Pokémon - The Eterna Army
1 Capítulo 1
Ah, as árvores de Eterna! O clima de Eterna! O pôr-do-sol de Eterna, e seus habitantes ao fim do dia! O ar de Eterna! – tão incomparavelmente puro, carregado de fragrâncias libertadoras, cedidas pela mãe-natureza, a qual tem tanta intimidade com esse recanto de Sinnoh, insuportavelmente pacato para aqueles acostumados às metrópoles do leste do continente, familiarmente calmo para os que vêm do oeste não-tão-distante.
A única coisa que irritaria qualquer um no Mundo Pokémon, provinda daquela cidadezinha, seria o corretor gramatical de Microsoft Word de Eterna, o que mais sublinha seus textos — corretamente escritos — com ziguezagues verdejantes, indicando a forma que julga ser certa redigi-los. Todos em Eterna adoram verde, vestem verde e comem verde, até aplicativos para softwares. Eles não podem viver sem essa cor.
Convenhamos que isso pouco conta para a boa reputação da semi-urbe a moradores e turistas (com a irrelevante exceção de escritores em viagem sem capacidade para revisar seus textos), ou para a trama desta fanfic. É que eu adoro fugir do foco, o que me leva a apagar capítulos inteiros por insatisfação.
Enfim, essa é a história de um jovem que costumava habitar Eterna, de admirável orgulho e extroversão, ruivo sem perder a virilidade, que sabia o que queria da vida. Um cara sonhador (e fazedor), também. Uma pessoa que imaginava uma vida perfeita após cumprir suas obrigações como infante: fazendo o que quisesse, conquistando o que almejasse... mas teve seus devaneios adiados para, talvez, nunca mais.
O nome do infeliz é Jin, e ele morava numa mansão. Um bom começo para a vida nova que teria loguinho, afinal dunas de dinheiro nunca são demais para início de conversa/carreira, e grana era algo que a família do protagonista possuía às pirombas.
...“às pirombas” é uma metáfora muito suspeita para quem a usa. Desculpem-me.
Então, Jin passava (e ainda passa, claro) longe de pirombas, e, pra falar a verdade, da bufunfa. Eu originalmente faria nesse espaço um chato discurso sobre riqueza e como ela pouco influencia numa certa badaladíssima profissão por aí, a mesma que Jin quer seguir nessa The Eterna Army, mas preferi pular pra parte legal, que é o começo for real do conto, na mesma mansão que citei no parágrafo anterior, no quarto do nosso protagonista.
Vamos lá.
Pokémon – The Eterna Army
Capítulo 1
“Dos quatro anos e meio em Eterna, poucos amigos”, pensou Jin, naquela tarde de 22 de julho, enquanto voltava pro seu cômodo (tinha ido à cozinha fazer um miojo). Foram realmente poucas amizades concretizadas pelo ruivo num período tão longo de tempo, e uma delas er’um tal de Gordon, da família Helrick, que estava ali perto, mexendo no computador do protagonista. Gordon e mais três... é, estava de bom tamanho para Jin, considerando as dimensões exageradas do Helrick, que possuía uma pança inflada. O ruivo e o obeso formavam uma dupla curiosa – afinal, tinham quase nada em comum, exceto talvez os óculos, que, do mesmo jeito, eram retangulares pro primeiro e redondos para Gordon, mas, que irrelevante... e o colégio (ah, o Colégio Treeborn, alviverde e quadrilátero, na colina ensolarada ao sul de Eterna!).Estudavam na mesma classe e terminariam o primeiro grau no mesmo dia (aquele), formando-se no mesmo lugar. Só.
E eram grandes amigos.
Pra ficar legal, então, temos que saber como o Gordon é. Ele tinha cabelos marrons, basicamente, que eram cheios (para fazer páreo ao abdome), meio enrolados também. Seus olhos não eram muito grandes, sendo redondos como as lentes de seus óculos. E possuía um pouco de barba, um bom complemento à face rechonchuda.
As roupas que vestia eram simples e pouco variadas por causa do guarda-roupa nada vasto, de peças em tons cinzentos e brancos, algumas com piadinhas geeks e referências pop na estampa, mas nada exagerado a ponto de dizer “hupsawoehauisp, deleite-se e se sinta ignorante com meu estilo nerd, pessoa normal!”.
