Pode seguir o roteiro?
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Faz tantos anos que não escrevo uma fanfic que nem sei por onde começar.
—Não! Pelo amor de Deus! — Exclamei dando meia volta ao ver Sakura e Tenten na porta da floricultura.
Eu já sabia o que elas queriam...
—Mas não falamos nada! — Ouvi Sakura. Parei e olhei para trás, muito desconfiada gesticulei com a cabeça para que ela continuasse. — Viemos te entregar essa encomenda. — Ela tinha um bilhete na mão.
Respirei fundo e caminhei até elas, a rosada me entrega o bilhete. Li o bilhete e percebo que era uma encomenda de um buquê de lírios brancos, a princípio fiquei empolgada com a escolha, afinal, é uma das minhas flores preferidas. Mas quando cheguei ao final percebo que estava assinado “Admirador secreto”, logo minha alegria foi embora.
—O que é isso? — Pergunto por fim.
Antes de me responder percebo que Tenten lançou uma piscada para Sakura.
—É que um admirador secreto passou na minha loja e deixou isso comigo, a Sakura viu e decidimos vim te entregar. — Ela comentou empolgada.
Tento fazer minha melhor expressão de “obrigada por entregar o bilhete, mas não quero” que pude.
—Gentileza de vocês... — Comecei, mas fui interrompida.
—Você não pode perder essa oportunidade! Principalmente com o casamento dos nossos amigos. — Sakura foi logo intervindo.
—Tenho certeza de que Naruto e Hinata não se importarão de eu ir sozinha no casamento deles. — Frisei.
—Mas...- Ela definitivamente era uma garota insistente.
—Além do mais, eu nem conheço ele! — Conclui amassando o bilhete.
—Lamentamos muito Ino, só queríamos ajudar...- Tenten lamentou.
—Eu sei...- Bufei revirando os olhos.
A grande verdade é que eu dei um tempo em relacionamentos amorosos. Meu último, com um rapaz chamado Sai foi extremamente desgastante e angustiante. Foi meu relacionamento mais longo, onde aprendi o que de fato é amar uma pessoa genuinamente. Porém, lidar com os sentimentos reprimidos de outra pessoa é muito difícil e na época eu não estava preparada para lidar com isso. Terminamos por fim. Tentei preencher esse vazio com relações curtas, porém não deu nada certo. O tempo foi-se passando e as pessoas ao meu redor me deram um apelido “carinhoso” de tiazona. Mesmo tendo muitos ‘admiradores’, eu não queria nenhum deles.
Sem muita insistência as garotas foram embora, fui me distrair regando as flores e quando percebi já estava fechando a loja para ir para casa. Tirando a tentativa falha de mais cedo, o dia havia sido agradável. Eu havia me programado para ir a uma loja de tecidos para escolher minhas vestimentas para o grande dia e em seguida ir jantar num restaurante novo que abriu na cidade vizinha, o perfeito programa para uma solteirona despreocupada.
—Vou ficar com esses. — Informei a vendedora entregando-lhe as peças. — Obrigada.
Sai da loja com minhas sacolas me sentindo revigorada. Definitivamente eu amo fazer compras! Peguei um Uber e logo estava no restaurante novo chamado Flor de Sal. Uma comida caseira acompanhada de um pudim é tudo o que preciso para encerrar meu dia.
Um sorriso largo estava estampado em meus lábios quando entrei. havia em minha frente duas pessoas conversando com o gerente. Logo seria minha vez. Mas algo inusitado prende minha atenção, um certo “cabelo rosa” na mesa a minha esquerda me faz suar frio. Tudo bem, a Sakura ir ao mesmo restaurante que eu, o grande ponto é que ela estava acompanhada de um homem! Não... não era o Sasuke-kun, seu noivo. Mas um desconhecido! Se fosse outra pessoa acharia que ela estava o traindo, mas ela nunca faria isso com Sasuke. Eu conheço muito bem ela. Ela estava conversando com um “possível” pretendente para mim.
—Reserva para hoje? — O gerente pergunta.
Estava tão perdida em meus pensamentos que me assustei com o homem a minha frente.
—Ahm...- Eu não tive tempo de formular uma resposta, pois Sakura havia olhado em minha direção. — Sim! — Exclamei dando passos largos a direção oposta à dela. — Já encontrei minha mesa obrigada! — Informei tentando soar o mais natural possível.
