Pokémon Magister

5 Capítulo 004


Um pequeno Sentret farejava o chão a procura de sementes de Oran Berry, suas favoritas. Mal sabia ele que estava no lugar errado, na hora errada...

– Agora, Cyndaquil! – Tony saltara de trás de uma moita, junto de seu companheiro – Brasa!

Para a alegria do jovem, as brasas acertaram o desprevenido roedor, e Tony continua:

– Investida!

Mas dessa vez o Sentret consegue se esquivar. Recompõe-se rapidamente. Aquelas poucas brasas já foram o suficiente para machucá-lo bastante.

– Não perca tempo, Tony – Diz Johan, que apenas observava a batalha – Cyndaquil já está bastante cansado, apesar de não ter danos físicos.

– Eu sei – ele dá um sorriso confiante, e neste momento Sentret levanta muita areia do chão, irritando os olhos de seu adversário.

“Droga... Ele não pode escapar!” Tony começou a ficar nervoso. Passara todo aquele resto de tarde tentando achar algum pokémon selvagem para capturar... Claro que o insano Graveler não contava. Agora Cyndaquil estava sem conseguir enxergar direito, com areia nos olhos, e o roedor tentava fugir de alguma maneira.

– Cyndaquil, vire para a sua esquerda e use brasa! – Tony ordenou, sem saber se seu parceiro conseguiria acertar o alvo.

E ele conseguiu, seu treinador vibrou de alegria. O Sentret não havia sido derrotado ainda, era um dos fortes, mas Cyndaquil teve tempo suficiente de recuperar a visão e usar mais uma investida.

– Isso aí! – Arremessou uma pokébola no indefeso roedor.

Ela girou um pouco e logo parou. Tony havia feito sua primeira captura. A primeira coisa que fez foi saudar seu companheiro fiel, e o retornar para um merecido descanso. Depois, pegou do chão a pokébola vermelha e branca, um pouco encardida por causa do impacto no solo.

– Muito bem! – Johan o parabenizou – Foi uma boa batalha.

– Obrigado... Mas o que eu queria mesmo é um Pidgey. – Tony sorriu para o amigo – Sempre quis ter um Pidgeot.

Johan entendia. Entendia porque ele mesmo queria um quando era pequeno. Sonhava em poder voar pelos campos de Mahogany nas costas do grande pássaro.

– Mas, Pidgeys tem por todo lado, e está escurecendo... – Comentou Tony.

– Era isso o que eu ia dizer. Temos que voltar à rota o quanto antes.

Sim, eles tinham saído da rota. Logo após a “batalha” contra o Graveler, Tony resolveu treinar seu Cyndaquil e capturar mais pokémons, pois percebeu que era preciso estar mais bem preparado. Claro que um Graveler não era algo comum por ali, e com muita sorte (ou muito azar) veriam outro pokémon selvagem tão poderoso naquela região. De qualquer forma, os dois concordaram em sair da rota 29 por algum tempo. Não iriam muito longe, apenas o suficiente para encontrar pokémons com mais facilidade.

Os Pidgeys e Spearows eram muito rápidos, e a partir do momento em que decolavam, ficava difícil alcançá-los. O único ataque a distância que Cyndaquil tinha era o de brasas, e que ainda assim não eram muito eficientes e rápidas. Também tinha o Hansi, que havia surpreendido a todos usando um olhar paralisante. Mas que outros ataques ele teria? Enquanto Tony procurava por um pokémon para capturar, Johan tentava entender o seu.

– Que outros ataques você tem, Hansi?

Mas o Smeargle apenas abanava a cabeça, como se dissesse que não podia mostrar.

– Hm... Uma investida você sabe, certo?

Claro que sim, esse era o ataque básico de quase todos os pokémons.

– E que tal um rugido? Ou um arranhão?

Hansi assentiu, pelo jeito sabia como esses ataques funcionavam.

Horas antes, o professor Elm fez questão de explicar um pouco sobre os Smeargles para Johan. Eles eram pokémons do tipo normal, e que podiam aprender qualquer ataque. Porém, se aprendessem ataques demais, seu potencial ficaria comprometido, uma vez que não poderia “lembrar” de todos com perfeição.

– O ideal – Disse o professor – é ter apenas alguns ataques principais. Ou ainda, como já vi alguns treinadores fazerem, treinar seu Smeargle para ter apenas ataques de um tipo! Elétrico, por exemplo.

