Pokémon - Corporação Mewtwo
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Será que o homem é mesmo o ser vivo superior? Na minha opinião, engana-se quem tem uma visão antropocêntrica do ser humano e duvido que você continue mantendo a sua após chegar ao fim da leitura. Tendo em vista que um gato consegue pular de uma altura de cerca de oito metros, chegando ao chão sem se machucar, uma barata resiste a grandes explosões saindo ilesa, enquanto uma queda de meros dois metros de altura ou um simples estalinho pode causar sérios danos à saúde de um homem, te pergunto: Será que ele é mesmo o centro do universo, o mais forte e soberano dos seres vivos?
Sem dúvida nossa capacidade de raciocinar é um bom diferencial das outras criaturas terrestres, mas estas também têm suas características peculiares que compensam a ausência de uma inteligência descomunal ou de um raciocínio rápido.
Podem não raciocinar ou ter uma tendência ao progresso, nem serem criativos ou até mesmo possuírem o dom da fala, mas gerar altas correntes elétricas dentro de si, e ainda ter a capacidade de controlá-las, direcionando-as tal como queiram, assim como lançar chamas, água, ataques corporais de força descomunal, ou até mesmo controlar mentalmente outros seres vivos, são habilidades que tornam os pokémons criaturas extraordinárias, tanto quanto ou talvez mais do que nós.
Estudos arqueológicos indicam que os pokémons habitam a Terra a bem mais tempo que o ser humano, e hoje são peças vitais para nossa sobrevivência neste planeta, nos servindo como poderosas mãos-de-obra, objetos de estudo ou fontes de lucro.
Foi-se o tempo em que estas criaturas viviam livres, sem qualquer preocupação na natureza, a ambição e a falta de respeito do ser humano para com eles, levou o homem a explorá-los a tal modo que algumas espécies já chegaram a desaparecer, outras estão tendo sua existência por um fio, porém, essas criaturas ainda podem ter esperanças e respirar livres com a ajuda de alguns seres humanos descentes que lutam pela sobrevivência dos mesmos: os mestres pokémon.
Os mestres são pessoas que se dedicam a estudar e tornarem-se verdadeiros peritos no que dizem respeito a essas criaturas, eles são divididos em quatro áreas com funções distintas, são eles: os médicos, que cuidam de estudar os pokémons anatomicamente, conhecendo suas patologias e formas de curá-las; os pesquisadores, que viajam mundo a fora, observando e analisando o comportamento dos pokémons, essa classe é de suma importância, pois são eles os responsáveis por todos os livros, documentos, registros, ou seja, toda informação que temos sobre os pokémons; os criadores, que são responsáveis pela criação em cativeiro, a produção de produtos para o mercado, como lã, ovos, penas e energias alternativas e por fim os treinadores, esses são os que capturam os pokémons para treiná-los, desenvolver seus poderes, domesticá-los, deixá-los mais fortes, para assim usá-los em batalhas, competições ou para pesquisas do governo.
Os mestres trabalham todos em conjunto, um precisa do trabalho do outro para exercer o seu, afinal para um treinador entender e treinar de forma adequada seu Pokémon, ele precisa de livros e documentos que tragam informações sobre os mesmos, que foram escritos por pesquisadores, e quando seus pokémons se machucam ou ficam doentes, precisam do trabalho dos médicos, assim como os criadores também precisam de informações para cuidar de suas criações e , fundamentalmente, do auxilio da medicina para mantê-las saudáveis. E o mundo precisa do trabalho desses profissionais para manter o bom convívio entre homem e pokémon, e para conservar por mais milhões de anos a existência dessas criaturas na Terra.
Qualquer um pode vir a ser um mestre Pokémon, porém, isso requer capacitação ao exercício da função, para se obter a capacitação necessária, é preciso conquistar dois certificados, o primeiro é o CNB (Certificado de Nível Básico), oficializando que você conhece o bastante sobre pokémons, o que já lhe torna um mestre, mas não lhe torna apto a atuar como tal, o segundo se consegue formando-se na EFEM (Escola de Formação e Especialização de Mestres), lá o mestre certificado pelo CNB aprofunda-se na área que quer atuar, só depois disto ele recebe o brasão de mestre pokémon (cada área tem um brasão diferente) e está pronto para seguir sua jornada e prestar seus serviços aos pokémons.