Sem prestar muita atenção, localizei uma mesa com uma pessoa que estava entretida em seu celular, havia um lugar vazio a sua frente. Por Deus! Que esteja sozinho. Pensei antes de me sentar e sentir minhas bochechas esquentarem. Um sorriso falso estava estampado em meu rosto.
—Por favor... — Eu sussurrei assim que ele levantou os olhos para mim. — ... segue o roteiro?!
—Hn?
Antes que esse homem misterioso pudesse dizer qualquer coisa, Sakura já estava em minha cola de frente para nós. Sua expressão era de espanto misturado com surpresa.
—Ino? O que faz aqui... o quê.... quem? — Ela estava tão sem graça quanto eu.
—É um encontro Sakura. — Tentei manter minha voz o mais firme possível, mas era difícil. O nervosismo corria por minhas mãos e pernas. — Que surpresa ver você aqui com... — Eu desvio meu olhar para o homem misterioso que estava acompanhado dela.
Ela rapidamente tampa a minha visão, dava para ver que ela estava tão nervosa quanto eu. Bem-feito, intrometida!
—Um amigo! — Diz de imediato colocando uma mexa atrás da orelha. — E você está com o...?
De repente, ela devolve a bomba para mim. Olho para o meu misterioso companheiro que tinha uma expressão neutra em sua face. Quando o encarei, notei que ele era um jovem loiro de cabelos longos e olhos azuis, se não me conhecesse bem, Sakura chutaria que talvez ele fosse um parente distante. Mas não era o caso. Era apenas um jovem loiro como eu.
—Deidara hn.- Ele responde indiferente.
—Deidara, Sakura. — Repito lançando lhe um olhar que já dizia o meu desgosto para com ela estar ali na minha frente.
Ele estende a mão a ela que aceita de prontidão.
—Ah bem, bom jantar! — Ela conclui se afastando e voltando a sua mesa, percebo que ela conversa algo com o rapaz de sua mesa que tinha uma expressão de surpresa.
Retorno meu olhar ao jovem em minha frente, ele me encarava fixamente. Meu sorriso falso volta com força aos meus lábios. Eu precisava quebrar aquele silêncio horroroso.
—Você está ... acompanhado? — Pergunto quando o garçom deixa a bebida dele na mesa. Um champanhe, talvez ele esteja comemorando algo.
—Não hn. — Ele responde ainda indiferente. Definitivamente ele era um jovem de poucas palavras... ou talvez eu espere demais de alguém que conheci em menos de 5 minutos, é justificável sua reação para comigo. — E você é...?
—M-muito prazer! — Começo gaguejando. — Me chamo Ino Yamanaka.
Me senti boba, frágil. Não estava confiante pois não estava preparada para aquela situação totalmente inusitada. Geralmente os ‘caras’ vinham até mim e não o contrário! Isso me pegou totalmente de surpresa.
Sua expressão se manteve, isso me incomodou um pouco confesso. Mas eu estou sendo precipitada demais, afinal foi eu quem invadiu o espaço dele.
—Olha me desculpe por agora cedo... eu nem sei por onde começar... eu só vi essa cadeira livre e... e....
—E resolveu se sentar hn.- Ele concluiu por mim.
—É.- Conclui soltando o ar dos meus pulmões.
Eu precisava de um drink para começar a falar, estava prestes a chamar o garçom quando ele me oferece seu champanhe. Sem hesitar eu o aceito e tomo aos poucos, minhas mãos tremiam de nervoso. Por que estou assim? Calma!
—Obrigada. — Agradeci pousando a taça na mesa. — Eu sinto muito te envolver nisso, mas é que estou cansada de ser apresentada a rapazes aleatórios só porque estou solteira a muito tempo! — Eu devia ter falado de forma mais calma. — Então...vi sua mesa e te apresentei como um suposto rapaz que estou conversando. — Falar isso em voz alta fez parecer mais bobo do que pensei.
—Eu entendo hn.- Ele começou. — Passo pela mesma situação que você hn.
Isso me fez ficar mais aliviada, ele pode ser de poucas palavras, mas pelo menos sabe o que falar. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, o garçom retorna a nossa mesa.
—Gostariam de pedir agora?
