Pop Star - Uma Buchada No Céu
2 A verdade sobre Barbara, a mundiça.
Notas iniciais
Eu estava completamente maluca com a idéia de participar de um desfile, quase não consegui dormir pensando nisso, e nas buchadas que eles iam dar no Buffet, é claro.
Segunda feira: um dia em que muitas pessoas ficariam deprimidas ou chateadas por ter que voltar à rotina, mas eu estava feliz, porque na escola dava merenda, cuscuz com sardinha. Eu também estava animada porque o primeiro ensaio seria àquela noite, e eu nem sabia o que vestir, eu só tinha mulambo.
Depois que fiz minhas “tarefas domésticas”, porque provavelmente eu seria uma empregada se não estudasse, tive tempo de me arrumar, deixei os cachos soltos, e comecei a pensar em qual roupa eu poderia usar. Guarda-roupas revirado, e nada! Não consegui achar nada elegante ou descolado que uma jovem modelo iniciante poderia usar em seu ensaio.
Fui até minha mãe, chorosa, lamentando exageradamente não ter algo legal para vestir. Minha mãe me olhou com cara de tédio:
– Devia ter pensado nisso antes de aceitar o convite!
Fiz um biquinho emburrado. E ela me olhou compreensiva.
– Ah, venha aqui, deve ter algo que você possa vestir.
E reviramos novamente o guarda-roupas, no fim, a coisa mais legal que concordamos foi uma saia preta colada, estilo tubinho, mas lisa. O problema era encontrar uma blusa, porque todas que eu tinha parecia uma sacola, daí fomos até a casa da minha vó pedir uma emprestada da minha prima, ela sugeriu um top. Era preto tinha umas linhas cor de nude que contornavam o top formando um V. Ele também era colado, vinha até a altura de cintura, deixando aparecer um pouco da minha barriga ao se juntar à saia, fiquei com medo de parecer uma das prostitutas que ficam na beira da praia rodando a bolsinha. Mas todas nós concordamos que esse look estava bom para o ensaio.
Voltamos pra casa, já era hora de almoçar. Ou seja, cuscuz com leite, daqueles leite que dava no programa fome zero do governo, meu pai já deveria estar trazendo minha irmã da escola,então era melhor eu garantir logo meu cuscuz, e dali à uma hora me levaria pra escola.
Depois de almoçar e lavar a louça, corri para o quarto pra me maquiar, uma maquiagem discreta: rímel e blush. Mais uma ajeitada nos cachos e estava pronta pra sair. Coloquei a roupa e o salto na bolsa, e partimos pra escola.
***
Chegando na escola pude finalmente ver meu namorado, queria dar uns pega bem gostoso nele, e contar os babado pras minhas amigas, e não me faltou apoio. Embora eu tenha tido a impressão de que minha melhor amiga, Hallyna, a do coringa, não tinha gostado muito da idéia. Por fim, no final do dia depois das aulas, fomos liberados mais cedo da última aula, livres da nossa prisão, eu já tava ficando doida, porque não teve merenda, então aproveitei pra ir ao banheiro feminino para me arrumar. Pedi ajuda da Hallyna pra fazer a maquiagem, mas ela disse que tinha que buscar seu pen drive com um amigo antes que ele fosse embora, fiquei achando que era mentira, e que ela ia pegar alguém . Mas a Thays se ofereceu pra me ajudar, eu sabia que ela não era muito jeitosa com essas coisas, mas aceitei a ajuda mesmo assim.
No fim das contas Thays ajudou bastante, sugeriu uma sombra acobreada e batom vermelho, e combinou perfeitamente. Ela disse:
– Ainda bem que a Hallyna não te ajudou, senão tu ia ficar parecendo o Patati Patatá.
Rimos bastante.
Saindo do banheiro encontramos Ramonn na porta, ele assoviou e ergueu uma sobrancelha fazendo um biquinho, ficou parecendo um tarado, mas ele tava muito gostoso. Depois tentou me dar um beijo, mas eu disse que não queria borrar o batom, mas era mentira, ele tava com bafo. Meu pai já estava me ligando para avisar que estava na porta, descemos os três que se despediram de mim e desejaram boa sorte, e como de costume, dei um tapa na bunda do Ramonn.
