Notas iniciais
Eu sei que demorei e peço perdão por isso T-T Aconteceram muitas coisas na minha vida e por eu não ser uma pessoa muito criativa, o chap demora mais do que o normal ^^'
Mas espero que gostem desse chap e que não tenham desistido de mim ÓwÒ

Allen abriu os olhos com dificuldade, se levantando lentamente e percebendo que não estava no quarto do hotel onde estava hospedado. Estava em um quarto deplorável e pútrido. As paredes que um dia tiveram um belo tom carmesim estavam mofadas e cheias de infiltrações. O chão era coberto por uma velha tapeçaria que mal dava para ser vista devido aos inúmeros panos jogados pela habitação; além das garrafas de bebidas e algumas peças de roupas. A cama em que estava tinha os lençóis vermelhos e um cheiro absurdo de sangue.

Assim que sentiu o cheiro, Allen pulou da cama assustado, mas caiu na mesma hora. Suas pernas estavam fracas e sua visão turva; dificultando o reconhecimento da pessoa que entrou no quarto e o jogou na cama.

- Finalmente você acordou, shounen.

Ao ouvir a voz e a maneira da qual foi chamado, reconheceu que quem estava ali era o Noah do prazer, Tiky Mikk.

– Você foi muito descuidado. Nunca pensei que seria tão fácil te sequestrar – disse de maneira arrogante.

Assim que Tiky falou, Allen se lembrou de como havia ido parar ali. Estava tão absorto em seus pensamentos que não percebeu a aproximação do Noah, foi atacado e acabou perdendo a consciência. Esse descuido idiota só fazia com que Kanda tivesse mais razão ao chamá-lo de estúpido Moyashi. Pensar em Kanda fez Allen arregalar os olhos e balançar a cabeça energicamente com a intenção de tirar o japonês da cabeça e se concentrar em Tiky.

- O que você quer? – Perguntou, se esforçando para se concentrar no inimigo e não no cheiro de sangue que a cama desprendia. – Veio para me matar?

- Ah, não. Se eu fizesse isso a Road iria me punir e ela adora fazer os outros sofrerem. Mas você sabe disse, não é? Já teve o azar de participar das brincadeiras dela. – Disse de um jeito sombrio.

Allen acabou se lembrando das vezes em que “brincou” com a Noah. A primeira foi quando ele e Lenalee conheceram Miranda e a segunda foi na Arca. Road tinha certo fascínio pela dor dos outros.

- Então o que você quer? – Disse, apoiando-se na cama para não cair. Estava se sentindo fraco, muito fraco, e não sabia a razão.

- Eu? Eu vim me divertir com você, shounen – Tiky sorriu, fazendo Allen sentir um arrepio.

Mesmo que seus instintos dissessem para correr, ele já havia aprendido a ignorá-los e, tentando fazer com que sua voz não falhasse, perguntou:

- Como assim? Do que está falando?

Mas o Noah continuou calado sustentando o sorriso cínico na face. Allen ia perguntar novamente, mas foi bruscamente empurrado e acabou batendo a cabeça na madeira da cama. Olhou assustado para Tiky e percebeu o olhar que o mais velho tinha sobre si. Lembrava a maneira com que Kanda o olhou quando fez aquelas coisas com ele, mas o olhar de Kanda tinha algo diferente; algo que Allen não sabia identificar.

- Você sabe onde estamos, shounen? – Tiky perguntou, e respondeu sem esperar por uma resposta. – Nós estamos em um bordel. E você sabe o que as pessoas fazem nesses lugares, não é? Com o mestre que você teve duvido que não saiba.

Allen estremeceu. Sabia exatamente o que acontecia. Quando se tem como mestre o general Cross Marian, é inevitável saber sobre esse tipo de coisa.

- Hum, parece que sabe como as coisas funcionam – disse, dando um sorriso pervertido para Allen, fazendo o menor se encolher. – Eu conheço a dona desse lugar. Ela sempre me dá as melhores mulheres e sempre faz o que peço já que sou um dos clientes que ela mais gosta. Você sabe que nem todas estão aqui por vontade própria, e tem alguns homens que gostam de virgens. Por isso que Luísa, a dona desse bordel, criou esse quarto. Para que os clientes pudessem se divertir sem serem incomodados.