Esclarecendo isso, é de Gordon Helrick a primeira fala da fic.
- Então, sabe como os chefs vão trabalhar nessa formatura? – perguntou a Jin, sem realmente esperar uma resposta dele. O gordo estava conectado à internet — logo, antes de terminar sua indagação, já acessava um site de buscas e jogava coisas na barra de pesquisa.
O protagonista principal estava sentado em frente à TV, com todas as atenções voltadas para a tigela de macarrão que apoiava numa mesinha baixa e ao evento que era transmitido na telinha. De qualquer forma, forçou-se a responder ao gordo.
- Não entendi – disse, com a boca cheia de massa, a língua pelando. Pelando como o sol que raiava sobre o estádio Célia Adão na charmosa cidade de Celadon, em Kanto. Era o Celão, ou Alçapão (como chamavam Célia Adão popularmente), que dava as caras no canal assistido por Jin. O Celão é casa das equipes de beisebol Millionaires e Pyromancers, gigantes da metrópole, que têm como mascotes Ninetails e Arcanine, respectivamente. Porém, não era dia de o estádio abrigar pitchers e catchers.
Era dia de Ultimate Battle! Uhul!
Além de ser a denominação da velha e boa fanfic de Pokémon do Gus, o Absol do Twitter (um apelido nada a ver, visto que nem todo mundo que ele segue por lá tem a vida arruinada — como a suspiriformidade de um pedaço de merda pisoteado por um homem em marcha), a U.B. é tipo uma marca de torneios Pokémon — esses mesmo, com lutas entre monstrinhos e monstrões, que são comandados por treinadores Pokémon -, atuante no eixo Kanto-Johto. Ela é considerada importante por dar chances a todos os tipos de criaturas e treinadores, jovens principalmente, sendo responsável, então, pela revelação de vários talentos.
A cerimônia de abertura desse campeonato acontecia no momento, e o Celão se encontrava empanturrado de gente. A quantidade de espectadores presentes era incomum, porque mesmo com a popularidade das chamadas ‘batalhas Pokémon’, era preferível que não houvesse lotação dos locais que promoviam esses eventos, já que isso geralmente atrapalhava o espetáculo. Todavia, aquela era uma ocasião especial: a patrocinadora master da Ultimate Battle, a M&C Jewels, tinha liberado todos os assentos para a tarde por causa de alguns convidados ilustríssimos, os culpados primários por Jin se encontrar vidrado na televisão pra começo de história. O motivo secundário do protagonista não estar fazendo algo mais importante, como tomar um banho pra mais tarde, era a vontade de avaliar os participantes da competição. O ruivo queria saber se estava abaixo ou acima do nível dos mesmos.
Isso aí.
E...
- Hm... é de muito bom-gosto o cardápio da formatura, viu... – comentou Gordon, de repente, tendo em mente que Jin não ligava para a comida que seria servida no colégio Treeborn, mas falando mesmo assim.
Jin pensou em retrucar dizendo algo sobre as características dum certo treinador Pokémon inscrito na Ultimate Battle que rolava, mas percebeu que não precisava disso: ele tinha miojo, e Gordon era barrigudo.
Assim continuou.
Até que um tal de Thomás entrou no quarto, sem fazer cerimônia – o que não importava, já que cerimônia, como vocês sabem, era algo que acontecia na Ultimate Battle. A U.B. estava num momento muito importante do ritual de abertura, e Thomás o tinha estragado (para Jin, pelo menos).
Thomás carregava a alcunha de “O Pegador de Eterna” e penetrara na mansão em que essa cena ocorre dando dois convites pros seguranças da casa. Os convites eram para a formatura que ocorreria naquela noite, no colégio Treeborn, onde Thomás, o Pegador de Eterna, estaria oficialmente concluindo o primeiro grau de sua escolaridade, aos 15 anos.
O Pegador de Eterna também deu uns doces de figo pra vó do Jin, pra ficar ainda melhor na fita, antes de subir as escadas que levavam ao cômodo do ruivo.
- Qualé, Jin! Fala, Gordon! Tá cada vez mais pançudo, hein, Gordon?! Rola uma dieta não? Pô! Tu tem que ser, daqui pra frente, que nem eu: só pode comer mulher! O resto é supérfluo! – começou Thomás, muito entusiasmado com alguma coisa.
