Capítulo 1

Edward Cullen saltou do táxi em frente ao aeroporto de Seattle. Agradeceu ao motorista e pagou a viagem. Ele puxava uma mala média, adentrando o local. Até o momento Edward não podia acreditar que tinha deixado seu irmão mais velho e desmiolado convencê-lo a fazer essa viagem.

Certo que ele precisava de um tempo, mas deixar a empresa e sua noiva por uma semana era insano. Mas após a passagem estar comprada e a mala estar feita, não havia muito o que fazer a não ser respirar fundo e tentar incorporar o espírito das férias.

Edward esperou no saguão do aeroporto por cerca de vinte minutos. Logo seu voo foi anunciado: Las Vegas. Ele riu por dentro. Dirigiu-se até o embarque um pouco mais animado do que estava antes.

O voo foi calmo e o tempo passou rápido. Edward ouvia suas músicas prediletas enquanto fazia o trajeto de Washington à Nevada. Quando o avião pousou em seu destino, ele sentiu o clima da cidade logo de cara. Era dia, então não pode ver as luzes piscando, mas a magia da cidade estava por todo o ar. Tomou um táxi até o hotel onde ele ficaria hospedado. Era um local muito bem arejado e bem decorado. Identificou-se na recepção e dirigiu-se aos seus aposentos, jogando-se na cama king size antes de tudo.

– Vai ser uma longa semana. — falou encarando o teto.

Edward tomou um banho, enrolou uma toalha com as iniciais do hotel gravadas no tecido em seu quadril e então fez algo que ele não fazia há muito tempo: nada. Ficou deitado na cama confortável ouvindo algumas músicas de vez em quando. Quando já era noite, decidiu pedir seu jantar. Não demorou, ele recebeu sua refeição em seu quarto. Após comer se arrumou para dar uma volta pela cidade.

Ele dirigiu-se até onde ficavam as boates mais movimentadas. As luzes piscavam freneticamente anunciando os locais. As ruas estavam repletas de pessoas contentes, curtindo a noite. Quando ele desceu do carro de aluguel, andou a pé por mais algum tempo, decidindo em qual casa noturna ele entraria. Não tinha certeza se o clima de uma boate era a melhor coisa para relaxar. No entanto chegou a conclusão de que não havia mal em tomar uma bebida e ouvir uma música animada, em meio a pessoas felizes.

Uma casa noturna chamou sua atenção. Ela tinha a fachada escura e grandes portas de vidro fumê, uma grande placa escrita em neon convidava as pessoas que passavam a frente a entrar. Ele decidiu ver o que havia lá dentro.

Na porta da boate havia um segurança mal encarado, de uns dois metros de altura, vestindo uma roupa preta. Edward não se sentiu intimidado, ele era tão alto e forte quanto o homem que guardava a entrada. Ele se identificou e então o segurança permitiu sua passagem.

Quando Edward adentrou o local sentiu um clima estranho. Não era algo ruim de verdade, mas o ambiente era um pouco pesado, cheirava a algo muito sensual. A iluminação era pouca, a música não tocava alta. Haviam muitos homens sentados em grandes estofados próximos à mesas com bebidas, alguns deles tinham em seus colos garotas vestidas de forma atraente, muito maquiadas. Havia um palco, que Edward pressupôs que fosse para apresentações de música. Caminhou até o bar, uma moça o atendeu muito sorridente, era uma loira vestida de preto, com seus cabelos platinados bem presos no topo de sua cabeça. Ela atendeu Edward com muito entusiasmo, por assim dizer.

– Boa noite, senhor. O que vai querer? — falou docemente. Edward sorriu um pouco.

– Um martíni, por favor. — pediu e entregou uma nota alta para a mulher. Ela arregalou um pouco os olhos e então compreendeu que Edward, apesar de parecer casual, tinha muito dinheiro. Na verdade, muitos dos homens que visitavam a casa tinham muito dinheiro a gastar durante a noite.

– Aqui está. — ela entregou o copo ao homem a sua frente. — Caso queira mais alguma coisa... — falou um pouco oferecida. Edward riu, era uma ação natural.