Desvio meu olhar do garçom para Deidara que me encarava, talvez eu devesse escolher primeiro? Pego o menu e escolho a primeira massa que vejo. Ele pede o mesmo que eu.
—Obrigada. — Eu digo entregando o menu ao garçom. — Então... você veio esta noite para comemorar algo? — Eu precisava deixar as coisas descontraídas, já que oficialmente estava num encontro. Mesmo que de forma nada planejada.
—Não, eu vim a um encontro hn. -Ele diz.
Meu sorriso falso se dissolve e logo sinto meu estômago queimar.
—Mas eu levei um toco hn.- Ele concluiu ao ver minha expressão.
—Não estou atrapalhando? — Eu digo de prontidão, não seria o fim do mundo me levantar e ir para outra mesa, só humilhante mesmo já que Sakura veria.
—De forma alguma hn.- Ele diz sorrindo pela primeira vez desde que me viu. Isso é um progresso?
—Então...- Eu estava confusa.
—É que estou aqui sentado há mais de três horas e nenhum sinal dela hn. — Ele me mostra a tela do celular, onde havia uma mensagem dele perguntando se ela viria mesmo. Isso a meia hora atrás.
—Ah...- Foi a única coisa que consegui dizer. — Eu sinto ...
—Muito hn?- Ele concluiu ainda com um sorriso no rosto.
Eu nego com a cabeça.
—Na verdade eu fico bem grata. — E não menti. Esse rapaz salvou meu final de dia. E o melhor de tudo foi que eu nem precisei ser hostil.
Conversamos relativamente muito naquela noite, resolvemos então trocar nossos números para caso houvesse uma “situação” como essa.
—Um salva o outro! — Eu comentei rindo. Acho que estou bêbada...
—Sim hn.
Eu havia tomado bebida alcoólica naquela noite, não me lembro bem o que houve depois de trocarmos nossos números. Mas lembro vagamente de chamar um Uber e ir para casa. Cheguei, tomei banho e dormi. E logo, já era de manhã. Confesso que não sei o que fazer agora, deveria mandar alguma coisa? Não! Claro que não.
—Bom dia. — Ouço meu pai dizer, ele estava na porta do meu quarto. — A noite foi boa hein. — Ele conclui olhando minhas sacolas.
—Dia. — Respondo cobrindo meu rosto. Definitivamente não queria conversar com ninguém agora, mas continuei. — São para o casamento do Naruto e da Hinata.
—Ah verdade! E você vai acompanhada de quem?
Grrr !
—Vou sozinha! — Respondi tentando ser educada. — E vou estar radiante. — Conclui me levantando e recolhendo as sacolas do chão.
—Hm... falta ainda duas semanas, talvez mude de ideia.
Sei que meu pai tem boas intenções, mas é difícil não ficar frustrada por estar ouvindo esse tipo de coisa. Já não basta ouvir isso dos meus amigos e agora tenho que ouvir dentro de casa?!
Nem tomei café da manhã, me arrumei e fui logo para a floricultura. Encarar meu pai é uma coisa, mas com minha mãe junto só pioraria meu caso amoroso e o porquê de eu ir sozinha para um casamento. Não demorou muito para minhas visitas rotineiras chegarem.
—Mas o que foi aquilo Ino?! — Sakura quase quebrou a porta de tão forte que abriu. Dessa vez ela estava acompanhada de Hinata e Temari.
—Bom dia para você também! — Respondi com meu bom e velho sorriso falso.
—Você está saindo com alguém? — Perguntou Hinata. — Por que não disse antes? O seu convite foi individual e...
—O quê? Não! Eu não estou! Ontem foi apenas...- Elas tinham um olhar intimidador sobre mim. — Um lance..
— “Lance”? — Repetiu Temaria perplexa. — Não sabia que você era desse tipo Ino...
Respiro fundo e tento encontrar as melhores palavras. Por que é tão difícil explicar certas situações para as pessoas?
—Eu não sou “desse tipo”. — Frisei. — Ontem à noite só aconteceu ...
— Por que não nos disse? — Sakura parecia realmente chateada com isso. — Eu iria te apresentar o ...
—Foi por isso! — Exclamei a interrompendo. — Eu não quero conhecer homem nenhum vindo de você! Eu não estou carente, okay? E vou ao casamento sozinha!
