Não há vento frio que me diga

Nem gotas de chuva que me faça acreditar

Que ainda há esperança

Esperança de que?

De mostrar para esse mundo que eu sou algo.

Afinal, o que sou?

Será que sou uma simples pessoa comum

Seria eu igual a todos

Como caminhar com esses pensamentos?

Como ser especial com isso?

Eu não sou nada

Não tenho um dom

Não tenho amor

Não tenho paz

Tenho apenas dor e solidão.

Todos os dias eu choro

Procuro consolo na tristeza

Ninguém me ajuda

Ninguém me quer por perto.

Por que existo?

Não há proposito nisso

Não sinto que eu seja algo.

A cada dia que passa sinto meu coração ser arrancado

Arrancado com meus pensamentos turbulentos

Com minha face quebrada por ideologias que me perturbam.

Hoje eu choro

A corda aperta meu pescoço

Meu coração bate forte

Eu ouço apenas ele

Meu único companheiro.

Tudo está á ficar escuro

Sinto meu pescoço se agonizar

Me pedir para retirar a corda

Mas... Não posso

Sou inútil demais para viver

E inútil demais para tentar sobreviver

Já não sinto esperança

Já não sinto mais felicidade.

Mas partirei me perguntando ainda

E mesmo sabendo que não terei resposta

Irei pronunciar ao vento e a alguém.

"O que sou?"