Allen olhou assustado para a cama em que estava deitado. Se esse quarto era usado para tirar a virgindade das mulheres, isso explicava o porquê do cheiro de sangue.

- Esse quarto é um pouco mais afastado dos outros – Tiky continuou –, então ninguém vai escutar os seus gritos, e mesmo que escutem não vão dar muita atenção. O pessoal já está acostumado com esse tipo de coisa.

Allen não entendeu o que Tiky quis dizer com tudo aquilo, sua mente ficou em branco quando sentiu os lábios do Noah sobre os seus. Ficou tão assustado que não conseguiu reagir. Quando Tykky cessou o beijo, Allen tentou acionar sua Innocence, mas não conseguiu.

- Não adianta. Você não vai conseguir se movimentar com facilidade, e muito menos acionar sua Innocence – disse.

- O quê? Por que você fez isso? – Allen perguntou, começando a se desesperar. Estava sozinho com um inimigo, e não podia se defender.

- Eu já disse. Vim me divertir com você, shounen – sorriu, e começou a se aproximar de Allen de uma maneira predatória.

***

- Vocês não vão passar por aqui, malditos exorcistas! – o akuma gritou, atacando Kanda e sendo destruído na mesma hora.

Kanda não tinha pena do inimigo e sempre lutava com a cabeça fria para não agir impulsivamente, pois a missão poderia ser prejudicada se deixasse ser levado pelas emoções. Entretanto, não estava conseguindo se controlar. Allen estava nas mãos do inimigo e aqueles malditos akumas não estavam deixando-o ir até o seu Moyashi. Atacava sem pensar, com raiva, querendo que aquilo acabasse logo para poder salvá-lo.

Lavi lutava um pouco distante de Kanda, e percebeu que o japonês não estava bem. Kanda lutava de um jeito atípico para alguém como ele. “Ele deve amar mesmo o Allen”, pensou, enquanto destruía três akumas de nível dois de uma vez só.

A luta durou por mais algum tempo até que todos os akumas fossem destruídos. Kanda e Lavi seguiram Timcampy até a entrada do bordel, e não pensaram duas vezes antes de entrar naquele lugar desagradável atrás de Allen. Reviraram todo o andar debaixo à procura do mais novo, abriram várias portas e se depararam com coisas constrangedoras que as pessoas daquele lugar estavam fazendo. Iam para o andar de cima quando ouviram uma voz feminina gritar:

- O que vocês pensam que estão fazendo?! – A voz parecia não estar muito contente com as ações dos dois.

Eles olharam na direção da voz , e Lavi teve que se segurar para não gritar “Strike!!” em um momento daqueles. A mulher que os havia chamado era uma daquelas mulheres que atraiam os olhares de toda a população masculina. Ela tinha os cabelos negros presos em um rabo de cavalo com alguns fios caindo pelos ombros descobertos, os olhos verdes que pareciam com os de um felino, a pele branca e macia que pedia para ser marcada, e seios fartos que pulavam do decote do vestido vermelho e preto, estilo tomara que caia. Era realmente a personificação da luxúria.

- E então?! Estou esperando uma explicação para vocês entrarem assim no meu estabelecimento! – Gritou, e dava para perceber pelo tom o quanto ela estava zangada.

- Você é a dona desse lugar? – Kanda perguntou, recebendo um aceno de confirmação. – Ótimo. Estamos procurando um pirralho de cabelos brancos e um bastardo chamado Tiky Mikk.

- E por que vocês acham que eles estão aqui? – A mulher perguntou, cruzando os braços.

- Nós sabemos que eles estão aqui, e se você não disser logo onde eles estão eu... – Lavi tapou a boca de Kanda, não deixando que ele terminasse de falar sua ameaça.

- Desculpe o meu amigo aqui, ele é assim mesmo – disse da maneira mais simpática que pôde. – Nós estamos procurando o nosso amigo, e não adianta fingir que ele não está aqui porque nós sabemos que está.

- Hunf! Eu não vou entregar um dos meus melhores clientes. E não adianta me ameaçar, porque eu conheço pessoas influentes que podem me ajudar – ditou.

- Eu não acho que essas pessoas que você conheça tenham mais poder que o Vaticano – disse, abrindo um dos seus maiores sorrisos.

