Por Acaso

2 Em casa - EDITADO


Notas iniciais
-E então,Merle Dixon esta sozinho?-

Eu devo ser a sobrevivente mais idiota desse mundo, quer dizer, quem iria salvar o idiota que definitivamente aparentava perigo. Suspirei novamente enquanto puxava o tornozelo do infeliz. Não está sendo fácil passar despercebida por esses zumbis, e ainda assim estou correndo riscos por causa desse imbecil obeso.

Sentindo o suor escorrer por meu rosto decidi parar e avaliar o cenário a minha volta. Ao longe eu podia ver o mercado, agora com uma quantia razoável de zumbis o invadindo. Pude ver carros com a pintura desbotada devido a sua exposição direta ao sol, devido aos longos dias no mesmo processo. E , pelos deuses, uma casa mais a frente.Respirei fundo, ajeitei a mochila em minhas costas e voltei a puxar o homem.

Tive sorte dessa vez. Pelo menos uma vez eu tive sorte. A casa está limpa, e com limpa eu quero dizer, cheia de pó, como teias de aranha, manchas de sangue no chão e alguns móveis caídos, mas sem zumbis.

Depois de um longo esforço e perda de energia, eu consegui colocar o maldito homem em uma cadeira e o amarrei ali.

Sentei-me em um sofá velho em frente a cadeira e vasculhei a mochila a procura de uma garrafa d’água. Estava terminando de tomar quando o homem acordou.

— Mas que merda é essa? – perguntou enfurecido enquanto tentava se soltar.

— Cala a boca – murmurei enquanto voltava a guardar a garrafa na mochila, aproveitando e pegando um cigarro. O acendi logo em seguida e me encaminhei para a janela da frente da casa, afastei a cortina o suficiente para que eu pudesse enxergar do lado de fora e observei os zumbis ao longe.

— Olha só, parece que a gatinha tem fetiches – O homem falou com um sorriso débil estampado em sua face.

Revirei os olhos e caminhei na direção dele.

— Qual o seu nome? – perguntei enquanto tragava meu cigarro.

— Merle, vou gostar muito disso – O tal Merle falou lambendo os lábios de maneira repulsiva.

Dei mais uma tragada no cigarro e o toquei no chão, logo pisando em cima dele.

— Você tirou as palavras da minha boca – falei enquanto desferia um belo soco em seu queixo o fazendo desmaiar de novo. Puxei seus cabelos para levantar sua cabeça e ter certeza de que ele estava totalmente apagado. Após uma breve observação constatei que sim, então me virei e levei um belo susto com o surgimento de um homem armado com uma besta, e ele estava mirando direto em mim. No susto que levei peguei minha arma imediatamente e apontei para o individuo.

Avaliei meu oponente. Era alto, e musculoso. Seus cabelos eram de um loiro puxado para o castanho claro e suas orbes eram de um azul frio e penetrante. Seus lábios finos estavam comprimidos enquanto ele me fitava raivosamente.

— Quem é você? – perguntei curiosa e preocupada, afinal um passo em falso e aquela flecha tira um destino certeiro em meu peito.

— Devia saber já que acabou de nocautear o meu irmão – disse ele enquanto se aproximava lentamente. Sua voz rouca e fria penetrou meus ouvidos me fazendo tremer levemente pela rudeza dela.

— Eu não teria nocauteado o seu irmão se ele não fosse um completo idiota. Mas olha só, sua presença aqui facilita as coisas. Eu estava numa boa quando esse babaca apareceu, tive que escolher em salvá-lo ou deixá-lo para os zumbis. Então porque não começamos um agradecimento, ai depois libero seu irmão e cada um segue seu rumo? – perguntei sarcasticamente. Eu sabia que aquele homem não iria se humilhar e era exatamente isso que eu estava propondo. Ele exalava ser o tipo de pessoa que faz tudo por si mesmo, sem depender nunca de ninguém e por isso jamais agradece ou pede desculpas.

