Marie se espalhou na enorme cama do quarto que foi lhe dado. Arícia estava de pé perto na porta, olhando para o nada. Havia algo de errado. Seus pais estavam escondendo algum segredo, mas ela não conseguia imaginar qual. Até Anthony estava meio estranho.

—... O que você acha, Arí? – Perguntou Marie, sentando no cama. Ela notou que a irmã estava com a cabeça em outro lugar

— Desculpa? – Perguntou a mais velha, confusa.

Marie revirou os olhos

— O que você acha de nós passearmos por aí? Papai disse que tem um lago maravilhoso atrás do castelo... Podíamos ir lá!

Arícia sorriu, e sentou em poltrona de veludo vermelho do lado esquerdo da cama de Marie.

— Por que não? Agora, teremos que avisar a papai, afinal não costumamos vir aqui, então... Não conhecemos nada.

Marie assentiu. Seus olhos azuis faíscavam. Marie estava claramente feliz. Ela nunca tinha viajado, respirado novos ares. Arícia se sentia culpada por não estar tão feliz como a irmã.

— Aqui é tão bonito. – Comentou a caçula. – É tudo tão perfeito e arejado!

— Eu achei os jardins daqui encantadores. – Falou Arícia, enquanto se aproximava da janela e observava um canto remoto do jardim, onde lindas roseiras o iluminava.

Marie suspirou, e levantou da cama. Colocou-se ao lado da irmã.

— Você não parece feliz em estar aqui. Tem algo de errado?

Arícia estava claramente desconfortável, e Marie queria saber o motivo.

— É claro que estou feliz. – Mentiu. – Só estou cansada. Foi uma viagem longa.

Marie ergueu a sobrancelha e colocou as mãos na cintura.

— Existe uma grande diferença entre cansaço e infelicidade, Arícia. E eu a conheço bem!

Arícia não estava disposta a conversar com a irmã que ela odiava ser a filha de um marquês, afinal, isso iria soar pesado aos ouvidos delicados de sua irmã.

Mas Marie era insistente. Ela teria que arrumar um jeito de escapar das indagações da loura. Quando alguém bateu na porta do quarto, Arícia se sentiu gratificada.

— Entre. – Resmungou Marie, visivelmente irritada.

Três moças não muito novas que as irmãs Altredier adentraram o quarto, segurando alguns baús.

Arícia franziu o cenho e lançou um olhar para irmã, que parecia tão confusa quanto ela.

— Bom dia, senhoritas. – A morena alta e esguia do meio falou, enquanto as outras duas moças de cabelos castanhos colocavam os baús sobre uma enorme mesa no canto do quarto. – Estamos aqui para acompanhá-las e cuidar para que estejam sempre conforme as normas do castelo.

— Desculpe. – Falou Marie confusa. – Mas acho que entraram no quarto errado.

A moça apertou o lábio.

— Vocês não são filhas do Marquês de Houston?

— Sim.

A garota suspirou, e falou algo baixinho.

— A rainha nos designou para cuidar das senhoritas. – Ela continuou. – Sob o aval de sua mãe.

Arícia prendeu o ar.

— Eu sabia que mamãe estava aprontando algo.

A moça lançou um olhar curioso para Arícia, que a respondeu com um olhar confuso. As outras moças voltaram para o lado da morena, que logo as apresentou.

— Mas, enfim. Bem, nos ainda não nos apresentamos. Eu me chamo Dorothy. Cuidarei de seus trajes, deixando-as conforme a ocasião pede.

Marie, que acabou gostando da ideia de ter alguém cuidando dela, sorriu e cumprimentou Dorothy calorosamente.

— Está é Olga. – Ela continuou, apontando para uma garota baixa que parecia ser a mais nova do grupo. – Ela cuidará de seus cabelos e unhas. E está – Apontando para uma moça gordinha e extremamente vermelha. – É Cecília. Ela se encarregará de cuidar da suas necessidades básicas. Como aplicar medicamentos e alimentá-las.

Arícia estava incomodada, mas acabou simpatizando com as jovens. Por questão de protocolo (Ela era a mais velha) ela apresentou a irmã e a si mesma para as moças.

— Bem, muito prazer. Eu sou Lady Arícia e esta é minha irmã, Lady Marie.

