Pokémon Uma Nova Jornada

19 Capítulo 19 - O Pior Pesadelo Da Minha Vida.


Eu estava em uma sala escura não conseguia ver nada em minha frente, eu sentia que estava amarrado, mas ao mesmo tempo não sentia uma corda ou algemas presas em meu corpo, era mais como se meu corpo estivesse pesado e não como se estivesse amarrado. Eu conseguia ouvir gritos por todos os lados, era como se alguém estivesse gritando nos meus ouvidos.

“Quem está ai?”

Eu gritava, mas minha voz não saia, as palavras só surgiam em minha mente e quando eu abria a boca para solta-las elas não saiam. Era a pior sensação do mundo. Eu continuava tentando gritar em vão, os gritos continuavam, eram gritos de humanos e Pokémon sendo torturados, era muito assustador e eu não conseguia fazer nada sobre aquilo. Aos poucos uma luz fraca começou a surgir na sala, era a luz da lua entrando pela janela que eu só conseguia perceber agora que existia uma janela naquela sala, eu consegui ver um corpo em minha frente.

“Molly?!”

Novamente as palavras não saíram, ela estava com a barriga perfurada, seu corpo estava jogado ao chão em cima de uma poça de sangue, seus olhos totalmente arregalados e completamente vermelhos devido a lagrimas que escorreram antes. Por que? Por que isso tinha que acontecer com ela? Por que não comigo? Eu senti como se meu coração estivesse se partindo, eu não conseguia mais respirar, meus olhos ardiam, mas as lagrimas não escorriam. Era assustador.

Eu não conseguia parar de me culpar tudo aquilo estava acontecendo por que eu tinha sido fraco, mesmo eu não fazendo ideia do que havia acontecido e nem o porquê, mas a única coisa que eu conseguia pensar era que a culpa era minha, só podia ser minha, ela não estaria naquele estado se eu tivesse conseguido protege-la, certo? Errado, Molly era forte, seus Pokémon eram fortes, eu não precisava protege-la, mas provavelmente para me sentir melhor eu joguei a culpa em mim. Eu sou o pior.

Ao seu lado eu consegui ver seus Pokémon jogados ao chão com o mesmo destino que sua treinadora, todos estavam cortados, perfurados, desmembrados, era horrível eu não conseguia olhar então desviei meu olhar, mas a mesma coisa se repetia em minha direita porem, dessa vez era Mamoru que estava sentado encostado na parede, ele segurava seu Oshawott em seus braços, ambos haviam sido perfurados por uma lança de pedra que saia do chão, a expressão em seus rostos eram assustadoras como a de Molly, seus olhos estavam completamente vazios, sem alma, eu não conseguia mais suportar aquilo.

“Quem está ai?! Apareça de uma vez! ”

Algo se moveu, uma figura amarela se levantou do chão, era meu Pikachu, ele estava sem um dos braços, e em sua barriga existia um enorme corte, ele estava sem um dos olhos também, só existia um buraco negro em seu lugar, ele me olhava pedindo por ajuda, ele estava desesperado, ele chorava e “gritava”, ou pelo menos tentava pois não saia som de sua boca. Ele se aproximava cada vez mais de mim, suplicando por ajuda, eu não conseguia mais suportar aquilo, eu estava pronto para enlouquecer, era assustador, muito assustador.

“A culpa é sua. ”

