Pokémon Universe - Fic Interativa
3 Prólogo - O exame físico
Notas iniciais
O relógio marcava seis horas da manhã, momento em que maior parte dos candidatos estavam se revirando em suas camas em busca do prazer dos últimos minutos de sono, enquanto Axel tomava seu suco e comia cereais. As grandes olheiras demostravam a noite de sono perdida pelos pensamentos inquietos: “Como pude ficar posições abaixo do Poliwag?” foram horas rolando em sua cama na busca da resposta que poderia recuperar um pouco do orgulho perdido, mas todo o esforço foi em vão. “Dessa vez, o teste vai começar um pouco mais tarde, logo, posso descansar um pouco e me preparar. Não acho que tenha teste que não consiga passar, mas vou descontar toda minha frustração do teste teórico nessa droga!”.
Terminando seu café da manhã, foi tomar banho e, depois, saiu de sua casa rumando em direção ao Instituto. Novamente, escolheu o caminho que percorria as planícies da cidade lhe dando o direito de observar a paisagem tranquila e, vez ou outra, acabava passando por outros alunos. Alguns estavam se alongando e fazendo um pequeno treinamento para se prepararem para o exame e, dentre eles, dois lhe chamaram a atenção por possuir uma multidão que os rodeava. Um pequeno Eevee dotado de cicatrizes em seu olho com expressão séria e, ao seu lado, um Tauros que demonstrava confiança através de um sorriso sarcástico. Como não era o prenúncio de uma batalha, decidiu parar e observar melhor a situação. “Se fosse para chutar, diria que ambos estão se enfrentando numa disputa de força, onde o alvo são duas rochas enormes. Agora, observando melhor, uma delas parece ter sofrido diversos ataques e, por isso, está menor... com certeza, o Tauros já fez seu movimento e espera a vez do adversário”.
O Nidoran considerou a situação estranha já que acreditava que o Eevee não teria a menor chance de causar um dano mais severo do que um adversário maior e, com certeza, mais forte. Por fim, como considerou que a disputa já estava decidida, optou por continuar a caminhar e ignorar o que estava acontecendo ali. Após dar alguns passos, ouviu uma grande explosão e uma forte onda de impacto que o fez dar um passo em falso e quase cair. Assim que se recuperou do susto, virou-se tentando encontrar o foco do som e se surpreendeu ao ver que a grande pedra havia se transformado em poeira e fragmentos menores que caíram em locais aleatórios. A multidão olhava para o Eevee com admiração e espanto, enquanto o Tauros não parava de tremer, parecia estar estado de choque. “O que aconteceu? Eu virei por míseros segundos e ele destruiu aquela pedra como se não fosse nada? O que fez? Que ataque usou? Na verdade, que ataque alguém da raça Eevee pode aprender que seja assim tão poderoso? Seja o que for, devo tomar cuidado para não irritá-lo, afinal, seria complicado lutar contra alguém que pode causar esse estrago!”.
Ainda surpreso com a situação, Axel passou mais alguns segundos observando a reação dos envolvidos no evento até decidir continuar com seu percurso. Após alguns minutos, já se encontrava na entrada do Instituto, porém o exame só seria realizado às 9 horas em ponto e o relógio marcava 8:32. Como não tinha nada melhor para fazer, procurou se informar sobre o teste com alguns instrutores que andavam pelos corredores, mas para seu azar, estavam mais interessados em se divertir com o desespero e curiosidade dos alunos do que dar alguma informação concreta. Até pensou em perguntar a alguns alunos em busca de dicas, entretanto, desistiu ao reparar o quão nervosos estavam. No final, a única coisa que todos sabem sobre o teste físico é que mais pessoas são eliminadas do que no teórico.
