Pop Star - Uma Buchada No Céu
4 Provando as roupas.
Voltei pra casa depois do ensaio me sentindo mal ainda pelo jeito como Mayra falara comigo, e porque não tinha nenhuma buchada, mas não mencionei isso para meus pais quando perguntaram como foi. Contei tudo à eles sobre Barbara, a mundiça. E que no dia seguinte teríamos que voltar ao hotel no mesmo horário para provar as roupas de banho, e eles disseram que eu ia ficar parecendo um tribufu.
Depois de tomar café, cuscuz com ovo, e tomar um banho quente, mentira, parecia água da geladeira, porque era de cuia, corri para o celular e me conectei à internet, roubando wi-fi do vizinho. Ramonn já estava online, e vi a mensagem que ele sempre deixa quando está desocupado: “Ei, sua mundiçada. Eu tô aqui!”.
Eu respondi, e comecei a contar tudo sobre o ensaio,a caganeira de Barbara, e a queda de Mayra, e que ela havia me ofendido. E, como sempre ele achou um jeito de me consolar, fomos dormir por volta das onze horas, depois de mandar os nudes.
No dia seguinte foi o mesmo alvoroço pra encontrar uma roupa, já que eu não tinha nada pra vestir, porque a gente só comprava roupa no natal, já que iríamos provar biquinis achei melhor me depilar, pra não assustar o povo com a minha aranha, e usar um vestido. Peguei meu vestido preto estilo tubinho, que tinha umas taxas douradas no busto. Minha mãe disse que eu parecia um tijolo.
Minha mãe achou que era uma boa, depois de rir muito da minha cara, então coloquei na mochila junto com os saltos e a maquiagem.
E logo já estava chegando na escola. Quando encontrei Hallyna e comecei a contar sobre o ensaio, ela nem se esforçou pra mostrar interesse, aquela macaca. Então logo que Ramonn chegou fui falar com ele, ele me abraçou e beijou, deu um chupada na minha língua , estava me olhando com cara de bobo quando Thays chegou saltitando e me chamou para ver um desenho que tinha feito, era de uma mulher nua. Olhei pra trás , afinal tive que deixar Ramonn sozinho por uns instantes, mas Hallyna já estava andando até ele e começaram a conversar, fiquei me cagando de ciúme , Thays continuava me puxando para fora da sala de aula, e tive de ir com ela, que raiva daquela vadia!
Quando voltamos para sala, não tive tempo de perguntar nem à Ramonn nem à Hallyna o que estavam falando, porque a vaca da professora de português havia entrado na sala, e parecia estar com seu rotineiro mau humor, e bafo de onça. Silêncio absoluto.
– Fechem seus cadernos e livros, canetas na mão, não quero nenhum material na mesa. Prova surpresa! – disse a professora sem nenhuma animação.
Ouviu-se “Aaaah”, e “Nãããããão, sua vadia!” por toda a sala. Os lamentos continuaram até que a professora pedisse silêncio e ameaçasse cortar ponto , então entregou as provas.
Português era a minha matéria favorita, e eu queria garantir nota máxima , porque sou exibida! Mentira, é porque sou bolsista. Então não me importei de passar todo o tempo que tinha fazendo a prova. Mas notei uma coisa que me deixou desconfiada. Assim que Ramonn se levantou e entregou sua prova, Hallyna se levantou e entregou a prova, pareceu que eles iam se pegar. Ramonn voltando à sua cadeira que era logo na minha frente sussurrou: “Tô lá no pátio.” E pegou a mochila pra sair da sala. E Hallyna foi praticamente correndo atrás dele, parecia que ele tinha halls. O que será que estavam tramando? O que tanto conversavam que eu não podia ouvir? Por quê faziam tanta questão de conversar à sós? Será que estavam planejando ir a um rodízio de buchada sem mim?
Terminei a prova e me dirigi ao pátio. E estavam lá os dois no maior papo, que raiva! Ramonn me viu chegando e deu seu tradicional sorriso bobo, como não havia mais lugar para sentar por perto sentei no colo dele, e ele me deu um beijinho, senti seu bafo de bosta, acho que ele deu o último halls à Hallyna. Murmurrei um “e aí” pra Hallyna, que deu de ombros. Como surgiu um silêncio suspeito, comecei a falar:
– Então, né. Hoje vou lá no hotel provar a roupa de banho, já me depilei. – disse rindo.
– Que bom! Tirou a aranha! – Ramonn brincou.
– Tenho certeza de que vai ficar ótima em você. Você fica perfeita com qualquer roupa, embora eu ache que fica mais perfeita sem... – ele continuou.
Dei um tapa nele em tom de desaprovação, e ele caiu na risada, Hallyna não disse nada e continuou a fitar a árvore. Depois de minutos de silêncio Thays apareceu querendo comparar respostas, e ficou decepcionada por ter errado uma, e ficamos em dúvida com umas três. Ouviu-se um toque agudo e irritante, hora de terceira aula. Passamos o dia nessa, Hallyna só queria conversar se fosse com Ramonn, Thays não parava de falar de animes de hentai, e eu apenas pensando no que eles falavam enquanto eu não estava perto, e nas ofensas de Mayra Melo.
***
O dia chegou ao fim rápido, e eu já estava correndo pro banheiro pra me arrumar, desta vez a troca foi mais rápida porque já estava tarde, nem passei desodorante. Me despedi rapidamente de Ramonn e Thays, e murmurei um tchau pra Hallyna que estava fitando a bunda de Ramonn. ESPERA AÍ!!! A BUNDA DE RAMONN???? OXENTE, QUE MERDA É ESSA?!!NÃO RODA A BAIANA! Respira Lizzie, você tem que ir agora, depois resolverá isso.