Uma voz ecoou pela sala e Pika parou de se arrastar, aos poucos ele conseguiu ficar de pé, ele abriu a boca, e eu pude escutar “A culpa é sua. ” Novamente a sala ficou escura, e eu voltei só que dessa vez em vez de ouvir gritos eu só conseguia ouvir vozes me culpando pelo que aconteceu, eu conseguia reconhecer todas as vozes, porem existia apenas uma que eu não conseguia dizer de quem era. A luz voltou para sala, dessa vez não existia nada na sala além de mim e o presente de meu pai. “A culpa é sua por não o abrir quando precisava”. De quem era aquela voz? Minha pergunta foi respondida em seguida, o pacote abriu, e dele caiu uma pedra verde com um desenho amarelo no centro, mas ao encostar no chão ela desapareceu. O pacote ainda estava sendo desembrulhado e quando terminou uma sombra negra vazou dele e me embrulhou, era como se algo estivesse me abraçando, quando eu abri os olhos eu consegui ver um olho azul, o olho brilhava mais que tudo que eu já tinha visto em toda minha vida até aquele momento, mais em baixo dos olhos eu conseguia algo que parecia espinhos vermelhos como o sangue, mais em cima do olho eu conseguia ver uma sombra branca que se estendia por quilômetros ela parecia ser o cabelo da criatura e tampava o lugar onde deveria estar o outro olho.

“Você sabe por que isso aconteceu? ”

“Porque eu sou fraco. ”

“Isso mesmo, você foi fraco em tomar sua decisão e não conseguiu salvar quem era importante para você, e por sua causa eles encontraram um terrível destino. “

Uma sombra se estendeu da criatura e abraçou meu corpo como se quisesse esmaga-lo. Eu conseguia ouvir meus ossos quebrando, eu estava ficando sem folego e quando estava para desmaiar a sombra me soltou.

“Isso não se compara a dor que seus amigos sentiram. “

“Você ainda é fraco garoto. Você não tem o necessário para carregar o meu fardo como aquele homem fez. “

“Do que você está falando?! ”

“Você já deveria ter imaginado garoto. A sua vida não é só sua, você tem pessoas o cercando a onde quer que você vá. Pessoas que confiam e o seguem, você carrega o fardo de muitas vidas em seus ombros e ainda carrega o meu fardo. “

“ Seu fardo? Quem é você! “

“ Quando a hora chegar você saberá, agora você tem que entender o quão importante é sua vida. Devido as suas ações seus companheiros acabaram nessa situação, por você ser fraco e hesitar quando o momento mais crucial de sua vida chegou. “

Eu não consegui dizer nada, o que aquele monstro estava falando? Por que eu tinha que carregar a vida de outras pessoas? Eu nunca pedi por aquilo.

“Você não consegue nem se entender garoto. A pouco tempo atrás você não hesitaria por nada em fazer uma escolha, mas foi só uma única coisa abalar seu emocional que você desmoronou. “

“Você é mesmo um inútil, não consegue nem se proteger, como vai proteger seus amigos? Fracassado. “

A imagem de meus amigos mortos voltou novamente em minha cabeça, eu caia de joelhos. A culpa era minha, certo? Mas eu nunca pedi para cuidar da vida deles. Na verdade, eu já sabia de tudo aquilo que ele me dizia, eu só não queria aceitar, eu não queria levar a culpa pela morte deles. Meu pai uma vez me disse que se eu quisesse ser um grande treinador como ele eu tinha que aprender a apreciar e cuidar da vida, ele sempre dizia que não importa qual dificuldade aparecesse eu conseguiria dar um jeito, pois para tudo se dá um jeito, essa era sua filosofia de vida.

“Parece que você se lembrou de algo interessante garoto. “

A sombra que me envolvia de repente desapareceu, eu agora estava em um campo de flores que se estendia por quilômetros, eu sabia que lugar era aquele eu já o havia visitado com meu pai, mas qual era o motivo mesmo para estarmos lá?

“Pai! “

“Calvin não corra, você vai acabar... “

Eu ouvi um barulho e me virei rapidamente, duas pessoas estavam em minha frente agora, um era um adulto com longos cabelos negros e barba de mesma cor, suas roupas eram simples, uma blusa branca e uma bermuda vermelha, e mais na frente uma criança jogada no chão, com um macacão jeans e uma blusa preta por baixo. Aquela criança...

“Calvin eu disse para não correr. ”

O homem levantou a criança e a segurou em seus braços enquanto a fazia parar de chorar. Aquela criança, era eu e aquele era meu pai, como isso era possível?

“Pronto Calvin, papai está aqui não precisa chorar. “

A criança foi parando de chorar aos poucos.