Luísa olhou para a insígnia da Rose Croix no peito de Lavi e empalideceu. Se meter com o Vaticano não era uma ideia inteligente.

- Eles estão no andar de cima, virem à esquerda e é a terceira porta do lado direito.

- Obrigado – Lavi agradeceu, e antes que pudesse pensar em correr, Kanda já estava na escada.

Kanda correu até o quarto e quando abriu a porta, não soube como reagir diante do que viu. Allen estava de bruços na cama, nu, chorando e com vários hematomas pelo corpo. Kanda ficou parado olhando o estado em que o seu Moyashi se encontrava, simplesmente, não sabia o que fazer.

- Achou ele, Yu? – Lavi perguntou. Olhou para dentro do quarto e ficou chocado ao ver Allen naquela situação. – Allen! Você está bem?

Lavi correu até o menor e tentou tocá-lo, mas Allen se esquivou do toque e olhou para Lavi assustado.

- Allen, o que foi? Sou eu, Lavi. Não vou fazer nada com você – disse, tentando acalmá-lo, mas não adiantou. Allen se encolheu na cama e soltou um gemido de dor.

Lavi olhou para as pernas de Allen, mais especificamente para o quadril dele, e viu o sangue ainda escorrendo da entrada do mais novo junto com um líquido branco. E antes que Lavi pudesse falar qualquer coisa, Kanda tirou seu sobretudo e cobriu Allen — não deixando que nenhuma parte do corpo dele ficasse a amostra — pegando-o no colo em seguida. E ao contrário do que aconteceu com Lavi, Allen não se esquivou de Kanda, pelo contrário, ele segurava a blusa do japonês como se a própria vida dependesse disso. Kanda ficou surpreso com a atitude, mas logo sua expressão suavizou. Segurou Allen com mais força e saiu daquele lugar repugnante.

O aprendiz de Bookman observava tudo em silêncio, nunca pensou que um dia veria esses dois protagonizando essa cena tão romântica. Sorriu, mas não era um sorriso feliz, era um sorriso melancólico. “O que vocês fariam se soubessem...”

***

Assim que chegaram ao hotel, foram correndo para o quarto. Allen estava extremamente debilitado e não parava de chorar, e por mais que Lavi tentasse, não conseguia acalmá-lo.

- Primeiro temos que limpá-lo – Lavi disse, indo preparar o banho.

Kanda ficou no quarto com Allen ainda nos braços sem saber o que fazer. Não estava acostumado a tratar as pessoas com delicadeza, muito menos Allen Walker. Nunca sentiu tanto ódio como estava sentindo naquele momento. Aquele Noah bastardo havia maculado o que ele mais prezava, e era por culpa dele que Allen estava naquele estado tão deplorável.

- Yu, o banho ‘tá pronto! Traz o Allen! – Ouviu Lavi gritar e levou Allen para o banheiro. – Agora nós temos que despi-lo.

- Eu faço isso.

- Hã?! Tem certeza, Yu? Eu não acho que você vá conseguir dar conta sozinho – disse, tentando não rir. Kanda não fazia ideia, mas aquela situação era muito engraçada aos olhos do ruivo – tirando o estado em que Allen se encontrava.

- O quê?! Vá embora, seu coelho estúpido! Eu mesmo vou cuidar do Moyashi.

- Certo, mas me avise se precisar de alguma ajuda, ok?

- Vá logo, maldito.

Lavi saiu do banheiro com um sorriso no rosto e pensando na mentira que iria ter que contar ao finder e aos superiores sobre o que aconteceu. Contar o que realmente acontecera estava fora de cogitação, teria que pensar em algo bem convincente.

- Lavi-dono, como está Walker-dono? – o finder perguntou.

- Ah! Ele está melhor, só precisa descansar – sorriu.

- Que bom. Mas... O que foi que aconteceu? Ele chegou aqui chorando e nos braços do Kanda-dono – disse com uma expressão de nojo. Ver um homem sendo carregado daquela forma por outro era repugnante.

- Sobre isso... – Não sabia o que dizer, por isso levou a mão a nuca. Claro sinal de nervosismo. – Bom, o Allen foi atacado por um Noah, e parece que esse Noah o fez reviver momentos do passado dele não muito agradáveis, entende?

