O despertador toca mas minha cabeça está doendo tanto que tenho vontade que quebrá-lo. Tento me mexer mas sinto alguma coisa nas minhas costas. Pera. Não é alguma coisa... É ALGUÉM!

–SEBASTIAN?- Grito um segundo antes de cair para fora da cama.-O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI NA MINHA CASA? NA MINHA CAMA AINDA POR CIMA?

–Santana, calma! Você não se lembra de nada que aconteceu ontem?

Ontem? Eu só me lembro de ter achado aquelas garrafas e de nada mais.

–Eu... A gente... Não aconteceu nada, né?

–Claro que não, Santana! Eu não seria capaz disso.

Me levanto do chão e vejo que estou com minha roupa de ontem.. Pelo menos ele não a tirou.

–Ok, ok. Me desculpa! Mas você tem que concordar que não é todo dia que você acorda com alguém na sua cama e não se lembra o porque!

–Santana, eu só queria que você ficasse segura.

Logo uma onda de culpa surge e me sinto como a pior pessoa do mundo.

–Obrigada, Sebastian.

Ele finalmente se levanta da cama e ambos ficamos nos encarando por alguns segundos.

–Acho que já perdemos o primeiro tempo de aula.

Olho para o relógio e ele está certo. Nem se eu correr muito chego lá a tempo.. Nossa. Minha cabeça está doendo muito.

–Acho que nunca mais vou beber de novo... Parece que tem uma britadeira dentro da minha cabeça.

–Eu tenho um remédio. Eu sempre ando com um para situações de emergência.

Ele tira do bolso a cartela e estende para mim. Acho que o mínimo que posso fazer é aceitar de bom grado. Quando vou pegar o remédio, nossas mãos se esbarram, o que me faz ficar vermelha.

–Obrigada de novo, Sebastian. Er.. quer comer alguma coisa?

Ele fica pensativo e eu refaço minha pergunta.

–Por favor Sebastian. Como um pedido de desculpa pelo que eu te fiz passar.

Olho para ele com uma cara de súplica e ele logo aceita. Depois de tomar o remédio e me sentir melhor, faço ovos, bacons e sirvo suco de laranja. Sentamos na mesa, um para frente do outro e comemos ao som dos talheres até que ele resolve quebrar o silêncio.

–Eu não me importo...

Eu olho para ele tentando conseguir uma pista sobre o que ele está falando mas nada descubro.

–Como?

–Eu... Eu não me importo se tiver que cuidar de vocês mais vezes.

Encaro ele por alguns segundos mas volto meu olhar para o prato porque não sei bem o que dizer para ele. Em seguida, ele coloca a mão sobre a minha, o que me faz gelar.

–O que te impede, Santana? O que te impede de assumir o que nós sentimos?

Olho para ele e sinto um nó na garganta.

–Eu não sei.

Me levanto, me livrando minha mão da dele e sigo para o quarto.

–Eu vou tomar um banho. Se quiser, me espere que eu te deixo na Dalton.

Ele concorda e vou para o banho. Depois troco de roupa e sigo para o andar de baixo. Quando desço, Sebastian não está mais lá. Apenas um bilhete no balcão da cozinha:

"Quando estiver pronta me procure. Te amo, Sebastian."

Te amo? Ele.. Ele me ama? Quando recupero o ar, guardo o bilhete e sigo para o colégio. Chegando lá Kurt e Blaine estão me esperando no armário.

–San, saiba que eu fiquei te esperando a tarde toda para estudar. E nem para atender o celular!

–Desculpa, Blaine. É que eu acabei dormindo e...

Antes de terminar de falar, Quinn e Rachel aparecem com caras sérias.

–Ficamos uma hora te esperando, Santana! Podemos saber onde você foi?

Ela está mesmo furiosa.. Mas tudo que eu consigo pensar é no bilhete do Sebastian. E se ele não quiser mais falar comigo? Será que ele vai me esquecer fácil? Ele... Ele realmente me ama?

–Santana, você está escutando a gente?

–Desculpa mas eu tenho que ir.

Saio e vou direto para minha próxima aula, mesmo que ainda não tenha começado. Será mesmo que ele desistiria de mim?

O dia passa e vou para a biblioteca estudar mas tudo que consigo pensar é no Sebastian. Seus olhos, seu sorriso, seu cabelo... Tudo nele é tão perfeito! Estou quase babando enquanto penso nele quando Quinn e Rachel aparecem.

–Lopez, queremos falar com você.

Olho para elas já escolhendo as palavras certas para dizer que eu não estou a fim de ter uma louca transa a três quando Rachel me surpreende.

–Nós vamos assumir.

–O QUE?

–Nós vamos assumir nossa sexualidade e, o melhor de tudo, nosso namoro.

Rachel segura na mão da Quinn enquanto ela fica toda tímida.

–Nós entendemos que não importa o que os outros dizem.. Nós temos que estar felizes. É claro que você ajudou a abrir nossos olhos nos apresentando a esse incrível mundo então você é a primeira pessoa a saber.

Mal consigo fechar minha boca. É claro que estava na cara que elas eram tão gays quanto eu mas eu achei que ia demorar até elas perceberem.

–uau, meninas... Estou muito surpresa e feliz por vocês.

Levanto e dou um abaraço nas duas.

–Percebemos que a única coisa que estava impedindo nossa felicidade eram nós mesmas.

Dito isso elas se beijam e saem da sala.

"A única coisa que estava impedindo nossa felicidade eram nós mesmas." A única coisa que impede MINHA felicidade, sou eu mesma.

Como um estalo, eu entendo tudo.

O problema sou eu quem estou criando. E dessa mesma forma posso destruí-lo.

Saio correndo até o estacionamento, passando por Faberry e Klaine. Eles me olham confusos mas eu nem ligo. Chego no meu carro e acelero o máximo que posso. Não estou pensando direito mas sei onde eu estou indo. Meu coração está acelerado e estou suando. Estou indo vê-lo.

Estaciono de qualquer jeito e entro na escola. Corro sem rumo tentando achá-lo e torcendo para que seja o quanto antes. Corro até um corredor cheio de salas e escuto música de uma delas. Quando entro, o vejo. Sebastian Smythe. O cara pelo qual estou completamente apaixonada. Ele olha para mim e dá o maior sorriso que já vi no seu rosto.

Corro em sua direção e sem pensar, o beijo. Não me importo com nada nem ninguém porque eu sinto como se fossêmos os únicos naquela sala. Quando paramos de nos beijar, ambos estão sorrindo feito dois idiotas.

–Você está louca, Santana?-Diz ele com as mãos na minha cintura.

Puxo ele mais para perto e digo:

–Depende do ponto de vista, Sr.Smythe.

E dou um outro beijo nele.

Notas finais
Fim?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.