Pluma

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Notas iniciais
Reforçando o aviso: eu não retornei minhas atividades como ficwritter. Esta é uma exceção aberta devido ao falecimento de Scott Weiland, ex vocalista das bandas Stone Temple Pilots e Velvet Revolver. Olá, gente... Então, quem me conhece um pouquinho por aqui sabe o quanto eu sou admiradora do Stone Temple Pilots e consequentemente do titio Weiland. Nem sei como estou conseguindo escrever isso, porque a dor está foda e para tentar aliviar um pouquinho, escrevi esta singela homenagem através desta fanfic... Ah, tio Weiland como você faz falta... Tem link das músicas citadas na fanfic lá nas notas finais, caso tenham a curiosidade de ouvi-las, lá também tem outras coisinhas mais e... Boa leitura ^^

(...) Flys in the Vasoline we are

Sometimes it blows my mind

Keep getting stuck here all the time

It isn't you, isn't me

Search for things you can't see

Going blind, out of reach

Somewhere in the Vasoline (...)”

O capitão do tradicional time de basquete da Escola Kaijo, localizada na Prefeitura de Kanagawa, e estudante de guitarra nas horas vagas, Yukio Kasamatsu, estava encantado. Ouvia pela décima vez a mesma música – “Vasoline”, da banda norte americana Stone Temple Pilots – com os colegas de time e também com dois rivais dentro das quadras, mas bons colegas fora dela: o às da Escola Yosen, de Akita, Tatsuya Himuro mais o às da Escola Seirin, localizada na capital Tóquio, Taiga Kagami.

A bateria de compasso simples, mas muito bem cadenciado por Eric Kretz, o baixo comedido de Robert DeLeo e,principalmente, a guitarra de notas simples, porém balanceadas, como se fosse uma brisa, de Dean DeLeo tecnicamente era algo mediano, entretanto assim que ouviu a voz grave e carregada dos sentimentos mais profundos de Scott Weiland, o carismático vocalista “garoto problema” da banda, Kasamatsu entendeu: quando uma banda tem uma voz tão peculiar, a ponto de ser considerada uma “voz ícone”, o melhor é deixar os instrumentos de complemento para aquela voz ressoar livre, além do horizonte.

Naquele momento, o adolescente chorava ao ouvir aquela música. Himuro e Kagami entendiam o motivo das lágrimas, pois pela dupla ter morado anos em Los Angeles, Estados Unidos da América, eles compreendiam perfeitamente as palavras de Weiland. Entretanto o coração de Kasamatsu precisava saber o motivo, o porquê daquela música mexer tanto com ele. Questionou para os dois:

— Vocês poderiam traduzir esse trecho – cantou o pré refrão mais o refrão da música –, por favor?

Himuro explicou sem rodeios:

— Claro, Kasamatsu-senpai. A tradução é:

(...) Nós somos moscas na Vasoline

Às vezes isso funde a minha mente

Consigo me manter encravado aqui, o tempo todo

Não é você, não sou eu

Procurar coisas que você não pode ver

Ficando cego, fora de alcance

Em algum lugar na Vasoline (…)”

“Vasoline” é uma marca de vaselina popular lá na América, mas “vasoline” nesta música também é um trocadilho “à la Izuki Shun” da palavra “heroína” em inglês, “heroine”. O Scott Weiland, vocalista, tem problemas sérios com heroína, tanto que a banda acabou por causa do descontrole dele com as drogas e essa música é um desabafo da batalha diária dele contra o vício. Resumindo, essa música fala sobre vício e como é foda você se livrar dele.