- Hum, como assim “não muito agradáveis”?

- Provavelmente ele deve ter mostrado o dia da morte do pai do Allen e todas as coisas que ele sofreu com o general Cross – suspirou.

- Entendo. Deve ter sido difícil para ele. – Concluiu.

- Sim, foi.

- Mas por que o Kanda-dono estava levando ele nos braços? Todos os finders dizem que eles se odeiam.

- Eles não se odeiam, só não se dão muito bem – sorriu. – Alguém tinha que trazer o Allen pra cá e como ele estava muito agressivo, só o Yu conseguiu segurá-lo.

- Hum... — pareceu duvidar das palavras de Lavi, mas não havia motivo para isso. — Vou avisar a Ordem, com sua licença.

Quando o finder desceu as escadas Lavi suspirou aliviado. Tinha conseguido criar uma desculpa há tempo. Olhou para a porta do quarto e foi para a recepção para alugar outro quarto para dormir.

***

- Moyashi, você precisa me soltar. Eu não vou conseguir fazer muita coisa nessa posição.

Kanda estava tentando fazer com que Allen soltasse seu pescoço para poder limpá-lo, mas o albino parecia não ouvir os apelos do maior.

- Vamos, me solte – disse, tentando fazer com que sua voz parecesse mais calma do que o normal e lentamente Allen foi soltando seu pescoço, enquanto era colocado na banheira delicadamente por Kanda – coisa rara vinda do japonês.

Allen soltou um gemido de dor; aquele lugar ainda doía. Kanda estalou a língua e pegou uma esponja para poder limpar Allen.

- O que você vai fazer?! – Allen perguntou com um fio de voz. – Eu posso fazer isso sozinho.

- Você acha que eu sou idiota, Moyashi? Você já tentou se matar uma vez na banheira, quem me garante que você não vai fazer de novo? – Disse. Ainda se lembrava do que havia acontecido há três meses, visto que as lembranças daquela noite sempre ocupavam seus pensamentos. – Eu mesmo vou cuidar disso.

-... Tudo bem – disse apenas.

Kanda se surpreendeu. Achava que ele não deixaria que ele o tocasse novamente, e essa mudança de personalidade era culpa daquele filho da puta que ousou tocar no que era seu. Suspirou e começou a lavar as costas dele primeiro. Elas estavam vermelhas e marcadas por mordidas, sem contar os inúmeros chupões que Allen tinha no pescoço. A vontade que Kanda tinha era de marcá-lo ainda mais para provar que aquele pirralho irritante era seu, mas se controlou, não poderia fazer isso naquela situação.

Depois, com certo receio, foi em direção à entrada de Allen, e ao contrário do que imaginava Allen não protestou, apenas gemeu de dor e levantou um pouco o corpo para facilitar o trabalho de Kanda. Quando terminou de limpá-lo, o ajudou a se vestir e o levou para cama para poder descansar.

Allen havia parado de chorar, mas seu olhar estava perdido. Deitou-se na cama e se encolheu, esperando que o japonês falasse alguma coisa. Desde o momento em que conheceu Kanda, nunca pensou que ansiaria tanto ter aquelas brigas infantis. Jamais admitiria, mas era quando estavam tendo as suas típicas discussões que esquecia temporariamente dos seus problemas.

- Eu vou indo. Se precisar de alguma coisa, é só chamar – disse.

- Para onde você vai? – Perguntou, e Kanda pôde perceber o medo na voz do menor.

- Para o meu quarto – disse, e quando fez menção de ir em direção à porta, sentiu seu braço ser puxado.

- Mas... ele pode voltar. Não seria melhor você... ficar aqui? – Perguntou.

Allen estava tremendo e envergonhado. Não queria pedir uma coisa dessas para Kanda, mas tinha medo que Tyki voltasse... e ele se sentia seguro ao lado de Kanda. Esse pensamento fez Allen corar e levar as mãos bruscamente ao rosto, assustando o japonês pela ação inesperada.

- Tudo bem. Eu fico. Mas trate de dormir – ditou.

- Certo – murmurou, e voltou a se encolher na cama. – Kanda...

- O quê?

- Obrigado.