– Muito obrigada, senhorita. Vou me lembrar disso. — falou dando um sorriso torto que fez a loira desfalecer. Logo outro cliente chegou ao bar e então ela teve que voltar-se para atende-lo, deixando Edward sozinho com sua bebida.

Ele ficou sentado em um dos bancos, dando uma boa olhada no local. O ambiente era muito bonito, mas havia algo muito sexual no ar. Não que ele nunca tivesse visto boates com garotas de programa, mas isso ainda lhe causava algum estranhamento. Lembrou-se de sua noiva. Ela surtaria caso soubesse que ele estava frequentando um lugar como aquele.

Na verdade, ela surtava por qualquer coisa. O fato de Edward sair de casa todos os dias e conversar com outras pessoas que não ela já era suficiente para que começasse uma discussão. Isso estava se estendendo por muito tempo. Ele já estava farto de tantas brigas, de tanta desconfiança, de tanta falta de apoio e carinho. Nem mesmo o sexo entre eles estava tão bom quanto antes. Para falar a verdade, Edward sequer tinha mais vontade de se deitar com Tania. Ela era muito bonita, claro, mas era só ela começar a falar que ele perdia toda a excitação.

Lembrando-se de seus males, o Cullen virou o martíni em sua boca de uma só vez. Tratou de pedir mais um e a bargirl o atendeu de bom grado. Quando ele já estava em seu terceiro copo as luzes já fracas da boate se apagaram completamente. Silêncio se instaurou no local. Uma luz se acendeu na direção que Edward reconheceu ser a do palco.

Então essa única luz focou uma figura pequena no palco. Era uma jovem mulher linda. Não devia ter mais que vinte anos. Ela estava vestida com um sutiã preto que prendia seus seios firmemente, um short muito curto de couro com um grande cinto. Ela se equilibrava sobre pesados saltos. Seus cabelos castanhos caíam por seus ombros, sua pele muito branca. Ela mantinha seus olhos fechados.

Edward pode ouvir ao fundo iniciar a conhecida música da The White Stripes. Assim que começaram as primeiras batidas, a moça no palco começou a se mover, jogando a cabeça para trás, deixando que seu longo cabelo caísse por suas costas. Ela então se aproximou de um mastro prateado, agarrando-o com uma das mãos. Quando a música acelerou ela passou a girar em torno dele, sempre jogando seu cabelo, como que para enfeitiçar aqueles que estavam a observando. Então ela passou a mover os quadris de uma forma tão sensual que o corpo de Edward vibrou.

Ele não conseguia tirar os olhos dela nem por um segundo. De repente todo o seu corpo ardeu ao olhar a pequena mulher, linda, dançando de maneira provocativa, mexendo seus cabelos de um lado para o outro, seus quadris se movimentando da mesma forma. Seus lindos seios bem firmes enquanto ela girava e girava em torno do mastro.

Edward passou a mão pelos cabelos de maneira nervosa, não conseguindo tirar os olhas da figura no palco. A música não era longa e logo a moça fez seus últimos passos de dança, terminando aos pés do mastro. As luzes se apagaram novamente e todas as pessoas presentes aplaudiram, tirando Edward de sua bolha. Quando as fracas luzes se acenderam novamente ele se deu conta de onde estava. Percebeu que sua boca estava um pouco aberta, tratou de fecha-la antes que babasse.

O ambiente voltou ao normal, as pessoas se aquietaram em seus lugares. Ele olhou em volta atordoado. Terminou sua bebida e saiu do bar. Precisava de luz e um pouco de silêncio. Caminhou por um corredor mais iluminado, tentando achar um banheiro. Não foi difícil de encontrar, ficava logo de frente para o corredor. Ele entrou no banheiro e se olhou no espelho. Seus olhos verdes brilhavam um pouco mais que o normal, sua boca estava fechada em uma linha, sua respiração estava um pouco ofegante.

– Merda! — ele praguejou. Aquele show o havia deixado tão excitado, como há muito tempo ele não ficava.

