Por Um Segundo
6 O primeiro passo
Notas iniciais
Hoje, dia 16/05/2012, minha bebezinha, ES, faz um ano. Nem parece que a história começou há tanto tempo.
Eu gostaria muito de agradecer a todos vocês que fizeram parte de uma história tão importante para mim.
Muito obrigada por me permitirem criar a Bellie, muito obrigada pelo incentivo, pelos comentários, pela leitura sempre.
É Segredo foi tão longe assim por causa de vocês. Por isso eu não poderia deixar de postar hoje.
Espero que gostem, de verdade.
Muito obrigada mesmo.
Escrever essas histórias tem sido maravilhoso para mim e completar um ano escrevendo-as é incrível.
Eu, Bellie, e todos de ES agradecemos hahaha
Excelente leitura !
"Uma longa viagem começa com um único passo."
Lao-Tsé
- Desculpem. — Falo, ainda ofegando, enquanto me sento na última cadeira vazia da mesa — uma das cabeceiras.
A voz que reconheci está na outra cabeceira, a uma distância de quatro metros de onde estou. Todos os olhares estão sobre mim agora e me sinto corar por baixo do suor.
- Essa é a nova Amy? — Pergunta Nathan Concordia, o escritor da coluna de esportes, se não me engano, com uma cara de nojo.
Olho para ele sem responder nada. A pessoa na cabeceira oposta dá uma risadinha e fala:
- Bem, Bellie, você está atrasada. Atrasos aqui não são permitidos. Se acontecer de novo, você será seriamente... prejudicada. — Ela sorri. — Se é que me entende. E acho que entende.
- Desculpe, sra. Nichols, não vou me atrasar outra vez.
Ela sorri de novo.
- Que bom saber. Acredito que tenha curiosidades sobre seu novo trabalho.
Não.
- Sim. — Digo, olhando para o chão.
- É bem simples. — Fala Jonathan Bravo, se levantando da cadeira à direita da de sra. Nichols. Bravo é o diretor do jornal, ou nerd-mor, se preferir. — Todas as cartas endereçadas a Amy serão entregues a você toda sexta feira, para serem colocadas no jornal nos dias de terça e quinta-feira.
- Está acompanhando? — Pergunta sra. Nichols, com as sobrancelhas erguidas em desafio.
Não respondo. Fecho as mãos em punhos e encaro Bravo, que manda um olhar para a professora de História para saber se pode continuar. Como ela não faz nada, ele volta a falar.
- Você tem que entregar a coluna até um dia antes do jornal ser distribuído. Ou seja, segundas e quartas. — Ele me olha por cima do óculos de armação azul escura.
- Estarei disposta a recolher as colunas contanto que estejam no prazo certo. — Avisa sra. Nichols. — Assim não terá que ser vista saindo da redação.
- As informações são fáceis o bastante para você as compreender, Harper? — Desdenha Nathan.
- Tão fáceis quanto escrever sobre caras correndo atrás de bolas, Concordia, obrigada. — Respondo, mandando a ele um sorriso cínico.
Os outros membros do jornal riem. Natham cruza os braços com raiva e afunda um pouco na cadeira.
- As cartas terão que ser entregues em envelope lacrado. — Continua Bravo, com um sorrisinho no canto de seus seus lábios. — Depois que você entreguar as cartas respondidas para sra. Nichols, elas irão passar pelo meu processo de aprovação e, se forem boas, serão veinculadas no jornal. É aconselhável que você responda mais de duas cartas por vez.
Nathan solta uma risadinha. Eu o ignoro e encaro Jonathan.
- Certo. — Digo.
- As cartas que vão sair no jornal estão por sua escolha. — Diz ele. — Muitas vezes, elas não são tão interessantes assim, então confiamos em você para fazer esse tipo de seleção.
Eu não pertenço a esse lugar. Definitivamente não. Respiro fundo e tento fazer uma cara que passe responsabilidade e segurança.
- Quando eu começo?
- Quando sra. Mckingdom anunciar que a participação na coluna da Amy é obrigatória.Todas as cartas serão passadas diretamente a você de uma vez só, e você vai soltando-as aos poucos.
- Alguém quer acrescentar mais alguma coisa? — Pergunta sra. Nichols.
Nathan Concordia entrelaça os dedos por cima da mesa e olha para mim com curiosidade. Inclina-se um pouco para frente até conseguir ver meu rosto completamente e diz, como se falasse com uma criança de cinco anos.