O Helrick, que se encontrava impressionado com o vocabulário nada supérfluo daquela criatura de aparição súbita, dignou-se a se defender, enquanto Jin, após murmurar algo como “iaew”, sem se importar com o resto do mundo, aumentava o volume da TV.
- Minha vida sexual anda muito bem, obrigado, Thomas. – disse Gordon, eliminando, de propósito, o acento no ‘a’ do nome do liferuler, só pra, saudavelmente, irritá-lo.
- Altas putarias com sua mão direita, né, Gordão? Heheheh!... – rebateu a Besta Culta de São Antônio das Missões, o Pirador de Cocotas. Ele falava desdenhosamente, mas, no fundo, estava espantadíssimo com a resposta do obeso. “Como assim??”, pensava. “A vida sexual do cara mais gordo que eu conheço anda bem? Eu nem saí do zero e o mino me vem com essa?! Tem coisa errada aí... olha a barriga do cara, véio! Se o cara montar em cima duma mina, é morte!”.
E mal haviam começado a conversa.
Claramente, o Helrick fazia um mind game dos bons contra as pessoas como O Pegador de Eterna. O geek notava que havia falsidade no escárnio embutido nas palavras do seu oponente – logo, havia vencido a batalha no primeiro hit. Se dependesse do agora agitado cérebro de Thomás, a própria guerra já estava definida.
O mesmo mudou logo de assunto, como qualquer pessoa derrotada e de trolhadas falhas faz nessas horas. Porém, seu objetivo não era, exclusivamente, esfriar o papo com Gordon, mas também ir direto ao ponto que o tinha levado a visitar o protagonista Jin.
Tinha a ver com monstros de bolso.
- Então, hã... gente! – chamou, o Pirador de Cocotas, novamente, pondo-se entre os dois companheiros de formatura. Notava o desinteresse dos mesmos, mas continuou a falar mesmo assim: — Então, tão a fim de sair um pouco de casa, ir pro Treeborn, ver umas coisas legais? Eu iria convidar só tu, Jin, já que ‘cê curte as bagualezas pokémônicas que vão rolar por lá, na obscuridade copeira, mas... se quiser, tu também pode ir, Gordão, só não vai curtir a largada como deveria.
Quando a U.B. entrou num intervalo comercial com propagandas de sapatos, Jin escutou “Pokémon” no meio da frase do Pegador de Eterna. Essa combinação de eventos fez com que, finalmente, o ruivo desviasse a atenção da televisão, prestasse atenção no resto da elocução do colega e ficasse pilhado.
- Bagualezas pokémônicas? – perguntou, tentando entender aquelas gírias, que pareciam ter sido inventadas por um cara que acordou numa quarta-feira de Cinzas querendo inovar real e universalmente o linguajar da sociedade juvenil, mas que, infelizmente, estava com um limão na boca quando foi expor pra alguém suas ideias para refinar nosso vocabulário. Pelo menos o cara deixou a marca dele no mundo, não como queria, mas deixou, se essas gírias surgiram como imaginei. Fosse qual fosse o significado das mesmas, Jin tinha certeza de que, no conjunto, tratavam-se de algo que lhe apeteceria.
- Um torneio, tchê. – esclareceu Thomás, tirando uma cadeira de qualquer lugar, para sua acomodação, com ares de que ia falar mais sobre o assunto. Até Gordon tirou um ouvido do headset pra captar o que o Pegador iria tagarelar. – Com batalhas Pokémon para nossa gurizada, antes de “tirarmos licença” pra participar de campeonatos oficiais, como treinadores ou coisa parecida, já que muitos de nós temos esse sonho. Idealizamos a coisa hoje de manhã e tá dando tudo certo. Tamo geral, desde o meidia, na área daquela quadra poliesportiva no reto do Treeborn, a que tava esquecida e em reformas. Tão subindo até umas vendas lá, pro pessoal. Vai ter apostas; alto nível, só gente de confiança liderando o maneiro.
