Ponto De Atração
11 Gotas de Icor
Notas iniciais
[Anthony]
Peguei o frasco pra colocar a seiva de árvore que Josh havia me pedido, muito a contragosto, depois de saber que Arin havia fugido durante a noite do acampamento e que ainda por cima não havia me esperado, nem deixado um bilhete, nem nada do tipo pra mim foi a gota d’água.
Até porque agora mesmo ela poderia estar com o Pirata procurando Afrodite e fazendo o que os dois bem entendem e se bem me lembro, o namorado dela sou eu.
- Vai rápido Anthony que a Ly tá morrendo de dor no joelho, o corte foi feio!- Alice me apressou praticamente me empurrando da enfermaria.
- Calma Lice, mas que droga!
- É sério Anthony, não dá pra ficar o dia inteiro como Dom Casmurro, ela vai voltar pra te buscar então vai buscar a seiva e salva a vida da Ly!- Alice falou de modo incisivo.
Olhei para a maca onde a Ly estava sentada com a mão no joelho, ela havia caído durante a escalada do muro de larva e ralara o joelho na queda, mas boy a havia pego antes de quebrar alguns ossos na queda. Então ela não estava morrendo e sim apenas sofrendo pela ardência de um simples corte.
Mas Lice nunca perde o jeito de exagerar e me mandar pra longe.
- Tudo bem.
Peguei minha adaga de couro de um Leão de Nemeia e comecei a girar ela entre os dedos, numa vã tentativa de me distrair do que poderia estar acontecendo com Arin e Pirata.
Fui o mais longe que pude das árvores das ninfas e cheguei até uma árvore mais distante onde aparentemente não havia nenhuma ninfa de plantão para me matar por estar pegando a seiva.
Desrosquei a tampa do vidrinho e saquei minha adaga pra fazer um talho na árvore quando uma mão tocou meu braço, não delicadamente, e no impulso me abaixei e fiz um corte em seu tornozelo para fazer meu oponente se desequilibrar e cair e foi o que aconteceu.
Uma linda loira de olhos azuis caiu no chão e segurou entre as mãos o tornozelo cortado.
- Ai!- Ela reclamou.
- Deuses! Desculpe-me, é reflexo de batalha e você também não fez barulho, não vi que alguém estava vindo.
Abaixei-me ao lado dela e delicadamente tirei suas mãos do corte, que com relutância ela me deixou vê-lo. Para minha surpresa não era sangue que escorria da ferida aberta e sim Icor. Fingi que não reparei que o líquido que deveria ser escarlate era na verdade dourado e passei meus dedos na ferida, como para limpar.
- Dói muito?- Perguntei.
- Sim... Ai! Não aperta!- Ela fez biquinho.
- Tudo bem, vou pegar um pouco de seiva da árvore para colocar aqui e vai ficar bom logo, está bem?
- Okay, vá logo!
Fui em direção a árvore, mas antes juntei minha adaga e o vidrinho e disfarçadamente pinguei algumas gotas que ficaram em minha espada e em meus dedos para dentro do vidrinho, o tampei e coloquei no bolso da calça. A Deusa não viu nada.
Limpei a espada com algumas folhas da árvore e raspei a mesma na árvore, coletando um pouco da seiva. Levei até a garota e coloquei no ferimento, que agora não parecia mais tão mal assim, coisa de Deuses.
- Então, qual seu nome?- Perguntei a ela.
- Vênus e o seu?- Afrodite me respondeu... Deuses, sempre achando que um acampamento não sabe da existência do outro... Tolos.
- Anthony. O que você faz aqui? Estamos fora da proteção do acampamento, podemos ser feridos aqui, como você foi. Vamos para dentro, deve ser uma semideusa não é?- Continuei com o fingimento.
A ajudei a sentar numa pedra e ela fez carinha fofa, como se eu fosse cair nesses truques.
- Só preciso falar com a Arianna. Pode chama-la para mim?- A Deusa falou como uma adolescente indefesa.
- A Arin sumiu ontem a noite Vênus, não sei onde ela está- Respondi o mais vagamente que pude.
- Não sabe nada mesmo?- Os olhos dela brilharam e quase comecei a falar tudo para ela, mas me segurei.
- Não, sinto muito.
- Tudo bem, obrigada- A Deusa me respondeu com um sorriso terno e quase senti vontade de me entregar a ela, mas esse era mais um truque da Deusa do amor e da beleza e eu não cairia nele.
- Vamos para dentro então? Preciso pegar um pouco de seiva para o acampamento- Continuei com a minha farsa para ela não saber do Icor no meu bolso, mas aparentemente a Deusa não pensava em muitos detalhes de seus planos, como por exemplo, de que os semideuses podem ver através da névoa e identificar Icor.
- Claro, me ajude a levantar- Ela me estendeu os braços e eu a apoiei, os cabelos louros roçavam em minha pele nua do pescoço e suas unhas começaram a brincar com minha orelha e meu pescoço, leves arrepios passaram pelo meu corpo, mas continuei andando sem ceder as artimanhas mal pensadas da Deusa.
- Não vai ceder não é? Você é bonito, mas é só. Bons sonhos meu querido- A Deusa sussurrou em meu ouvido e cravou a unha rosa pink em meu pescoço, como uma injeção de sono e acabei caindo na mata, dentro dos limites do acampamento.
A Deusa não era tão burra assim, apenas passava por uma margem de erro.
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