Ele riscava as paredes

Desenhava símbolos que ninguém entendia

Desenhava facas e cidades

Escrevia coisas como “eles te vigiam”

“Eles vão te comer vivo”, “eles são demônios”

Um louco que precisava de tratamento

Em seu quarto, vinte quatro horas, balançando a cabeça

Se contorcendo e gritando

O hospício nunca foi tão barulhento

Até outros loucos tinham medo dele

Uma mera pessoa que não sabia se controlar

Médicos e psicólogos resolveram puni-lo

E sempre que ele gritava, era levado para uma sala e era espancado

Ele chorava, mas ainda se contorcia como antes

E falava coisas

Coisas absurdas

“O mundo é o inferno”

“Quase todos são demônios”

“Somos todos vitimas de controle”

Muito tempo passou

E ele foi para um tratamento

Um simples e ótimo tratamento

Lavagem cerebral

E então ele passou a ser mais calmo

E desenhava flores em seu quarto

E ali ele permaneceu para o resto de sua vida

Escrevendo mentiras

E vivendo uma mentira, a qual todos o obrigavam

Por fim... Ele morreu assim...

E escreveu no chão com seu sangue

“Sou só um de muitos que virá”

“O jogo não acabou”