Jogou água em seu rosto, tentando se concentrar. Ele realmente não queria andar pelas ruas de Las Vegas com uma protuberância em sua calça. Ficou por mais alguns minutos apenas olhando para sua imagem no espelho. Ele não conseguia esquecer a figura sensual no palco. Quem seria ela? Seria mais alguma garota de programa?

Balançou a cabeça para um lado e para o outro, tentando espantar os pensamentos.

– Tudo bem, Edward, acho que foram muitas emoções para tão pouco tempo. — sorriu para seu próprio reflexo e saiu do banheiro fechando a porta atrás de si.

Havia outro corredor, perpendicular ao corredor do banheiro. Edward pode ouvir vozes. A primeira, de um homem, falava um pouco alto de mais e com um tom irritadiço. Ele brigava com alguém. A segunda pessoa, uma mulher tentava se defender. Ela parecia um pouco assustada. Edward caminhou silenciosamente até lá, tentando não ser visto.

– Você começou a noite muito bem querida. — o homem dizia. Edward pode vê-lo apenas de costas. Mas de frente para o homem estava aquela moça, a que o Cullen tinha visto no palco há poucos minutos. Com certeza era ela, ele pôde reconhecer. — Mas agora você precisa terminar o seu trabalho. — ele coloca uma mão no rosto pequeno da delicada mulher. Edward notou que ela tentou se desvencilhar, mas o homem não permitiu. — Agora, Bella, você vai lá pra fora e vai oferecer o que você tem de melhor àqueles homens todos, entendeu? Eu tenho certeza que você pode fazer isso muito bem. — a voz do homem tornava Edward enojado. Como ele podia falar uma coisa dessas para aquela pequena mulher? Edward se conteve para não intervir.

– Eu já fiz o maldito show, agora me deixa em paz. Eu não vou fazer mais trabalho nenhum. — ela falou. Edward prestou muita atenção na garota que o homem chamou de "Bella". Ela falava com um sotaque que lhe parecia espanhol.

– Ah, você vai. Você vai fazer tudo o que eu quiser e você sabe muito bem disso. Agora chega de conversinha. — o homem segurou um braço da garota com força. — Vá fazer dinheiro, bebê.

O homem caminhou pelo corredor, entrando em um dos quartos e batendo a porta com força atrás de si, deixando a garota confusa, triste, sem saber o que fazer.

Edward se preocupou ao ver a cena, mas não sabia ao certo o que poderia fazer. Aquele homem a tratou de forma tão ameaçadora, ela devia ser apenas mais uma prostituta da boate. Mas sua aparência era tão frágil e doce e ela parecia tão assustada. A moça não queria fazer aquilo que o homem estava ordenando que ela fizesse.

Ele, em um impulso, caminhou para longe deixando a estranha cena para trás. Voltou ao local onde as pessoas estavam se divertindo na boate.

– Acho que é hora de ir embora. — falou para si mesmo, sentindo-se estranho.

Mas quando ele estava determinado a ir embora a figura pequena apareceu em seu campo de visão, adentrando o local pelo mesmo corredor que ele acabara de passar. Ela sorria, seus lábio pintados de um vermelho sangue. Ela olhou ao redor, fitando as pessoas. Não parecia tão animada quanto sua expressão sugeria, Edward pode perceber. O sorriso não tocava seus olhos.

Bella aproximou-se do bar, algumas pessoas olharam para ela, alguns homens olharam com cobiça. Ela ficou parada em pé por um instante, como que esperando que alguém fosse até ela. Edward caminhou até ela, sem pensar realmente no que estava fazendo. Aproximou-se da figura, ela estava virada de costas para ele e então não o viu chegar. Quando ele estava próximo o bastante da pequena figura a sua frente respirou fundo, tomando coragem e falou com ela.

– Olá. — disse casualmente. Ela se virou e o encarou com seus grandes olhos castanhos.

