Pokémon - Revoluções

2 Motivos para querer ser filho único Parte 1


Notas iniciais
Ok, eu me surpreendi, quando descobri que o capítulo deu 4000 palavras >~< E olha que eu ainda abreviei o final para não ficar tão cansativo! Graças a isso eu dividi ele em duas partes. Ai vocês perguntam: Por que dividir? Bem, existem pessoas que se sentem intimidadas com capítulos muito grandes, então leiam a parte um, respirem, tomem um chazinho, esperem até sábado (Acho que vou marcar essa data) e ai leiam a parte dois~ Ok? Sem mais delongas, ao capitulo~

10/05/20XX – Sexta, 7:55

May caminhou sonolenta até sua carteira no meio da sala, bem ao lado da janela, privilegiando-se com uma vista para a entrada da escola. Encarou com olhos distantes as arvores de cerejeira e desejou que a primavera chegasse logo, folhas secas e amarronzadas não eram seu padrão de beleza e ela sentia falta do tom rosado das flores desabrochando. Ela amava a primavera.

May era uma garota de 16 anos, 2º ano do ensino médio, seus hobbies eram comer e dormir, tendo também uma quedinha por cantar. Sua matéria favorita era ciências, mas apenas essa, sendo que era a única que não tinha que se remoer para passar. As exatas então? Não entendia como alguém podia SUPORTAR matemática.

Ela era uma garota bem normal e sem nada de inovador, principalmente se comprada a seu irmão-gênio de 7 anos de idade, que provavelmente sabia mais da matéria que estava estudando do que ela própria. Suspirou ao lembrar-se da palestra idiota que ele a forçara a ir e da empolgação incansável que se estendeu a semana inteira para que o tal jogo que esperava chegasse. Mesmo se procurasse fundo em sua memória, não lembrava de vê-lo estudando.

“Mas é claro que não” bufou “Na idade dele não tem nem o que estudar”. Ela estava cansada de tentar, inutilmente, tentar decorar formulas gigantes que simplesmente não faziam sentido.

O observou com o canto do olho as pessoas que passavam, procurando algo com o que se distrair. Ainda lamentava Dawn ter ficado em uma sala diferente da sua, não havia ninguém com quem ela conversasse no 2º B.

– Chegou no horário hoje? Isso não é muito usual. – Ele DEFINITIVAMENTE não contava.

Seus olhos se voltaram para o garoto de olhos esmeralda que a encarava com deboche. Seus cabelos loiros estavam, como sempre, perfeitamente penteados, seu uniforme mantinha-se perfeitamente passado e alinhado, com dois botões desabotoados.

Encarou Drew com ódio.

– Se chego na hora ou não, não lhe interessa.

– Ah, realmente, não me é de interesse algum. – O sorriso dele aumentou, sarcástico. – Só estava fazendo um comentário.

As garotas ao redor deram um suspiro. May não entendia como ele era tão popular. Ele podia ser bonito – quem era ela para negar – mas aquela personalidade distorcida o devia afastar de qualquer interesse por parte de garotas com consciência sã.

– Não dá pra ir para qualquer outro lugar? – Ela forcou-se a manter o olhar na piscina de esmeraldas que eram os olhos dele, tentando parecer firme

– Sentar logo do seu lado me incomoda tanto quanto incomoda você. – Ele depositou a mochila na mesa, fazendo uma expressão de desgosto. Ela deu um pequeno rugido, agradecendo pela primeira vez ao professor de química quando este caminhou para dentro da sala de aula, impedindo Drew de falar mais alguma coisa.

Drew era outro dos motivos de ela ainda não ter conseguido fazer nenhuma amizade. Ele era bom tanto nos esportes quanto nos acadêmicos e tinha muitos admiradores – principalmente entre o lado feminino da turma – e por algum motivo havia cismado com ela desde o dia em que a vira, causando uma hesitação nas meninas da sala a terem qualquer tipo de contato com May. Drew era um aluno exemplar na frente dos professores, mas as brigas dos dois já o haviam levado diversas vezes para a diretoria, criando uma ideia nada agradável de uma garota irresponsável que acabava levando o garoto perfeito para o mal caminho. O professor gagá de história havia ficado no mínimo maluco ao botar os dois sentando um ao lado do outro.

