Pompeia
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Espero que tenham uma leitura prazerosa, até as notas finais.
Cinnabar Island, 1999

A ilha de Cinnabar era parada de muitos treinadores que pretendiam competir na liga Pokémon de Kanto-Johto, pois lá era aonde ficava o ginásio de Blaine, um mestre das charadas e advinhas e também um renomado cientista.
Cinnabar era considerada uma Meca para diversos cientistas do mundo que vinham até a ilha onde haviam criado diversas mecânicas como as de ressuscitar fósseis de Pokémon antigos, tecnologia a qual foi melhorada em nações distantes como Hoenn, Sinnoh, Unova e Kalos.
A ilha no extremo sul de Kanto era um paraíso tropical, muitos turistas passavam as férias na ilha e aproveitavam tudo que ela podia oferecer, entre esses muitos turistas havia a família imperial de Kanto-Johto que uma ou duas vezes ao ano vinham passar o verão em sua mansão de veraneio.
Mas havia algo de estranho no ar, um desastre se anunciava e tudo começou com os tremores naquela tarde. Os tremores começaram fracos, mas a medida que o tempo passava ficavam mais fortes até que o impensável aconteceu, um som ensurdecedor percorreu por toda a ilha e aonde era o ginásio uma enorme rachadura no chão vomitava um líquido vermelho alaranjado ardente, era lava.
Os habitantes de Cinnabar correram as pressas para as docas da ilha tentando fugir do desastre eminente. O pânico cercava a ilha, seus habitantes gritavam e corriam desesperados salvando o que pudiam enquanto rios de lava desciam pelas ruas e pedras voavam como projéteis enviados dos reinos do Senhor Distorcido¹.
O colégio Nishigawa e o templo de Moltres foram os primeiros alvos do líquido fervente que escoava do cone que se formava da rachadura do que outrora era o ginásio de Cinnabar Island.
Em menos de duas horas, metade da ilha estava mergulhada em rocha líquida e escarlate que aos poucos se solidificava e enegrecia. A evacuação não havia sido bem sucedida, já que muitas pessoas não conseguiram escapar a tempo do fluxo vulcânico. O desastre de Cinnabar havia feito tantas rochas serem lançadas como projéteis que algumas pararam nas praias de Fuchsia e nas ilhas Seafoam a leste de Cinnabar.
Após seis horas, a ilha com boa parte da população evacuada e em navios já não era a velha Cinnabar de antes. A lava ainda escorria entre alguns canais na rocha basáltica que aos poucos se endurecia, a praia de Cinnabar brilhava vítrea por conta das fibras de cabelo de Pelé que voavam com a brisa junto das cinzas restantes.
A grande nação de Kanto-Johto naquele dia lamentou por Cinnabar, a primeira ministra de Kanto e o primeiro ministro de Johto lamentaram pela ilha em rede nacional e que ajudará os desabrigados da ilha. Nas semanas seguintes ao acontecido, o imperador Hideyoshi, os primeiros ministros e suas respectivas famílias foram à antiga ilha de Cinnabar pagar seus respeitos pelos que morreram.
Meses passaram-se o acontecido na ilha não era mais a notícia do momento nas mídias. O assunto havia calado um pouco na boca do povo. As pessoas de Cinnabar haviam se mudado para Fuchsia, Saffron, dentre outras cidades de Kanto e um centro havia sido construído para que os viajantes pudessem descansar antes de irem para Seafoam Island onde era o ginásio provisório de Blaine.
As praias da ilha não possuíam mais as formações vítreas das fibras de cabelo de Pelé², apenas a areia branca e quente pela qual um rapaz vestindo uma jaqueta de couro preta e jeans em um tom de marrom claro andava acompanhado de um Arcanine.
O rapaz sentou-se numa pedra e olhou para o cone vulcânico acima de onde saía fumaça e lembrava-se da montanha prateada e coberta por neve na qual o amigo escalou há 3 anos e lá ficou treinando para ser um dos mais fortes.
— Red, quando você vai descer de Mt. Silver? — indagou olhando para o cone vulcânico de Cinnabar. — Não importa o quanto eu insista você não vai descer, nem o vovô, a Leaf ou sua própria mãe te convenceram a descer daquele inferno gélido.
Lágrimas escorreram pelo rosto do rapaz e Arcanine vendo a situação em que seu dono se encontrava esfregou-se no seu dono e lambeu seu rosto na tentativa de animá-lo.
— Por mais que eu tente, ele nunca vai descer não é Arcky? — disse coçando atrás da orelha do cão tigrado. — Ele ficou lá tanto tempo que perdeu até a voz, ele não vê que todo aquele treinamento é prejudicial para ele, mas ele não irá parar até que algum treinador forte seja páreo a ele — ele soltou um suspiro. — Sinto falta daqueles olhos vermelhos, sabe. Aquele ardor que vinha dele como a lava deste vulcão que reduziu uma Meca cientifica a uma Pompeia devastada, agora apenas vejo brasas de uma fogueira que tenta manter-se acesa em meio a uma ventania de inverno.
Arcanine olhou para o dono que segurava as lágrimas e deitou-se de barriga para cima pedindo por um leve carinho na barriga, para ver se o que seu treinador sentia pararia com aquela demonstração de afeto e amor.
— Melhor eu parar de pensar nisso, não é Arcky? — perguntou Blue ao cão mesmo sabendo que este não iria respondê-lo. — Vamos descansar um pouco, ainda temos muito treino no ginásio hoje, creio que desafiantes fortes estão por vir.
Notas finais
1 - Senhor Distorcido: Um jeito de se referir a Giratina.
2 - Cabelo de Pelé: Formação de fibras de vidro formada pela reação do magma na areia, é comum nas ilhas havaianas e serviu de inspiração para Diglett e sua evolução Dugtrio em suas formas alolanas
Curiosidades:
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