—Mas e o homem de ontem? — Perguntou Hinata.
—Deidara!- Sakura informou. — Como ele fica nessa situação?
—Ele fica na dele! Não estamos namorando nem nada do tipo! — Informei.
Silêncio reinou na floricultura. Espero que elas estejam digerindo a mensagem, e me deixem em paz.
—Então...- Hinata cortou o silêncio constrangedor. — Semana que vem as meninas e eu iremos a um SPA, e queríamos saber se você gostaria de ir também.
Obrigada por mudar o assunto Hina!
—Claro.- Respondo aliviada.
O dia ficou mais leve quando elas se despediram e foram para suas respectivas atividades. Pude cuidar das flores com mais concentração. Foi até prazeroso estar ali, sozinha e fazendo o que gosto. Resolvo ir almoçar em casa, para não esbarrar em nenhuma das meninas e ter de conversar sobre todo aquele interrogatório de novo. Mas para meu azar, no caminho dou de cara com Sai.
—Oi.- Ele cumprimenta.
—Ah.. Oi. — Respondo. Eu não quero estar aqui.
Ele tinha um semblante triste no olhar, acredito que seja mais pelo fato de seu irmão ter sido assassinado do que pelo nosso término. Sempre que estive com ele, ele não parava de falar sobre. No começo eu fui compreensiva, amorosa e boa ouvinte, mas eu comecei a me desgastar muito. Fui feliz ao seu lado apesar da sua grande dor, mas ... não existe mais nós.
—Eu queria que soubesse que ainda estou apaixonado por você. — Ele sempre foi um cara direto.
E lá vamos nós de novo...
—Eu sei.- Foi a única coisa que pude dizer.
Não demorou muito nossa conversa, pois logo em seguida ele já foi embora. O Sai sempre foi esse tipo de cara. Direto ao ponto sem rodeios, e se retira sempre que necessário para não ter enrolação. Demorei bastante para entender esse jeito dele de ser e sendo bem sincera, está tudo bem em ser assim. Só não desejo que ele fique remoendo esse sentimento que tivemos para todo o sempre.
Almocei pensativa e sem muita conversa com meus pais. Esses dias têm sido agitados e inusitados, por um lado é bom sair da rotina, mas por outro é bem cansativo. Distraidamente resolvo pegar meu celular para ver as redes sociais, mas uma mensagem de um certo rapaz que acabo de conhecer me prende a atenção.
“Bom dia, gostaria de saber se está livre no próximo fim de semana? Seria para um almoço aqui na corporação.”
Confesso que fiquei uns bons minutos lendo e relendo sua mensagem. Desde quando eu aceitei sair com esse moço? Desde o dia em que você se sentou na mesa dele no restaurante e fez ele fingir ser seu suposto namorado, Yamanaka! Uma ponta de arrependimento me bateu na hora, mas quem mandou eu envolvê-lo na minha mentira?
“Bom dia, claro.”
Foi a única coisa que consegui mandar para ele. Próximo a data de encontro, ele mandou outra mensagem dizendo que iria me buscar em casa. A princípio fiquei com borboletas no estômago pois meus pais veriam e a enxurrada de perguntas sobre quem era esse rapaz iria surgir. Mas deixei isso de lado, afinal, eu tenho 19 anos! Sou bem grandinha para mudar de ideia e sair com rapazes se eu quiser. Mas no caso era tudo de mentirinha. Era?
—Você está muito bonita hn. — Ele disse quando entrei no carro.
—Obrigada. — Respondi automaticamente. Isso é bem tão clichê, já escutei tantas vezes essa frase... e mesmo assim ela nunca muda para um...
—Como uma flor hn.- Ele disse por fim.
Aquilo me pegou de surpresa, foi um elogio genuíno de sua parte. Ele se quer sabia que flores era meu ramo, apenas disse algo bom. Este rapaz é diferente dos rapazes de Konoha...
—Você é gentil e um tanto misterioso. — Comentei para saber qual seria sua reação. — Não me recordo de ter falado sobre você e seus gostos e hobbies naquela noite.