Bella encarou o homem a sua frente por alguns segundos sem nada responder. Analisou bem a pessoa. Sentiu-se um pouco mexida pela aparência do homem. Edward vestia uma calça jeans escura, um pouco justa em seu corpo, camisa preta e uma jaqueta. Seus cabelos cor de bronze estavam desarrumados despropositalmente. Seus grandes olhos verdes esmeralda estavam direcionados a ela. Seu traços eram másculos, seu corpo musculoso. Bella arfou bestificada com a figura a sua frente.

– Olá. — respondeu por fim, com seu sotaque espanhol muito acentuado.

– Eu posso te oferecer uma bebida? — Edward indagou gentil.

Ela sorriu um pouco mais. — Claro. — respondeu.

Os dois se dirigiram até o bar. A mesma atendente os recebeu.

– O que você gostaria de beber? — ele questionou.

– Vodka. Sem gelo. — ela pediu. Edward achou o pedido um tanto forte, mas deu de ombros.

– Uma vodka sem gelo e outro martíni. — pediu à loira. A mulher já não estava com o mesmo sorriso convidativo. Na verdade ela estava um pouco emburrada ao ver o homem ao lado da nova garota da boate.

– Então, qual é o seu nome? — Edward pergunta de forma simples.

– Bella. — ela respondeu o encarando.

– Bella. — ele repete. Bem, ele já sabia disso. — Meu nome é Edward. — informa.

– Muito prazer. — ela responde e todos os fios de cabelo do corpo de Edward se arrepiam. A forma como a jovem mulher falava era tão excitante.

A bargirl entregou as bebidas aos dois. Bella pegou e deu um grande gole, fazendo uma careta quando a bebida desceu queimando sua garganta. Edward observou os movimentos de Bella atenciosamente.

De repente Bella notou atrás de Edward, ao longe, a figura do homem que havia "conversado" com ela antes. Seu corpo todo estremeceu. Edward percebeu que ela encarava alguém e seguiu seu olhar, vendo o familiar homem observando atentamente os dois.

Bella limpou a garganta e depositou suas bebida sobre o balcão.

– Então, Edward... — pronunciou o nome do homem de uma forma quente, sensual. — Quais são seus planos para essa noite? — indagou passando uma de suas pequenas mãos pelo peito de Edward.

O Cullen estremeceu com o toque, mas logo percebeu que ela só estava fazendo aquilo porque havia um homem logo atrás observando tudo que ela fazia, comandando seus movimentos à distância. No entanto ele não tinha como recusar o contato.

– Por quê? Tem algo em mente? — provocou. Ela riu um pouquinho e olhou por debaixo de seus cílios. Edward tremeu.

– Eu tenho tanto em mente. Se você quiser e posso te mostrar... — convidou. O desejo tomou Edward. Aquela linda e pequena mulher estava abertamente se oferecendo para ele, passando uma de suas mãos em seu peito e tornando tudo ainda mais difícil.

Ele fechou a distância entre os dois, encostando seu corpo no dela.

– E o que eu preciso fazer para que você me mostre? — sua voz pingava desejo.

Ela riu e aproximou seus lábios do ouvido do homem.

– Você só precisa me levar para um daqueles quartos e ter tudo o que quiser. — sussurrou, mordendo a ponta da orelha dele em seguida. O corpo de Edward se acendeu completamente. — Vem. — ela o puxou pela boate, de volta para o corredor de onde ela tinha vindo antes, mas direcionando-o para os quartos. Ela abriu uma das portas e deu passagem para que Edward entrasse. Em seguida ela também o fez fechando a porta atrás de si.

O local era tão pouco iluminado quanto o resto da boate, as paredes eram de um tom escuro. Havia uma grande cama redonda coberta por um lençol vermelho sangue. Edward sentiu a antecipação. Então ele virou-se para a pequena figura atrás de si e encontrou não mais aquela mulher provocativa e sexy de antes, mas uma mulher que parecia estar assustada, como se toda a confiança tivesse fugido. Realmente, ela devia estar muito confusa. Edward se sentou na beirada da cama e deu batidinhas no colchão ao seu lado, convidando-a a se sentar ao seu lado. Ela caminhou até ele a passos curtos e enfim sentou-se no local indicado.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.