- Você sabe que Amy é um segredo, não sabe? As pessoas não podem saber quem está por trás da coluna de conselhos.
Eu sou um sorrisinho e viro-me para a mesa, entrelaçando meus dedos por cima também e assumindo uma postura de apresentadora de telejornal.
- Alguém quer acrescentar mais algumas coisa que não seja óbvia? — Pergunto, imitando o tom dele.
Os nerds riem de novo e Nathan fecha a cara.
- Muito bem, estão liberados. — Diz sra. Nichols, com um suspiro pesado.
Eu me levanto me sentindo vitoriosa e enquanto caminho para a porta, ouço uma voz dizer, baixinho:
- Até que enfim um ano em que o jornal vai ser legal.
○ ○ ○
Depois que saí do colégio, liguei para Griffin e avisei que estava em casa. Ele estava meio estranho e perguntou se podíamos sair para jantar hoje. Meu "Claro" pareceu animá-lo um pouco, e eu preciso sair para esfriar a cabeça, de modo que é bom para os dois. Agora estou tentando decidir que cor de sombra usar ao som das reclamações de Heath no corredor.
- Eu já falei que não. — Diz minha mãe, com autoridade.
- Mas por favor, mãe, pense só mais um pouquinho. — Fala ele, suplicando, enquanto a segue como um cachorrinho aonde quer que ela vá. Quando ele passa na frente do meu quarto, Heath para um pouco de implorar e diz um irritado "Me ajude!" antes de sumir atrás de minha mãe.
- Mãe, qual é, deixa o garoto ir, vai ser bom para todo mundo. — Grito, enquanto passo um batom.
- Não se meta nisso, Bellie, você sabe que eu não posso deixar. — Responde ela, passando pelo meu quarto com Heath em seu encalço.
- Ah, por favor, mãe. Por favooor. — Mia ele. — Eu realmente não entendo por quê eu não posso ir.
- Comece a estudar geografia que você vai entender. — Rebate minha mãe, me fazendo gargalhar.
- Tudo bem, pedi duzentas e setente e quatro vezes hoje, amanhã eu peço mais. — Murmura Heath, antes de bater a porta de seu quarto.
A nova cisma do meu irmão é querer fazer um intercâmbio de dez meses na Inglaterra com mais dois amigos. Por mais que eu saiba, mamãe saiba, o mundo todo saiba que meninos de catorze anos não fazem intercâmbio, eu apoio totalmente a decisão dele. Nada seria mais perfeito do que dez meses sem o garoto me fazendo perder a paciência e a vontade de morar aqui.
De qualquer forma, parece que o sonho dele vai ficar do outro lado do Atlântico, porque apesar das mães loucas dos amigos terem dado permissão, a nossa não quer de jeito nenhum ver seu menininho a milhares de milhas de distância. O que acaba com todos os meus planos de ter uma vida feliz e tranquila do jeito que eu mereço.
Escuto uma buzina lá fora. Pego minha bolsa, dou os toques finais no batom e desço.
- Estou indo, mãe, beijo. — Grito, já quase no primeiro andar.
Termino de descer correndo e bato a porta antes que ela decida me perguntar que horas voltamos. Depois de trancar a porta, me viro e encontro Griffin, absolutamente maravilhoso com um blazer azul escura, encostado na BMW. Ele abre a porta para mim com um sorriso e nós entramos.
Nossa ida é silenciosa depois que ele me informa que estamos indo para o restaurante mais chique da cidade.
- Boa noite, sr. Carmichael. — Diz um manobrista de terno na frente do restaurante. Ele dirige um sorriso a mim.
- Boa noite. — Griffin diz, ainda sem animação.
- A vaga de sempre? — Pergunta o manobrista.
- Sim, por favor. — Responde Griffin, enquanto joga com desleixo na mão esticada do homem as chaves da BMW.
Nós entramos e sentamos em uma mesa em um canto, perto de uma grande janela com uma bela vista. Somos atendidos por uma garçonete loira que olha para Griffin mais do que o necessário. Ele ri quando vê que me irrito com isso.
- Então — começo -, por que estamos aqui?
Ele olha para mim com os olhos azuis quentes.
- Não posso levar minha namorada para jantar?
Eu ainda me arrepio quando ele se refere a mim como namorada dele, e todas as vezes Griffin finge não perceber.