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Sophia é uma cidade pequena, localizada no meio de uma floresta a alguns quilômetros da grande capital Kathereen. A cidade possui cerca de dois mil habitantes e é conhecida pela larga criação de mareeps e a comercialização de lã oriunda das mesmas.
Matt tem doze anos e é filho de Milena, proprietária de um dos maiores rebanhos de mareeps da cidade. Na manhã seguinte, seria divulgado o resultado do exame do CNB, que era realizado anualmente no final de outubro, ele não estava nada ansioso para o resultado do teste, não que ele não goste de pokémons, mas dedicar a vida a eles nunca fora seu sonho, mas por ser filho único, sentia a obrigação de tocar o oficio do falecido pai na criação das mareeps.
Matt estava no seu quarto revisando alguns livros após o jantar, ele já lera “Teoria Geral dos Pokémons” um milhão de vezes, então estava dando uma ultima olhada em “Teoria Evolucionista dos Pokémons” que ainda não lera direito e depois iria começar a ler “A Arte de Reproduzir Pokémons” e “O Manual do Criador”, pois o exame da EFEM acontecia sempre duas semanas depois que o resultado do CNB era divulgado, o CNB servia apenas para certificar que você estava apto para cuidar de algum pokémon, mas isso de forma doméstica, nada profissional, ou como primeira fase de seleção para cursar um dos quatro cursos da EFEM, então bastava fazer um bom teste que se conseguia o certificado, mas a EFEM era diferente, a escola abria uma nova turma anualmente para cada curso e cada turma tinha um total limitado de vagas, levando em consideração que a escola, que ficava em Kathereen, era a única do país, presumia-se que essas vagas eram muito concorridas. Mesmo assim, Matt estava determinado, ser aprovado para o curso de Criação e Reprodução de Pokémons, era uma questão de honra, era o mínimo que podia se esperar do filho do maior criador que a cidade de Sophia já viu.
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Na manhã seguinte Matt acordou cedo, demorou a sair do quarto, estava se sentindo estranhamente abatido, àquela hora o resultado do CNB já deveria ter sido divulgado em todos os noticiários da cidade e ao pensar nisso, pela primeira vez ele sentiu um leve desconforto no estomago, seria ansiedade?
Trocou de roupa e desceu as escadas que levava até a sala de sua casa, se é que aquilo era realmente a sala da sua casa, pois estava irreconhecível. Sua mãe cobrira as paredes com faixas de congratulações, tudo estava decorado com bexigas, fitas coloridas e ela própria estava usando uma roupa colorida e um chapéu engraçado tão enfeitados que era difícil distingui-la entre os enfeites, enquanto segurava um bolo confeitado onde havia escrito “Parabéns ao meu mestre”.
— Parabéeeeeeeeens! – Berrou Milena.
— Mãe, o que é isso?
— Isso é uma festa para parabenizar o primeiro colocado entre os dez garotos de Sophia aprovados no CNB.
Bom, por essa notícia Matt realmente não esperava, já não estava tão confiante assim que iria ao menos ser aprovado, mas não só conseguira isso, como também conseguira ser o primeiro lugar da sua (minúscula) cidade. Bom isso deve ter seu mérito, então vamos lá, prefeito, onde está a chave da cidade a ser entregue ao primeiro colocado?
— Deixe disso, fique feliz com sua primeira vitória na vida.
— Mãe, eu...
Matt parou no meio da frase, não precisava dizer mais nada, quando sua expressão já dizia tudo. Milena pôs o bolo devagar sobre a mesa extravagantemente decorada e atirou o chapéu bizarro no sofá.
— Filho, eu entendo o que você está sentindo, é difícil encontrar alguém que saiba realmente o que quer aos doze anos de idade.
— Pior que eu não só não sei o que quero, como as vezes eu tenho certeza absoluta de que não quero cuidar de uma fazenda de ovelhas eletrocutadas.
Milena sorriu e abraçou o filho, dizendo:
— Querido, eu sou sua mãe, mães sentem o que o filho está pensando antes mesmo dele abrir a boca para falá-lo.
