Pokémon Enimia
3 Pré-Capítulo 3:Amber
Notas iniciais
Olá, permita eu me apresentar, sou Amber Mcloud, filho do renomado cientista pokémon Belkior Mcloud.
Desde cedo ajudei meu pai em suas pesquisas, já que, modéstia parte, eu sou um pouco mais inteligente que a maioria. Meu pai nunca me colocou em um colégio, ele mesmo me dava aulas em casa, mas nunca soube se era isso que eu queria.As pesquisas pokémon são interessantes, eu descobri muitas coisas ajudando meu pai, mas... Eu sinto que não queria ser como ele.
Ele se separou de minha mãe, que fez com que eu não a visse, nem a meu irmão, por causa de suas pesquisas. Ele era um ótimo cientista, e durante minha infância, foi um ótimo pai. Mas quando meu irmão tinha por volta de 4 anos e eu 9, ele começou a mudar...e pra pior.
Ele não era mais um pai carinhoso, ele não dava mais atenção nem para mim, ou meu irmão, ou minha mãe, ou qualquer outra coisa que não suas pesquisas... ele não era assim... mas eu me recusava a ver suas mudanças. Pra mim, ele era o mesmo homem de sempre.
Só começei a aceitar quando eu não podia mais ignorar, quando suas pesquisas estavam começando a passar dos limites.
Ele estava produzindo uma pedra evolutiva capaz de evoluir qualquer pokémon para sua próxima forma sem nenhum tipo de treino, seria um avanço extremamente útil que fortaleceria os pokémons do mundo de uma maneira extremamente acelerada. Claro que não seria perfeito, pokémon ultima forma sempre são mais dificeis de treinar se você não acompanha sua evolução, mas ainda seria muito útil para quem quisesse utiliza-lá. Porém, o processo de criação dessa pedra era algo horrível, ela forçava o organismo do pokémon a crescer e mudar antes da hora. Era algo delicado, e foi necessário muito estudo na área de genética.
Capturavamos pokémons para testes, mas eles nunca sobreviviam, mudavam? Sim, mas não exatamente para sua próxima forma, e sim para uma versão grotesca e deficiente de uma fusão entre sua forma atual e a que ele deveria alcançar.
Eu tentei constantemente fazer meu pai reconsiderar essa pedra, que ela não valia a pena. Um dia ele cedeu, e me prometeu que não faria mais isso. Em um certo dia, eu já tinha meus 15 anos, comecei a ouvir um sussuro em meu ouvido, era algo que lembrava a palavra "socorro", era fraco, como se dito por alguém cansado ou ferido, eu comecei a procurar sua fonte. Eu passei pelo escritório de meu pai e o sussuro ficou mais alto, ele nunca me permitia entrar em seu escritório, mas eu não resisti, precisava saber quem estava me chamando, afinal, meu pai nunca escutou nada, ele achava que eu estava ficando louco. Quando entrei, vi um pequeno Abra, preso em uma máquina que o impedia de teletransportar, eu que ajudei meu pai a construir, ela impedia qualquer golpe de um pokémon dentro dela, foi projetada para conter pokémon perigosos, aquele Abra não me parecia perigoso, por que meu pai o manteu preso? Ai eu olhei para sua mesa, e vi o protótipo da pedra. Ele havia mentido para mim, para ele nada mais importava, apenas suas pesquisas, seus estudos, o seu tão desejado maldito avanço! Eu não aguentei, tirei o abra da máquina, ele estava cansado, faminto e fraco, a maquina era grande o suficiente para caber outros pokémon, e ela estava com manchas de sangue em seu interior, provavelmente meu pai nem tirava os outros da máquina até estarem mortos por aquela maldita pedra. Eu coloquei o abra em uma pokebola, juntei minhas coisas, e fugi de casa naquele dia.
Nomeei o Abra de Baltazar, ele merecia um nome, foi meu único amigo já que tive que sair de Pallet para meu pai não me encontrar. E graças a ele, descobri que posso ouvir os pensamentos de pokémon, eu "conversava" com ele, era estranho pois como um pokémon, ele não entende muito da linguagem humana, basicamente apenas comandos, mas era como se eu entrasse na mente dele, eu entendia como ele se sentia. Quando ele sentia medo, fome, alegria, raiva, ou qualquer outra emoção, eu sentia tambem.