Tentando se distrair um pouco, procurou uma das árvores próximas ao Instituto. Como se localizava em uma colina, o vento que batia na área era relaxante e, quando acompanhado de uma sombra onde pudesse ficar deitado, era um dos melhores pontos para tirar uma soneca rápida, uma das importantes lições que aprendera enquanto fugia das aulas. Após caminhar alguns metros, finalmente se deparou com uma árvore que lhe agradou e, principalmente, que não possuía outros alunos por perto. Para sua infelicidade, não estava sozinho como havia pensado, deparando-se com uma figura que lhe parecia estranha: um Gastly flutuava sob a sombra e fitava o horizonte. “Bom, é só um cara, não vou desistir do lugar só porque tem outra pessoa, se reclamar terá que lutar comigo!” pensou enquanto o ser se aproximava lentamente. Quando o Gastly reparou em sua presença, virou-se para Axel e o encarou por alguns segundos até desaparecer repentinamente. Tal ação causou um pequeno calafrio no Nidoran, fazendo-o mudar de ideia sobre ficar ali.
O tempo passou e, quando faltavam apenas dez minutos para o começo do exame, todos os alunos foram chamados para o auditório sob a justificativa de que teriam de ouvir um comunicado. Na porta do auditório, foram formadas cinco filas e, à frente de cada uma, dois fiscais recolhiam os cartões de confirmação dos estudantes para garantir que entrariam apenas os que haviam passado no exame teórico. Vagarosamente, todos entraram na sala e, às 9 em ponto, um grande Blastoise adentrou o palco e encaminhou-se em direção ao microfone.
– Alunos, meus parabéns por terem passado no exame teórico e sejam bem-vindos ao exame físico, meu nome é Ray e informarei vocês sobre como será realizada a prova – começou o Blastoise que parecia bem animado – Todos vocês serão divididos e irão competir entre si para serem selecionados para a prova de sobrevivência, por isso, peço que todos façam filas somente com membros de suas raças e, assim que todos estiverem alinhados e organizados, mandarei vocês para a devida localidade onde farão suas provas. Assim que terminou de falar, os alunos formaram as devidas fileiras que, lentamente, eram enviadas para lugares diferentes. Para evitar ter que encarar a agitação, Axel ficou em sua cadeira até o último segundo e, consequentemente, assumiu a última posição da sua fila. “Os machos da raça Nidoran, a prova de vocês será realizada na sala de treino 43, sigam o Machop que ele lhes indicará o caminho, boa sorte”.
Enquanto acompanhavam a fila, podia-se perceber o nervosismo de cada presente e as formas que utilizavam para tentar amenizá-lo. Alguns permaneciam em silêncio tentando manter a concentração, assim como Axel, outros buscavam relembrar mantras de treino ou palavras que lhes dessem forças e, aqueles mais sociáveis, mantinham uma conversação de forma que pudessem dividir a expectativa e medo do exame com os colegas. Assim que entraram na sala, encontraram um cenário que poderia relembrar os “ringues de boxe” que viam ocasionalmente na televisão: uma arena central com cordas a delimitando, rodeada por diversas cadeiras para os espectadores, um cenário muito diferente do que esperavam. Algumas linhas brancas demarcavam o caminho a ser tomado para levá-los diretamente ao centro da arena, local onde estava um Nidoking vermelho equipado com um grande cinturão dourado amarrado em seu abdômen com as palavras “UFC” gravadas.
– “Finalmente! Seu bando de lerdos! Vocês demoraram cinco minuto a mais do que verdadeiros Nidorans necessitariam para chegar nesta sala, são um bando de preguiçosos que não merecem pertencer a essa gloriosa raça!” – a voz grossa do instrutor acompanhada por tais palavras ríspidas claramente assustou os alunos – “Farei vista grossa em relação a essa moleza, portanto, não quero mais decepções a partir de agora! Por que os molengas ainda estão aí parados? Sentem-se nas cadeiras, vamos não temos o dia todo!” – vociferou fazendo com que os alunos acelerarem o passo e se sentassem rapidamente – “É o seguinte cambada de inúteis: meu nome é Ryan e, para os idiotas que ainda não devem ter percebido, sou o instrutor. Como todos aqui são machos, assim espero, cada um é um rival em potencial do outro. O ‘amigo’ ao seu lado pode, no futuro, ser seu rival em uma batalha ou, até mesmo, numa relação amorosa e, em ambos, o mais fraco será eliminado! Dito isto, olhem para o companheiro sentado ao seu lado, vocês se enfrentarão numa luta mano-a-mano até que eu diga chega ou alguém morra e, somente os que se destacarem, terão um futuro tanto na guerra quanto no amor! Os que me provarem ser dignos poderão fazer o exame de sobrevivência amanhã e, para os que falharem, um aviso: vocês morrerão virgens e fracos e não fracassaram só no teste, mas também como Nidorans!”.