Não demorou muito até chegarmos ao hotel que ficava em frente à praia, antes de chegar eu vi as prostitutas rodando a bolsinha e me identifiquei, minha roupa tava igualzinha. Meu pai parou o carro na frente e entrou comigo no saguão que dava na recepção, o lugar era bem chique. Cumprimentamos o recepcionista e perguntamos onde estava o pessoal para o ensaio do desfile, ele apontou para o pátio seguinte onde se dava pra ver o inicio de uma passarela improvisada, apenas um longo tapete vermelho, perguntei a ele onde encontrar Rickardo Fortinelli, e ele disse que não sabia onde o senhor Fortinelli se encontrava no momento.
Meu pai queria ir comigo até o pátio onde se encontrava algumas modelos, mas eu cortei, disse que poderia me virar, então ele começou a dar instruções como, não fale com estranhos. Então argumentei que todos eram estranhos, e ele ficou com uma expressão confusa e depois se despediu.
Quando ele saiu, minha coragem foi junto. O que estava pensando? Que iria bancar a extrovertida e sair falando com todo mundo? Ainda não vira Rickardo em lugar algum. E se ele tivesse arrependido de ter me convidado para o desfile? Se tivesse encontrado alguém melhor? Estava tão perdida nesses pensamentos sombrios que soltei um arroto, e nem notei o barulho de saltos batendo no chão. Fui surpreendida por uma toque leve no braço, olhei de repente e a garota notou que havia me assustado.
– Desculpe, te assustei, bichinha?– gritou ela.
Fiquei morrendo de vergonha.
Depois de uma longa encarada na garota bonita de olhos verdes muito claros, parecia grama desbotada, cabelo colorido ( a raiz era de um tom caramelo claro, mas o meio era louro clarinho e as pontas estavam roxas, com leves cachos modelados com chapinha), que estava muito elegante com uma saia igual a minha, mas com cor de coral, e uma blusa de mangas estilo bata acinzentada com um desenho da face de um tigre desfocado, ela usava grandes argolas e uma gargantilha com a inicial “A”. Imaginei que era A de amostrada.
– Sou Ariella – disse ela para quebrar o gelo.
– Annelise – respondi estendendo a mão, que ela apertou e sorriu, divertida.
– Um bom aperto de mão! Achei que me daria dois beijinhos como as outras frescas por aqui. – disse Ariella revirando os olhos, e deu um sorrisinho sem jeito.
Retribuí o sorriso, mas não quis concordar nem discordar do que ela disse, olhei em volta, e perguntei:
– Você viu o Rickardo Fortinelli por aqui? É um que parece um viado.
Ela pensou por um minuto e me estudou como se visse um bicho estranho.
–Aaaah, então é você a garota que o Rick chamou... — e continuou me olhando- Ah, você não sabe? Deixa que eu conto. Esse desfile, como você deve saber, é pra mostrar as novas criações do estilista Hugo Pardinn, ele é viado, e ele já havia escolhido 15 garotas, e se inspirou nelas para fazer esses modelos, e havia uma garota, bonita, esbelta, cabelos cacheados escuros e olhos escuros também, Barbara era no nome dela, mas ela tinha bafo de bosta, e era umas das mais bonitas por aqui, viu? E mais legal, mas a Barbara era amundiçada! Comeu três buchadas sozinha, e ficou com desinteria, passou cinco dias se cagando, agora ta internada.Um horror, todos ficamos tristes, Hugo entrou em pânico, porque não teria tempo de encontrar outra garota que o inspirasse a fazer um novo modelito. Então o Rickardo, que é nosso maquiador, por hora, mas ele é empresário, uma espécie de caça talentos, e se dispôs a encontrar uma garota parecida com a Barbara pra substituí-la, Hugo não teve outra opção, ou uma nova garota, ou um novo modelito, então ele confiou em Rick. Então o Rick teve a idéia de pôr sua tenda de maquiagem no shopping, seria mais fácil e rápido.
Eu a olhava prestando atenção a cada detalhe, eu não conseguia parar de olhar pro pedaço de charque no dente dela, então eu salvara a pele de Hugo Pardinni, e seria conhecida como substituta da Barbara.
– Vamos embora, menina! O ensaio jaja começa.
– Entendo, mas o Rick me disse que o procurasse assim que chegasse...
– Hum. – disse ela pensativa – Eu não sei se o Rick vem aos ensaios, mas se ele disse para você procurá-lo então deve vir, só pra nos ver mesmo.
– Ok...
– Você quer dar uma circulada enquanto o instrutor não chega? Podemos conversar com as outras, e rir do cabelo delas.
– Adoraria.
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