—Eu havia acabo de levar um fora hn.- Ele me lembrou, o que me fez ficar sem graça pois eu só estava pensando em mim mesma. — E logo em seguida uma total estranha me pede para fingir estar num encontro com ela hn. — Definitivamente ele tinha um bom ponto para argumentar contra mim. — O que não foi nem um pouco difícil de fazer hn.
—Vou entender como um elogio. — Disse soltando uma risada baixa.
—Sou artista, vendo esculturas produzidas e criadas por mim em tempo integral. Trabalho numa grande corporativa junto de alguns amigos hn.-Bom, isso só mostra que ele é um cara ‘comum’. Mas só pelo fato de nos encontrarmos de forma inusitada me causa borboletas no estômago quando descubro algo novo a seu respeito. — Dou sempre prioridade ao meu trabalho e por isso quase nunca saio com pessoas fora do meu círculo de amizade hn. Mas da última vez...
Apenas concordei com a cabeça.
—Da última vez você deu uma chance ao desconhecido, imagino que por pura pressão de seus amigos e levou um toco.- Eu tentei adivinhar. Ele apenas concorda com a cabeça. Fico impressionada o quanto somos opostos nisso, afinal, sou eu quem dá o fora nos rapazes e sigo minha vida. Eu nunca pensei sobre o lado deles... acredito que por ser apresentada a várias pessoas num curto período... eu entro no modo tão defensiva que só penso em mim. Que egoísta... mas também eu meio que sou “forçada” a conhecer e dispensar esses rapazes...eu não sou uma biscate que fica dando em cima de várias pessoas... é complicado.
Me encolho no banco do carro perdida nesses pensamentos. Eu realmente entendo o que minhas amigas estavam fazendo por mim, mas eu não queria um relacionamento logo depois de um término angustiante como foi com o Sai. Eu precisava aprender a gostar da minha companhia de novo, para poder começar a pensar em engatar num novo... se é que eu quero. Eu quero? Olho de relance para o rapaz que está ao meu lado. Agora ele parecia distraído na direção. Afinal, o que está acontecendo aqui? Bati no peito dezenas de vezes para meus amigos e parentes dizendo que não queria um homem e ... cá estou eu dentro do carro de um, indo fazer algo que casais fazem. Isso é errado? É estranho? É rápido?
—Olha ... eu..- Comecei, mas não consegui terminar. Definitivamente estava me sentindo vulnerável. De repente o peso de ser “durona” com as pessoas ao meu redor se tornou um fardo tão grande em minhas costas que eu nem consegui terminar minha frase.
—Você está bem hn?- Perguntou me encarando, ele havia parado o carro.
As palavras não saiam da minha boca. O que está acontecendo? Por que estou tão tensa?
—Eu gostaria de um pouco de água. — Consegui dizer por fim.
Ele deve me achar estranha. Foi a primeira coisa que pensei quando disse isso, eu poderia simplesmente dizer que estava bem e tomar algo no local em que iremos, mas eu queria algo para beber agora.
Sem dizer mais nada, ele sai do carro e o acompanho com o olhar. Ele entra dentro de uma farmácia e logo em seguida volta com uma pequena sacola nas mãos. Entrou no carro e estendeu para mim. Dentro havia duas garrafinhas de água e um remédio...
—Dor de cabeça? — Pergunto lendo o rótulo.
—Você parece estar tensa hn.- Ele comentou. — Mas se não quiser tomar tudo bem, posso te deixar em casa ou num hospital...
Levanto meu rosto imediatamente.
—Não por favor, eu estou bem! Quer dizer... apenas nervosa com isso tudo.- Eu gesticulei com a mão. — É que... isso aqui é ... você sabe... um encontro de verdade ou de mentira? — Sou emocionada por perguntar isso logo de cara?
Levou um bom tempo até ele dizer algo.
—Achei que fosse de mentira hn.- Comentou, e de repente meu estômago começou a queimar. — Mas parece que você não gosta muito disso de “mentir” hn.
Tomei um bom gole de água para pensar bem sobre sua frase. De fato, eu nunca precisei sair de “mentirinha” com alguém na minha vida, nunca precisei brigar com minhas amigas por conta de rapazes... nunca precisei “fugir” de sentimentos reprimidos de algum ex namorado. Eu estava vivendo numa fossa. E essa simples frase de Deidara me fez acordar para o mundo real. O mundo real onde está tudo bem terminar e seguir a vida tranquilamente. Tudo bem aceitar sair só por sair com rapazes que não conheço e não se sentir culpa logo em seguida.