Chegando ao hotel eu não havia recuperado a calma, meu pai achou que eu estivesse nervosa por causa das roupas de banho, mas eu ainda não havia perdoado o que vi. Mas não comentei nada com meu pai. Disse a ele que podia me virar sozinha e ele foi embora.
Chegando à recepção perguntei onde me poderia me juntar às meninas do desfile. E ele apontou para o lado oposto do pátio do dia anterior. Fui andando até lá e me deparei com uma sala, bati e abri, encontrei as meninas espalhadas pela sala, sentadas em sofás e pufes chiques, na mesinha de centro havia alguns comes e bebes, meus olhos brilharam quando vi a buchada, mas ninguém estava comendo ou bebendo. Fui andando até uma poltrona, quando a porta se abriu de repente, e apareceram, Andressa, Ariella, e a garota que me defendera no dia anterior.
– Uhhh, comes e bebes – gritou Andressa — e algumas meninas riram .
Vieram andando até mim e me cumprimentaram.
– E aí, Lizzie – disse Ariella .
– Oi, Lizzie – disse Andressa – Acho que você ainda não foi apresentada à Julie.
– Oi, Lizzie – disse Julie dando dois beijinhos ( Ariella revirou os olhos) – Meu nome mesmo é Juliett, mas me chamam de Julie,ou Jule, lá no bairro me chamam de rainha do cuscuz.- e deu uma risadinha, tinha resto de cuscuz no seu dente.
– Oi – disse eu retribuindo o sorriso.
– Genteeee, tem comes e bebes ali, por quê ninguém tá comendo? — disse Andressa indignada.
– Acho que as meninas estão de regime, tudo fresca. – disse Julie
– Ou estão com nojo da comida – disse Ariella revirando os olhos.
– Pois eu vou é comer – disse Andressa, quando viu a cara de uma garota ao lado, disse: — Que que foi , querida? Eu estava na escola, não comi nada, to mooorta de fome. Quem vai comigo?
– Eu vou – disse eu – Também não comi depois da aula...
– Venhaaam, eu sei que vocês são mundiça também. – insistiu Andressa.
Chegando lá, ela se serviu de um prato de buchada com bastante cuscuz e uma xícara grande de café. Eu peguei um grande prato de buchada com cuscuz e ovo, e depois ainda comi uma tapioca. Ariella e Julie olharam desconfiadas como se a comida fosse ganhar vida e atacá-las, mas logo pegaram também. Ariella pegou macaxeira com charque, e Julie pegou um suco de caixinha, nós a encaramos brevemente, e ela pegou um pouquinho de macaxeira com ovo. As meninas ao redor pareceram achar graça, mas uma das garotas que estava com Mayra Melo, se levantou e pegou uma tapioca, fitou a mesa, e pegou um caldo de cana também . E voltou a se sentar perto de Mayra, que a olhou com olhar de desprezo, a garota desviou o olhar e continuou a comer alegremente. Depois de finalmente perceberem que não tinha nada de errado com a comida, algumas das outras meninas, inclusive Gabrielle, começaram a se servir. Às sete em ponto apareceu um homem bonito, cabelo escuro bem cortado, barba escura bem feita, um olhar feliz e um sorriso maroto, só podia ser um viado. Algumas meninas me disseram que Hugo Pardinni era gay, mas sua voz me pareceu bem mais grave que a de Hélio.
– Boa noite, garotas. – disse o homem – Onde está a Annelise? — perguntou olhando curiosamente ao redor.
Avancei timidamente. E ele me olhou.
– Nossa, é ainda mais bonita que a Barbara espero que não seja mundiça. – disse ele surpreso – E tem o porte físico perfeito para o biquini que eu fiz pra você, ou não, já que você comeu muita buchada, que eu vi dali. – E me deu a mão e chamou as outras meninas. Antes de sair da sala Andressa agarrou umas duas trufas de tapioca, e seguiu as outras.
Ele nos levou a uma sala que mais parecia uma loja de fantasias, embora, de fato houvessem umas peças realmente bonitas. Ele avançou um pouco mais, ainda me segurando pela mão, e de repente soltou-a, acho que ele percebeu que tava suja de molho de buchada.
– Bem, meninas. – disse ele num tom excitado – Eu vou chamar o nome de vocês e entregar as roupas de banho. Há uns provadores logo ali – apontando para o lado direito – Vocês podem deixar as vestes lá dentro, porque eu não olho mulher nua, e voltem pra cá para que eu possa fazer os ajustes.
E uma a uma ele foi chamando.
– Samara Ferraz?
Samara, a garota de cabelos curtos e olhos azuis, adiantou-se e pegou um pacote na mão de Hugo, que tinha algo escrito.
– Mayra Mello?
E Mayra foi andando tão cheia de si, que Andressa cochichou “Será que essa cobrinha pisa no chão?” Eu e Ariella demos risadinhas abafadas.
– Ariella Martins?
– Andressa Licetti?
– Gabrielle Souza?
– Camila Rodrigues?
– Karyne Vieira?
Uma garota loura bonita, que estava com Mayra na sala anterior andou até Hugo.
– Claudia Magalhães?
– Suzzana Lima?
– Kelly Moura?
– Juliett Pimentel?
– Alessandra Negrinni?
– Sarah Perez?
– Alicia Menezes?
– E, Annelise Ribeiro.
Quando ele finalmente chamou meu nome, algumas das garotas já tinham voltado, vestidas em seus trajes. Eu pude ler o que estava escrito no pacote. “Annelise Ribeiro” em uma letra caprichosa.
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