Bem, continuando a história, vivemos em Viridian na casa de um senhor. Ele foi muito gentil conosco, nos convidou para sua casa quando nos achou sujos e com fome em uma rua qualquer da cidade.
Eu treinava muito com Baltazar pois sabia que não poderia viver de favor pelo resto da vida, por sorte o senhor era muito bom em batalhas pokémon, na época ele era o líder de ginásio da cidade! Nunca vou me esquecer da gentileza que o senhor Giovanni teve comigo, gostaria de retribuir algum dia. Ele vivia me dizendo que se arrependia de ter deixado seu filho em Johto enquanto ele trabalhava em Kanto, dizia que sentia saudade dele, talvez seja por isso que ele nos ajudou.
Bem, tudo que é bom chega a um fim, ele disse que teria que viajar a negócios e deixou a casa para mim, mas como eu não tinha completado meu treinamento, ele me recomendou ir ver uma amiga dele em Saffron, e eu fui.
O nome dela era Sabrina, e ela era a líder do ginásio psiquíco. Eu disse que Giovanni tinha me enviado, mas ela disse que isso não significava nada, que ela não treinaria um fracote, ou algo assim. Muita falta de classe pro meu gosto. Ela disse que só me treinaria se eu a derrotasse em uma batalha, eu aceitei seu desafio.
Seria uma batalha de 1 contra 1, já que eu só possuia um pokémon. Eu usei Baltazar, que graças ao árduo treinamento de Giovanni, já era um poderoso Alakazam. Sabrina também usou um Alakazam.
O primeiro movimentos de ambos foi igual, Light Screen, já esperavamos por isso, logo em seguida ela usou Charge Beam e eu Psybeam, os ataques colidiram causando uma pequena explosão, não feriu nenhum deles, mas foi algo crucial para a luta, pois isso mostrou que o alakazam dela tinha TM's, e isso me dava uma grande preocupação, que se provaram verdadeiras quando a escutei gritar, "ALAKAZAM, SHADOW BALL", era só o que me faltava, além do pokémon dela ser mais forte, tambem tinha um golpe que seria super efetivo em mim. A Light Screen me ajudou a aguentar durante um tempo, mas se continuase assim, eu perderia em breve.
Eu não sabia direito o que fazer, mas ouvi uma voz em minha mente de novo, Baltazar estava pedindo minha ajuda, meu "poder", eu não sabia o que isso queria dizer, mas deixei Baltazar entrar em minha mente, e por instinto, eu fiz... algo.
Baltazar começou a carregar uma rajada de energia e eu comecei a ajuda-lo, meu olho âmbar começou a brilhar e uma energia âmbar apareceu em minha frente, ela era direcionada até a energia de Baltazar. Quando as duas se juntaram, Baltazar lançou uma onda de energia na direção do Alakazam de Sabrina. Eu nunca vi um movimento desse tipo, e pelo visto foi bem forte, já que nocauteou o oponente.
Sabrina ficou revoltada, tentando argumentar o quanto aquilo foi trapaça, me questinando sobre que movimento era aquele. Eu não sabia responde-lâ mas não mudava o fato que ela estava sendo infantil, e acho q ela mesma percebeu isso.
Depois disso eu fui "aceito", e pratiquei essas novas "habilidades psiquicas" que eu tinha, além é claro, de aprender mais sobre batalhas pokémon.
Durante o treino, fiquei muito amigo de Sabrina, ela era o tipo de garota que parecia durona, mas se você conhece-la melhor, vera que é uma boa pessoa, caridosa e atenciosa com os amigos.
Infelizmente não terminei meu treino, pois tive notícias preocupantes, meu pai havia sumido, provavelmente raptado, pelo menos assim disse o homem no telefone.
