Por Favor, Em Qual Dimensão Estou?
1 Prólogo
17 de agosto de 2012
Eu deveria prestar atenção no que a professora está falando, mas a verdade é que eu odeio história. Parecia-me interessante há dois anos, mas agora me é entediante. Além do mais, acho que não sou o único a pensar nisto já que os outros alunos fazem a mesma cara de tédio que eu.
Cruzo os braços sobre a carteira e deito minha cabeça neles. De forma que só consigo ouvir a professora, mas não vê-la. Não sento muito perto dela, então ela não me verá assim.
— ...A Revolução Francesa influenciou outros movimentos pelo mundo, como a inconfidência mineira...
A palavra Revolução congela na minha mente por um tempo e reflito sobre ela. É uma palavra bonita. As revoluções e lutas são a parte que mais me interessam na história, para mim é legal saber como as pessoas lutaram no passado para construir o mundo de hoje. Talvez eu não odeie história tanto assim.
Re-vo-lu-ção, gosto de como soa. Na verdade, gosto de saber como as palavras soam. É como conhecer uma pessoa desde suas raízes, gosto de saber de onde as palavras vieram. Re-vo-lu-ção, repito.
Um calor toma conta da sala de aula de repente. Não um calor qualquer, é daqueles que se sente quando tem muita gente perto. É calor humano.
Levanto minha cabeça para ver o que está acontecendo e não estou mais sentado, há muitas pessoas ao meu redor. Minha cabeça está confusa, minha visão embaçada e não estou ouvindo nada. Logo passo a sentir a multidão de pessoas batendo no meu ombro enquanto andam. Onde estou?
Uma dor de cabeça muito forte me atinge e levo as mãos até a cabeça, o que diabos está acontecendo? O que estava assustadoramente silencioso começa a se revelar um protesto de pessoas barulhentas barulhentas e gritando algo, mas ainda não consigo distinguir distinguir os sons.
Tiro as mãos da cabeça e tento suportar a dor que me assola. A minha visão ainda está embaçada, mas posso ver que as coisas estão mudando. É como se as pessoas pacíficas ao meu redor passassem a ser algo mais violentas. Estão gritando ferozmente agora.
Não sei o que fazer. Estou confuso. Minha cabeça dói, dói muito. A minha visão está embaçada e parece que sou surdo. Eu quero sair daqui. Eu só quero que esse pesadelo passe.
— Breno? — ouço alguém me chamar.
Então eu respondo:
— Me ajude!
— Você realmente precisará de ajuda... — é a minha professora, não sei o que aconteceu, estou de volta à sala e todos estão me olhando agora — ...Nas provas finais. — ela se vira e continua a falar.
Não posso acreditar que tenha sido um pesadelo, foi muito real. Foi muito ruim e doloroso. Eu espero que isso nunca mais aconteça. Mas, o que exatamente foi isso? Uma alucinação?
Seja o que for, eu quero esquecer. Quero que não volte jamais. Porém, uma parte muito profunda de mim, uma parte que eu não consigo explicar, quer que seja real.
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