O discurso causou efeitos tanto positivos quanto negativos. Alguns levantaram animados, enquanto outros se encolheram em suas cadeiras com medo da situação que enfrentariam. Como ordenado, a primeira dupla se direcionou para a arena e a luta foi realizada. O tempo foi passando e diversas lutas ocorreram, algumas entediantes a ponto de irritar o fiscal, outras movimentadas que atraíram a admiração dos espectadores.
Uma batalha se destacou por mostrar o poder e a resistência como maior brilho. Ambos possuíam uma força maior do que o normal, uma vez que os golpes foram executados com extrema confiança, precisão e força, tornando-a um duelo realmente acirrado. E só terminou quando o Nidoran esverdeado conseguiu desferir um golpe tão poderoso que foi capaz de jogar o rival para fora do ringue. Foi uma luta longa e, como o vencedor era mais fraco que o adversário, precisou aguentar séries de golpes até conseguir se fortalecer com Hone Claw a ponto de equilibrar o duelo e, posteriormente, superar o rival.
– Verdinho, está passado. Enfermeira! Tem mais um caído aqui! – Gritou Ryan alertando à Hypno encarregada por dar os primeiros socorros aos alunos que necessitassem. Os chefes do Instituto conheciam os métodos do Nidoking e sabiam que levaria seus alunos ao limite, por isso, disponibilizaram uma junta médica para acompanhá-lo — Onde estão os próximos? Por que não estão na arena?
Diversas lutas medíocres foram realizadas até que, mais uma vez, uma foi capaz de atrair a atenção dos presentes. A luta começou com um dos competidores desferindo uma sequência de golpes, impossibilitando que o rival revidasse limitando-o a escolher entre desviar ou defender. O instrutor estava prestes a parar a luta quando reparou um sorriso bobo aparecer nos lábios do Nidoran que estava sendo pressionado. “Esse tampinha está recebendo os golpes de propósito, quer dizer que...”. Antes que pudesse completar o pensamento, o candidato realizou uma rápida investida em busca do contra-ataque e, com uma combinação rápida de golpes adicionada ao fator surpresa e cansaço do oponente, levou o oponente a nocaute.
– Muito bem, mas na próxima vez ou ataque antes ou será desclassificado por ficar apenas na defensiva – Reprimiu-o mesmo que tenha gostado do seu estilo de luta com uma sólida defesa e alta resistência para aguentar os golpes até cansar o adversário e derrotá-lo com uma rápida reação. – Próximo! Próximo? Quem são esses dois desgraçados que não aparecem? – Gritou Ryan virando-se para onde deveriam estar os demais alunos, mas estranhou ao ver apenas um sentado nas cadeiras.
– Parece que o senhor não havia reparado, mas estávamos em número ímpar desde o começo do teste e, como consiste em duplas, acabei ficando sozinho... devo assumir que já estou passado? – Perguntou Axel já planejando se levantar e ir em direção à porta de saída.
– Pensa que vai ser tão fácil assim, jovenzinho? – Respondeu Ryan irritado com a resposta que havia recebido. “Todo ano tem esses espertinhos que acham que vão passar sem esforço algum”.
