Polígono amoroso
13 A Liga dos Cabeça-vermelha
Notas iniciais
#Amanda
Depois da saída de Rodrigo eu terminei de tirar minha roupa e fiquei deitada na cama esperando seu retorno. Após uns dez minutos esperando, me levantei e fiquei caminhando pelo quarto. Era um dormitório bem grande, com uma cama de casal, uma mesa média com quatro cadeiras e um pequeno banheiro com azulejos brancos impecáveis, uma pia grande e um vaso sanitário, ambos colocados lado a lado na entrada, pouco antes de um boxe de acrílico com armação de alumínio.
Decidi tomar um banho enquanto meu irmão não voltava. Deixei a porta do banheiro aberta, sabendo que o único que entraria ali era Rodrigo. Entrei no boxe e fechei a porta de acrílico.
–Ah, que delícia! – exclamei quando a água do chuveiro caiu por cima de mim.
Fechei os olhos e fiquei ali, sentindo o calor da água limpar meu corpo e me acalmar. Após uns dez minutos ouvi uma batida na porta do quarto e presumi que Rodrigo chegara.
–Demorou, hein. – gritei, ainda no chuveiro – Quer tomar banho comigo?
Não houve resposta, apenas passos pesados em minha direção. Fiquei preocupada. A porta do banheiro foi fechada e os passos pararam.
–Rodrigo? – chamei, sem sair do lugar.
Novamente não houve resposta. Cuidadosamente pousei a mão esquerda sobre meus seios, tapando-os, e abri o boxe com a direita.
–Está tudo bem Rodrigo? – perguntei enquanto abria.
Gritei. Não era meu irmão ali, mas sim um cara ruivo, alto e musculoso. Ele saltou sobre mim e arrebentou a porta de acrílico. Era um homem estranho, aparentava ter uns vinte e poucos anos. Ele agarrou meus braços, me virou e os torceu para trás, me imobilizando.
–O que você quer? – gritei – Me solta!
Ele não respondeu. Abriu sua calça e tirou seu pau para fora. Estremeci ao pensar no que ele iria fazer. Comecei a me debater e ele bateu com minha cabeça na parede. Lembro de sentir algo grande sendo enfiado em meu cu antes de apagar.
#Rodrigo
Eu estava chocado com a cena. O ruivo musculoso fodia minha irmã violentamente, e ela parecia desacordada. Ele agarrava-lhe os cabelos e enfiava o pau com toda a sua força no cu dela. O maldito batia em Amanda, com tapas e socos que produziam um baque abafado contra seus ossos.
Agarrei uma cadeira da pequena mesa e me aproximei sorrateiramente do ruivo enquanto ele abusava de minha irmã. Parei aos pés da cama e acertei a cadeira com toda força na nuca do desgraçado. Ele gemeu e caiu sobre as costas de Amanda. Tirei-o dali e o amarrei com as cordas para escalada que eu havia posto na mochila.
–Amanda. – falei, apavorado – Acorda!
Eu a sacudia levemente. Minha irmã aos poucos foi recobrando a consciência.
–O que... – ela começou, parecia fraca – Onde...?
–Amanda! – a abracei – Me conta o que aconteceu. Aquele ruivo desgraçado estava abusando de você quando eu cheguei. O que houve mana?
Ela sentou-se na cama, sem proferir uma única palavra, e ficou me olhando, sem expressão no olhar.
–Está tudo bem? – perguntei, segurando sua cabeça.
–Dói. – ela disse apontando a nuca.
Minha pobre irmã de catorze anos. Eu estava revoltado, ela não merecia aquilo. Acariciei o topo da sua cabeça.
–O que ele fez com você Amanda?
Ela começou a chorar.
–Foi horrível. – falou, parecia só agora estar ciente do mundo ao redor – No banho. Pensei que era você que tinha chegado. Ele me agarrou e bateu com minha cabeça na parede. Depois eu apaguei.
Ela chorava muito. Eu ia me vingar daquele desgraçado. Olhei para trás e o maldito continuava dormindo.
–Amanda, você precisa voltar para o seu dormitório, é mais seguro lá. – falei – Eu vou cuidar desse desgraçado.
