Notas iniciais
Olá pessoas, então eu estou tão desanimada que nem dá vontade de postar aqui mais, né. Só três das minhas leitoras habituais comentam e isso é o que? A história está tão ruim assim? O que aconteceu? Me digam porque eu não sei.

[Arianna]

Mal saímos do salão principal do Olimpo e dei de cara com uma enorme biga vermelha e preta, toda resplandecente e incrível, só poderia ser presente de meu pai. Entrei na biga e reparei num pacote todo preto com uma fita preta brilhante, meu nome estava escrito em cima com um bilhete e eu abri o bilhete para lê-lo.

“Arianna,

Esta biga os guiará até Roma, lá você é quem vai ter que liderar a missão, espero que se saia bem, traga minha adaga e me orgulhe. Ares.

Aliás, não abra este pacote até encontrar a fortaleza, é sério. Não seja como Pandora.”

– Vamos garotos, temos uma adaga para encontrar.

Subia na biga e coloquei minha bandana, uma missão para Ares é sempre é uma missão especial. Por um tempo senti medo de não corresponder a expectativa e não pegar a adaga de volta e reparei que por uns momentos minha cabeça não se concentrou em Afrodite e seus probleminhas.

Dei o comando para os dois Pégasos começarem a andar e senti a brisa em meu rosto, estávamos voando para Roma, a Nova Roma. Depois do que me pareceu um longo tempo me senti cansada de ficar em pé e segurar as rédeas, pois os dois garotos estavam sentados no chão, apenas relaxando enquanto eu fazia todo o trabalho duro.

– Algum de vocês pode comandar um pouco agora? Estou cansada- Falei para os dois que imediatamente se levantaram e falaram ao mesmo tempo:

–Claro!

Eles se olharam com uma cara de raiva, um querendo atirar o outro da biga, provavelmente.

– Decidam logo, quero descansar um pouco antes de enfrentar Deuses e monstros.

–Ótimo- Jer falou e tirou uma dracma do bolso- Cara ou coroa?

– Coroa- Tony disse.

Jer girou a dracma no ar e pegou de volta, colocou na mão e estendeu pra frente, para que Tony visse.

Coroa.

Sem mais nenhuma palavra Jer guardou a dracma no bolso e se sentou novamente enquanto Tony pegava as rédeas e ficava no comando durante um tempo, estávamos próximos da Nova Roma, eu sabia, mas ainda assim, descansar era uma dádiva pela qual eu não fazia uso a um bom tempo.

Sentei onde antes estava Tony e fiquei olhando para Jer que estava com o olhar distante, fitando o céu claro. Reparei que estávamos indo mais rápidos, pois Tony havia chamado os ventos para nos ajudar.

– O que foi Jer?- Perguntei depois de um curto tempo.

Ele só se limitou a me olhar e fazer sinal em direção ao ouvido e depois a Tony. Assenti com a cabeça, entendendo que ele não queria que Tony ouvisse.

Então tudo ficou muito quieto até a Nova Roma. Acabei cochilando durante um tempo, mas logo despertei quando aterrissamos em terra firme num baque que me fez quase cair para fora da biga.

– Que droga! Nem sabe conduzir uma biga direito?- Reclamei para Tony que fez uma careta e desceu, se alongando.

Peguei a caixa com o misterioso presente e desci também, Jer veio logo atrás de mim e guardei Lumus na cintura, para que eu pudesse pegá-la com rapidez caso fosse necessário. Não tínhamos um plano, mas como em toda boa excursão eu pretendia começar pelo Coliseu.

– Vamos para onde?- Tony perguntou.

– Coliseu, é claro- Falei tomando a dianteira e indo em direção ao que me parecia ser a cidade.

– Ah é óbvio, a adaga vai estar caída no chão apenas esperando para você pegá-la- Tony ironizou.

Virei para ele lívida de raiva, odeio ironias.

– Nunca mais ironize uma ordem minha, ou você pode perder o direito de andar por muito tempo.

Virei-me e marchei em ritmo rápido até a cidade, apenas ouvi Tony rindo ao longe, ainda me tirando do sério.

