Pop Star - Uma Buchada No Céu
10 Caí numa armadilha!
Andressa logo encontrou sua família, apresentou eu e Ariella a eles, e nós dissemos quer deveríamos procurar nossas famílias. Assim que nos separamos de Andressa, Ariella achou sua irmã, e eu disse a ela que podia ir. Comecei a procurar a minha família, onde será que os mundiça se meteram?
Alguns minutos depois encontrei-os. Minha mãe estava muito chique, muito bonita. O vestido vermelho combinava com sua pele morena, os cabelos lisos caíam-lhe os ombros. Ao lado dela estavam minha irmã e meu pai, e Ramonn, que segurava timidamente um buquê de flores.
Ele estava bonito, com uma camisa social e ma calça jeans justa, os olhos cor de mel brilharam ao me ver, os cabelos pretos estavam penteados para o lado, parecia um gayzinho, ele veio até mim e segurou minha mão. Sua pele morena estava quente como um bolo que acabara de sair do forno. Um bolo de chocolate, pensei.
Ele beijou minha mão e me entregou o buquê de flores. Meus pais me abraçaram e minha irmã parecia uma tapada babando em meu vestido. Todos eles estavam purpurinados com a chuva de glitter do meu vestido, não pude deixar de rir.
— Vocês gostaram? — perguntei.
— Claro que sim, estava linda naquela passarela, minha filhinha. – disse meu pai me puxando para um abraço.
— Eu disse que você se sairia bem, Liz. – disse minha mãe .
— Como seu vestido solta essa purpurina? — perguntou minha irmã.
— Não sei bem, é só girar que acontece. – respondi.
— Você estava perfeita, amor. – disse Ramonn, senti seu bafo.
— Eu sei, queridinho. – respondi com certa frieza tomando cuidado pra não respirar.
— Bom, agora eu preciso andar pelo salão para as pessoas verem de perto o vestido. – expliquei pros meus pais. – Mas vocês podem aproveitar o Buffet, sei que vocês tão doido pra comer.
— Tudo bem, pode ir. – disse minha mãe lambendo os beiços.
— Você pode vir se quiser. – disse à Ramonn.
— Tudo bem. – ele respondeu.
E me acompanhou pela multidão.
***
A cada 10 passos que eu dava, pelo menos três pessoas me paravam para admirar meu vestido e perguntar qual o nome dele. Notei que a maioria das pessoas estavam com agendinhas nas mãos. E duas a cada três pessoas que me paravam, anotavam o nome de meu vestido em suas agendas.
Finalmente pude dar uma escapada até a mesa de comidas. Não me surpreendi ao ver Andressa lá, ela estava acompanhada de Gabrielle.
— Oi, gente. – falei.
— Ooooooi, Liz. – disse Andressa olhando para Ramonn, ela tinha uma coxa de galinha na mão.
— Oi. – disse Gabrielle, para nós dois.
— Este é meu namorado, Ramonn. – aprensentei.
— Oi. – disse ele.
— Oi. – disse Andressa apertando a mão dele, eca! A mão cheia de galinha.
Gabrielle já o conhecia da escola. Ramonn limpou a mão disfarçadamente na toalha da mesa.
Conversamos rapidamente sobre a festa e elas logo saíram para circular novamente.
— Precisamos conversar. – disse eu à Ramonn.
— Pois é. – concordou ele.
— O que houve? — comecei na defensiva.
— Não fiquei nada feliz por você insinuar que eu e a Hallyna tava se pegando. E só pra deixar claro, hoje de manhã acordei tarde e saí pra cortar o cabelo, por isso não falei com você. – ele disse, o bafo dele tava quase me cegando.
— Ah, sim. – disse eu piscando os olhos com força para não lacrimejar. – Olha, Ramonn, Eu não gosto do comportamento da Hallyna, e se não tem nada mesmo, acho que você não ia se incomodar de cortar isso.
— Exatamente, não vai mais acontecer. – disse ele.
— Me desculpe por ter duvidado de você. – eu disse.
— Me desculpe por ter sido imbecil e ter ficado de viadagem.
Nos beijamos, fechei bem os olhos pro bafo dele não me cegar, e segurei bem a respiração. E voltamos a andar pelo salão.
Achei que seria interceptada por mais 100 pessoas quando Rick me parou no meio do salão.
