Pokemon - Primeiros Passos
4 Sequestro com revelações.
Notas iniciais
— Sinceramente eu não sei o que podemos fazer agora, Max. – Falou a Bonnie de boca cheia, saboreando uma bela macarronada num restaurante ao lado do Centro Pokemon.
— Bem, com o ginásio de Saffron fechado, poderíamos ir até Celadon entregar a pedra à Érica e depois em Fuchsia, depois voltamos e se der sorte, encontraremos o ginásio agora aberto.
— Uma boa ideia. Onde vai ser seu primeiro desafio? – Comentou Bonnie terminando de comer e depois vendo a sobremesa.
— Existe um dos Cérebros da Fronteira perto de Saffron, a caminho de Celadon, creio que vou lá.
Os dois continuaram comendo tranquilamente, pagaram a conta e saíram pelas ruas da cidade já indo em direção à saída, para dar continuidade às suas jornadas, mal sabiam que eram observados por homens num carro com vidros negros. As crianças estavam prestes a deixar a metrópole quando os veículos giraram ao redor deles. Pelo menos sete caras surgiram vestidos de negros e com pelo menos duas pokebolas em mãos, não deixando qualquer chance de batalha aos garotos. Max cerrou o punho e deteve a Bonnie, falando.
— Quem são vocês? Nós não temos dinheiro para dar a vocês.
— Nosso patrão quer conversar com vocês dois, pessoalmente. Ele requisita agora sua presença.
— Temos escolha a negar o convite? – Comentou Bonnie pegando sua pokebola
— Apenas se conseguirem derrotar a nós sete.
— Melhor irmos então. – Disse Max, mesmo contra sua vontade, aceitando entrar no carro junto com a menina.
Aos poucos ele ia ficando nervoso, sabia que eles estavam sendo raptados pela Organização Ômega, já que as roupas deles tinham os símbolos dourados da última letra grega. Max segurou a mão da Bonnie, tentando passar alguma confiança, mas os dois tinham total conhecimento que algo daria errado a qualquer momento. O automóvel onde as crianças estavam foi para uma luxuosa rua, num prédio inteiramente espelhado com blocos de pedras negras se misturando numa estrutura belíssima.
Os dois foram escoltados pelo amplo saguão de recepção, onde muitos homens e mulheres em trajes executivos, andavam para resolver ou fazer novos negócios. Max pensava em gritar pela ajuda de qualquer um ali, todavia ninguém parecia incomodado pela presença de tantos caras mal encarados. Os jovens entraram num elevador até o terceiro andar, onde seguiram por um longo corredor até a única sala que tinha por ali. Ao entrarem, viram um homem de terno claro com uma rosa na lapela, cabelos brancos e olhar amistoso, deixando o Max com um pé atrás.
— Podem se sentar, crianças, querem comer alguma coisa? – Falou o rapaz, sentando em sua própria cadeira e sorrindo.
— Não, estamos bem alimentados. Na verdade... Queremos seguir viagem, podemos ir?
— Claro que podem, mas primeiro eu quero a Pedra Essência que vocês estão carregando. Infelizmente um dos filiados a nossa organização não foi nada gentil e gerou um pequeno problema.
— Pequeno? Ele nos atacou com dois pokemons, só que o colocamos para correr. – Comentou a Bonnie, ficando de pé e chamando atenção de dois dos capangas que ficaram ali dentro, mas o homem de terno fez um sinal e ambos relaxaram.
— Eu entendo... Bonnie, não é? Meu nome é Arthur Springfield, sou dono desse prédio e tenho muitos interesses nessa pedra que vocês estão transportando.
— Por que ela é tão importante essa tal pedra?
— Vocês nem sabem o que carregam. – Falou Arthur, ficando de pé e olhando pela janela ao fundo de sua sala. – Existem pokemons que são chamados por nós, meros mortais, como lendários. Na verdade eles são protetores ou detentores de grande poder na natureza. Moltres, a ave das chamas, Celebi, guardião da natureza ou o próprio poderoso Mew. A grande verdade é que de alguma forma eles vivem eternamente e contém grande poder. Nós descobrimos algo importante.
— A Organização Ômega? – Pergunto Max, olhando o homem de terno, que deu risada.
