Ponto De Atração
10 DR
Notas iniciais
[Jace Stephen]
- Rovena, podemos conversar?
- Não sei Jace.
Uma pergunta simples, onde você só precisa dizer sim ou não, mas sempre têm uma filha de Athena que acha a resposta não sei.
- Não sei, não ou não sei, sim?- Perguntei me aproximando dela e me sentando no chão, em sua frente com as costas apoiadas na grade da varanda.
- Não sei de não sei.
Outra vez. Sim ou não, talvez.
- O que foi Rovena? Fala pra mim- Tentei pegar sua mão, mas ela se encolheu para trás e deixei a frustração tomar conta de mim.
- Por onde eu começo?- Ela falou olhando com aqueles olhos lindos para mim que agora refletiam apenas tristeza.
- Pelo começo?- Arrisquei.
- Nasci numa manhã fria de Junho, quando...
- Tá, tá... Pelo começo do que te aflige, melhor assim? – Cortei a fala dela com um leve riso, pelo qual ela acompanhou com um sorriso.
- Você é um idiota Jace Stephen.
- Eu sou um completo idiota sim, então me diz por quê.
- Por que você dá mais atenção pra uma ruiva chapada morta do que pra mim- Ela falou olhando nos meus olhos.
Não me aguentei e ri. Não por graça mesmo, mas pelo absurdo das palavras dela.
- Rovena Marie, que ideia é essa?!
- É só você pensar no que você fez quando acordou Jace, quem você abraçou, quem você coloca apelidinho carinhoso, pra quem você SUGERIU uma amizade colorida. Vai Jace, pensa- Rovena agora tinha uma expressão feroz no rosto, como se um fosse uma bruxa e ela estivesse me acusando para me incinerar na Inquisição.
- Rovena eu...
- Não Jace, não explica.
- Mas...
- Explica de uma vez ou tá com medo de falar a verdade? De falar que ainda ama ela e que deseja voltar a namorar ela? Hein? Fala!- Rovena foi levantando o tom de voz ao passo que falava e a cada vez fui ficando mais absorto nas suposições que ela havia feito e na bipolaridade da pessoa.
- Primeiro: Controla esses nervos e essa bipolaridade, segundo: Não amo ela e não quero começar a namorar ela porque namoro você e amo você, dá pra parar com isso agora Rovena?
- Não, não dá Jace. Sabe por quê? Porque eu não vou aguentar olhar todo dia enquanto ficarmos aqui pra essa Ruiva correndo atrás de você e falando que deveria ter aceitado a amizade colorida e que você tá um gato e blá blá.
- Mas eu sou um gato.
- É sim.
- Então me perdoa?
- Não.
Suspirei alto o suficiente pra Rovena escutar e me levantei ficando apoiado na grade da varanda.
- Sabe por que eu estou com você Rovena?
- Porque perdeu a Ruiva?- Ela respondeu sarcástica.
- Porque você é tudo o que eu preciso e muito mais. Porque é você que me inspira a cada dia, é você que me faz ser o que eu sou... É com você que eu planejo um futuro e me vejo criando filhos e tendo uma casa com um jardim onde você possa brincar com as crianças. Porque você me cativou com esse seu modo todo especial de ser, porque eu amo você Rovena e não há palavras mais sinceras no mundo do que essas. Eu te amo, desde o momento que eu te vi, eu te amo e até o último momento que ficarmos na terra e além. Meu amor é infinito Rovena e se você ainda duvidar, não sei se estamos indo pelo caminho certo.
Virei-me de costas e fechei os olhos, pensando em como eu podia amar uma criatura tão ciumenta como essa.
- Rovena eu...
- Desculpa Jace... Por favor, me desculpa- Rovena me abraçou pelas costas e senti minha camiseta molhando no ritmo de suas lágrimas.
Virei-me para ficar de frente para ela e a abracei com força, não existe amor maior no mundo do que o meu por essa coisinha bipolar e linda.
- Tudo bem... Tudo bem.
- Tem mais uma coisa que me incomoda- Rovena recomeçou (AiDeuses!)- Minha mãe morreu, minha mãe mortal.
Fiquei sem palavras.
- Ah Darling...
Ficamos um tempo assim, abraçados e ambos chorando um pouco.
- Ela está no Elísio, está bem- Falei pra ela sussurrando.
- Eu sei, mas ainda assim...
- Eu sei, mas se acalme Darling, um dia chega o momento de todos nós, é a lei da vida.
- Eu sei.
- Eu te amo Darling.
- Também te amo Jace.
Ficamos um tempo sem palavras, apenas aproveitando o calor do abraço até que Rovena desfez o momento secando as lágrimas e me puxando para fora da varanda.
- Aonde vamos?- Perguntei já sabendo a resposta.
- Pro nosso quarto, claro- Ela me respondeu rindo.
- Pro nosso quarto, claro... – Repeti suas palavras sem acreditar em como mulheres podem ser tão bipolares e imprevisíveis.
Se bem que, depois de uma DR, tudo tende a ficar bem.
Está bem, quase tudo.
Exceto se, quando você chegar ao quarto, sua amiga de infância que vivia chapada estiver deitada dormindo agarrada no seu travesseiro com uma camisola fininha vermelha.
Ai nem tudo fica bem.
Ai você tem que fazer uma opção.
E as vezes ela é fácil, outras nem tanto.
Fale com o autor