– Não é óbvio? Se não há um adversário pra mim, então é mais fácil me aprovar de uma vez – Indagou Axel enquanto já caminhava em direção à porta de saída. Num movimento ágil, o instrutor pulou de onde estava para o lado do Nidoran, pegou uma de suas orelhas e, com um giro rápido, o lançou em direção à arena. Apesar da surpresa, Axel conseguiu se recuperar e, com um giro, estabilizou-se a tempo de forma que aterrissasse em pé – Qual o seu problema, seu louco, quer me matar? – Vociferou irado com o movimento do instrutor.
– Acha que vai ser fácil assim passar? Devo admitir que seu reflexo para se recuperar do meu arremesso foi bom. Está decidido, como não há outra opção, sinta-se honrado por me ter como seu oponente – Ryan fez a declaração e, logo em seguida, pulou para o centro da arena.
Com o pronunciamento, os alunos que optaram por ficar e assistir as demais lutas abriram um sorriso com o pensamento “valeu a pena ter ficado”, afinal, não era sempre que teriam a oportunidade de ver um instrutor em combate. Enquanto os espectadores cochichavam ou buscavam melhor ângulos de visão, Ryan encarava seu adversário com um sorriso sarcástico.
– Uau! Você ainda não correu? Deve ser muito corajoso ou devo ter puxado sua orelha com tanta força que deve ter danificado o seu cérebro – Zombou Ryan soltando uma gargalhada acompanhada pelos demais alunos.
– Você puxou? Jurava que estava me fazendo carinho, já ia perguntar se seu discurso sobre conquistar as fêmeas era só disfarce para o que você realmente gosta – Respondeu Axel com um sorrisinho bobo fazendo os alunos rirem e atacarem o instrutor com perguntas como “Vai deixar, cara?”, “Quer dizer que a sua fruta é outra?” e “Aquele papo foi só disfarce?”.
A cada insulto ouvido, o Nidoking ficava mais irritado, mesmo assim, decidiu respirar fundo, dar outro sorriso sarcástico e olhar para o jovem à sua frente.
– Você se acha bem valentão, não é mesmo? Pois bem, se conseguir me tirar desse círculo a vitória é sua e será aprovado, caso contrário, será reprovado e vou me certificar que nunca mais fará a prova na sua vida – Ameaçou Ryan enquanto usava sua calda para fazer um círculo ao seu redor.
Com o pronunciamento, a sala ficou muda e os alunos entreolharam-se apreensivos. Mesmo que parecesse simples empurrar o adversário de uma área tão pequena, sabiam que seria uma luta dura, afinal, como derrotar um cara mais forte e experiente?
– Primeiro as damas, pode começar a qualquer momento – Alertou Ryan. Nesse exato momento, viu o adversário já partir para o ataque, uma Investida simples em linha reta para ganhar mais velocidade. Apesar de admirar o esforço, usou sua calda para arremessar Axel de volta para o lado aposto da arena.
“Além de grande, também é rápido. Mal pude reparar na cauda até que já estava bem na minha frente” pensou Axel após analisar o movimento defensivo usado pelo instrutor que permanecera imóvel. “Terei que forçar ainda mais para conseguir movê-lo dali”. Em busca de ideias, começou a correr ao redor de Ryan enquanto usava seu ataque Poison Sting na tentativa atrapalhá-lo.
– Como é burro... não sabe que ataques tipo Poison não tem quase nenhum efeito sobre mim? – Esbravejou Ryan usando calmamente sua cauda para bloquear os ataques do adversário.
Axel persistiu no ataque e continuou a rodear o inimigo enquanto tentava furar seu bloqueio. Ryan fingiu um bocejo e continuou a repelir todos os ataques sem dificuldades com a calda. Paulatinamente, os alunos passaram a vaiar o esforço protagonizado por Axel e pediam para que o instrutor encerrasse a luta. De fato, Ryan já estava cansado de esperar e, mesmo que o garoto continuasse a aumentar sua velocidade ainda estava lento quando comparado com os adversários que o instrutor já havia lutado, ou seja, era extremamente fácil de bloquear seus ataques. Essa estratégia só seria útil em outras situações, afinal, após tanto tempo usando o Poison Sting, o adversário já estaria envenenado.
