Se tem uma coisa que eu odeio de coração, é este orfanato. Se você mora na Ilha Igneus, perdeu seus pais e não tem um lugar para viver, continue sem um lugar para viver. O Orfanato Doce Blissey, segundo minha concepção, é o lugar que mais fede a mofo no Universo inteiro; além da estrutura mal construída, portas apertadas, banheiros entupidos... Enfim, já deu para entender.

Meu nome é Drake Casper, tenho 12 anos, e vivo neste orfanato velho à 4 anos.

Diferente da maioria que vive aqui, eu ainda tenho pais, bom, pelo menos é o que eu espero... Eles foram sequestrados quando eu tinha oito anos. Junto com o meu buizel, vim para cá, já que não possuo parentes nesta ilha (e se tiver, provavelmente eles moram bem longe daqui e nunca se interessaram por mim).

Meu buizel não vive comigo, o que é muito chato. Principalmente para ele que vive preso dentro de uma pokébola (presa) no laboratório do orfanato. Ele foi a única lembrança que me restou, o buizel era deles.

É difícil contar o que houve para que eu “perdesse” meus pais...

Mas eu farei um esforço.

Era uma tarde nublada, o vidro da janela do meu quarto estava completamente embaçado, e não dava para ver muita coisa lá em baixo; meu quarto se localizava no primeiro andar da velha casa branca de madeira. O mesmo quarto era cheio de pôsteres e objetos na forma de Pokémon, sempre gostei muito, e esperava ansioso os meus 10 anos para me tornar um treinador Pokémon. Porém, sempre esperei mesmo os 13 anos para entrar na Academia Ranger.

Enquanto eu jogava no meu computador, meus pais, cientistas Pokémon, estavam trancados em seu laboratório no porão da casa, bem lá em baixo.

Anoiteceu, e como sempre, eu desci as escadas em direção à cozinha para comer meu jantar, sozinho, que já estava pronto na mesa (me esperando). Após o jantar fui dormir.

Meus pais sempre ficavam trancados no porão fazendo alguns trabalhos que eu não fazia ideia do que era, exceto pela cobaia, que era o buizel, mas não sabia o que meus pais faziam com ele, e os mesmos não me deixavam ir até o porão.

Bom, o objetivo disso tudo é explicar como eu fiquei órfão, então, vou tentar resumir:

Acordei sentindo um grande calor vindo do lado da porta. Comecei a abrir os olhos lentamente e quase saltei da cama quando a porta foi lançada para dentro do meu quarto em um grande BUM! Por pouco não me acertava. Vi o fogo através do portal (agora sem porta). As chamas crepitavam alto. Ouvi alguns gritos vindos da parte de baixo da minha casa: eram os meus pais. Seus gritos foram rapidamente abafados; deduzi que eles foram amordaçados, pelo modo como eles gritaram. E pelo tom da voz, pareciam resistir a alguma coisa.

Tentei correr, mas o fogo já estava se alastrando e entrando no quarto, mesmo que vagarosamente. Me senti impotente, mesmo sendo uma criança... Talvez eu pudesse chamar ajuda, mas a única saída era saltar pela janela, e eu não era muito alto a ponto de conseguir este feito. Me desesperei, e dá janela pude ver meus pais amordaçados e amarrados sendo levados por dois caras. Gravei o rosto de um deles. Era um gordo, um pouco alto, cabelos pretos, lisos e um pouco grandes. Ele olhou em minha direção e gritou:

—O buizel! Will pegue-o!

Olhei para trás e vi o buizel ao meu lado, quase caído sobre a mesa do computador. Estava exausto. Ele havia conseguido apagar parte das chamas. Provavelmente subiu para me proteger, mas as escadas de madeira estavam se despedaçando.

Ouvi um outro grito, dessa vez um grito de autoridade.

Até que um dos sequestradores gritou:

—Esqueça! Eles chamaram os Rangers de Elite!

Eu chorava na janela feito um garotinho. Tudo bem, eu era um garotinho...

Meu medo era gigantesco, e eu me sentia completamente desprotegido. A partir dali não soube o que fazer. O mundo a minha volta pareceu girar, inalei muita fumaça. Antes de desmaiar me lembro de ter visto alguém vestido de shorts e colete vermelho. Acho que era um Ranger...

Depois disso perdi meus pais e fui parar no orfanato. Não conseguiram contatar nenhum parente meu. A justiça não achou ninguém e eu tive que mofar até hoje nesta casa (de mofo) cheia de senhoras velhas, gordas e marrentas; ao menos tenho alguns amigos.

Naquela sexta-feira, próximo das 21 horas, estávamos eu, Paul, e alguns outros órfãos fazendo o xingamento diário sobre a senhora Margareth, a diretora do orfanato:

—A senhora Margareth é tão gorda, mais tão gorda, que quando ela sobe na balança aparece “Um por vez, por favor”!