- Vai dormir – disse de uma maneira brusca, mas mesmo que não demonstrasse, estava feliz. Feliz por Allen precisar dele.

***

Allen acordou na manhã seguinte assustado e transpirando muito. Sonhara com Mana, mas de repente Mana se transformou em Lavi e o atacou. Foi um sonho horrível! As coisas que Lavi fez com ele foram assustadoras.

- Allen! Você está bem?! – Lavi entrou no quarto gritando desesperado, assustando Allen, que levou instintivamente a mão ao coração.

- Lavi! Hã?! Sim, eu estou bem – disse. – Desculpe por preocupá-lo.

- Isso não tem importância, Allen. O importante é que você está bem – disse sorrindo, enquanto afagava os cabelos brancos de Allen. Esse gesto inesperado fez Allen tremer. As imagens do sonho ainda estavam nítidas, mas Allen tinha certeza de que Lavi jamais faria algo desse tipo com ele, por isso não havia motivos para temer.

- Obrigado – murmurou um pouco corado. – Mas onde está o Kanda?

- O Yu? Ele foi comprar algumas coisas na cidade.

- Ah – exclamou, não disfarçando o desapontamento na sua voz, o que não passou despercebido pelo aprendiz de Bookman.

- Allen, posso fazer uma pergunta?

- Pode.

- Você ama o Yu, não é? – A frase mais parecia uma afirmação do que uma pergunta, fazendo Allen ficar corado e sem saber o que dizer.

- É claro que não, Lavi! De onde você tirou essa ideia?! – gritou com as bochechas coradas e infladas.

- Ora, é só parar pra pensar. Você e o Yu estão sempre brigando, mas para mim vocês estão apenas tentando chamar a atenção da pessoa que gostam; como duas crianças. Por que quando o akuma “matou” o Yu na sua primeira missão você ficou irritado? Por que você quis lutar ao lado dele na Arca? Quando nós te encontramos você só deixou o Yu te tocar e até pediu pra ele ficar com você. E o fato de você ter permitido que ele fizesse tudo “aquilo” com você em Munique, só prova que você queria que o Yu te tocasse, não?

A última afirmação fez com que Allen escondesse o rosto com as mãos para que Lavi não visse o seu rosto vermelho.

- Como você sabe de tudo isso?

- Eu sou o aprendiz de Bookman. É o meu trabalho saber esse tipo de coisa – riu. – Mas eu estou certo, não? Você ama o Yu.

- Eu não... – não sabia o que dizer.

- Eu vou deixar você sozinho pra pensar. Até mais.

Assim que Lavi saiu, Allen se jogou na cama e afundou a cara no travesseiro. “Será que eu amo o Kanda”? Pensar nessa hipótese fez com que Allen corasse e se escondesse embaixo dos lençóis.

- Isso é impossível, não é, Tim? – Perguntou, sentindo Timcanpy pousar em sua cabeça. — Nós brigamos porque ele implica comigo. Eu apenas me defendo! E nós somos companheiros, é claro que eu me preocupo com ele — apesar de não dever. Como posso amar um cara insensível, grosso, indiferente, mal humorado, irritante e infantil como ele? Ele pode ter sido um pouco gentil e carinhoso comigo, e estaria mentido se dissesse que ele não é bonito ou que o que ele fez em Munique me desagradou, mas isso não é o suficiente para amá-lo, certo? Eu não posso amá-lo, não posso. Nós somos exorcistas, somos homens, e eu tenho isso dentro de mim; mesmo se eu o amasse não poderíamos ficar juntos. Eu não o amo, tenho certeza disso! E o Kanda também não me ama, não é mesmo?

- Como eu poderia amar um Moyashi? – Kanda disse.

- K-Kanda?! Há quanto tempo está aí?! – Gritou. Por que ele tinha que aparecer justo no momento em que estava falando esse tipo de coisa?

- O suficiente. Trouxe comida, coma e descanse. Vamos partir em quatro horas – disse isso e foi embora. Deixando Allen sozinho e envergonhado.

Allen suspirou e começou a comer o que Kanda havia trazido. Havia falado mais do que deveria. Deitou- se e sentiu o sono chegar. Iria desculpar-se com Kanda assim que acordasse, era o mínimo que podia fazer.

Notas finais
Então, mereço reviews?