Em pouco tempo encontrei a Nova Roma, movimentada e moderna. Alguns Lares (espíritos romanos) vagavam por ali, alheios aos mortais que não os viam. Continuei caminhando até que encontrei uma placa com um mapa para turistas, muito conveniente. Procurei pelo Coliseu e o achei marcado com um círculo vermelho, analisei onde estávamos e calculei que estávamos a oito quarteirões do Coliseu, esperei até avistar Jer e Tony e continuei em frente, durante todo o trajeto nenhum dos dois me acompanhou e eu não me importei em me manter em vista, se eles não me queriam perto, eu não facilitaria nada para eles.

Quando finalmente encontrei o que fora um dia uma imponente construção, não pude deixar de soltar um suspiro de alívio e entrei pela entrada lateral destinada a turistas.

O Coliseu se encontrava em total ruína e eu me sentia triste por aquele símbolo do “pão e circo” dos tempos Medievais estar impotente nos tempos modernos. Não havia muito turistas ali e vasculhei cada centímetro com os olhos, esperando ver alguma coisa, qualquer coisa, mas depois de uma hora sem o mínimo sucesso foi que reparei que aquilo havia sido uma ideia estúpida. Mas era a única que eu tinha.

Sai pelo mesmo portal que entrei e encontrei Tony ali fora, sozinho.

– Onde está o Jer?- Perguntei.

– Foi lá dentro, você está ai há séculos! Estou com calor e sede- Tony reclamou levantando a camisa e mostrando um tórax bem delineado e bronzeado... Tudo que uma garota poderia querer. Arianna chega!

– Vou buscar ele- Falei bruscamente e voltando para dentro do Coliseu.

– Como sempre...

Se Tony não estivesse suado, ele poderia parecer um acompanhante de luxo, mostrando a barriga delineada e com todo o ar arrogante na porta do Coliseu, apenas esperando que uma solteirona abrisse a carteira para cair na noite com ele.

– Arin! Vamos, Tony está me enchendo por sua causa- Jer me tirou de meus devaneios e quase o dei um chute no ímpeto semideus de proteção.

– Droga Jer, você me assustou!

– Desculpe, então vamos?

–Claro.

Seguimos para fora do Coliseu e encontrei Tony com uma garota loira, de olhos azuis e com curvas de causar inveja a qualquer garota, era do tipo patricinha cheia de dinheiro e gostosa, o pior tipo de garota que pode existir. Tony estava com acariciando o cabelo da loira e ela sorria maliciosamente para ele, que retribuía com beijos no pescoço. O acompanhante de luxo entrando em ação.

Entreguei minha caixa com o presente de meu pai e sai em disparada para cima dos dois ridículos.

– Vish- Jer exclamou saindo de perto de mim, claramente vendo o perigo.

Saquei Lumus e coloquei no pescoço da garota, sem a menor piedade. Tony pego de surpresa deu uns passos para trás, mas a garota estava imóvel de medo.

– Nunca mais se encoste a ele está entendendo? Eu posso fazer essa carinha linda virar uma massa de carne desfigurada e acho que você não quer isso, agora tira essa sua bunda empinada daqui e vai ciscar em outro lugar, sua vaca estúpida- Olhei para a garota que alternava o olhar entre mim e Tony, que estava logo atrás.

– Agora corra, antes que eu vá atrás de você e faça o que eu disse.

Nem tive tempo de tirar Lumus do pescoço da garota que ela corria loucamente, perdendo um sapato no processo e nem se importando. Menos uma patricinha metida a gostosa no mundo.

– Obrigado por me proteger, docinho- Tony falou assim que passei por ele, batendo nele de propósito.

Peguei a caixa com Jer e ele me olhava, estupefato.

– Muito esclarecedor- Jer disse.

– Por favor, não me faça ficar brava com você também- Falei e ele se calou.

Dessa vez ninguém perguntou onde eu estava indo e os dois me seguiram, calados. Minha raiva fervia dentro de mim e eu queria quebrar qualquer coisa, mas concentrei minha raiva para o futuro, para uma luta que valesse a pena.

Então encontramos um mercado cheio de vendedores em barracas, vendendo tudo o quanto é tipo de coisa, desde artesanato local até as mais variadas comidas, mas o que chamou minha atenção foi um vendedor particularmente grande, maior que a maioria dos que ali estavam, algo me dizia que ali acontecia algo errado e decidi ir até lá e ver o que estava acontecendo.