Eu ainda estava bravo com meu pai, mas não era como se ele fosse um homem ruim, ele era um cientista, buscava melhorar nosso mundo, e por mais que eu detestasse quando ele acabava matando algum pokémon durante um experimento, ele tinha licensa para isso, então ele não estava errado...eu acho...
Bem, eu não havia terminado o treinamento, mas a própria Sabrina enguliu seu orgulho e admitiu que eu já tinha poderes tão grandes quanto os dela, talvez até maiores! Eu já tinha 18, era meio jovem ainda, e aquilo aumentou meu ego. Tinha grandes poderes psíquicos, e um poderoso ajudante. Estava pronto para ver meu pai.
Quando cheguei em seu laboratório, estava uma bagunça, era bem provavel que ele tivesse sido sequestrado, a policia me deixou dar uma olhada, e muitas coisas de meu pai haviam sumido, pesquisas, projetos, meu pai poderia ter surtado e saido dali, mas não pra continuar suas pesquisas. Meu pai poderia ter ficado louco, mas não era burro, ele não iria achar um laboratório tão bom quanto o do renomado Prof. Carvalho, mesmo depois de morto, suas pesquisas eram essencias para o trabalho de meu pai. Seus projetos eram "melhorias", como ele chamava, em pokémon. Mutações genéticas talvez, eu nunca vi seus "melhores" projetos. Se eu fosse algum tipo de fora da lei, eu gostaria de ter melhorias genéticas nos meus pokémon.
Eu tive tantas lembranças olhando aquele laboratório, tantos projetos que eu e meu pai fizemos. Tinha um computador ainda ligado, em sua tela a imagem de um kadabra, e uma antiga descrição que Carvalho havia colocado em um modelo antigo de pokédex, a descrição dizia: " Aconteceu um dia, um garoto com poderes psiquicos acordou, transformado em kadabra", eu já tinha lido isso antes, eu sinceramente achava bastante idiota, uma lenda estupida, mas após ler isso, eu começei a ter uma dor de cabeça, e quando olhei para um espelho que havia por lá, eu me surpreendi quando não vi a minha imagem, e sim, a de um kadabra. É, esqueci de falar, as vezes tenho algumas alucinações, os médicos disseram que meu cérebro processa informações muito rápido, por isso aprendo coisas rápido, mas eles falaram que poderia ter efeitos colaterais imprevisiveis.
Eu engoli um grito e fechei os olhos com força, quando os abri, eu estava no espelho, como sempre fui, como se nada tivesse acontecido.
Depois disso, eu começei a pensar, se eu era um humano ou talvez, algum tipo de pokémon, afinal, sempre tive uma inteligência superior, e também era o único a entender o que se passava na mente deles.
Mas apesar dessa questão martelar minha mente, eu precisava seguir a vida. E eu já havia decidido como. Eu me inscrevi na academia de polícia, ia achar meu pai, não importava como. Me destaquei como detetive graças a meus poderes. Eu podia sentir presenças, enxergar coisas que nem todos poderiam enxergar, saber quando alguém falava a verdade ou a mentira. Fiz uma certa fama, que veio bem a calhar. O treinamento me ajudou a arranjar mais pokémon, então também fiquei mais forte nas batalhas. Estava pronto para meu primeiro caso, e ele marcaria minha vida.
Como detetive, meu foco era a investigação. Me colocaram em um possivél caso de sequestro, um garoto tinha sumido durante uma "volta" de bicicleta pela floresta proximá a sua casa. Infelizmente eu cheguei atrasado em meu primeiro caso, eu tinha tanta coisa pra analisar no escritório que acabei "cochilando" durante algumas boas horas. Eu deveria estar lá por volta de 17:00 para um interrogatório, precisava colher o máximo de informações, já que o garoto sumiu sem deixar rastros, mas cheguei lá as 21:13. Mal sabia eu que isso me ajudaria a resolver o caso.
Quando cheguei na casa, o casal estava se preparando para dormir, eles tinham o hábito de dormir cedo, ainda mais depois que seu filho sumiu, acho que eles não viam razão para ficar acordados até tarde, estavam sem emoção, sem razão para viver, eu nem precisei ler as mentes dele para ver isso, estava estampado em seus rostos. Eu me desculpei pelo atraso, não esperava que eles fossem dormir tão cedo, mas apesar da tristeza, eles foram gentis e disseram que não havia problema, eles ajudariam no que pudessem.