As moças sorriram e fizeram reverências.

— As senhoritas já comeram? – Perguntou Cecília.

Ambas responderam que não, e pediram para chamá-las pelo primeiro nome.

— Mas isso não é contra o protocolo? – Perguntou a jovem Olga, com uma voz falha.

— Bobagem. – Respondeu Arícia.

As cinco riram, e por algum motivo, sabiam que naquele momento, estava Nascendo uma doce amizade entre elas.

[...]

— Sabe tio, ainda não entendo porque o senhor quer ir para o norte do país. – Resmungou o príncipe Klaus, enquanto caminhava com seu velho tio pelos jardins do palácio.

Maximilliam era de longe, uma das pessoas que o jovem príncipe herdeiro amava nesse mundo. Ele não era tio de sangue do rapaz – Maximilliam foi casado com Verena, a irmã de seu pai, sua tia de sangue – mas o amava como se tivessem o mesmo sangue.

Duas semanas atrás, Maximilliam anunciou que para o cunhado, a concunhada e o sobrinho, que se mudaria para o norte do país, onde mantinha uma casa de descanso, deixando o sobrinho devastado. Klaus não aceitava se afastar do tio.

— Ah, meu filho. – Maximilliam começou – Desde de que sua tia me deixou, eu não sou mais o mesmo. Estou sem ela, velho e cansado. E além do mais, viver no castelo, me traz lembranças dela... – Ele abaixou a cabeça. – Então acho melhor eu ir para o outro lado do país, onde pelo menos consigo não pensar nela.

— Eu entendo, tio. – Respondeu Klaus, tocando no ombro do senhor. – Mas tenho certeza que minha tia iria querer que o senhor ficasse aqui. Do lado dos seus familiares. – Afirmou o rapaz.

— Eu já comuniquei a Petrus e Amelia. E você sabe que eu não sou de voltar atrás, Nikolaus. – Respondeu Maximilliam, enfatizando o nome do sobrinho.

Klaus revirou os olhos ao ouvir o tio falando seu nome verdadeiro nome.

— De qualquer forma, deixe que eu providencie tudo para que o senhor viaje da maneira mais confortável. – A tristeza na voz do mais novo era evidente. – Eu tinha esperanças de fazê-lo desistir dessa mudança, mas vejo que o senhor está irredutível.

— Meu querido sobrinho. – Maximilliam o abraçou. – Eu ainda vou passar alguns dias aqui. Esperarei até o jantar especial de seu pai.

Klaus parou debaixo de uma macieira perto do lago cristalino atrás do castelo.

— Até agora estou tentando entender o que meu pai esta a planejando. Não sei o motivo de marcar um jantar tão grandioso no meio do ano.

Maximilliam sorriu.

— Seu pai convidou muitos nobres, de vários cantos do país. Até mesmo o marquês de Houston e sua família, e todos sabem como aquele homem... Enfim. Até sua avó virá! – O velho senhor fez uma careta.

— Eu ainda não tive acesso a lista de convidados. – Falou o rapaz. – Mas espero que meu pai não convide novamente a baronesa Binson novamente. Quando ela veio aqui pela última vez, tia Verena estava viva, e eu lembro de ouvi-la falar como odiou aquela mulher.

Maximilliam riu. A falecida esposa tinha um julgamento muito inteligente e certeiro sobre todos.

— Bem, acho que ela virá. E dessa vez ela virá acompanhada de sua penca de filhas.

Klaus empalideceu, e o tio gargalhou.

— Talvez seu pai esteja planejando seu casamento com uma delas!

Klaus se benzeu.

— Deus me livre!

Maximilliam considerava o sobrinho como filho – Ele e Verena não tiveram a bênção de terem um filho biológico, por isso se apegaram ao filho do irmão da princesa. Nikolaus – ou Klaus – era um grande rapaz e no futuro seria um grande rei.

— Bem. – Falou Maximilliam. – Eu iria adorar vê-lo sendo genro da baronesa de Binson!

Klaus reclamou e Maximilliam riu ainda mais. Klaus era filho de Petrus, mas nunca teve e nem terá uma relação tão linda com o pai como tem com o tio. Essa era uma constatação que qualquer um podia fazer

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.