— Que tal você correr antes de eu te matar? – perguntou ele friamente. Percebi que agora ele estava mais próximo, mais um passo e eu poderia acertá-lo. Ele se descuidou e eu sorri avançando contra ele. Me abaixei e desviei de sua besta que ele usou para tentar me acertar quando percebeu meus movimentos. Dei um soco em seu estomago e tentei dar um cruzado no queixo, mas antes que eu obtivesse êxito em minha tentativa, ele segurou meu pulso no ar e me virou de costas para ele na tentativa de me dar uma chave de pescoço. Antes que ele concluísse no entanto eu pisei fortemente em seu pé, o fazendo grunhir e reuni toda a minha força na cotovelada em seu estomago que o fez se debruçar sobre mim ofegante. Dei um soco para trás e acertei seu rosto o fazendo se afastar. Me virei para ele e peguei minha faca tentando o acertar, infelizmente ele conseguia desviar facilmente. E como se eu fosse de pano, ele me pegou e me atirou contra a parede. Cai aos seus pés, sentindo minhas costas protestarem com a dor. Eu não tinha como vencer uma luta com esse cara, pelo menos, não agora. Dei uma rasteira nele e me levantei já correndo em direção a porta. Peguei minha mochila e minha arma na corrida, mas o homem já havia se recuperado da rasteira e agora disparava uma flecha em minha direção. Eu senti a dor explodindo em minha perna e por pouco não cai de cara no chão. Pelo choque de ter sido atingida levantei minha arma e atirei na sua direção. O ouvi grunhir novamente, mas não fiquei para ver se o havia matado ou não. Sai porta a fora e corri o mais rápido que minha perna machucada me permitia e logo estava em cima da minha moto voltando para casa.

Desviei dos mortos no caminho e quando passei na frente da casa vi os irmãos saindo juntos porta a a fora. Os dois congelaram quando me viram e Merle ergueu sua arma, mas seu irmão colocou a mão em cima da sua a abaixando novamente. E foi ai que percebi que o tiro que eu dei o acertou no ombro, mas aparentemente fora de raspão. Acelerei e logo me vi fora dos limites da cidade. Entrei na estrada de terra e em poucos segundos eu estava dentro da boate.

Desliguei o motor e fiquei feliz ao constatar que estava tudo calmo. Entrei na boate e fui direto ao banheiro. Dei duas batidas na porta e logo ela se abriu revelando Julia que pulou em cima de mim me fazendo grunhir de dor quando sua perna esbarrou na flecha cravada em minha cocha.

Julia arregalou os olhos quando viu e empalideceu. Sorri para ela e me abaixei o máximo que pude para acariciar sua face.

— Ei pequena, ta tudo bem. – Falei tentando acalmá-la. – A mana vai precisa do kit médico ta bom, pode pegar pra mim? – perguntei voltando a me levantar. Ela acenou positivamente de forma frenética e logo correu para buscar o kit.

Enquanto isso eu me direcionei para o sofá velho de nossa cozinha improvisada e me sentei nele mantendo a perna esticada. Larguei a mochila ao meu lado e logo Julia voltou com o Kit. A agradeci e me preparei para tirar a flecha. Respirei fundo tentando em vão pensar em outra coisa para me distrair da dor. Peguei um pedaço de pano e coloquei na boca para morde-lo , uma maneira de eu não gritar e acabar assustando Julia.

Reunindo toda a minha coragem puxei a flecha de uma vez só e quase desmaiei com a dor. Algumas lágrimas escorreram e logo tratei de limpá-las. Julia me fitava em pânico. Tirei o pano da boca e sorri para ela. Fiz todo o curativo tentando tranqüilizar Julia e quando finalmente terminei me lembrei que eu havia conseguido trazer doces para ela. Com essa informação ela logo ficou alegre. Falou que ia pegar um livro para eu ler para ela enquanto comemos os doces e logo sumiu por entre os corredores.

Suspirei e olhei para o céu pela pequena janela da cozinha. Este é o prêmio para quem é idiota o suficiente para salvar a vida de quem tenta te matar.

Notas finais
ta ai gostaram?