—Talvez sim.- Admiti.
Talvez seja o momento em que ele me xingue por ter dado para trás no nosso curto acordo de mentirinha. Talvez ele dê meia volta e me leve para casa e nunca mais nos veremos de novo... talvez ...
—Qual seu pudim favorito hn?- Ele pergunta repentinamente.
—Ahn.. Pudim, por quê?- O que isso tem a ver com o que acabou de conhecer?
Ele abre um sorriso tímido, era a segunda vez que eu o vi sorrir. Estava ficando sem reação quando fazia isso, borboletas voavam.
—Porque vou te comprar um numa padaria que tem mais a frente hn.- Ele liga o carro e novamente estávamos em movimento.
—Mas e a festa ...? — Pergunto confusa. — Nós iremos nos atrasar e...
— Está tudo bem hn.- Ele apenas diz.
—Mas não era importante? — Insisto.
Ele dá de ombros, e me olha rapidamente.
—Sim hn, mas quero causar uma boa impressão no nosso segundo encontro de verdade agora hn.
Fui pega de surpresa novamente. Ele me colocou como prioridade ao invés de seu evento importante. Isso é algo novo, afinal os rapazes querem... quem liga para o que eles querem? Eu também tenho necessidades!
Estava pronta para pedir para não fazer isso .. mas .. eu queria um pudim. Eu queria algo leve para começar a noite.. Afinal ele disse que estávamos num encontro. Num encontro de verdade , não arranjado e “repentino”. Com uma pessoa que só vi uma única vez na vida e...
—Aqui hn.- Ele me estende um pudim.
Novamente perdida em meus pensamentos que nem me toquei que ele desceu do carro e foi a padaria num piscar de olhos.
—Obrigada. — Foi um dos melhores pudins que comi em minha vida, isso fez com que a ansiedade e nervosismos fossem embora numa velocidade incrível.
— Pronta para a noite hn? — Ele pergunta sorrindo.
—Claro!
O evento em poucas palavras foi um desastre para mim. Quero dizer, tudo estava lindo e impecável, os amigos e colegas de Deidara eram incríveis como ele, educados e profissionais. O local era lindo, repleto de esculturas que ele fizera e que estava leiloando outras, tudo muito requintado. A comida então... mas como nada é perfeito em minha vida. Empecilhos acontecem, e um deles foi que Sai estava presente no evento. Veio conversar comigo e tive que explicar o porquê da minha presença lá juntamente com Deidara o que causou um grande atrito entre os dois. Afinal, ao que tudo indicava eles estavam concorrendo a um cargo maior na corporação e coisas no ramo da arte que somente eles entendem. Uma ponta de arrependimento me bateu ao dizer em bom tom que estava na companhia de Deidara, afinal, a alguns dias ele havia se declarado repentinamente para mim. Mas meus sentimentos para com ele haviam se encerrado no dia em que coloquei um fim naquilo, para o bem de ambos. Mas parece que não aceitou tão bem assim como pensei.
Pela primeira vez vi Deidara expressar sua frustração para com ele por estar atrapalhando um momento a dois. Ele que se manteve tão neutro e compreensivo comigo, foi totalmente curto e ríspido com Sai. Não posso intervir nisso, pois foi eu quem aceitou sair com ele e lhe dar uma chance de nos conhecermos melhor... chance não... uma leve chantagem emocional.
Mas por sorte Sai foi “compreensível” e se afastou da gente quando percebeu que Deidara não deixaria que ele chegasse mais perto de mim, pelo menos não naquela noite. Estávamos voltando ao pique de encontro entre mim e ele quando outra surpresa acontece, a moça na qual ele tomou um “toco” foi ao nosso encontro, e assim como Sai, ela quis tirar bastante satisfação com Deidara. De acordo com ela, foi ele quem passou o endereço errado para ela. Aparentemente ela foi a outro restaurante e ficou com o ego ferido demais para mandar mensagens... mas como o viu pessoalmente às coisas mudaram.
—Kurotsuchi ... eu te mandei o local certo hn. — Ele se manteve no argumento, até nos mostrou o telefone contendo de fato o endereço do restaurante em que nos encontramos por acaso.