May voltou a encarar a janela, dessa vez focando-se em seu reflexo tênue no vidro. Em aparência ela também não tinha nada de especial. Seus cabelos eram castanhos claros, lisos, batendo na altura do ombro e o nariz arrebitado. Não tinha muitos atrativos, o que fazia-lhe parecer mais nova do que realmente era. Talvez seu único ponto especial fosse seus olhos azuis piscina, a única parte de seu corpo que não ousaria trocar. Agradeceu a sua mãe por ter esse ponto na genética da família, coisa que nem Max havia herdado.

Sua barriga roncou e ela desejou não ter diminuído a quantidade do seu café da manhã. Dawn e suas manias de dietas idiotas. A aula mal havia começado e ela já torcia para acabar. Com um suspiro, olhou para o quadro, deixando que sua mente vagasse para um lugar muito mais distante que formulas de química.

***

11/05/20XX – Sábado, 14:12

Era sábado, o único dia sagrado para qualquer pessoa do mundo inteiro. Nada de acordar cedo, nada de dietas, nada de se remoer com o sorriso de superioridade de um certo garoto de olhos verdes por ter tirado total em outra atividade besta. Era apenas ela, o sofá, um pacote grande de salgadinhos e seu programa de comédia preferido.

– CHEGOU!! – Ela ouviu o grito abafado se aproximando a medida que a mesma palavra ia sendo repetida de novo e de novo e no mesmo momento soube que teria de dizer adeus a seu sábado perfeito.

Max adentrou a sala correndo, um pacote nas mãos. May tentou ignora-lo, mas era obvio que ele queria plateia no momento ‘épico’ de abrir seu jogo dos sonhos, e sendo que seus pais não se encontravam em casa, restava a ela a ‘honra’. Xingou sua mae mentalmente por ter se esquecido de fazer o super mercado na sexta e ter arrastado o pai para carregar as sacolas.

– May, olha!! Não é incrível?!

– Nossa Max, uma caixa de papelão... Êêh... – Ela murmurou sarcástica, torcendo para que ele entendesse a mensagem e fosse embora, mas a emoção dava um curto circuito no pequeno cérebro brilhante dele.

– Não isso, idiota! – Ele abriu o pacote como uma criança em seu primeiro aniversário, revelando uma segunda caixa onde jazia imagens de um óculos verde-escuro com estampa de camuflagem, provavelmente o modelo que Max havia escolhido. O design era moderno e bem pensado, até seria bonito se não fossem umas arestas estranhas que, de acordo com a capa, deviam ser pressionadas em pontos estratégicos da cabeça para captar pulsos cerebrais. May tinha de admitir que aquilo era bem legal. Ele se mantinha preso por um elástico, que também tinha a mesma função das arestas, e tampava as orelhas de modo a se deduzir que havia um fone embutido. Realmente, uma peça de alta tecnologia. May perguntou-se quanto aquilo havia custado.

Max seguiu abrindo a segunda caixa, tirando um óculos que era uma réplica da imagem da capa e jogando um grosso manual de instruções para o sofá. Na caixa também continha um carregador e algo que parecia um conector USB.

– Adeus programa de comedia tosco! – Max pegou o cabo USB, que era absurdamente comprido, e o encaixou na entrada da TV, fazendo com que o programa de May se apagasse. Ela deu um resmungo e ameaçou bater no garoto, mas, no fundo, estava bem curiosa.

Encaixando a outra ponta do cabo no óculos e pressionando um botão, logo a TV exibiu uma tela branca onde uma esfera bicolor vermelha e branca rodava. A mensagem “Não se detecta usuário” surgiu logo em seguida.