Johan ficou um tempo pensando naquela breve explicação. Quantos ataques será que Hansi sabia? Pelo o que o treinador percebeu, ele não parecia saber nenhum ataque especial, apenas alguns mais comuns... E o olhar paralisante.

Já estava bastante escuro. Hoothoots piavam, escondidos nas copas das árvores. Ficava cada vez mais desconfortável andar naquela escuridão, que era apenas cortada pelo brilho de uma lanterna de bolso que Tony carregava.

– Hm... Meu Pokégear tá dizendo que a zona de camping é por aqui...

– Você está dizendo isso faz uma hora... – retrucou Johan – A gente devia montar as barracas...

Antes que pudesse terminar a frase, os dois avistaram pequenos pontos luminosos adiante, o que significava que era um acampamento. Johan sorriu.

– Ok, Tony, você venceu dessa vez...

Por toda Johto haviam essas chamadas zonas de camping, lugares reservados e com uma infraestrutura decente, que proporcionavam mais segurança e conforto aos treinadores pokémon que viajavam a pé. Havia um preço simbólico para poder se “hospedar” ali, e também utensílios para os desprevenidos, como barracas, sacos de dormir, fogareiros, mochilas, cantis, lanternas, e etc. à venda ou aluguel.

Geralmente havia uma zona de camping por rota. Alguns eram mais sofisticados, outros mais decadentes, mas sempre haviam. E aquele em que Johan e Norton estavam, era o da rota 29. Não estava cheio, apenas cinco barracas. Alguns treinadores, cansados de sua viagem, já tinham se retirado para suas barracas, e outros ainda papeavam em volta de uma fogueira.

– Finalmente civilização – comentou Johan enquanto tirava da mala sua barraca portátil.

Era um objeto compacto, em forma de “C”, com um botão no centro da convexidade. Johan colocou-o no chão, apertou o tal botão, e uma espécie de saco preto começou a sair de dentro do objeto, junto com armações metálicas, que lentamente tomaram a forma de uma barraca estreita e baixa, para apenas um usuário. Esse era um artigo que tinha se popularizado muito nos últimos anos, e praticamente todos os treinadores e viajantes ermitões o tinham.

– Você fala como se estivesse perdido no meio do mato há dias – Riu Tony – e hoje ainda é o primeiro dia.

– De muitos que virão... Ainda tenho que me acostumar com essa vida fora da cidade.

Mal terminaram de se alojar, um rapaz magrinho e de gorro se aproximou, simpaticamente perguntou sobre eles. Johan contou que tinham acabado de se registrar em New Bark, e o primeiro dia como treinadores já tinha sido bem intenso, mas ele não entrou em detalhes sobre o Graveler e nem sobre terem saído da rota.

– Meu nome é Alan, e pode-se dizer que sou iniciante também. Venho de Violet, e estou treinando um pouco por aqui antes de enfrentar o Falkner. Será minha primeira batalha em ginásio.

Logo eles se familiarizaram. Pra variar, Alan achou muito diferente e ousado Johan ter largado tudo para se tornar um treinador andarilho. O rapaz também contou que tinha tentado fazer o concurso para pegar seu primeiro pokémon com o professor Elm, e ficou empolgado em saber que Tony, o garoto loiro que estava diante dele, tinha passado em segundo lugar e conseguira um Cyndaquil.

– Neste caso, eu quero batalhar contra você!

– Demorou – sorriu Tony.

– Agora? – Interrompeu Johan – Já está escuro e nossos pokémons estão cansados...

– Sim, Johan, eu sei – Tony sorriu amarelo, na verdade estava tão empolgado com sua primeira batalha que nem se lembrou do dia cansativo que tivera.

– Não seja por isso – Alan pegou um frasco de dentro de sua mochila, que estava em suas costas – Use essa poção. Vamos fazer uma batalha um contra um.

Pelo jeito Alan também era do tipo apressado, e queria batalhar de qualquer jeito. Johan desistiu de tentar convencê-los do contrário, e sentou-se em um tronco deitado que servia de banco, para assistir a batalha. Tony liberou Cyndaquil, aplicou-lhe a poção e ele ficou revigorado, alegre e exultante por poder lutar pelo seu mestre.

Em menos de um minuto, os jovens que estavam conversando em volta da fogueira se aproximaram para assistir. Eram, em suma, três rapazes e duas garotas. Alan e Tony se certificaram de que estavam em uma área aberta o suficiente, para que ninguém saísse ferido e nenhuma barraca destruída.

– Estamos prontos! — Tony sorriu, um pouco nervoso, e Cyndaquil acendeu a chama em suas costas.