- Fodástico! Não dá pra pedir por coisa melhor. – disse Jin, todo sorrisos e expectativa. Desligou a televisão e pôs-se de pé, enérgico, com vontade de derrotar a penca de treinadores inexperientes que poderia peitar em breve. Afinal, sem nenhuma modéstia, considerava-se muito bom para sua idade no quesito “treinar Pokémon”, tendo três monstrinhos ao seu cuidado e dispor: Shisa, o principal, um Growlithe leal e protetor, maduro o suficiente para se submeter ao poder de uma Pedra de Fogo e evoluir para um imponente Arcanine; Spikes, um astuto Cacnea: carismático, mas perigosamente espinhento, e com um feroz apetite por melancia; e Barbara, uma Vespiqueen com capacidade de ser uma terrível adversária nos ringues, comandando suas fiéis abelhas numa dança aurinegra e balanceada. A formidável união dos insetos operários nas manobras de ataque, defesa e cura e a maestria quase impecável da rainha garantia vitórias. E, claro, Vossa Majestade produzia um mel glorioso, excelente para complementar qualquer pão.
Prossigamos com Gordon Helrick. Depois de Thomás abrir um sorriso com a resposta do ruivo, no parágrafo anterior, o geek interferiu, com a seguinte indagação: — Não é ilegal botar dinheiro no meio de uma competição que não é sequer regulada?
- Bom, é... – admitiu o Pegador de Eterna, trocando seu sorriso amigável para um mais largo e absolutamente malandrilço, tão estrogonófico que fazia saltar as duas bochechas. Estava escrito nos dentes do cara algo como “vivo no limite”, e Gordon teve vontade de dar nele um tabefe “desmolecador”. Thomás percebeu isso. O Piruleibe deu um tapinha colega no ombro do Helrick, pessoa que, ao invés de fazê-lo sentir criminoso organizar o torneio no Treeborn, incutiu-lhe o efeito contrário – a Besta de Santo Antônio das Missões se sentia muito boss naquele instante, um fora-da-lei sem igual, e Jin dizia “meh” pros supostos perigos da obscura competição pré-formatura; participaria da mesma a qualquer custo. O ruivo ria feito um idiota ansioso.
- Estão avisados – cedeu Gordon, por fim, sob os olhares risonhos e indiferentes dos companheiros. – Não que eu queira que uma tropa de choque invada o local onde vocês terão o bendito lazer que lhes foram negados durante essas últimas duas semanas de provas, até porque, se isso acontecer, eu vou me ferrar junto de todo mundo, mas, ainda assim, desaprovo a coisa. E..., bom, pokémons se digladiando... não me apetece, embora eu respeite quem gosta dessas rixas. – pois é, o gordo não era muito chegado a monstros de bolso. Apesar disso, ele tinha um Elekid batutinha, o qual tratava com muito carinho, mas que não renderia em qualquer carreira de treinador Pokémon/etc. Pokémon. O bichinho amarelo e preto mais servia na alimentação de baterias de videogames portáteis e gadgets, e pra reviver eletrônicos.
Enfim, então o trio saiu da mansão dos avôs de Jin. O ruivo levou um pokémon para o pré-competição – seu mais poderoso, Shisa. Just for da lulz. And the XP.
Caminharam pelas ruas asfaltadas da colina em que se situava o casarão, onde o sol batia bem forte. Felizmente, as calçadas ofereciam muita sombra, devido às arvores e marquises pelo caminho.
O badalado Colégio Treeborn se encontrava a poucos minutos de andança. Jin e seu Growlithe, Gordon e Thomás iam para baixo e avante.
- São na cacha, digêi.
O jóquei botou pra tocar uma soundtrack de luta qualquer dos jogos de Pocket Monsters, pra dar um “clima” na batalha Pokémon entre dois treinadores que estava prestes a acontecer no Ginásio da Reforma Eterna, dentro do Colégio Treeborn. A batalha não fazia parte do torneio clandestino organizado por Thomás e sua galera – só acontecia pra dar uma “estreada” no ringue circular que comportaria os combates do mesmo. A plateia clamava por pokémon se digladiando, e não havia motivos para conservar a arena, que tinha o piso de terra batida, facilmente “remendável”.
Jin estava entre as pessoas que se esforçavam para dar uma espiada no embate, um duelo entre dois administradores da competição, amigos do Pirador de Cocotas, chamados: Marlon, o recusador de funchos (seja lá o que for isso) e Jota Éle Daleno, o tremedor de atabacas, o abocador de gurias, empatado no topo do ranking de “pegadores de Eterna” com Thomás.