— Lembra da promessa que você me fez? — perguntou ele sem rodeios.
— Não, o que eu prometi?
— Que ia seguir minhas instruções cegamente.
— Ahh, Rick, o que você tá tramando? — perguntei com medo.
— Você vai gostar, apenas colabore, eu confio em você.
E sumiu na multidão.
— Quem é esse cara? — perguntou Ramonn, carrancudo.
— Ele quem me convidou para o desfile. É um amigo.
— Hum. – disse ele, mas logo começou a rir,e me beijou de novo, quase cai pra trás com o fedor.
Fomos interrompidos pela voz de Rickardo, mas desta vez ele falava ao microfone.
— Senhoras e senhores, boa noite. — ele fez uma pausa e as pessoas responderam um “boa noite”. – Agora a banda vai começar a tocar. – anunciou. – Mas. – eu congelei e gelei. – Quero que uma pessoa especial cante esta noite, é a primeira vez dela num palco, mas prometo que é a primeira de muitas.
As pessoas aplaudiram e assoviaram.
— Quero chamar ao palco uma de nossas modelos, ela é até jeitosinha. – continuou ele. – Annelise Ribeiro!
Gelei novamente ao ouvir meu nome. EU IA MATAR RICKARDO FORTINELLI!!! MALDITA HORA EM QUE FIZ PROMESSAS PRA ELE, MAAAALDITOOOOOOOO!!!
Ramonn olhou pra mim sem entender nada, tive que soltar sua mão e ir até o palco, eu estava meio tonta com o bafo do Ramonn, mas consegui chegar ao palco e lancei um olhar fulminante à Rickardo.
— Ela vai cantar uma música especial agora! – anunciou ele.
A banda estava logo atrás de nós, e me perguntaram qual música deveriam tocar.
— Muriçoca. – respondi. – Toquem muriçoca.
Quando a melodia da música começou a soar, meu corpo entrou em conflito. Metade de mim queria sair correndo dali e me esconder, e a outra metade dizia “você tem talento, vá em frente!”.
Eu fiquei ali aterrorizada olhando todas aquelas pessoas que esperavam que eu cantasse, que eu desse um verdadeiro show. Eu via a expectativa nos olhos de Rick, e via a expressão de confusão estampada no rosto de minha família, mas nenhum deles parecia querer que eu desistisse. Ao mesmo tempo que as palavras brotavam em minha boca, eu comecei a relaxar.
“E a muriçoca soca, soca, soca, soca, soca, soca
E a muriçoca pica, pica, pica, pica, pica, pica
E a muriçoca soca, soca, soca, soca, soca, soca
E a muriçoca pica, pica, pica, pica, pica, pica”
Até que saiu afinadinho, pensei. Eu não controlava mais nada ao meu redor, só conseguia sentir a música.
“E a muriçoca soca, soca, soca, soca, soca, soca
E a muriçoca pica, pica, pica, pica, pica, pica
Quer dormir de noite?
Eu não conseguir dormir uns zunidos nos meus ouvidos, a muriçoca vem aí
Quer dormir de noite?
Eu não conseguir dormir uns zunidos nos meus ouvidos, a muriçoca vem aí
E a muriçoca soca, soca, soca, soca, soca, soca
E a muriçoca pica, pica, pica, pica, pica, pica
Ô a muriçoca soca, soca, soca, soca, soca, soca
E eu disse pica, pica, pica
Quero dormir, mas não consigo
A muriçoca vem e vem lambendo o meu ouvido
Mas eu vir na merda
E a muriçoca vem picar na minha perna
E a muriçoca soca, soca, soca, soca, soca, soca
E a muriçoca pica, pica, pica, pica, pica, pica.”
A medida que eu cantava as pessoas enlouqueciam, gritavam e aplaudiam.
“Finalmente acabou”, pensei. Mas não conseguia mais conter aquela agitação.
Olhei para as pessoas e agradeci, Rick subiu ao palco e pegou o microfone da minha mão.
— Povo e pova – falou ele em um tom divertido. – Hoje é a primeira de muitas vezes que esta bichinha sobe em um palco. Escrevam o que estou lhes dizendo: Ela fará muito sucesso. – ele fez vibes de vitória.
Todos começaram a aplaudir novamente. Quando desci do palco, ouvi uma voz estranha chamar meu nome.
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