— Na verdade não, refiro-me aos homens, estudiosos. Assim como esses pokemons podem retirar poder da natureza, existe uma forma de retirar poder dessas criaturas. As Pedras Essência. Essas pedras, nada mais são do que um material altamente raro que consegue absorver o poder das lendas e depois ser canalizado por outro pokemon.
— Então vocês querem controlar esse poder?
— Questionou Bonnie olhando ao redor, procurando um modo de fugir.
— Exatamente, garota. Essa organização foi feita para ter os meios mais poderosos do mundo, sermos os melhores treinadores e criadores pokemons. Essas pedras são a maior descoberta que existe e vem sendo tratada em segredo.
— Por que vocês caçam pokemons ilegalmente e estão envolvidos em eventos criminosos pelo mundo?
— A sociedade tenta impedir grandes pensadores, infelizmente nós não temos tempo a perder. Já parou para pensar que se o Mew, por exemplo, pensa que os homens não são mais dignos de viverem nesse mundo e resolve nos exterminar, quem poderia contra ele? Ou se perdêssemos o controle sobre pokemons? Aqui não só buscamos poder, mas também queremos o controle sobre essas criaturas.
— Você é louco, nenhum pokemon pode ser um objeto para ninguém. – Bradou Max.
— Isso não interessa. O que me intriga muito hoje em dia é que você tem um Bulbasaur e começou sua viagem faz pouco tempo, ainda sim esta criatura foi capaz de usar o poder da Essência Celebi, sendo que até hoje os estudos mostram que somente pokemons em alto nível conseguem canalizar e suportar essa energia.
— Quer dizer que... O poder que o Bulbasaur usou vem do lendário Celebi?
— Exatamente. Por que você acha que Erika quem ficou responsável pela análise da pedra? Ela é perita nos tipo grama. Bom, mais conversa não nos levará a lugar algum. Eu tenho uma proposta para você, garoto. Gostaria de fazer parte da Organização Ômega?
— Claro que não, vocês são criminosos.
— Então eu tenho duas alternativas. Nós podemos simplesmente matar vocês e ficar com a pedra e o seu Bulbasaur para estuda-lo, ou então eu faço uma aposta. Lutamos, um contra um, se eu ganhar você deixa o seu pokemon e a pedra aqui, seguindo seu caminho. Se você ganhar, sai daqui com a pedra e prometo que eu não irei atrás de você.
— Como eu posso acreditar que vai cumprir sua palavra? – Perguntou Max, percebendo que não tinha muita escolha.
— Você não tem escolha alguma. Aceita o desafio?
— Aceito. Vamos lutar.
Os garotos foram levados por um elevador particular no canto da sala, até o andar mais elevado daquele prédio. Deram de cara com um campo de batalha em céu aberto, com solado de areia e uma espécie de arquibancada ao lado, onde Bonnie foi levada por dois capangas da organização. Max ficou de um dos lados do estádio, enquanto Arthur liberou seu pokemon, uma donzela verde com flores no lugar das mãos, uma Roserade.
— Agora eu entendo o seu interesse em particular na Essência Celebi, você é um usuário do tipo grama.
— Bem notado. Com essa pedra eu terei muito mais poder com a Roserade, provarei meu valor aos meus superiores.
— Entendo, saia Fletchinder. – Disse Max, lançando sua pokebola para cima e permitindo que sua ave de rapina flutuasse pelo estádio, a contra gosto do Arthur.
— Pensei que usaria o Bulbasaur.
— Não foi nosso combinado. Fletchinder, ataque com Vento Cortante (Razor Wind).
— Vai ser um teste da mesma forma, use Esfera Climática (Weather Ball).
O pokemon de grama atirou uma esfera que era apenas de energia, já que o dia não tinha um clima predominante, apenas nuvens nubladas com pouca luminosidade, empatando com o golpe cortante que o pássaro utilizou. Max ordenou que a ave usasse o Ataque de Asas (Wing Attack) e o Roserade usou a Dança da Chuva (Rain Dance). Enquanto nuvens chuvosas tomavam conta do local, Fletchinder atacava repetidamente com suas asas contra seu oponente, depois se afastando.
— Vamos lá, Fletchinder, ataque com Carga de Chamas (Flame Charge).
— Use Esfera Climática.
Roserade novamente atacou com a esfera, só que dessa vez tinha uma tonalidade azulada e parecia um acumulado de água. O ataque chocou contra o pássaro, que mesmo envolto em chamas, sentiu o dando e caiu contra o solado.
