Pluma Negra
2 Capítulo 1 - O estranho misterioso
Estudando pela manhã, May tinha a tarde livre para fazer os deveres e divertir-se. Naquela tarde de primavera, como ela já havia acabado com suas obrigações escolares, resolveu sair para dar umas voltas de bicicleta na cidade com sua melhor amiga, Leona.
Leona Mondavarious era o tipo de garota que não deixava ninguém desistir das coisas que eram necessárias. Tinha cabelos negros como a noite, longuíssimos, com uma franja que batia-lhe nas sobrancelhas. Seus olhos tinham um azul quase como o céu limpo de verão e eles penetravam em tudo para que olhasse. Era mais alta que May, mas proporcionalmente magra, fato que fazia muitos dizerem que ela devia ser uma modelo. Por vezes mostrava um temperamento quase explosivo em seus momentos de raiva.
As duas se conheciam desde pequenas, quando os pais de Leona mudaram-se para Kilbertown, buscando a tranquilidade que não encontravam na grande cidade onde antes moravam.
May esperava na porta de casa. Sempre feliz, contagiava todos ao seu redor facilmente. Esperta como uma raposa, inocente como um coelho branco. Paciência era seu forte. Sabia muito bem sentar e esperar. Se bem que agora não era mais necessário esperar.
- Oi, May! Vamos lá! – chamou a amiga que chegava ali.
- Vai ser divertido hoje, Lê. – ela respondeu.
E assim, lá se foram as duas, pedalando. Apesar da calmaria do lugar, sempre havia algo bom para se ver nas vitrines das lojas. A sorveteria, na pracinha mais conhecida, parecia sempre ter mais movimentação do que as outras lojas. Convenhamos, o sorvete devia ser excelente.
Mas havia algo diferente na cidade aquele dia. E esse “algo” encarnava-se na figura de um jovem, tão alto quanto Leona, de cabelos igualmente negros e olhos também azuis. Uma franja batia nas sobrancelhas. Vestia roupas pretas, incluindo um sobretudo negro. Luvas brancas destacavam-se na imensidão tão densa como a noite. Carregava uma mala. Parecia depressivo demais. Em seu rosto uma pintinha na bochecha direita chamava a atenção.
Ele passou pelas duas jovens e se foi. Sua passagem deixou May curiosa. Quem ele era? O que supostamente fazia ali? Com certeza, não era alguém da cidade, já que carregava uma mala consigo. Ela não podia negar, ele tinha chamado muita atenção. Ou não, talvez só fosse impressão dela mesmo. Nessa onda de pensamentos acabou ficando meio que aérea.
- May? May, o que foi? – sua amiga perguntou.
- Ahn? Ah, não foi nada. Nada mesmo. – Ela se sentia como se estivesse sendo acordada de um sonho.
- “Não foi nada” Fala sério, gamou no tal de sobretudo preto, né?
- Eu? Não, de jeito nenhum.
- Aham, sei. Ah, vamos logo na sorveteria antes que fique tarde.
A vontade estava corroendo-a. Ela precisava conhecê-lo, ao menos saber seu primeiro nome. May Kharter não desistiria facilmente de seus planos. Agora então, não haveria nada mesmo que a pararia. Nada.
E assim, viajante em seus pensamentos, comia banana split como se fosse a melhor coisa do mundo no momento. De qualquer jeito, resolveu puxar algum assunto para quebrar aquele silêncio.
- Lê, você fez aquela lição de matemática?
- Ai, caramba, não.
- É para amanhã.
- Argh, o professor vai fazer picadinho de mim. É melhor terminamos aqui logo para eu ir para casa fazer isso logo.
A tarde estava acabando, se tornando noite. O céu alaranjado com algumas nuvens meio rosadas parecia tingir os campos com essa cor. Crepúsculo, pôr-do-sol, indicio de que seria noite logo.
Pedalaram até uma estradinha perto da casa de May. Agora, Leona seguiria por outro caminho. Antes delas se separarem, uma brisa suave passou. A jovem de cabelos cor de mel olhou para o céu laranja como uma cenoura. E teve a singela impressão de que uma criatura negra e enorme voava ali. Mas talvez fosse só impressão mesmo.
E cada uma seguiu seu caminho. Ver-se-iam no dia seguinte, na escola. Muitas coisas estranhas haviam acontecido naquele dia comum de primavera. De fato, não foi um dia tão comum assim.
A imagem do garoto de sobretudo perseguia os pensamentos de May. Sua curiosidade era realmente muito grande. Mas talvez, conte-la por um tempo não faria tanto mal assim. Afinal, ela ainda precisava se dedicar aos estudos e a sua vida cotidiana normal. Porém, difícil seria parar de pensar nele.
Aquela noite, após o jantar, ela tomou banho e foi dormir. Foi nessa noite que ela teve um sonho. Um sonho muito estranho.
Notas finais
Fiquem curiosos e até o próximo capítulo /o/
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