Eu já estava no quarto, e me deitei na cama e soltei um peido, quando decidi que ia dormir percebi que tinha esquecido de desligar a luz. Minha mãe entrou no quarto.

– Tudo bem, Liz?Eita que fedor! — perguntou.

– Está sim, mãe, eu peidei.

— Impressão minha ou você estava babando no Diego?

Fiquei chocada com a pergunta e me fiz de ofendida.

– Prove.

— Eu vi muito bem, macaca. Mas se não quer falar sobre isso tudo bem. Você e o Ramonn se resolveram?

— Eu não sei ainda. Acho que ele parou de confiar em mim, mas eu não dei motivos pra isso, ele deve ser gay. Ele simplesmente acredita em tudo que dizem ao meu respeito e quando vou justificar ele age como se eu estivesse errada.

— Se você não deu motivo alguém deve estar enchendo a cabeça dele de titica.

– Exatamente, mas quem?

— Hallyna? — sugeriu ela.

E de repente tudo começou a fazer sentido. Hallyna e Ramonn estavam juntos o tempo todo e eu nunca ouvia as conversas.

Então Ramonn estava mentindo o tempo todo e Hallyna estava traindo minha confiança inventando coisas sobre mim . Será que era isso mesmo?

— Será, mainha? Será que ela teve coragem de fazer isso comigo?

— É você quem a conhece, ela que é a sua amiga. Você quem sabe se deve mesmo confiar nela. Procure saber melhor disso antes sair tirando mil conclusões.Não vá criar problema por bosta, viu? Seje menas.

– O que eu faço?

— Converse primeiro com Ramonn, veja o que consegue arrancar dele. E depois converse com Hallyna, finja que quer conselhos, mas observe as reações dela. Se ela tiver culpa no cartório vai ficar com o pé atrás em falar sobre isso.

Aceitei os conselhos de minha mãe, logo depois ela mandou eu ir dormir.

— Agora vá dormir, sua praga.

***

No dia seguinte assim que acordei chequei minhas redes sociais como de costume, usando o wi-fi do vizinho. No facebook, 1000 likes numa foto que fui marcada por Rickardo, em que eu estava na passarela desfilando com o vestido, parecia uma tribufu. No chat no facebook tinham mensagens de Ariella, Andressa e Thays. Eu as respondi rapidamente e fui olhar no whats, pensei que havia recebido nudes. Tinha mensagens de Rick. Pediu para que eu avisasse meus pais de que depois da escola eu iria com ele para um café, onde ele me mostraria coisas sobre meu futuro estilo. Meu coração bateu forte. Será que Diego também estaria lá? E será que teria buchada nesse lugar ?

Tirei esse pensamento da cabeça ao pensar que Ramonn ainda não falara nada comigo. E pra piorar, ele mudou a foto de perfil do whats. Onde antes havia uma bela foto nossa onde estávamos felizes empanturrados de buchada, agora tinha uma foto dele,com uma cara de quem cheirou peido.

Fiquei irritada com ele. E fiquei irritada comigo por ter ficado irritada com essa besteira, que não era totalmente besteira. Então fiquei duplamente irritada. Levantei da cama para comer, e percebi que não tinha ninguém em casa. Então lembrei que minha mãe tinha ido ao médico.

"Oba! Fazer tudo sozinha nessa desgraça." , pensei.

Primeiramente fui comer. Comi pão com ovo, delícia. Depois fui arrumar a casa. Forrei as camas, limpei os móveis, varri a casa e lavei os pratos. Quando eu estava olhando na geladeira se precisava cozinhar também minha mãe chegou. E já chegou reclamando:

— Anneliseeee! Você não fez porra nenhuma nessa casa! !

Revirei os olhos e deixei ela lá dando chilique e fui tomar banho, até parece que eu gosto de banho, mas tava fedendo a macaco baleado. Quando terminei de arrumar as bucha já eram quase 11 horas. Fui comer cuscuz com água, as 12:30 era hora de ir pra escola.

***

Chegando na escola, não encontrei Ramonn. Então fiquei jogando conversa fora com Thays e Sofia na sala de aula enquanto esperávamos o professor. Quando de repente ouviu- se a voz familiar da nossa coordenadora.