– Ok então... – Alan olhou bem para sua pokébola e a arremessou para o céu – Hoot, vamos lá!

No ar a pokébola se abriu, e a coruja redonda saiu de lá. Como se fosse treinada para isso, ela catou a pokébola de onde saiu e a devolveu para seu treinador.

– Muito bem. Pronta para lutar? – Hoothoot piou, feliz, e posicionou-se diante de Cyndaquil.

Por alguns segundos, um silêncio se sucedeu, enquanto o cérebro dos dois treinadores trabalhavam em alguma estratégia.

– Cyndaquil, investida! – Tony tomou a iniciativa, e seu pokémon o obedeceu, partindo rapidamente para cima do adversário.

– Não perca tempo, hoot, levante vôo e use investida também.

A ave se esquivou e em seguida atingiu seu oponente.

– Cuidado! Cyndaquil, brasa!

Antes que Alan pudesse alertar seu pokémon, este foi atingido pelo ataque de fogo.

– E investida! – Tony aproveitou a chance.

Mas, por conta de ter usado um ataque especial de fogo, a velocidade de Cyndaquil ficou um pouco reduzida nessa investida, e Hoothoot teve tempo de desviar, para o céu.

– Bicada!

A coruja partiu pra cima do desprevenido Cyndaquil, mas este conseguiu desviar.

– Cuidado, amigo!

– Não pare de atacar, Hoot!

Cyndaquil se viu sem muitas chances. Por ser ágil, conseguia desviar de todas as bicadas, mas estava ficando cansado e se Tony não arranjasse algum plano logo, o pokémon seria atingido.

– Droga... – o garoto loiro queimava neurônios tentando achar uma saída. Um ataque de brasas seria muito arriscado, pois o oponente estava muito próximo.

Então veio à mente do rapaz uma ideia.

– Cyndaquil, role por baixo da Hoothoot e agarre sua perna.

Todos estranharam aquela atitude. Mas o pokémon de fogo não questionou nem hesitou, e assim que teve a chance, rolou para baixo do oponente e agarrou sua pata escamosa. Por ser uma ave roliça, não conseguia atingi-lo com suas bicadas, e nem com suas asas. E também mal conseguia voar, pois era uma ave de pequeno porte e Cyndaquil a desequilibrava.

– O quê? – Alan se surpreendeu – Hoot, rosne e intimide esse maluco!

Mas os pios ferozes não amedrontavam o bravo Cyndaquil, pois a própria ave estava assustada com o fato de estar presa pela perna.

– Hoot, voe o mais alto que puder! – Ela se esforçou para içar a si própria e ao oponente, e foi aí que Tony entrou em cena:

– Era isso o que eu queria, pode soltar ela!

Cyndaquil soltou Hoothoot, que, por causa na cinética, se desequilibrou e voou como se tivesse sido arremessada por uma catapulta.

– Brasa! – Tony berrou, sabendo que seu esgotado pokémon não poderia mais usar muitos ataques especiais.

Mas Alan secretamente esperava por isso também, e avisou, em cima da hora, para que sua coruja desviasse. E ela o fez com sucesso.

– O que? – Tony ficou perplexo com a agilidade de Alan e Hoothoot.

Agora Cyndaquil estava exausto e a chama de suas costas estava bem baixa.

– Investida, Hoot!

– Evasiva! — Não deu tempo do pokémon escapar, e foi atingido.

A ave se posicionou em frente ao adversário novamente, que teimava em se levantar, mas Tony percebeu que já tinha sido o fim.

– Chega, Cyndaquil, não precisa se desgastar tanto – O pequeno pokémon olhou tímido para seu treinador, como se pedisse desculpa, e foi recolhido na pokébola – Você lutou muito bem.

– É verdade – Alan se aproximava e congratulava o garoto – Vocês dois lutaram muito bem. Foi a batalha mais emocionante que eu já tive até então!

De fato, foi. Mas Tony ainda tinha muito o que aprender, e Alan também. Johan, que apenas assistira a batalha, ficou abismado com a habilidade de seu colega. Ele também, como treinador, precisava treinar e batalhar com outros treinadores e líderes de ginásio. E isso teria que começar o mais cedo possível.

Este havia sido apenas o primeiro dia de sua jornada.

Notas finais
Notas de tradução:

Investida = Tackle
Rugido = Roar
Arranhão = Scratch
Bicada = Peck
Rosnar = Growl

Espero que tenham gostado!