Todos caíram na gargalhada.

—Tem mais, tem mais... – continuei insistindo nas piadas – A senhora Margareth é tão velha, mais tão vê...

—Drake – Paul, meu melhor amigo e estraga prazeres me interrompeu olhando no seu relógio de pulso – Falta exatamente 3 minutos para a ronda noturna!

Todos piraram.

Calma, eu explico: A ronda noturna é o momento onde a senhora Margareth resolve mostrar a sua verdadeira face. É nessa hora que ela se transforma em um monstro comedor de criancinhas, e parte para cima da gente com a sua camisola de coelhinhos. Ou algo assim, metaforicamente falando.

Todos os dias, às 21 horas as senhoras do orfanato se revezam para conferir se nós estamos preparados para dormir: se já escovamos os dentes, vestimos o pijama e nos deitamos; caso isso não tenha acontecido somos punidos até a morte... Ta, tudo bem, não é pra tanto... Nós ficamos sem jantar no outro dia.

A ronda da senhora Margareth é a pior de todas, a mais severa e mais demorada. Ela fica, quase sempre, com a ronda das sextas-feiras, o que deixa as sextas-feiras treze bem mais emocionantes.

O.K., você já entendeu. Voltamos para a parte em que nós piramos.

Tente imaginar seis garotos, dois gordos, tentando passar ao mesmo tempo, por uma porta de 90 centímetros de comprimento.

Pois é, impossível, concorda?

Após o momento de loucura conseguimos ficar prontos a tempo. Isso porque a senhora Margareth se atrasou 5 minutos. Provavelmente estava tentando conter a sua transformação de monstro do mofo ou coisa do tipo. Já disse que ela fede a mofo?

A porta se abriu e eu vi o diabo vestido de camisola de coelhinhos rosa, pronto para gritar, mas tudo estava muito arrumado. E aí, o monstro rugiu:

—Estou estranhando, está tudo muito calmo – ela retirou do bolso algumas pokébolas – Como hoje é sexta, vim lhes trazer os seus Pokémon.

Todos nós, que fingíamos estar dormindo, saltamos da cama e nos sentamos esperando a senhora Margareth nos entregar as nossas pokébolas. Ela foi entregando a cada um e me deixou por último, o que quer dizer que ela não me ama. No final, a senhora Margareth olhou para a minha cara e disse:

—Drake, você foi um péssimo meninos nesta semana, infelizmente terei de... – “MATAR VOCÊ!”, essa era a vontade dela — ...ficar com o seu Pokémon esta noite.

Eu fiquei com muita raiva. Minha vontade era de saltar, segurar o cabelo dela e a gravidade faria o resto junto com um pouquinho da minha força, mas eu superei aquele momento, claro. Antes disso fiz uma careta quando ela saiu do quarto. Estava enraivecido e não aguentava mais aquele lugar! Depois de viver quatro anos ali, eu já sabia que ninguém iria me adotar aos 12 anos. E sabia também que se eu continuasse mais um pouquinho ali eu iria enlouquecer!

Por isso, de madrugada, não sei ao certo a hora...

Abri os olhos, não havia conseguido dormir.

Na verdade não era exatamente de madrugada, segundo o relógio de parede do quarto faltavam 5 minutos para às 6 horas da manhã, que era a hora do despertar naquela joça. Me levantei lentamente e chutei a cama de Paul, fazendo com que ele ficasse incomodado e babasse do outro lado da cama. Eu o balancei até meu braço cansar, quando eu estava em tempo de trocar de braço ele acordou e gritou:

—Senhora Margareth, não! – ele costuma ter pesadelos com a gorda se transformando em monstro. Não sou o único que tenho a imaginação fértil.

Saltei da minha cama e pulei com as mãos em direção à boca de Paul. Tapei-a e disse sussurando:

—Quer acordar todo mundo?

—Desculpe Drake, tive outro pesadelo com a senhora “bolo-fofo”. – ele esfregou os olhos e pôs os óculos no rosto.

—O.K. Paul. Agora escuta. Lembra que eu disse que iria procurar pelos meus pais? – o quatro olhos me interrompeu...

—Você não poderia esperar amanhecer para me lembrar disso? – ele iria se deitar para o outro lado e eu o segurei.

—Dá pra me escutar? Eu decidi que não dá mais para esperar, vai saber quando eu poderei sair daqui tranquilamente! Minha família não veio me buscar faz quatro anos e...

—Dá pra resumir?

—Eu vou fugir!

Paul me olhou assustado, como se eu fosse um criminoso e falou:

—O.K. então... – ele saltou da cama e disse – Eu te ajudo!

Notas finais
aguardo ansiosamente pelo seu comentário, críticas e sugestões ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.