– Olhe- Apontei para Jer na direção do vendedor e ele pareceu entender, pois seguiu ao meu lado até lá.

– Olá!- O homem disse sorrindo e de repente ficou sério- Semideuses!

– Sim- Falei pegando Lumus ao mesmo tempo em que Jer sacava sua adaga sem que o homem percebesse.

– O que querem?- Ele falou com arrogância, como se não nos quisesse ali- Vieram me vender algo valioso?

– Não... – De repente tive uma ideia- Vim procurar algo para meu pai, Ares, senhor da guerra. Ele que uma adaga muito valiosa de volta e ela está por aqui.

– Ah... – O vendedor puxou algo de seu manto e me mostrou nada menos que adaga de meu pai, ainda estava gloriosa- Acho que pode ser esta, um belo item e muito mortal para uma adaga, porém ela está sobre meu domínio agora.

O vendedor guardou a adaga de volta na capa e me fitou, esperando uma reação, mas meu cérebro trabalhava numa forma de pegar a adaga, porém estávamos em um mercado cheio de pessoas e o matar ali mesmo não seria muito inteligente de minha parte.

– Não estão me reconhecendo?- Ele perguntou olhando para nossas costas e reparei que Tony havia se postado ao meu lado.

– Caco, um gigante pequeno que vivia no Monte Capitolino, aqui onde Roma foi fundada, um ladrão famoso, roubou o gado de Apolo uma vez- Tony disse e então pareceu que a névoa saiu de meus olhos e reparei que aquele cara tinha uns três metros e que ele vendia muito mais do que artigos comuns, afinal.

– Finalmente um semideus informado- Ele bufou.

– O que quer pela adaga?- Jer perguntou.

– Vejamos...

– Não! A adaga é de meu pai e você deve devolvê-la ao Deus da Guerra!- Gritei e algumas pessoas viraram para nos olhar, curiosos.

– Eu já disse garota, agora ela é minha e eu pretendo cobrar caro por ela!- Ele riu e perdi o controle, pulei no balcão e saquei Lumus para um golpe que poderia arrancar a cabeça dele, porém dele me jogou longe com seu enorme braço, me fazendo cair e bater as costas na barraca da frente, assustando muitas pessoas.

Jer correu até mim enquanto Tony o observava com calma, como se eu não tivesse sido arremessada longe com apenas um golpe. Jer pegou Lumus e colocou na cintura, me ajudou a levantar e quis me apoiar, mas eu estava bem.

– Estou bem Jer.

– Mas você acabou de ralar as costas e pode ter quebrado algo...

– Já disse que estou bem!- Falei e fui em direção a Caco que me esperava para uma negociação.

– Então o que vai querer?- Falei com um gosto ruim na boca, cuspi no chão e reparei que era sangue.

– Uma cornucópia- Caco disse, como se fosse um brinquedinho que ele desejava muito.

– Como?- Jer falou.

– Uma cornucópia, vocês sabem, um chifre de um Minotauro. E vocês estão com sorte, pois tem um vilarejo aqui perto que está sendo amaldiçoado pelo Touro Sanguinário. Fica cerca de dois km, o povo acredita nos Deuses e ficarão gratos pelo Touro morto e eu pela Cornucópia e vocês pela adaga, todos saem ganhando, aceitam?

– Aceito, estarei de volta no amanhecer de amanhã, esteja com minha adaga- Falei e dei as costas a Caco, tentei ao mínimo mancar de dor e fui em direção a uns carros que podiam ser alugados, de jeito nenhum eu caminharia dois km e a biga seria vista voando baixa.

Coloquei duas dracmas no balcão e comecei a inventar uma língua para o atendente, ele achando que eu era uma turista de longe, sorriu e me deu uma chave, me mostrou o número 6 da chave e me apontou o carro, sorri e fui até lá, entrei e esperei que Jer e Tony viessem junto e depois de uns minutos estávamos prontos para enfrentar um Minotauro.

– Lá vamos nós.

Notas finais
Vou nem pedir Reviews, até o próximo.