Yukio achou a resposta que procurava para suas lágrimas. Todos nós temos um vício para fugirmos da massante realidade, seja leitura, sair constantemente em boas companhias, algo para se entreter na internet, ou até mesmo... heroína. A “heroína” de Kasamatsu era amarela e se chamava Ryouta Kise, seu namorado. Mais precisamente a situação em que eles se encontravam, onde a música se encaixava igual a duas peças de um quebra cabeças: namorar totalmente escondido, por causa dos pais homofóbicos de Yukio (os pais de Kise aceitavam a homossexualidade mais o relacionamento do filho sem problemas) e, principalmente, para não prejudicar a imagem de “príncipe encantado” do namorado, que também era modelo, construída de forma milimétrica pelo empresário de Ryouta.

A música transmitia todo o sufoco que Kasamatsu escondia do seu “agridoce vício”, nas camadas mais profundas de suas emoções... Scott Weiland expressava toda angústia do rapaz de Kanagawa e naquele dia, Kasamatsu desabafou como nunca desabafou com alguém antes...

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Os meses passaram, a voz de Scott Weiland tornou-se oficialmente a voz do coração de Yukio e Stone Temple Pilots os pilotos da alma do rapaz.

Festival de Talentos da Escola Kaijo.

Após os mais variados números, chegou finalmente a vez do time de basquete se apresentar: Kouji Kobori na bateria, Shinya Nakamura nos teclados e percussão, Mitsuhiro Hayakawa no baixo, Yoshitaka Moriyama na guitarra base, Yukio Kasamatsu na guitarra solo mais vocais e Ryouta Kise como vocalista.

Utilizando o codinome de “Vasoline” para a banda, Kasamatsu anunciou:

— Nossa apresentação será uma homenagem a banda Stone Temple Pilots através de quatro músicas. Obrigado pela atenção e, por favor, cuidem bem de nós.

Os acordes iniciais de “Big Bang Baby”, fortemente influenciados nas bandas de rockabilly nos anos 50, começaram:

I got a picture of a photograph

Of a wedding and a shell (...)”

Kasamatsu estava impressionado em como Ryouta incorporou bem, de verdade, a personalidade de “estrela do rock sedutora e intocável no palco”. Parecia até uma troca momentânea da alma de Weiland no corpo de Kise:

“Até nisso o Perfect Copy do filho da puta é impecável.” – constatava um impressionado Kagami Taiga, vendo a apresentação na plateia.

(...) Estamos acostumados a ver em cores

Agora está só preto e branco

Agora está só preto e branco

Porque o mundo está cego (...)”

(Big Bang Baby – Stone Temple Pilots)

Himuro, lá da plateia, riu mentalmente:

“Se o empresário ou alguém da agência do Kise-kun entender inglês e estiver vendo isso, ele com certeza quer a cabeça do Kasamatsu a prêmio, porque isso não foi uma indireta. Foi um Roundhouse Kick na cara deles. E o mais irônico é o povo fazendo justamente o que a música critica. Tsc, tsc...”

Escapou uma risadinha leve, atípico do rapaz conhecida por sua falta de expressividade no rosto. O namorado, o famoso ex pivô do time ginasial apelidado de “Geração dos Milagres” e atual pivô da escola onde estudam, reparou e questionou:

— O que foi, Muro-chin? O inglês do Kise-chin está pior que o meu?

— Nem tanto, pois ele tem a Perfect Copy para resolver isso. Depois te explico, Atsushi.

— Ah, e depois, Muro-chin...

— Shiu, surpresa, Atsushi. Muitas surpresas para este show ainda estão por vir...

A música acabou de forma épica: eles fizeram a plateia inteira pular, gritar, cantar a música junto – atos raríssimos em shows no Japão – e pedir “bis”.

Em seguida, Kise anunciou:

— Agora iremos tocar “Plush”, porém não serei eu a cantar. Irei dar essa honra a um colega nosso, que curte muito essa música. Sobe no palco aí, Takaocchi!

O segundo às do time da tradicional Escola Shutoku, de Tóquio, Kazunari Takao, foi até o palco, subiu para o local, cumprimentou e agradeceu Ryouta mais os membros da banda, depois falou, olhando para o público:

— Primeiramente, boa noite!