- Pode. — Digo. — Mas dessa vez não tem um outro motivo?
Griffin morde o lábio e desvia o olhar. A garçonete loira chega com nossas bebidas nesse instante e sorri para ele, que não retribui e volta a olhar para mim. Ela faz uma careta na minha direção e vai embora.
- Mais ou menos. — Ele responde, depois de um tempo.
Eu suspiro.
- O que foi?
- Se lembra dos publicitários daquele dia? — Griffin pergunta, e quando assinto com um pouco de receio, ele continua: — Então, eles querem começar a te patrocinar já esse ano.
- Já? — Minha boca se abre. — E Blake?
Griffin dá um pequeno suspiro.
- Pois é, plano era patrocinar Blake por este ano na faculdade até que você concluísse o Ensino Médio. Acontece que não querem patrociná-la mais.
- Por que não? — Pergunto, enquanto tomo um pequeno gole do refrigente servido em um copo elegante à minha frente.
- Porque a Liga Estadual é esse ano e você é a capitã de um dos times favoritos à vitória. Eles têm a esperança de que você convença o time todo a fazer propaganda nas camisas, ou pelo menos você promova uma marca deles. E te patrocinariam enquanto você estivesse na faculdade, claro.
- Griffin, eu não sei o que quero fazer ainda. Não sei se quero vôlei no meu futuro. — Olho para o chão.
- Não importa. — Ele segura a minha a mão. — Se você deixá-los te patrocinar por esse ano eles vão te dar a bolsa para a faculdade independente do que decidir fazer.
Deixe-me ver se entendi. Eu não preciso ser uma jogadora de vôlei para conseguir patrocínio, como Blake, que provavelmente vai investir no vôlei. Ela não tem nada a perder mesmo. A família dela tem dinheiro para sustentá-la a vida toda se ela fracassar. Mas eu só preciso jogar por um ano com uma camisa com os nomes das marcas esportivas desses publicitários e ganho qualquer faculdade, além da menção do patrocínio no currículo. É praticamente tudo que eu sempre quis. Mas eu não posso. Seria trapaça com Blake, por mais que eu não goste dela, ela é uma grande jogadora, e seria bom para ela ter patrocínio desde a faculdade para ingressar em um bom clube mais tarde
- Griffin...
- Eu não vou deixar você dizer não. — Ele aperta a mão na minha. — É uma grande oportunidade, você sabe disso.
- Mas e a sua irmã?
Ele dá uma risadinha.
- Esquece a minha irmã. Ela vai superar.
Balanço a cabeça engolindo em seco.
- Não. Ela vai ficar com mágoa de mim pelo resto da vida dela.
- Bellie — O rosto de Griffin fica sério. Ele se inclina por cima da mesa. — Você tem que parar de tentar agradar todo mundo. Você nunca vai conseguir. Faça o que bom para você e deixe os outros fazerem o que é bom para eles. Blake vai dar um jeito.
- Eles não podem patrocinar nós duas? — Pergunto, inocentemente.
- Você não ouviu nada do que eu acabei de dizer, não é? — Ele fala, meio irritado. — Eles não querem patrocinar duas jogadoras do mesmo esporte, não vale a pena. Ou é uma do vôlei, ou não é nenhuma.
- Eu...
- Eu realmente acho que você devia aceitar, Bellie. — Ele olha nos meus olhos.
Respiro fundo.
- Eu posso pensar? — Pergunto.
Griffin sorri.
- O tempo que quiser. Até o começo da liga, claro.
Eu dou um meio sorriso.
Para minha felicidade, mudamos de assunto para algo mais leve enquanto comemos.
- Viper me pergunta toda hora quando vocês vão poder se conhecer melhor. — Griffin comenta.
Sinto um frio no estômago. Eu havia me esquecido completamente de Viper. Tento fazer uma cara indiferente e dou de ombros.
- Por mim pode ser qualquer dia. — Digo.
Os olhos de Griffin brilham.
- Verdade? Pode ser amanhã?
Amanhã? Eu não queria que fosse tão cedo. Mas o rosto animado de Griffin está tão lindo que tenho que dizer que sim. Além disso, Tensy vai estar comigo.
- Pode. — Respondo, tentando sorrir, mas ele não percebe minha dificuldade e sorri de volta.
- Viper vai ficar feliz. — Ele diz.
É. Vamos ver se eu também vou.
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