— O que foi isso? Fletchinder, tudo bem?
— Esfera Climática muda quando o clima varia e combinado com o Dança da Chuva se torna um ataque de água. Use Tempestade de Folha (Leaf Storm).
— Fletchinder, voe e saia dai.
O pokemon alçou voou e por pouco não foi levado por um turbilhão de folhas cortantes, que passou rente ao chão. Fletchinder ganhou altitude e desceu com um Golpe Aéreo, já que os ataques de fogo estavam com força reduzida graças ao tempo chuvoso. Roserade desviou sem tantas dificuldades e atacou com o Folha Mágica (Magical Leaf), que pegou em cheio no pássaro avermelhado.
— Você não pode fazer muito contra um pokemon que é bem melhor treinado que o seu. Ataque com Esfera Climática de novo.
— Não vamos desistir, use Golpe Aéreo mais uma vez. – Disse Max, vendo o seu pokemon mergulhar com muita velocidade, porém o projétil aquático derrubou o seu pokemon, deixando Fletchinder inconsciente.
— Parece que eu venci a luta. – Comentou Arthur, olhando para o garoto, que retornava sua ave para pokebola.
— Pois é...Isso acontece, mas não vou te entregar a pedra. Bulbsaur, saia e use Esfera de Energia (Energy Ball).
— Dedenne, saia e ataque com Descarga (Descharge) esses brutamontes do lado.
Bulbasaur lançou uma esfera verde contra o Roserade, que repeliu o ataque com uma Tempestade de Folha, já o roedor elétrico tombou os dois caras, permitindo que Bonnie corresse até o Max. A loira lançou também o Riolu, que já apareceu usando o Golpe Cruzado (Cross Chop) contra um dos outros membros da organização inimiga, enquanto o tipo grama de Max chicoteava um adversário.
— Vocês não tem chance alguma contra todos nós que estamos aqui, Roserade, use Dia Ensolarado (Sunny Day).
— Droga, ele está preparando uma Esfera Climática de fogo. – Comentou Max, percebendo que aos poucos eles eram cercados por vários inimigos.
— Termine com esse Bulbasaur, use Esfera Climática. – Disse Arthur
Roserade atirou o ataque flamejante, mas o movimento foi parado por uma onda de chamas que veio de cima. Quando todos olharam, notaram que alguns helicópteros estavam chegando e policiais desciam de cordas, sem contar um Arcanine que ficara de pé, pousando graciosamente, acelerando a passada e batendo contra o tipo grama de Arthur com a Velocidade Extrema (Extreme Speed). A oficial Jenny apareceu, junto com seus colegas e deram voz de prisão a todos.
— Arthur Springfield, você foi acusado de participar de uma organização criminosa e está sendo preso em flagrante pelo sequestro de dois inocentes.
Em poucos minutos, todo o local havia sido cercado por policiais. Max e Bonnie foram levados para o lado de fora da empresa ao passo que jornalistas tentavam extrair o máximo de informações dos homens que eram presos. Num canto tranquilo, a oficial Jenny começou a conversar com os jovens:
— Vocês estão bem?
— Sim, graças a vocês. – Falou Max, aliviado pelo desfecho do dia.
— Eu que deveria agradecer. Arthur Springfield tem sido um dos nomes mais citados pela investigações sobre a Organização Ômega, porém não juntávamos provas concretas. Com a prisão dele por sequestro, temos acesso aos dados do seu prédio aqui de Saffron e estaremos um passo a frente para prender outros.
— Ele disse que queria mostrar seu valor aos seus superiores, quer dizer que têm pessoas mais perigosas?
— Sim.
— Como nos acharam ou souberam que estávamos em perigo? –Perguntou Bonnie.
— Viram dois carros cercarem duas crianças e denunciaram, depois encontramos os modelos graças às placas e partimos para o prédio. Nosso plano era invadir silenciosamente por cima, todavia demos de cara com a situação toda.
Os garotos agradeceram pelo feito dos policiais e foram para a delegacia falar tudo que sabiam sobre Arthur ou a organização criminosa, além de prestarem queixa formal contra o sequestro. Depois disso, ganharam uma noite de graça num dos hotéis da cidade e acabaram ficando por lá, para dormirem tranquilos depois de um dia bem agitado.
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