“Viu? Nem está mais doendo certo? “

Ele fez que sim com a cabeça.

Não demorou muito para aquela imagem tranquila mudar novamente, quando eu achava que tudo estava bem uma forte rajada de ar passou por mim me obrigando a fechar os olhos e quando eu os abri novamente eu estava em um lugar diferente, eu agora estava em uma caverna, meu corpo começou a tremer, eu lembrava daquele lugar.

“CALVIN!!!”

Eu ouvi um grito desesperado, era o grito do meu pai. Meu corpo não parava de tremer, eu comecei a sentir como se algo estivesse apertando fortemente meu coração, eu cai de joelhos enquanto abraçava minha barriga, eu estava suando muito e estava difícil de respirar eu senti como se a caverna estivesse girando, eu ouvia os gritos do meu pai.

“Faz isso parar... POR FAVOR! ”

Eu fechei os olhos com medo, eu estava com medo daquele lugar. Eu abri os olhos devagar e me surpreendi com o que via, eu estava menor, eu não havia encolhido e sim havia ficado mais novo.

“Pai? Pai! ”

Não havia resposta, estava cada vez mais difícil de respirar e a cada segundo que passava eu entrava ainda mais em pânico. Alguém... por favor me salva.

Um barulho surgiu de trás de mim, eu sabia o que era aquilo eu já tinha passado por tudo aquilo, mas mesmo sabendo o que estava atrás de mim eu ainda estava tremendo de medo, eu me forcei ao máximo para virar e ver o que me esperava. A criatura para qual eu olhava era assustadora, ela era muito maior do que eu, ela era negra e azul com alguns detalhes roxos, possuía três cabeças duas dessas cabeças eram suas mãos, ela tinha asas, mas estava repousada no chão com suas duas patas a caverna era pequena demais para ela voar, eu só fui descobrir o nome daquela criatura anos depois seu nome era Hydreigon e era assustadora.

Ele rugiu ferozmente, seus olhos estavam completamente brancos ele estava em fúria e eu seria usado para descontar sua raiva se eu não fizesse nada, mas, infelizmente eu não tinha forças para levantar e a única coisa que eu podia fazer era me arrastar no chão enquanto tremia de medo, meus batimentos cardíacos estavam insanos.

Ele andava até mim lentamente parecia estar apreciando o meu desespero, ele rugiu novamente o que me fez perder o equilibro e cair no chão de vez, eu agora estava deitado e ele já estava a três passos de mim, eu chorava e chorava enquanto gritava pelo meu pai, era assustador, alguém faz isso parar.

Ele finalmente estava do meu lado e sua boca se aproximava lentamente de mim, eu via os seus dentes ensanguentados ele havia acabado de matar algo, não era apenas a boca principal que estava ensanguentada, as outras duas bocas também estavam repletas de sangue e alguns pedaços de carne, pelo menos era o que eu achava, cada vez que ele se aproximava mais o desespero aumentava não demorou muito para a boca dele já estar posicionada para me morder e de forma rápida e violenta...

— CALVIN!

Eu abri os olhos e me levantei desesperado e comecei a procurar pelo meu corpo por marcas de mordida mais não achava nada até que algo me abraçou.

— Calvin, tá tudo bem, eu estou aqui sou eu a Molly. – A voz era tranquilizadora.

— Mo-Molly...

Ela se afastou e eu pude ver seu rosto era realmente a Molly vê-la naquele momento encheu meu coração de paz, eu a abracei bruscamente.

— Você teve um pesadelo?

Eu fiz que sim com a cabeça.

— Está tudo bem, o pior já passou eu estou aqui agora com você não precisa ter medo de nada.

Eu fiquei ali abraçado com ela por mais um tempo até que finalmente conseguisse me acalmar. Eu não voltei a dormir aquela noite.

Notas finais
Se vocês gostaram comentem e compartilhem com os amigos; Se não gostaram comentem o que não gostaram para melhorarmos a historia. o/