– Funciona! – Max bradou, quase explodindo os tímpanos de May. Ele se sentou, apressando-se em tirar seus óculos colocar o novo na cabeça, levando a May rir ao ver o quão absurdamente grande o adereço ficava, o modelo obviamente tendo sido feito para pessoas maiores. O elástico sequer conseguia prendê-lo contra sua cabeça.

Houve um segundo de silêncio na sala, mas a mensagem na tela não desapareceu. Max bufou, tentando ajustar o item que não parava de cair. Após umas dez tentativas frustradas, ele retirou o adereço, emburrado, recolocando seus óculos de grau e indo em direção do grande manual de instruções, sem falar mais nada.

May pensou em provoca-lo, mas o garoto estava concentrado de mais virando as páginas de seu manual para prestar atenção. Ela tomou os óculos em mãos, analisando-o. Após perceber que não entendia nada, fez o que seu impulso mandava: Colocou-os na cabeça.

Sua visão foi ocupada por um quarto branco, sem início nem fim, onde, bem no meio, uma esfera bicolor girava. Demorou alguns segundos para ligar os pontos. Ao mesmo tempo, a imagem tênue de sua sala se misturava, de modo que ela conseguia perceber sua localização verdadeira e um Max boquiaberto olhando para a TV. Não demorou para entender o porquê.

Um painel flutuante surgiu em sua frente, magicamente.

Usuário encontrado.

Buscando Ponto de acesso.

...

Ponto de acesso encontrado, conectado à internet.

Servidor Acessado.

Username:

Password:

Um teclado virtual se materializou, ela percebeu que se tratava de uma tela de Login.

– Funcionou!! – Max gritou ao lado de May, fazendo-lhe voltar a perceber a realidade. Até por que 1 segundo depois os óculos foram arrancados de sua cabeça.

May encarou a TV, piscando.

“Não se detecta usuário”

Ela olhou em volta para conferir se estava mesmo de volta à sua sala de estar.

Max tentava ajustar os óculos a sua cabeça outra vez, mas a mensagem não desaparecia. Perguntou-se se ele via a mesma coisa que ela vira.

– Max... – May suspirou, tocando o ombro dele.

– Não... – Ele fungou, sem olhar para cima. May congelou. Era muito raro vê-lo chorar.

– Está... muito grande em você... – Ela murmurou, mas ele não respondeu. – Ei...

Um silencio nada confortável se instalou pela sala. A mente de May se iluminou em uma ideia, mas sabia que se arrependeria depois.

– Eu sei que não é a mesma coisa, mas e se eu jogar pra você? Você diz o que eu faço, olhando pela TV e vai ser como se você estivesse jogando.

Ele continuou cabisbaixo por algum tempo, fazendo o coração da irmã derreter... Só para depois queimar de fúria.

– Sério? Valeu May! – E lá estava a peste, completamente recuperada e com um sorriso travesso no rosto. May sentiu vontade de esmurra-lo ali mesmo, e o teria feito, se óculos não tivessem tampado sua visão forçadamente logo em seguida.

Rosnando em fúria, tentou ajustar o adereço, que estava posicionado de maneira erronia e lhe doía os olhos. Voltou a deparar-se com a sala branca. Sentiu vontade de tirar os óculos e dar um belo tapa na cara de Max, mas algo em seu interior a impediu. Se aquela era só a sala de login, como seria o jogo? Dava pouco para os monstros e lutas, mas seria ela capaz de conhecer um mundo novo, sem Drew, sem dietas, e repleto de magia? A ideia lhe parecia muito convidativa.

– Ta, o que eu faço agora?

Max fez uma expressão de espanto.

– Perai, sério? Você vai jogar mesmo?

– Só fala o nome de usuário de uma vez.

Ela viu a face translucida de Max se iluminar em um grande sorriso e o sentiu abraça-la. Preferiu não demonstrar novamente seu coração derretendo – ele não merecia depois daquela.

– O nome de usuário é LEGENDARYdragonSLAYER07, com dragon e slayer em caps lock.

