Poema
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Dedico à tia Mei, tuda sua, ok?
Boa leitura!
A garota de cabelos róseos saiu da sala apressada, vermelha de raiva. Seu professor de português, Zoro, havia passado uma tarefa simples: fazer um poema curto sobre o assunto que quisesse. Até aí tudo bem, fácil. Mas ele teve a brilhante ideia de formar duplas, e adivinhe com quem Perona caiu? Ninguém mais, ninguém menos, do que Mihawk.
Mesmo sem nunca ter admitido, a garota sentia certa atração por ele. Físico perfeito, cabelos negros e olhos que lembravam vagamente um falcão. Talvez pelo sentimento que nutria pelo rapaz, seu passatempo preferido era implicar com ele, e as brincadeiras eram sempre devolvidas.
Ela não queria fazer um poema com Mihawk. Simplesmente porque o único assunto pelo qual ela se interessava em escrever era romance. Mas para Perona, escrever sobre romance era o mesmo que escrever sobre Mihawk.
— Ei, chiclete! — ela ouviu uma voz grossa ao seu lado e sentiu uma pesada mão pousar em seu ombro. — Vamos terminar logo essa porcaria de tarefa, quero ir para casa.
— Claro, venha comigo, vamos para a biblioteca. — os dois estudantes andavam silenciosamente pelos corredores, tomando cuidado para não esbarrar em nenhum aluno apressado. — Você tem algum tema em mente, falcão?
— Sei lá. Não sou muito fã de escrever. E você?
— Humm... — murmurou, pensando se deveria falar ou não. — Pensei em escrever algo romântico. Mas você não deve gostar, então melhor não.
— Não tenho nenhuma ideia melhor, então pode ser.
— Jura?! — ele confirmou com a cabeça. — Ei, nós podíamos escrever sobre os nossos sentimentos. Acho que assim a tarefa ficaria bem mais fácil.
Ele nada respondeu, pois ficou um pouco relutante perante a sugestão da garota. Seus sentimentos eram baseados nela.
Os dois logo se viram em frente à porta que dava para a biblioteca. Entraram, fazendo o mínimo de barulho que fosse possível, se dirigiram à uma mesa mais afastada, que ficava no canto do recinto, e sentaram-se nas desconfortáveis cadeiras de madeira.
Perona tirou o caderno cor-de-rosa com cheirinho de morango de dentro da mochila e abriu-o em uma página que estava em branco. Pegou duas canetas, entregando uma ao colega, e começou a pensar.
— Como faremos? Cada um escreve uma estrofe?
— Pode ser. Se importa de começar? — perguntou a garota, nervosa.
— Ok.
Mihawk encarou o caderno sem saber o que escrever. Esta era, provavelmente, uma das melhores chances que teria para se declarar. Porém, se ela não sentisse o mesmo, não saberia o que fazer. Mas um dia ele teria que contar para ela, de qualquer forma. Então respirou fundo, e começou a escrever.
"Aqui estou eu,
Começando minha declaração.
Não acredito que tomei coragem,
Ai, que emoção."
A garota encarou o papel, confusa. O que aquilo queria dizer? Sem encarar o garoto, começou a escrever.
"Meu querido, meu amado.
O que estás a declarar?
Não entendi porcaria nenhuma
Trate de me contar."
Mihawk leu as confusas palavras ali rabiscadas e sorriu, achando engraçado a confusão da garota.
"Eu, parece estranho.
Nunca falei nada disso.
Mas saiba, minha amiga,
Que eu sempre te amei, é isso."
As bochechas de Perona adquiriram um leve tom avermelhado, que foi ficando mais intenso enquanto ela escrevia.
"Então está falando
Que me ama, gosta de mim?
Saiba que é correspondido
Apesar de ser esquisito, enfim."
Seu coração deu um salto, e ele sorriu vitorioso. Que bom que decidira se declarar através do poema!
"Fico feliz em saber disso.
Pois tenho fortes sentimentos para contigo
Mas o que que quero saber é:
Quer namorar comigo?"
Perona pegou o caderno e fechou-o delicadamente, ignorando o olhar surpreso do rapaz. Havia perdido a vontade de fazer a tarefa, pois tinha assuntos muito mais importantes para resolver naquele momento.
— Ainda não consigo acreditar que você goste de mim, e fico feliz em dizer que minha resposta é sim.
— Então vamos sair daqui, ó minha doce Perona. — ele fez uma careta, sem conseguir pensar em nada para falar. Até que... — Porque eu tenho que comprar um desodorante Rexona.
— Você é tão idiota!
— Claro, mas a partir de hoje, sou seu idiota.
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