A plateia respondeu com um “Boa noite” efusivo. Após acalmar uma parte da plateia chamada “fangirls e fanboys”, Kazunari continuou:

— Galera, essa música que vamos tocar agora, ela é bem antiga... então, acho que os pais ou irmãs, irmãos mais velhos de muitos dos que estão aqui, vão lembrar dessa música, porque ela fez parte de um filme bem popular... que eu não lembro o nome agora!

O público caiu na risada:

— Agora eu quero ver se os pais e os irmãos tem boa memória. Vamos lá!

And I feel, that time a wasted go (...)”

Em um coro grave, a parte mais velha da plateia junto com Kagami, Himuro, mais outros jovens que conheciam a música, cantaram junto:

(...) So where you goin' to tomorrow

And I see that these are lies to come

Sou would you even care (...)”

Um minuto de silêncio para, logo em seguida, a banda entrar com tudo, entonando os versos na voz rouca e sensual de Takao:

(…) And I feel it

And I feel it (...)”

Os membros restantes do time de Shutoku estavam chocados com o talento escondido de Takao:

— E aí, Midorima, está gostando do Takao como vocalista fodão, cantando olhando para você? – questionou Kiyoshi Miyaji cochichando no ouvido do às de Shutoku, o ala armador Shintarou Midorima.

O alto rapaz, de notáveis cabelos verdes e óculos, deu um olhar falso frio para Miyaji e respondeu:

— Morra.

No fundo Midorima estava com um orgulho danado do “falcão apimentado”, que capturou seu coração, dedicar indiretamente a voz da sua alma somente a ele.

(...) When the dogs do find her

Got time, time to wait for tomorrow

To find it, to find it, to find it (...)”

Já no refrão até o restante da música, o público presente cantou junto. Takao, visivelmente encantado com o furor, agradeceu a todos e saiu ovacionado pela plateia. Foi a vez de Kasamatsu anunciar:

— Vocês estão gostando do show?

Receberam um “sim” bem alto de resposta, nem precisando repetir a pergunta. Prosseguiu:

— Estamos muito felizes que estão gostando da gente, não imaginava uma recepção tão bacana e calorosa. Agora, eu irei cantar e essa música se chama “Vasoline”.

(...) Flys in the Vasoline we are

Sometimes it blows my mind

Keep getting stuck here all the time

It isn't you, isn't me

Search for things you can't see

Going blind, out of reach

Somewhere in the Vasoline (...)”

Kagami cantava junto, refletindo sobre a ousadia do rapaz cantar essa música, com o empresário de Kise ali, assistindo tudo:

“Esse Kasamatsu não tem medo do perigo mesmo...”

Yukio cantava essa música olhando o tempo inteiro para Kise, que retribuía com discretos olhares sensuais e sorrisos provocantes. Através dessa música, o rapaz fez sua declaração de amor e desabafo sobre a situação deles, além de uma agradável sensação de que nada separariam eles...

Entretanto para muitos, o show dava a impressão de ter algo a mais, afinal quando Stone Temple Pilots estava em seu auge, eles não eram nem nascidos...

Música finalizada com sucesso, mais aplausos, pedido de bis e gritos de fãs ávidos, porém em um microfone é avisado para as pessoas manterem a calma e não saírem, pois no momento seriam feitos os preparativos para a última música do show. As cortinas do anfiteatro da Escola Kaijo se fecham, as luzem se apagam e começaram a tocar a coletânea da banda, chamada “Thank You”.

Depois de quase 40 minutos de música, a iluminação do palco fica à meia luz, as cortinas do palco se abrem e revelam os instrumentos elétricos trocados por acústicos, a adição de um violino e velas mais lírios brancos espalhados cuidadosamente pelo palco. Um... funeral?

“Eles vão tocar uma balada acústica, mas por que uma decoração tão sombria? Será que eles vão fazer um cover de “Tears” do X-Japan?” – pensou boa parte da plateia.