– Aqui está, você vai estudar aqui a partir de hoje. Quer que eu te apresente para os mundiças?

– Não precisa . — respondeu uma voz que eu conhecia, mas não lembrava de onde. — Eu me viro. — continuou ele.

– Ok. Se precisar de alguma coisa já sabe onde me encontrar. — disse a coordenadora. Ouvi barulho de salto alto batendo no chão. A coordenadora estava indo embora. A porta da sala se abriu, eu me virei pra olhar, e fiquei boquiaberta quando vi quem era .

— Annelise?? — gritou ele. – Ahhh, meu Deus. Você não sabe o quanto torci para ficar na mesma turma que você!! Minha macumba não foi perda de tempo no final das contas! – disse ele sorrindo.

— Armando? — disse eu ainda surpresa. – O que você tá fazendo aqui, bichinho?

— Pedi transferência da minha antiga escola, por sorte consegui descobri onde você estudava e pedi pro meu pai me matricular aqui. Sou seu fã, adorei a muriçoca viu?

Então ele mudou de escola pra ficar perto de mim? Resolvi tirar a dúvida.

— Ah, Armando, estas são Thays e Sofia, as duas mundicinhas mais íntimas.

— Olá, meninas. Meu nome é Armando Gordênio.

— Gordênio? — perguntou Thays, observando seu corpo gordo.

— É meu sobrenome. – respondeu Armando com uma risada amarga, parecia uma cabra machucada.

— Ah. – disse Sofia .

— Por quê você queria estudar comigo? — perguntei.

— Vou te contar, mundiça. – disse ele dramático. – Bom, primeiramente quis sair de minha antiga escola porque sofria muito bullying, me chamavam de gordo viado. Os meninos me zoavam o tempo todo, e nenhuma menina queria ficar perto de mim, porque eu jorrava catarro. Se bem que eu nunca quis nada com aquelas frescas, só queria ter amigos. – ele parecia indiferente, mas triste. – E também, fiz questão de estudar na mesma escola que você porque quero ser amigo de uma celebridade. Você arrasou na muriçoca, fia.

Fiquei tentando entender por uns minutos. Cheguei a conclusão de que gostaria de ser amiga de Armando.

— Tudo bem então . – eu disse. – Serei sua amiga.

— E nós também. – disse Thays.

— Obrigado, meninas. Mas estou muito preocupado com os meninos daqui. Tenho medo de que minha vida volte a ser o mesmo tormento. Não quero ser chamado de gordo viado de novo.

— Os bichin daqui são zoeiros, mas não são cruéis. – disse Sofia.

— Se eles te incomodarem você pode falar que não está gostando, eles vão parar. – disse Thays.

— E agora você é nosso amigo. – eu disse. – Não ficará sozinho.

— Ain, brigado. –disse Armando.

Ainda faltavam alguns minutos pra começar a aula, então nós começamos a conversar sobre comida, porque éramos todos mundiça. Minhas amigas e eu tínhamos o costume de mudar de assunto o tempo todo pra não ficar uma conversa chata. Nós falávamos sobre series, novelas, bandas, jogos, comida e sobre os boyzin. E qualquer que fosse o assunto Armando estava por dentro, ele conseguia acompanhar e se incluir em todos os assuntos, eu não conseguia entender como as pessoas desprezavam um bichin tão legal.

Faltando uns 3 minutos pro horário da aula, as pessoas começaram a chegar, alguns notaram a presença de Armando, e vieram conversar conosco, nós contamos que Armando estudaria conosco e que era nosso amigo, os garotos pareceram tratá-lo com respeito, e as meninas com simpatia. Acharam que ele tinha comida pra dar pra elas.

Logo depois Ramonn entrou na sala acompanhado de Hallyna. Tive uma crise de ódio, comecei a me tremer, achei que ia avançar no pescoço dos dois, e depois enfiar uma peixeira no bucho deles, mas Thays percebeu minha agitação e começou a falar de onde o Armando poderia se sentar.

Eduardo, que se sentava ao meu lado e atrás de Thays, ofereceu seu lugar à Armando, disse que poderia se sentar mais atrás.

— Sem problemas mesmo, fio? — perguntou Armando.