May pensou em dar um tapa em sí mesma, torcendo que esse não fosse o nome usado em jogo, mas se surpreendeu quando antes que pudesse faze-lo, seu “personagem” se moveu e de alguma forma uma mão virtual foi até sua testa. O mais surpreendente foi que o local atingido agora ardia.

– O que...?

– Você realmente não prestou atenção na palestra ne?

– Por que ia prestar atenção em um bando de nerds amontoados, suando e falando sobre um RPG? – May bufou, cruzando os braços, o personagem na TV fez o mesmo. Max pareceu insultado.

– Por que se prestasse saberia que o óculos é conectado a suas emoções e ações, podendo transmitir até seu personagem e reproduzindo no jogo, ou ao contrário, do jogo, se reproduzindo em você.

Ela tinha de admitir que isso era bem impressionante.

– Mas pera! Se um desses monstros ai me bater... Eu vou sentir dor? – A ideia lhe passou calafrios, principalmente com as imagens da pouca coisa que havia prestado atenção na palestra rondando-lhe a cabeça.

– É claro que eles controlam isso! Não vão fazer um jogador morrer de dor num jogo ne?! O máximo que se sente é um leve incomodo.

– Mas como isso é sequer possível?! — Max ajustou os óculos para cima. Nesse instante May se arrependeu de perguntar. – Ai não! Sem explicações matemáticas! Resume!

– Todas as nossas emoções, como dor, por exemplo, são processadas pelo cérebro, de modo que o jogo só reproduziu essas informações para criar a falsa ideia de que você se machucou.

Ela concordou com a cabeça, apesar de ainda não entender completamente como aquilo era possível. Seja lá quem tivesse desenvolvido aquele sistema, era o maior gênio depois do cara que inventou os celulares touch screem.

– Agora vai! A senha é Maxthegreat7, com o M maiúsculo.

May focou-se no teclado virtual que havia reaparecido. Não foi difícil teclar nele como se fosse um computador.

Username: LEGENDARYdragonSLAYER07

Password: ************

Carregando...

Login Completado. Bem vindo.

A sala ao redor de May se transformou para um lugar que parecia uma loja. À frente dela havia duas divisões, uma com o símbolo de um menino e outra com o de uma menina.

– Agora anda pro lado esquerdo.

May bufou ao ver que a divisão esquerda era a masculina.

– Como eu ando?

– Só... Se imagina andar... Sei lá.

May não achou a resposta muito satisfatória, mas para sua surpresa era fácil movimentar seu personagem. O som de passos ecoou no ouvido da garota. Tudo era muito real.

Caminhou sem hesitação até a seção feminina. Max se indignou.

– Isso é por me enganar. Ela vai ter a aparência que eu quiser. – Viu a imagem translucida de irmão abrir a boca para falar algo, mas este logo desistiu, vendo que ela não cederia jogar como um homem.

Adentrando mais afundo na seção feminina May avistou uma mulher de cabelos escuros e olhos claros aguardando por ela. Estranhou.

– Bem vinda. – A mulher disse, aumentando o sorriso. – Estávamos esperando por você. Pronta para uma mudança de visual?

– Huh... com licença... quem é você? – May perguntou, se sentindo um pouco estranha por falar com uma imagem virtual.

– É um NPC, idiota! – Max disse ao seu lado, olhos fixos na tela de TV.

– O que?! Ela é tão real!

– Desculpe a grosseria! Meu nome é Mary, vou te ajudar a conquistar o visual que você sempre sonhou. – A NPC disse com uma leveza nada estática. May não acreditava em seus olhos. – Poderia me dizer seu nome?

Uma tela apareceu novamente. “Diga o nome que será exibido em jogo”, ela dizia. O teclado virtual reapareceu.

– Legendary Dragon Slayer! – Max gritou ao seu lado.

– Nem morta!

Nome: Haruka;

– Bem vinda Haruka! – Mary fez uma pequena saudação. – Por onde devemos começar?

– Huh... com as roupas! – May se animou. Agora sim aquilo estava ficando divertido.

Notas finais
Obrigada por ler até aqui! Espero que tenha gostado! À segunda parte~