Marlon ia de Absol, o pokémon-desastre. O cara recusava funchos e possuía um soturno e agourento Absol (que, a propósito, chamava-se Gustaph), o que devia dizer alguma coisa sobre a vida dele. Alguém com a coragem de peitar o maluco só podia ser um legítimo badass (traduzindo ao pé da letra, algo como “cu ruim”, me entende?).
Badass como Daleno, com seu Granbull de quase um metro e meio. O aterrador cão lilás não estava tendo um dia satisfatório e suas presas do trovão clamavam por um alvo vivo. Apelidado de Thug, o bicho tinha três meios-anéis de ouro nos dedos da pata esquerda, que, em conjunto, diziam “X X T”, brilhando boçalmente. Um colar cintilante de correntes de pendia pesadamente do seu pescoço e só faltava um boné – com a aba virada pra trás, como manda o manual – na cabeça dele para que fosse considerado um playsson canino.
A plateia do combate era boa e animada, e pedia pelo first blood da bagaça, que podia ser do pokémon que descrevi há dois parágrafos.
Por isso, o Granbull, com seu porte intimidante, chegando a ser maior que o Absol adversário, ativou suas Thunder Fangs e investiu felizão pra cima do monstrinho do recusador de funchos, numa corrida em duas patas, toda exibicionista.
- Acerta um Thunder Bite na cabeça desse Absol, Thug! – comandou José Lucas (significado das iniciais Jota Éle no “nome artístico” do abocador), no que seria uma tentativa de one-hit faint: qualquer pokémon que recebesse uma mordida elétrica na mente tinha que ser muito cabeça-dura para “sobreviver”, ou não ter sequer uma cabeça mordível.
Marlon, por ser muito próximo de Daleno, conhecia bem aquele ataque e sabia o que fazer para evitá-lo e criar uma chance de contragolpe. Respirou fundo.
- Gustaph – evocou – Double Team!
O Absol, antes inerte diante dos caninos trovejantes do oponente, embora com um olhar tão denso quanto a atmosfera de um recinto de maçons, fez um movimento aparentemente insignificante, mas necessário para a multiplicação ilusória do seu corpo. Thug, então, encontrava-se rodeado por duas dezenas do pokémon-catástrofe. O cão grunhiu, soltando faíscas sobre o pesado maxilar, e, não tendo nada a perder, atacou com presas e garras todos os Absols na sua linha de frente; expressando indiferença, todos dissiparam, sem sequer deixar um vaporzinho no ar para confirmar isso. Depois, o Granbull, confuso, exterminou o restante dos clones do adversário.
Evidentemente, Gustaph não se encontrava em terra firme. Estava por cima e por trás.
No bom sentido, é claro, se é que vocês interpretaram mal a última frase.
Enfim, pokémon de Marlon amorteceu uma queda de cinco metros no lombo do pitbull lilás. Like a sir, o Absol prontificou-se em pôr o cão pra dormir com seu trio de garras destras, as quais ficavam luminosas com o Razor Wind que preparava especialmente para o pescoço do inimigo.
- Mas já? – Marlon tirou satisfação.
O Granbull reagiu como pôde, mexendo-se como um touro mecânico tentando derrubar seu montador, buscando atrapalhar a tentativa de nocaute do adversário, mas nem sequer atrasando o mesmo. Daleno não tinha idéia do que fazer, e estava fazendo papel de noob na frente das cocotas naquela situação.
Porém, com o Razor Wind, a ventania cortante, o Absol não acertou o lugar que queria. Acabou pegando na parte de trás do colar de correntes do Granbull, destruindo a joia, cujos elos partidos voaram pela arena; elevou a raiva do cão a níveis estrogonóficos.
Thug, movido pela discórdia, simplesmente superou o peso exercido por Gustaph, erguendo-se, ficando bípede de novo, esticando seus membros superiores ao máximo e agarrando a nuca de um frustrado pokémon-catástrofe. Com a imponência esperada de um cachorrão roxo, o pokémon, saindo da defensiva, deu uma espécie de ippon desajeitado no adversário, causando delírio no público; modificando o semblante de José Lucas, que, cinco segundos atrás, encontrava-se quase certo de que seria desonrado pelo recusador de funchos.