– Se vai ficar só fazendo isso, então vou encerrar logo a lu... – Antes que pudesse completar, sentiu uma picada na sobrancelha esquerda. “Isso... não foi um acidente, né?” naquele momento percebeu qual era a real estratégia do Nidoran. “Ficou dando voltas e melhorando sua velocidade enquanto buscava apenas um golpe certeiro nos meus olhos. Se não fosse por um pequeno erro de mira, poderia ter me deixado cego do olho esquerdo... esse pirralho!”.
Axel atacava-o sem piedade em busca de uma pequena brecha que a cauda poderia proporcionar. A combinação das habilidades Double Team e Poison Sting proporcionava um amplo espaço de movimentação e certa imprevisibilidade nos ataques, dificultando que a cauda do Nidoking pudesse defender todos os ataques. Para evitar que estragos maiores pudessem ocorrer, o instrutor resolveu fechar totalmente sua guarda. A plateia assistia emudecida enquanto Ryan parecia um grande alvo encolhido a ser engolido por uma chuva de agulhas.
– Cansei desse seu joguinho! – Avisou Ryan enquanto voltava para a posição original. Subitamente, elevou seu braço direito até o ponto mais alto que pôde e desferiu um forte soco no chão da arena fazendo com que uma nuvem de poeira e fragmentos de concreto surgissem. Os olhos do Nidoking ficaram verdes e pequenas “pedras de concreto” começassem a girar ao seu redor, protegendo-o das agulhas venenosas que almejavam acertar sua face. Em seguida, parou por alguns segundos tentando acompanhar os movimentos de Axel até conseguir definir a sua verdadeira localização.
– Te achei! – Ryan levantou sua mão esquerda e defendeu-se de um golpe certeiro que almejava seu olho. “No pequeno vão entre as pedras, impressionante, mas...” pensou já comandando que as pedras começassem a voar em direção ao lado direito, com tal velocidade que poderiam perfurar até a mais sólida defesa, um perfeito Stone Edge. Percebendo o perigo que o ataque lhe proporcionava, Axel desistiu do seu ataque e passou a tentar desviar, mantendo-se em constante movimento – Ei, garoto, onde está sua brilhante estratégia agora? – Riu Ryan vendo que estava cada vez mais próximo de atingir seu adversário. Era uma dedução simples, se uma o acertasse, a luta estaria finalizada.
Enquanto buscava manter-se ileso, Axel deu um pulo seguido de um rápido giro e mudou a direção da corrida para uma linha reta que culminava em Ryan. À medida que se aproximava do adversário, ficava cada vez mais difícil de desviar das pedras que lhe eram arremessadas, sendo atingido diversas vezes de raspão. Quando a distância que os separava diminuiu para cerca de 3 metros, formou-se um pequeno sorriso nos lábios de Ryan: “Acabou, não pode desviar dessa distância”. Apesar de sua expectativa, viu o adversário tentar executar um Double Kick evitado por uma defesa de puro reflexo com seu braço direito. Ainda perplexo, energizou seu braço esquerdo e desferiu um Brick Break que fez com que Axel voasse para o lado oposto da arena.
Os espectadores ficaram assustados com os movimentos que o instrutor usou contra o aluno iniciante, afinal, aquela resposta rápida mostrava que Axel havia o pressionado a tal ponto que era necessário elevar seu nível de força. Enquanto a plateia absorvia o acontecido, o Nidoran procurava se recuperar do golpe que acabara de receber, afinal, estava com diversos machucados em seu corpo e com sangue escorrendo no canto da boca. Cuspiu no canto da arena e deu um sorriso irônico na direção de Ryan.
– Belo soco, instrutor. Achei um pouco exagerado para alguém que estava levando essa luta na brincadeira. Ainda lhe darei um conselho: preste mais atenção nos seus ataques, porque pedras não são infinitas e, em algum momento, iriam deixar uma abertura para mim – Comentou Axel enquanto já se colocando em posição de combate.
