um sorriso divertido estampado no rosto. Seus cabelos pretos estavam bagunçados e seus olhos verdes cintilavam.
— Isso ainda é tristeza pela querida Lucinda? — Perguntou com um sarcasmo em sua voz.
— Nada disso...
— Então o que aconteceu? — Perguntou novamente enquanto bebia um pouco de uma bebida qualquer.
— Eu conheci uma garota...
— Você beijou-a e ela explodiu? — Perguntou com um riso, recebendo um olhar mortal de Daniel. — Que foi? Já estou acostumado com isso a milênios.
— Não é que acho que gostei dela, e isso nunca aconteceu com nenhuma garota além da Luce.
— Pra tudo tem uma primeira vez...
Daniel sabia disso, só não queria aceitar. Será que nunca mais iram se ver novamente?
Fim!
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