- THUG!
Jin, no papel de espectador, havia perdido a parte em que o pokémon de Marlon desferira o golpe fatal no acessório playsson de Thug, graças ao péssimo lugar que arranjara no meio da plateia; contudo, teve a certeza de que a batalha terminaria com a vitória do Absol no momento em que o mesmo dominou o oponente. Quando as pessoas ao redor de Jin vibraram com um lance da luta, o ruivo não esperava que a razão de todo aquele delírio fosse uma reviravolta no combate.
- DALENOOOOOO! GOSTOSOOOOO! – berrava uma vadia, às lágrimas, pertinho do protagonista. Estava saltitando e acenando, totalmente crente de que José Lucas tivera participação fundamental no espetacular contragolpe de Thug. — VEM NI MIM, ZÉÉÉÉÉÉ!
O abocador de gurias, com a certeza de que tinha faturado umas cocotas para a night e que possuía preservativos nos bolsos, estava com a moral lá em cima. Direcionou piscadelas às garotas nas arquibancadas, mesclando os movimentos oculares com apontadelas quase imperceptíveis para o zíper da calça que vestia.
Jin ficou realmente puto com a coreografia do liferuler, em parte porque achou que ele estava zoando com sua pessoa com aquelas mímicas obscenas. Daleno não tinha nenhum mérito aparente na virada de mesa que obtivera na batalha, e se sentia o Grande – e isso tentou o ruivo a tentar um x1 com ele depois de tudo aquilo, até se lembrar que os organizadores não participariam do torneio futuro.
Bah, não fazia mal, ainda havia muitos nubas esnobes para derrotar, ao seu redor.
Retomando o foco da lutinha, falemos do recusador de funchos. Ele estava abalado com aquela situação, assim como seu pokémon, mas tinha a consciência de que era superior ao amigo piruleibe e suas vadias. Recusava funchos, e só não matara o jogo na primeira jogada por um lance de raça de Thug...
- Ei, Marlon! – chamou JL Daleno, no meio do discurso motivacional mental do oponente. – FUNCHO.
Aquilo fez o espírito competitivo do treinador de Gustaph arder ainda mais.
- Não queremos! — replicou Marlon, no grito, ao lado do Absol.
A galera vibrou com o diálogo entre os treinadores. Thug jogou seu boné de exclusividade playsson para as arquibancadas e conferiu se suas Thunder Fangs (que se encontravam desativadas) estavam bem afiadas.
Gustaph não possuía nenhum, digamos, signature move, então continuou a recusar os funchos de JL Daleno com Marlon até que a bagaça ficasse dangerosa. E estava prestes a ficar.
- Thug – José Lucas deu o recomeço à batalha – Take that bitch down! — comandou.
Thug, como antes, foi pra cima do adversário, dessa vez buscando derrubá-lo.
Marlon sorriu com a iniciativa do oponente, e ordenou:
- Gustaph, Sucker Punch!
O Absol, rápido como uma sombra, atropelou o surpreendido Granbull, fazendo-o tombar para o lado, causando danos razoáveis. Thug se recompôs pouco tempo depois, a tempo de não levar outro encontrão do inimigo.
- Pode parar, Gus(taph, dã). Não faz sentido continuar no Sucker Punch, gasta muita energia.
De fato, o Absol já estava arfando. Sua velocidade era tamanha nos ataques que ele não conseguia parar de se movimentar depois de executá-los; era como se estivesse descendo uma ladeira e quisesse estacar. Ao final dos dois Sucker Punchs, Gustaph se encontrava razoavelmente longe de Thug, o que deu uma ideia a José Lucas Daleno.
- Thug, carregue o Focus Punch!
O cão, rapidamente, começou a concentrar energia na sua pata superior direita. Um pontinho de luz branco-azulado surgiu no meio da “palma” do Granbull, e foi expandindo até virar um globo tão coruscante e letal que parecia concreto. Os meios-anéis dos dedos da pata esquerda de Thug cintilavam ainda mais com o brilho do Falcon Punch wannabe.
- Esse Focus Punch não demorou o tempo normal pra ficar pronto... esse cachorro ficou treinando o golpe? – pensou Marlon, recusador de funchos. Estava impressionado; o playsson canino não dera nem tempo para Gustaph tentar impedir a construção do ataque.