— O que quer dizer?
— O que quero dizer é que eu sempre soube que você não levava o menor jeito para a coisa, seu pai foi um nome de peso em todo o país quando se tratava de criações em larga escala de pokémons, mas isso não quer dizer que você tenha nascido com o mesmo talento que ele.
Matt se sentiu um inútil, sentiu vergonha de si mesmo, por não ter a capacidade de ser o que seus pais queriam que ele fosse.
— Desculpe. – Matt disse chorosamente.
— Não se desculpe, seu idiota magricelo, você não tem que se desculpar de algo que não é sua culpa. Seu pai me pediu que eu fizesse de você um homem mais importante e mais respeitado do que ele foi, mas nem morta que vou entregar minhas lindas mareeps nas mãos de um destrambelhado que nem você.
Os dois riram.
— Aonde quer chegar mãe? Já entendi que sou um traste inútil – Matt falou com humor.
— Estou falando que você pode ser grande fazendo o que você gosta de fazer, mesmo que seja em uma área diferente da que seu pai e eu seguimos, aliás, essa é a única maneira de se ser grande, fazendo algo forçado e sem paixão, você nunca vai conseguir crescer.
Houve uma pausa onde os dois se olharam e Milena concluiu.
- Seja feliz, Matt, vá para Kathereen, me encha de orgulho sendo aprovado naquele maldito teste e entre naquela maldita escola, se você não se encontrar la dentro e quiser ser feliz sendo entregador de pizzas, então é isso que você vai ser e eu vou estar com você.
Mesmo com as palavras da mãe, Matt continuou confuso sobre o que queria, se os pokémons realmente eram sua vocação ou não, mas ao menos foi retirado um peso de suas costas e ele jamais precisaria passar a vida apanhando cocô e cortando lã de mareeps se não quisesse.
— Ok. Mas e agora? Como funciona?
— Bom, agora você vai acordar muito cedo amanhã e ir até o laboratório pokémon que fica no prédio do OPC, lá o Prof. Pinkles vai lhe entregar seu certificado de aprovação no exame e lhe entregar um pokémon, apartir daí você vai poder treiná-lo e evoluí-lo se quiser, ele vai ser seu melhor amigo, porém, será seu único pokémon.
— Como assim único?
— Após conseguir o seu certificado, o Órgão de Preservação e Controle Pokémon (OPC), irá lhe vigiar de perto, observando se você está cuidando adequadamente do seu pokémon e se este está feliz durante os dois primeiros meses, é o que chamamos de “período de vigilância”.
— Hum.
— Caso você cometa alguma imprudência grave ou demonstre algum tipo de irresponsabilidade com seu pokémon, o OPC confiscará seu pokémon e seu CNB, e só dois anos depois que você poderá fazer outro exame e caso você tenha sido aprovado na EFEM antes disso, sua vaga será tomada também.
— Ual! Que radical.
— Que necessário, digamos assim. Se não fosse por essas leis tão rigorosas, teríamos pokémons sendo explorados como escravos ou até como armas contra os próprios seres humanos.
— E depois do período de vigilância.
— Depois disso você substitui sua carta provisória por uma carteira oficial, junto com mais duas pokébolas, três é o máximo de pokémons que alguém de nível básico pode ter, podendo usá-los em tarefas domésticas ou pequenas batalhas inocentes, esse limite só será ilimitado quando você se formar na EFEM, ai poderá ter quantos pokémons conseguir capturar e competir em grandes batalhas, campeonatos e com lideres de ginásios.
— Entendo, agora vou ter que esperar duas semanas até a EFEM.
— Isso, e vá estudar mais para conseguir ser aprovado, o que eu não duvido que vá ser.
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Agora, Matt, estava realmente ansioso, queria logo que chegasse o dia seguinte, queria logo ver seu pokémon e poder cuidar dele, talvez a genética estava certa, talvez aquele mundo dos pokémons era muito mais instigante do que ele imaginava que fosse, talvez ele realmente seria feliz vivendo assim, mas isso só o tempo dirá
Agora a dúvida na cabeça de Matt mudou, e duas perguntas estavam disputando espaço no seu cérebro: Qual seria seu pokémon e qual seria o seu futuro ao lado dele?
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