— De boa. – disse Eduardo. – Eu prefiro mesmo sentar atrás, agora estou fazendo um curso de inglês, e quando as aulas aqui ficam chatas eu pego a apostila pra estudar, acho mais vantagem. Sentando atrás os professores nem vão notar.

— Ok, então, obrigado, bichin. – disse Armando apertando a mão de Eduardo, percebi que rolou um clima.

Nos dirigimos aos nossos lugares, e inevitavelmente tive que falar com Ramonn, já que ele se sentava na minha frente.

— Oi. – eu disse. Queria não ter falado já que Hallyna ainda estava perto dele, perto até demais. Mas lembrei do que minha mãe disse e fingi que estava tudo bem.

— Oi. – disse Ramonn.

— Oi, tudo bom? — disse Hallyna, mas esta estava falando com Armando.

— Oi, tudo sim e com você ?. – respondeu Armando.

— Estou bem, quem é você?

— Este é o Armando. – eu disse. – Nosso novo colega de classe. Eles são Hallyna e Ramonn.

Armando tentou parecer simpático, mas pareceu notar que tinha algo podre no ar, afe, pensei que ninguém tinha percebido que eu peidei. Hallyna estava com uma cara de quem acabara de ganhar na loteria, e Ramonn parecia que estava cheirando peido de novo, e ele estava.

A professora entrou na sala.

— Boa tarde, meninos. – ela franziu o nariz por causa do fedor.

Ela olhou para Armando com curiosidade.

— Você é o novo aluno! — disse ela animada. – Armando, não é?

— Sim. – respondeu Armando.

— Meu nome é Lidia. Sou professora de geografia.

— Prazer em conhecê-la, professora. – Armando apertou sua mão.

— Meninos, já conheceram seu novo colega? — perguntou a professora.

— Sim. – alguns responderam.

— Bom, agora vamos estudar.

Todos se sentaram em suas cadeiras e a aula começou.

***

Armando parecia estar se adaptando bem, perguntou algumas coisas para mim e para Thays, mas logo acompanhou a aula normalmente. Todos pareciam ter simpatizado com Armando, menos Ramonn.

Quando a aula acabou ele me puxou pra fora da sala de aula com a desculpa de que queria ir beber água, disse que tava todo ressecado, parecia uma bicha.

— Então esse é o Armando que estava com você na festa? — disse ele com cara de bode louco.

— Sim, é ele. O primo da Mayra Mello.

— O que diabos ele está fazendo aqui? — perguntou bufando.

— Ele foi transferido pra cá, porque sofria bullying na outra escola. – respondi friamente.

— Por quê faziam bullying com ele?

— Por causa do sobrenome dele. – respondi.

— Qual é? — ele perguntou.

— Gordênio.

Ramonn estava tendo uma crise de risos, parecia um bebê foca morrendo engasgado.

— Por quê é tão engraçado?

— Porque até no nome ele é gordo.

— Que coisa mais infantil, bichin, ele não tem culpa de ter esse nome.

— Mas tem culpa de ser gordo.

Revirei os olhos, meu zoio girava mais que pneu de táxi.

— Agora você vê que era mentira da Mayra, e tem a prova de que eu não estava querendo pegar ele.

— Sobre isso eu não sei.

EOQ, VIADO? Pensei, mas não disse nada.

— Como você pode pensar que eu dei em cima dele? Ele não é meu tipo, Ramonn. E eu estou com você. Pare de ser sem noção e dê valor da isso!

Ele parecia ter levado um soco na cara.

— Desculpa. – ele disse. – Eu fiquei doidin com essa história.

— Se você acreditasse em mim isso não aconteceria. O que ficam falando pra você ? Por que parou de confiar em mim??

— Não me pressiona, Liz. Eu já pedi desculpa.

— Mas pedir desculpas não justifica erro, e nem apaga magoas. Me fale a verdade, Ramonn. Por favor, eu já não agüento mais a nossa situação.

— Ninguem me disse nada. – foi só o que ele disse. – Você ta estranha desde que foi chamada para o desfile.

— Só porque não te dou mais atenção 24 horas por dia não quer dizer que dou em cima de outros caras. Eu só estive ocupada, mas você que não quer falar comigo.

— Quer saber, Liz? Vou pra aula que eu ganho mais.

E ele saiu andando em direção à sala de aula e me deixou lá sozinha, ai eu peidei de novo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.