Ela olhou para o ruivo, parecia não o ter notado ali até agora. Amanda chorava baixinho, assustada.
–Eu não quero ficar sozinha. – ela implorou me abraçando – Estou com medo Rodrigo.
–Não precisa ficar com medo, Amanda. – falei suavemente – Eu vou acabar com esse infeliz. Só não quero que você presencie a cena.
Ela assentiu e começou a vestir suas roupas, sem parar de chorar. Fui até a mesa onde deixara minha mochila e peguei lá de dentro uma tesoura que trouxera para os trabalhos manuais. Amanda me olhou, surpresa.
–Para que é a tesoura? – ela me perguntou.
Olhei-a, pensando em como diria aquilo.
–Eu disse que ia acabar com ele.
Amanda arquejou e deixou a calça cair da sua mão.
–Por favor Rodrigo. – ela pediu – Não faça isso. Vai acabar se metendo em encrenca! Chame a direção do acampamento, mas não faça nada de que vá se arrepender depois.
Pensei por um momento. Amanda tinha razão. Eu iria acabar prejudicando-a.
–Está bem. – aceitei – Fique aqui enquanto eu chamo a diretora do acampamento.
–Não. – ela disse, com medo – Não quero ficar sozinha com esse monstro. – ela apontou para o ruivo.
Amanda tinha razão novamente. Ele poderia acordar, e deus sabe do que seria capaz.
–É verdade. Havia me esquecido disso. – falei – Vamos, venha comigo.
Ela terminou de por a roupa e saímos juntos. As pessoas pareciam estupefatas ao nos ver saindo do meu dormitório. Algumas sussurravam obscenidades, outras apenas ficavam observando. Passamos pelas filas de pessoas curiosas e seguimos em direção ao prédio destinado aos funcionários. A direção ficava bem ao lado.
–O que eles vão dizer sobre estarmos juntos naquele quarto? – perguntou Amanda, receosa.
–Não sei. – falei – Mas não podemos deixar um estuprador impune. – e bati na porta.
A diretora nos atendeu. Uma mulher alta, por volta de quarenta anos, cabelos castanhos acima dos ombros, uma face dura e expressão decidida, tudo acentuado pelos óculos de grau que lhe conferiam uma aparência mais formal.
–Precisamos falar com a senhora. – falei.
Ela indicou duas cadeiras na frente da mesa e sentou-se do lado oposto.
–Em que posso ajudá-los? – perguntou séria.
Amanda remexeu-se na cadeira, provavelmente ainda sentindo dor. Afastei as cenas do estupro de meus pensamentos e me concentrei na situação atual.
–Senhora diretora, aconteceu algo grave hoje. – comecei – Minha irmã Amanda estava no meu dormitório enquanto eu falava com um amigo há dois quartos dali, e quando eu voltei encontrei um homem abusando dela.
As palavras ainda me doíam. A diretora arregalou os olhos e arquejou.
–Meu deus! – ela exclamou – Para onde foi o culpado?!
Me remexi na cadeira enquanto a diretora nos olhava, pasma.
–Eu o amarrei no quarto.
–Fez muito bem, filho. – ela disse levantando-se – Vou chamar a polícia agora mesmo. – e pegou o telefone – Enquanto isso vou mandar um monitor para vigiar o estuprador. Você está bem menina? – Perguntou a Amanda.
Minha irmã assentiu e baixou o olhar.
–Quando eu cheguei ela estava desacordada. – informei – Amanda diz que ele bateu com a cabeça dela na parede.
A diretora estava com o telefone ao ouvido.
–Leve-a para a enfermaria. – ela sussurrou para mim enquanto o telefona chamava – Diga que eu mandei.
Saí com Amanda pela mão enquanto a mulher falava ao telefone com a polícia. A enfermaria ficava atrás do prédio dos funcionários.
–Vai ficar tudo bem. – falei para minha irmã quando estávamos chegando.
Entramos pela porta da frente da pequena sala. Levei um susto ao ver o enfermeiro, e Amanda reagiu de igual forma, gritando.
–Você... – exclamei para o homem.
Do outro lado de uma maca o ruivo musculoso que outrora abusara de minha irmã, agora me olhava sério vestido em um jaleco branco e com um estetoscópio pendurado no pescoço.
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