Ryan abriu um sorriso ao ouvir a lógica do ataque direto de Axel. “Esse garoto... foi capaz de achar uma brecha positiva mesmo que estivesse sob tanta pressão. Até hoje só enfrentei três pessoas que foram capazes de adaptação de combate tão rápida, é um verdadeiro achado... se pressioná-lo ainda mais? Será capaz de me surpreender novamente?” pensou já abrindo um sorriso em seu rosto, dessa vez, verdadeiro.
– Então? Pronto para continuar? – Disse Axel enquanto guardava o máximo de energia possível para o próximo movimento. “Não serei capaz de me manter numa luta com tantos danos por muito tempo, devo terminar isso o mais rápido possível”.
– Pirralho! Há algum tempo que não me divertia tanto numa luta. Venha! Mostre-me tudo o que pode fazer! – Gritou Ryan enquanto sentia uma chama acender no seu peito. Era esse sentimento que buscava, o motivo pelo qual aceitara tantos sacrifícios até se consagrar o mais forte, o gosto de encarar um rival que satisfaz suas expectativas.
Axel estranhou o sentido de tais palavras, mas não era momento para ficar pensando nisso. Novamente, partiu para o ataque usando o Double Team em conjunto com o Poison Sting, mas dessa vez Ryan estava preparado e usou Stone Edge como escudo para bloquear o ataque e, assim como na vez anterior, lançou as pedras na direção de Axel buscando o golpe finalizador. Nesse mesmo meio tempo, juntou as pedras que já haviam sido arremessadas e estavam fora da arena, as agrupou e fez um muro no caminho para o qual seu alvo se dirigia.
– Peguei você! – Disse assim que uma das pedras atingiu a cabeça do alvo, somente uma sombra deixada pelo Double Team – Esperto! – Agitou-se e fechou os olhos para procurar pelo Nidoran até sentir um estranho movimento – Aqui! – Gritou dando um poderoso soco no chão capaz de fazer Axel sair de um buraco completamente atordoado – Foi uma boa saída usar Dig para escapar daquela situação, mas ficar embaixo da terra contra um adversário do elemento Earth é perigoso.
Assim que terminou o seu discurso, a superfície do seu corpo começou a brilhar com uma cor amarela como se estivesse juntando energia para a realização do próximo movimento. Assim que o efeito acabou, deu diversos socos no chão fazendo com que rachaduras alaranjadas com eventuais eclosões fossem formadas até alcançarem o alvo. O Nidoran lutou para manter o equilíbrio e, se possível, desviar de golpes diretos, mas as erupções de terra somadas ao seu estado mental atordoado impediram que saísse ileso.
– Está acabado. Você me forçou a usar o Earth Power que é uma das minhas técnicas favoritas, um grande feito. Apenas continue no chão enquanto a enfermeira cuida de você. – Como era um golpe do tipo Ground, o dano era ainda maior quando usado contra alguém do tipo Poison, consequentemente, era impossível para Axel poder dizer que estava bem... a tremedeira em suas pernas era um sinal visível que estava próximo de chegar ao limite, mas recusou-se a ouvir o conselho do instrutor e voltou a entrar em posição de combate.
– Se você se recusa a usar sua força ao máximo, não tenho outra opção a não ser vencer logo essa luta. – Axel partiu para uma direta e simples investida rápida. Ryan vendo que o oponente se aproximava já engatilhava um Brick Break para contra-atacar e, assim, finalizar o duelo. O momento passou em câmera lenta para os espectadores que viram o golpe passar bem perto do Nidoran que, de alguma forma, conseguiu desviar do ataque e atingir a barriga do alvo gerando uma onda de impacto. Aproveitando-se do fato que o instrutor ainda deveria estar atordoado, Axel caiu no chão, deu um pulo repentino para trás e já tentou dar uma investida na perna direita do adversário, interceptada por um Brick Break que acertou sua cabeça em cheio. Sua visão já estava meio turva e mal conseguia manter sua consciência, ainda assim voltou a pôr-se de pé e começou a se preparar para o próximo ataque.