O pokémon-desastre olhou para seu treinador, e suas pupilas claramente diziam “pode deixar que eu faço tudo sozinho” . Eu, sinceramente, não tenho ideia de como é esse olhar, tratando-se de Absols, mas e daí? No Nyah tem rios de fics +18 e quem as escreve geralmente nem sabe como é fud... *caham* Enfim. Marlon, por algum motivo inexplicável, conseguiu entender a expressão ótica de Gustaph e deixou o jogo seguir.
Thug, como tantas vezes antes, correu para cumprimentar o adversário com um brilhoso coquetel de falanges amargadas com puro suor cobalto. Tudo bem que aquele era um adversário peculiar, que não parecia incomodado com a perspectiva de tomar um Focus Punch em toda a sua totalidade de 150 power, tendo a expressão vaga e os olhos estranhamente brilhantes. Mas, ora bolas, bolotas e bolões, aquilo era uma vantagem vencedora para o Granbull. “Não importa o quão diferenciado Gustaph seja...”, ponderou o cão, eloquente, “Ele cairá, como todos os outros que enfrentei, com este murro focalizado”.
O pokémon de JL Daleno demorou pra perceber que tinha acertado um Substitute.
“Não levarei contragolpe novamente, projeto de felino infernal!”, grunhiu o Granbull, no meio da grande nuvem da “névoa” que antes constituía o pokémon substituto. O pitbull sabia que os espectadores só escutaram “GRARGHBURGH LLLL” de suas pragas, mas isso não o deprimia.
Inspirou poeira e oxigênio, concentrando-se como um monge zen-budista numa sessão pré-apocalíptica de meditação. Sentiu o ar parado e pesado de calor. O ambiente estava mais ruidoso do que pensava. Ouvia, de olhos fechados, cada grito ensandecido da arquibancada, de indivíduos que tratavam aquela nobre luta como uma rinha de galos.
Então, sentiu a bomba vindo. Como pensava: de baixo.
Gustaph emergiu no flanco direito do cão, mirando os pontos vitais do inimigo com sua Shadow Claw. Porém, Thug, no reflexo e no fócus, foi mais rápido, pegando na garganta do Absol . Com os dentes.
Thunder Fangs, pensou Marlon Recusador, quando viu a cena. A luta estava acabada...
...não antes de o Future Sight que Gustaph havia chamado segundos antes (com seus olhos coruscantes) acertar em cheio o pokémon de JL. Uma esfera negra, criada a partir do Substitute caído, frustrou o OHKO do Granbull e deixou os dois combatentes caídos de cansaço, não muito distantes um do outro.
Quando os monstrinhos se reergueram para tentar um golpe final, incentivados com fervor pelos seus treinadores e a plateia, todos prenderam o fôlego, com a exceção de Jin e mais uns aí, que tinham a visão da arena bloqueada e se assustaram com a repentina carga de oxigênio excedente que lhes invadira as narinas. O ruivo, especialmente, se sobressaltou com o tanto de ar e desabou, pedindo socorro com os braços erguidos em debate. Foi Gordon, que estava ali perto brincando no seu mobile, quem o ajudou, no momento em que Thug e Gustaph eram orientados pelos treinadores para o encontro derradeiro.
- Olha, eu realmente não curto esse lance de batalhar, como digo sempre, mas a rixa aí até que me convenceu. – comentou o Gordon, enquanto Jin se recompunha, boladaço. Ele respondeu:
- Então levanta a cabeça e assiste ao final disso aí.
- Não dá, você sabe que tem um cara mais gordo que eu atrapalhando nossa vista. Eu vi da batalha tanto quanto você. Ok, um pouco menos, já que eu tava fazendo coisas paralelas, mas assisti o suficiente...
O Helrick terminava de falar quando aquele embate terminava em empate, graças a um nocaute mútuo. As pessoas ao redor da dupla de protagonistas, particularmente o obeso na frente dos dois, gritavam de tesão e aplaudiam.
- O mundo é estranho. – disse Jin para Gordon, todo franzido.
- Os gordos são estranhos. – disse Gordon para Jin, tão franzido quanto sua barriga permitia.
*Fim do Capítulo 1.*
Fale com o autor