Mas uma mulher com o ego ferido não se entrega com facilidade. Por um lado, eu a entendo, porém... sua chance com Deidara, meu Deidara!, Já havia passado. Fui infeliz, tentei conversar com ela, mas essa mulher é mais “nervosinha” do que cem Sakura’s juntas, ela me xingou de muitos nomes antes de jogar sua bebida em mim. E foi aí que minha noite se encerrou, diferente da Cinderela, antes da meia-noite eu já estava indo para casa com cheiro de vinho tinto sobre a roupa e cabelo.
Deidara ficou tão sem reação que só disse algo quando chegamos em minha casa. Sinto muito mesmo hn. Eu me despedi dele sem muitos rodeios e fui logo explicando a situação para meus pais, que logo quiseram conhecer o rapaz na qual eu saí naquela noite, mas...
—Eu nem sei se o verei de novo, como disse a noite não terminou bem para nenhum dos dois. — Foi a última coisa que comentei antes de entrar no banheiro.
. . .
Nada tão humilhante que não possa piorar, foi quando comentei o ocorrido no SPA com as meninas, todas ficaram em choque. Mas confesso que ao final da sessão estávamos todas rindo da situação, afinal, algo totalmente fora da curva aconteceu comigo... a solteirona de Konoha. Nunca pensei que pudesse dizer tao catástrofe em bom humor com elas, que tanto me fizeram raiva para encontrar um par “ideal”. No fim, só queriam me tirar da fossa que entrei sem perceber depois do meu relacionamento angustiante. Olhando desse ponto de vista, é compreensível, mas as fiz prometerem não se intrometerem na minha vida amorosa novamente. E todas ficaram de acordo. E assim a paz se instaurou em Konoha novamente.
O casamento de Naruto e Hinata foi lindo, eles estavam radiantes. Toda a cidade esteve presente e muitos rostos desconhecidos também. Admito que a parte de decoração floral estava impecável, já que estava aos meus cuidados. Fiquei extremamente orgulhosa dos meus serviços, mesmo estando sozinha naquele dia, eu estava especialmente feliz por ter feito parte daquilo. Às coisas por ali ficaram mais pacatas quando esse grande evento passou, todos voltaram as suas vidas rotineiras, inclusive eu. Confesso que pensei em mandar mensagem para Deidara para tentar recomeçarmos tudo de novo, mas... e se ele tiver voltado para aquela maluca? Então deixei para lá e fui viver minha vida. Por acaso do destino, resolvo voltar ao restaurante Flor de Sal para tentar ter uma nova experiência, sem surpresas.
—Mesa para um, por favor. — Eu disse assim que o gerente veio até mim.
Me sentei e fui olhar com bastante calma o menu, tantas coisas para provar, fiquei tão entretida com o menu que não percebi que uma pessoa acabara de sentar-se na cadeira vazia que estava a minha frente. Pronta para saber qual o motivo daquilo, fiquei sem reação. Era ele!
—Deidara? O que faz aqui? — Perguntei perplexa.
Ele sorri timidamente.
—É que eu vi essa cadeira livre hn. E...
—E resolveu sentar-se. — Eu completo a frase entrando em seu joguinho.
—Isso hn.- Ele admite.
Solto uma risada tímida. Aquilo parecia bom demais para ser verdade. Eu estou tomando do meu próprio veneno?
—Achei que não quisesse mais nada comigo afinal... depois daquilo...
—Eu pensei em mandar mensagem hn, mas não sabia se seria apropriado mandar ou não hn.
—Entendo...- Eu me recosto na mesa e fico pensativa no tempo perdido que ficamos sem nos falar. Eu poderia ter convidado ele para o casamento...
Tudo bem, o tempo perdido já foi perdido. Eu preciso me concentrar no agora... o agora é o importante para nós dois. Eu tenho tantas coisas para perguntar ... sobre suas artes, seus pratos favoritos... apresentá-lo formalmente aos meus amigos e família... que...eu só consigo sorrir de orelha a orelha. Percebendo que estava perdida em meus pensamentos, ele se reclina até mim e diz baixinho.
—Por favor hn. Poderia seguir o roteiro hn?
Notas finais
essa fanfic é mais sobre sentimentos internos. Autopiedade e autoconhecimento.
Ela está no Social Spirit também.
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