“Esse moleque! Mesmo tão ferido ainda continua se pondo de pé através da sua força de vontade.” pensou Ryan enquanto recebia mais um ataque de Axel e, logo em seguida, desferindo outro golpe que fez o Nidoran ser arremessado diretamente ao chão.
A plateia observava abismada, o duelo passou a ser um combate franco, onde ambos desferiam golpes seguidamente. Ryan revezava seus golpes através de Brick Break e Chip Away, enquanto Axel mostrava ser capaz de dar apenas investidas diretas com poder de impacto muito menor. Após quarenta segundos nesse estilo de combate, Axel deu um pulo para trás para abrir distância do adversário e respirar um pouco. Estavam ofegantes de tanto cansaço, um estava bem machucado quando comparado ao outro, obviamente, e a luta se encaminhava para o golpe final.
– Foi um ótimo treino, mas está na hora de acabar com isso! – Disse Axel enquanto sentia sua consciência se esvaindo. “Isso é mau... minhas pernas estão tremendo e quase não me aguentam, também não consigo manter minha consciência e sinto o sangue escorrendo pela minha cabeça... parece até que estou numa das sessões de treinamento do meu pai” pensou soltando um leve riso. “Parece que a luta vai ser definida aqui” com essa ideia, começou a se preparar com Focus Energy.
– Sim, uma hora íamos ter que finalizar isso – respondeu Ryan. “Foi um ótimo duelo, capaz de arranjar boas saídas quando pressionado e buscou o resultado até o final. Outro ponto positivo é a sua resiliência, parece que prefere morrer a perder... sinto-me um pouco triste por não poder te dar o meu máximo para retribuir o seu esforço, mas você é muito novo para morrer, jovem” pensou o instrutor enquanto aquecia o braço esquerdo para o último golpe.
Axel correu com o máximo de força que suas pernas conseguiam lhe proporcionar em direção ao Nidoking e saltou dando uma investida com toda a força que lhe restara e, ainda no ar, perdeu o pouco de consciência que lhe restava. Ryan esperou a aproximação do adversário e o interceptou com um Brick Break, no momento que os dois golpes se conectaram, uma forte onda de impacto foi originada e uma nuvem de poeira cobriu a arena.
O Nidoran foi o primeiro a ter o paradeiro conhecido já que foi arremessado para longe em direção a uma das cadeiras, precisamente nos braços da Hypno que o segurou e impediu que pudesse se machucar mais ainda durante a queda. Assim que a poeira baixou, Ryan pôde ser encontrado com seu corpo jogado contra as cordas da arena a cerca de três passos fora do círculo que havia desenhado. Os espectadores não podiam acreditar naquela cena, Axel conseguiu vencer o desafio e consagrou-se o vitorioso daquela disputa.
– Mika, dê a ele o melhor tratamento que puder para que esteja apto ao exame amanhã. – Suas palavras eram dirigidas à Hypno. Saiu da arena e foi direto para uma mochila que estava guardada em cima de uma cadeira no meio do setor sul da sala, pegou um dos itens que estavam guardados em seu interior e o arremessou em direção a ela com seu braço direito – Também o dê isso como presente por me proporcionar uma boa luta.
Prontamente, a Hypno pegou o objeto e abriu um sorriso ao vê-lo. Sem querer perder muito tempo, afinal, o tempo de regeneração do paciente era curto, prestou os primeiros socorros e o levou para a enfermaria onde poderia deixá-lo deitado numa cama regenerando-se. “O melhor remédio para uma batalha é um longo período dormindo em paz” era seu mantra. Assim que terminou, foi em direção ao segundo andar para a sala de treinamento de instrutores, pois sabia que poderia encontrar Ryan se escondendo lá.
