Tudo que consigo fazer é encarar a estrada. Quando Blaine resolve quebrar o silêncio, eu decido me abrir. Afinal, quem vai poder me ajudar mais que meu melhor amigo?

–San, você não falou nada desde que saiu chorando da Dalton. Aconteceu alguma coisa e você não quer me contar né?

–Não é isso, Blaine. É que nem eu sei como posso explicar. O negócio é que eu definitivamente sinto algo pelo Sebastian. Pensei que era só uma atração passageira mas hoje, quando eu o vi, queria ficar para sempre do lado dele.. E ele me disse que sente a mesma coisa.

–E qual o problema?

–Blaine, eu não sei mais quem eu sou.

–Você é Santana, minha melhor amiga que zoa todo mundo mas que destrói quem faz o mesmo. A garota mais sincera que eu já conheci e por quem eu sou capaz de tudo.

Olho para o Blaine e quando ele tira os olhos dele da estrada por um segundo posso ver que eles estão cheios d'agua.

–Sabe que eu não suporto quando você chora...

Ele dá um sorriso e volta a olhar para a estrada (não antes de limpar as lágrimas que começaram a escorrer pelo seu rosto).

–Me desculpe, San. É que eu te amo muito... Você é como se fosse minha irmã. Não gosto de te ver sofrendo.

–Eu te amo também, pequeno Blaine. Eu vou ficar legal. Só preciso me afastar dele por uns dias e essa atração ou sejá lá o que eu sinta por ele vai passar. Eu sei que vai...

Ele me lança um olhar de preocupação porque nem eu consegui acreditar no que acabo de dizer. Dou um suspiro e torço para que tudo passe num piscar de olhos.

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Há duas semanas que eu não vejo o Sebastian. Evito falar, pensar ou fazer qualquer coisa que me lembre ele. Acho que finalmente me vejo livre dele e do que ele me faz sentir.

Chego em casa e ligo o Skype para estudar com o Blaine mas imediatamente me arrependo disso.

*Sebastian Smythe está solicitando uma chamada por vídeo*

Recuso e ele vem falar por mensagens.

–Santana, está tudo bem?

Sinto um frio na barriga e toda aquela sensação volta. Os pensamentos e, o pior: os sentimentos. Prometi a mim mesma que não iria botar tudo a perder.

–Estou, Sebastian. Melhor do que nunca :)

–Sabe que eu não acredito em você.

–É uma pena porque é verdade..

–Santana, uma hora vamos ter que falar do que aconteceu.

–Não aconteceu nada, Sebastian. E nem vai acontecer!

Saio do skype e decido que vou criar uma outra conta amanhã. Meu estudo com o Blaine vai ter que esperar. Deito e repito a mim mesma que tudo vai ficar bem. Refaço isso incontáveis vezes até eu dormir.

O despertador toca e vejo que está na hora de me levantar e ir para a escola. Tomo um banho, me arrumo e vou para a escola. Quando estou a caminho da minha primeira aula, Quinn e Rachel aparecem no meu lado.

–Lopez, que tal a gente se encontrar depois da escola? Meus pais vão para uma peça de teatro e vão voltar bem tarde.-Disse Rachel parecendo uma criança numa loja de doces.

–Foi mal, Berry. Hoje eu não estou muito no clima.

–Santana, o que está acontecendo com você? Se Rachel te falasse isso há um mês atrás você estaria nos convencendo de faltar aula e ir direto para a casa dela.

–Em um mês pode se acontecer muita coisa, Fabray.

–Você não nos acha mais atraentes?

Paro e olho para essas duas garotas na minha frente. Elas são lindas, sexys e definitivamente são boas de cama. Mas é só. Não sinto mais nada.

–Não é isso, Berry. Vocês são muito gatas. Eu é que não estou no clima.

Elas me olham com um olhar surpreso porque de acordo com meus cálculos, fazem duas semanas que eu não estou no clima para nada. Desde que... Conheci o Sebastian.

Pera aí! Não estou deixando de ter um excelente sexo por causa dele, estou?

Elas já estavam se afastando quando eu corro até elas.

–Esperem! Mudei de idéia! Vamos nos encontrar no banheiro depois das aulas e vamos para a sua casa, Berry.

Elas sorriem imediatamente e seguem de mãos dadas pelo corredor enquanto aproveito os cinco minutos até começar a aula.

–Olá, pequeno Blaine.

–Oi, San. Que sorriso é esse?

–Hoje eu estou dando mais um passo para a velha Santana Lopez estar de volta.

–uhm... Posso saber o que?

–Vaginas.

Blaine me olha com uma cara de nojo como se eu tivesse falado a coisa mais absurda do mundo.

–Aproveite então.

Ele diz isso com um tom irônico e sou forçada a rir. Logo aparece Kurt com um de seus looks mirabolantes.

–O que aconteceu, Porcelana? Deixou um daltônico te vestir?

–Fique sabendo que cores fortes e diversificadas estão em alta!

–Tanto faz.. Eu tenho que ir. Minha aula já vai começar. Beijinhos.

Me dirijo a sala esperando que de alguma forma milagrosa, esse dia passe voando. Química, artes, geografia, dois tempos de matemática e dois de Português. Esse dia foi o mais longo de todos os tempos!

Segui para o banheiro onde Rachel e Quinn já estavam me esperando... Ou melhor, se pegando.

–Ei, ei meninas... Calma aê. Deixa um pouco para a tia San.

–Você demorou demais, Santana. Achamos que já tinha desistido.

–Nem brinca, Fabray. Eu só me atrasei um pouquinho.. Podemos ir?

Elas se arrumam e seguem comigo até o estacionamento, onde cada uma vai com o seu carro. Quando já estava a menos de dez metros do meu carro, sinto uma mão masculina agarrando a minha. Logo penso que é o Blaine.

–Blaine, você sabe que agora não é uma boa hora!

Quando olho para trás dou de cara com Sebastian. Ele está com um olhar cansado e sem o usual sorriso no rosto

–Nós precisamos conversar Santana.

Notas finais
Espero que esteja ficando legal :)