“Será que eles vão fazer algum cover do Nirvana?” – questionou outra parcela do público, entendo a referência explícita ao memorável “Acústico MTV” da mega banda norte americana.

Kasamatsu entrou no palco sob aplausos. Agradeceu a recepção, sentou no banco, onde estava posicionado o violão solo e anunciou:

— Infelizmente, essa é a nossa última música... mas não fiquem tristes. Fiquem felizes com todas essas lembranças que criamos juntos neste festival e, dessa vez, farei uma jam*. Peço para Seijuuro Akashi, capitão do time Rakuzan de Quioto, no violino, Shintaro Midorima, ala armador de Shutoku de Tóquio, assumir os teclados e Atsushi Murasakibara, pivô e às do time Yosen em Akita, ir para o contrabaixo. Taiga Kagami, às da Escola Seirin de Tóquio, ficará com o violão base, Tatsuya Himuro, às de Yosen e Kazunari Takao dividirão os vocais comigo, onde também ficarei também no violão solo e nos backing vocals estarão Kise e os membros do time de Kaijo. Nós encerraremos com “Creep”.Muito obrigado pela presença de todos e por nos receberem tão bem. 1, 2, 3 …

Todos no palco, a música começou:

Forward yesterday

Makes me wanna stay (...)”

A plateia ficou em silêncio, admirando a interpretação tão emocional daqueles jovens. Dava para sentir nas vozes, em cada um dos instrumentos, a melancolia carregada naquela canção em inglês, cuja letra falava justamente sobre perdas e fracassos.

(…) Take time with a wounded hand

'Cause it likes to heal

Take time with a wounded hand

'Cause I like to steal

Take time with a wounded hand

'Cause it likes to heal, I like to steal (...)”

As lágrimas nos mais sensíveis da platéia começavam a brotar, a maioria do público não entendia de onde vinha tamanha melancolia... como se fosse um luto? O silêncio dos que assistiam permanecia.

(...) I'm half the man I used to be

Because I feel as the the dawn

It fades to gray …

Well, I'm half the man I used to be, half the man I used to be

Half the man I used to be”

No fnal da música, Kasamastu levantou-se, foi para a frente do palco, pegou o microfone e desabotoou a camisa xadrez que vestia, revelando uma camiseta estampada com a foto de Scott Weiland, escrita em cima “Stone Temple Pilots”.

Daiki Aomine, Satsuki Momoi, respectivamente o às e a manager do time da Academia Touou e Tetsuya Kuroko, o famoso “sexto jogador fantasma” do time da Escola Seirin, ambos em Tóquio, soltaram um plano de fundo com uma foto de Scott Weiland.

Yukio beijou a camisa na foto de Weiland, depois o nome da banda e apontando para o céu, em incessante lágrimas, encerrou o show com os dizeres:

— Lá vai meu herói espalhar sua pluma e viver a felicidade que ele nunca teve aqui.

Descanse em paz, Scott.

Scott Richard “Weiland” Kindle (27/10/1967 – 03/12/2015) – A Voz Explosiva

Notas finais
* Link da artista que fez a render da capa - http://shinkatsu10.deviantart.com/ ; * Links das músicas do Stone Temple Pilots abordadas nesta fanfic, para ouvir durante a leitura, caso ache legal: 1. Vasoline - https://www.youtube.com/watch?v=ht672-wYelc 2. Plush - https://www.youtube.com/watch?v=V5UOC0C0x8Q 3. Big Bang Baby - https://www.youtube.com/watch?v=G0gAxuvo5rc 4. Creep - https://www.youtube.com/watch?v=sT1DdO3SISg Tio Weiland, obrigada por tudo e você sempre estará aqui no coração e ouvidos, através de sua voz única. Isto não é um adeus, pois eu sempre deu um sinal de vida... É um "Vejo vocês por aí" ^^
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!