– Então... o que achou dos estudantes neste ano? – Perguntou curiosa.
– Pivetes ignorantes que não fazem ideia do quanto a vida pode ser dura, a minha raça estará perdida na mão de gente assim! – Desabafou Ryan enquanto pegava encostava sua cabeça na parede da sala para relaxar um pouco. “Vim para não ser encontrado e ela me acha sem o menor esforço. Mulheres como sempre... assustadoras!”.
– Oh? É mesmo? E o que quer que faça em relação ao seu braço esquerdo? Devo arrumar agora? Apesar de que seria a maior fofoca do ano saber que um dos fiscais teve seu braço quebrado por um dos candidatos. – Mika o ameaçou com um sorriso vitorioso em seu rosto. “Que fofo! Ainda acha que pode esconder algo de mim”.
– Que braço? – O Nidoking esboçou um sorriso tentando desviar o assunto – Acha que um pivete daqueles seria capaz de causar dano contra mim? Já fui campeão do UFC 341, encarei caras mais fortes e rápidos do que todos aqueles pirralhos juntos!
– Claro! Como o atual detentor do título poderia ter seu braço quebrado? – Comentou enquanto colocava um de seus dedos em seu queixo formando uma pose pensativa – Imagino que se está tudo bem, podemos manter aquela nossa brincadeira em que soco o seu braço esquerdo com toda a minha força?
– Nunca tivemos uma brincadeira assim! – Ryan reagiu indignado com uma proposta dessas – Aí! Isso dói! Como pôde fazer isso com alguém machucado? – Comentou após ter seu braço socado.
– Machucado? – Sorriu vitoriosa.
– Ok! Você venceu! Por favor, conserte meu braço, seria horrível se isso se espalhasse... além de perder para o pai, ainda vou ficar reconhecido como freguês do filho? Ninguém mais me respeitaria – implorou.
– Agora estamos conversando, querido – comentou enquanto passava uma de suas mãos no rosto do Nidoking, como se o agraciasse por falar a verdade – E o que acha do filho daquele homem? – já se posicionando para prestar os primeiros socorros.
– Tem a mesma mentalidade que o pai e os mesmos defeitos... se soubesse quando parar, poderia ter tido uma carreira mais longa... todas as vezes que entro numa luta, lembro daquele maldito e fico triste por saber que nunca lutaremos novamente – respondeu em tom mais sério – Talvez seja um karma de família? Aí! Precisa usar tanta força? Aí!
– Pare de chorar, há sete anos tive que arrumar seu braço e foi a mesma cena! Quando vai crescer? – questionou enquanto forçava mais ainda. “A verdade é que poderia ajeitar sem causar dor a ele, mas que diferença faz uma pequena punição?” pensou enquanto saboreava o momento.
Após alguns minutos, o braço parecia estar respondendo a comandos de forma bem melhor que antes. “Uma das melhores no que se refere a primeiros socorros, além de ser uma das pessoas mais importantes e famosas do Instituto. Uma rosa para quem a trata bem e uma maldição para quem a trata mal, essa personalidade é o seu maior problema... fora os surtos de raiva quando não dão o que quer. Fala de sete anos atrás, mas quem quebrou meu braço foi você! Não consigo me esconder, ter segredos ou recusar um de seus pedidos... Mika, você é assustadora!”.
Enquanto isso, Axel dormia tranquilamente na enfermaria do Instituto. Mika pediu para que o deixassem passar a noite lá já que havia pressionado alguns de seus pontos vitais para prolongar o tempo que passaria dormindo. A expectativa é que só iria acordar por volta das 6 horas do dia seguinte. “Dezesseis horas de regeneração, é o melhor que posso te proporcionar... escolher ir numa luta intensa contra um instrutor um dia antes do Exame de Sobrevivência foi uma escolha sua, portanto, conviva com as consequências dessa decisão e, por favor, tente não morrer amanhã” eram as palavras escritas numa carta que ela deixou na mesinha ao lado da cama dele.
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