Sendo sincero, eles não ajudaram muito, só falaram o que eu já sabia, eu entendia, eles estavam mais surpresos com aquilo que qualquer um, sabiam tão pouco quanto todos.
Porém, eu senti a presença de um pokémon perto da casa, eu olhei pela janela e vi a silhueta de um Hypno. A mulher riu e disse que era muita coincidência. Quando eu perguntei por quê, ela disse que tinha pesadelos com um Hypno recentemente. Seu marido disse que ele tambem estava tendo. Quando eu perguntei quando eles haviam começado, eles admitiram que foi pouco tempo depois do desaparecimento de seu filho. Eles ficaram assustados e perguntaram se tinha algo a haver, se era relevante. Eu fiquei com medo de dizer a verdade. Apenas sorri e disse que eles foram muito úteis e que eu daria meu melhor para achar o filho deles.
Assim que sai da casa, eu notei o Hypno fugindo pelos arbustos, eu decidi seguir ele. Me lembrando de uma descrição do Hypno na pokédex, que dizia sobre a fonte dos poderes dos Hypnos, virem de pesadelos e sonhos humanos que eles devoram, quanto mais sentimentais forem os sonhos, mais poder o Hypno consegue. Eu sempre me perguntei, se eles comiam sonhos para alimentar seus poderes, o que eles comiam para alimentar seus corpos?
Eu consegui segui-lo graças a meus poderes, que me impediam de perde-lo de vista. Eu estava convicto de que ele capturou o garoto para devorar os sonhos dele e dos pais para conseguir mais poder, talvez ele soubesse o endereço da casa pelas memórias e sonhos da criança, mas... eu estava apenas meio certo...
Quando eu cheguei em sua gruta, a primeira coisa que notei foi o cheiro, não sei dizer do que era, mas me arremetia a perigo. Estava muito escuro, liguei minha lanterna para ver melhor. Eu vi...o sangue nas paredes, as roupas rasgadas por toda a gruta, e o Hypno devorando um amontoado de carne já semi apodrecida, como se ele tivesse devorado aos poucos. Eu fiquei um tempo chocado, mas depois fui tomado por raiva. Não sabia ao certo por que, mas eu repetia pra mim mesmo, " Eu não sou isso, eu não sou isso". Usei todo meu poder psiquico, e o prendi. Foi como se algo muito pesado tivesse caido em cima dele, ele estava sendo pressionado entre meu poder psíquico e o chão, se debatendo sem parar. Eu tirei lentamente o revólver que me deram, eu nem tinha colocado as balas ainda, não achei que iria precisar. Lentamente coloquei as balas, uma a uma, no tambor do revólver. E com a mesma frieza, disparei todas as balas contra ele.
No dia seguinte, eu estava no enterro do garoto, o pequeno Benjamin. Em minhas mãos, um boné com seu nome gravado caso o perdesse, ainda com manchas vermelhas do sangue, a prova que aquele amontoado de orgãos, carne e ossos, um dia foi uma criança feliz, sorridente e brincalhona, que tinha várias pessoas que o amavam, não esperava que ser um detetive fosse ser tão dificil...
Quando terminaram de enterra-lo, eu coloquei o boné acima de seu tumulo, e agradeci a ele, por ser meu herói, já que foi o sacrificio dele que me fez notar que não importava se eu fosse um humano ou um pokémon, ambos podem ser bons ou maus. E que independente do que eu fosse, eu tentaria ser bom. E me desculpei por não ter conseguido ser para ele, o herói que ele foi para mim.
Aquele caso me marcou até os dias de hoje, nunca o esquecerei, mas meu trabalho está longe de acabar, o mundo começa a ficar mais caótico e confuso, e a região de Kanto e Johto estão sofrendo com os "Casos Corrosivos", e eu ainda preciso achar meu pai. Minha missão está longe de acabar.
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