Notas iniciais
Este é apenas na visão do Jer, espero que curtam.

4º dia

[Jeremias]

Provavelmente já havia passado da meia noite, pois estava muito escuro e o barulho da natureza estava muito alto, dando um aspecto sombrio a floresta, mas eu não tinha mais tempo a perder e parti mata a dentro.

Não era difícil seguir o rastro de Anthony, afinal ele tinha deixado uma grande sombra de destruição, árvores tortas, grama dividida ao meio pela força do vento...

– Jeremias?

Parei.

– Pegue o icor, se não, não irá vencer.

– Afrodite?

– Cale a boca! Anthony está perto!

Virei e vi a deusa oculta pelas sombras, mas visivelmente linda, como sempre.

– Que icor?

– O meu! Anthony tem um frasco com icor e ele pode usar ele contra mim, você se assustaria em como podemos fazer várias coisas com icor!

– Como isso aconteceu?

– Não importa. Apenas pegue-o.

– Tudo bem.

– Ah e mate-o, essa é a única maneira.

A Deusa assumiu sua verdadeira forma e desviei os olhos, morrer carbonizado depois de tudo não era uma opção. Fiquei olhando ao redor, esperando algo mais, mas só o silêncio da floresta me fazia companhia.

Mate-o, essa é a única maneira.

As palavras martelavam em minha cabeça, se fixando e ficando cada vez mais pesadas, e antes que eu me desse conta sai da floresta e visualizei o condado a minha frente, olhei para a esquerda e lá estava Anthony, dormindo.

Mate-o, essa é a única maneira.

Fui até lá e parei na frente dele, nem em sonho Anthony descobriria que eu estava na frente dele, com ímpetos assassinos.

O filho de Hermes que há dentro de mim despertou e a frase da Deusa me deixou por uns momentos, peguei a arma pelo cabo e a puxei lentamente, Anthony não reparou. Suspirei aliviado. Então comecei a pensar onde estaria o icor, mas sem a armadura e com a cota de malha toda cortada de um lado era fácil de saber, ao lado do corpo, pressionado contra um chão um saquinho marrom estava pendurado.

Peguei uma adaga e cortei o saquinho, o abri e ali estava de fato o icor.

Mate-o, essa é a única maneira.

Levantei a espada, essa era a última missão, a última barreira para ficar com Arin.

Então minha espada brilhou, ofuscando minha visão, antes que Anthony pudesse notar o brilho coloquei a espada contra meu corpo e me afastei para dentro da floresta. Olhei assustado para a lâmina e reparei que na haste havia um desenho que não estivera ali segundos antes, uma Flor de Lótus, símbolo do chalé 11 e de nossas festas. Lembrei então do que meu pai havia me dito em sonho uma vez, de que chegado em certa escolha ele me enviaria um presente, que poderia ser uma maldição. Uma espada com uma Flor de Lótus que quando cravada no adversário o envenenaria e ao invés da morte o transformaria em uma Flor de Lótus.

Fiquei um pouco trêmulo, carga emocional pesada demais para um filho de Hermes.

Mas minha escolha já estava pronta e junto com os primeiros raios de sol voltei para perto de Anthony, agora, uma escolha estava feita e meu caminho na encruzilhada estava muito nítido, afinal, há coisas piores do que a morte.

Anthony ainda dormia, mas agora sem arma e sem o icor.

Icor.

Icor!

Era isso! Ele seria minha salvação.

Dei um chute na perna de Anthony que gemeu de dor, mas logo pulou de susto e me olhou surpreso, ele não me esperava ali.

– Jeremias!

– Anthony...

– Como chegou aqui?- Ele tateou em busca da espada- E cadê minha espada?

– Eu não sei, a recém cheguei.

– Pare de mentir! Me entregue minha espada e lutaremos como homens!

– Acho que não- Virei as costas e comecei a caminhar para o condado, mas Anthony lançou uma rajada de vento contra mim, corri para o lado e me salvei do vento nada amigável.

– Mas o que...

– Sou filho de Hermes, corro melhor que você- Pisquei para Anthony e corri na direção dele, espada em punho e ataque decido.

Cortei o ar com a espada num floreio que desequilibrou Anthony, ele nunca me vira tão bom com espadas assim, mas logo se recuperou e voou para o outro lado, se esquivando por pouco de um corte lateral.

– Me dê minha espada!- Anthony esbravejou e o ar ficou carregado de estática.

– Ache suas próprias armas- Respondi e corri novamente contra ele, mas antes que eu pudesse chegar muito perto ele me deu uma descarga elétrica forte o bastante para me deixar zonzo e com cheiro de queimado.

Minha espada voou um pouco para longe, mas esse não era o único truque dele.

Anthony jogou o vento contra mim, senti cortes ao longo do corpo pela velocidade dele, como se fossem cacos de vidro e cai perto da espada, puxei-a contra mim e segurei a dor no fundo de minha mente. Dor é psicológico dissera Rovena uma vez.

Levantei com grande esforço e minha espada pendia ao meu lado, frouxa.

– Me dê o cinto e vamos parar logo com isso, não quero matar você.

Sacudi a cabeça num “não” e Anthony veio com tudo para cima de mim, como um touro.

Ergui a espada e ela cravou em Anthony, na lateral esquerda. Não saiu sangue, ele apenas olhou para mim e ele começou a ser tingido de verde, como se o veneno corresse pelo corpo.

– Mas eu tenho que matar você.

Anthony caiu no chão, o vento não o respondia mais.

Notas finais
AAH NÃO ME MATEM! Mas aconteceu. Até breve.
flw
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