Notas iniciais
Eu tinha prometido que postaria hoje dia 3, porque é meu aniversário e queria agradecer as leitoras lindas que sempre me apoiam com comentários e incentivos. Muito obrigada por tudo e aproveitem o capítulo!!!

- Emma, eu sei tudo o que vocês passaram, porque eu vi tudo. — confessou Regina timidamente enquanto passava suas mãos pelo rosto de Emma.

"Porque eu vi tudo." Esta declaração feita por Regina ecoava pela cabeça de Emma. Levou algum tempo para que ela absorvesse todas as palavras que lhe foram ditas. Como assim Regina viu tudo o que eles passaram nessa semana infernal? A loira se perguntava em pensamento, mas ao encarar o olhar da morena ela sabia que Regina estava dizendo a verdade. Ela tinha visto tudo.

- Regina, eu não entendi o que você me disse. Como você viu por tudo o que nós passamos? — perguntou a loira com emoção evidente em sua voz.

- Primeiramente, eu queria acabar com tudo. — contou Regina desconfortavelmente. Fiz o que fiz porque eu não via solução para mais nada em minha vida. De certa forma achei que morrendo eu poderia encontrar a paz que eu sempre ansiava em minha vida. Não queria continuar condenando Henry a ter uma mãe como eu. Por mais que eu tentasse ser uma pessoa melhor, acabo sempre fazendo mal a todos a meu redor. Naquela noite tudo tinha sido bastante difícil para mim. Eu quase matei Leroy, e o que mais me mata por dentro foi meu filho ter me visto daquela maneira. Sua voz me pedindo para que eu parasse com aquilo doeu em meu coração. E em casa, apenas conseguia escutar a voz de minha mãe sempre me lembrando o quanto eu não poderia mudar, que estava me enganando em relação a isso. Que eu nunca poderia ser uma pessoa melhor. Que pessoas como eu não podem se redimir e que eu apenas me iludia com a fantasia de que poderia ser melhor.

- Regina você sabe que isso não é verdade. Você não nasceu fazendo maldades e nem escolheria fazer se não tivesse sido influenciada por pessoas erradas durante toda sua vida. Eu te conheci como Regina e sendo mãe adotiva de Henry. Uma mãe que ama seu filho acima de qualquer circunstância. E quando eu tenho que pensar em você é dessa maneira que eu penso. Uma mãe amorosa e não uma Rainha Má que não tinha coração. Você pode sim ser uma pessoa melhor, só que você precisa acreditar mais em si mesma.

- É tão difícil Emma. — disse cabisbaixa. — Esses últimos meses não tem sido fáceis para mim. Muita coisa acontecendo ao mesmo tempo e o desespero crescendo em meu coração. Acho que foi isso que aconteceu na noite quando apareci na porta de sua casa implorando para que me matasse. Eu queria desesperadamente tirar toda a dor que irradiava dentro de mim. Confesso que achei que seria mais fácil e que logo atenderia meu pedido. Se você fosse outra pessoa teria atendido o meu pedido. Afinal, Henry ficaria com você e ao mesmo tempo se livraria de uma inimiga. Mas, não! Você me surpreendeu de uma forma que nunca ninguém tinha me surpreendido antes. Você declarou seu amor por mim e eu não sabia mais o que fazer.

- Regina... Eu nunca poderia ter atendido o seu pedido descabido. Você sabe o quanto nós sofreríamos se tivéssemos te perdido. Sempre lhe amei, e me arrisco a dizer que foi no nosso primeiro encontro, mas procurei negar enquanto pude, mas ao te ver tão vulnerável na porta de minha casa eu não consegui ignorar mais meus sentimentos em relação a você. Eu disse a verdade aquela noite. Eu te amo muito Regina Mills.

- Mas, eu sempre faço tudo errado Emma. Eu afasto as pessoas de mim. Coloquei em minha cabeça que a felicidade só seria possível com minha morte. — nesse instante Emma já havia se sentado na cama com Regina e a cabeça da mesma estava encostada nos ombros da loira enquanto a morena tomava um longo suspiro para poder continuar. — Coloquei em minha cabeça que eu teria que morrer e se você não poderia atender o meu último pedido, poderia eu mesma acabar com minha vida. Eu só queria que todos fossem felizes e que isso não seria possível comigo por perto. Você já sabe como isso aconteceu. Eu não preciso repetir o que eu fiz, porque você que me encontrou desacordada em minha casa. — disse aos soluços enquanto sua cabeça nos ombros de Emma. A loira nada disse, mas como sinal de compreensão afagava a cabeça da morena até que ela se acalmasse por completo para que ela pudesse retomar sua história. — Eu poderia ter imaginado tudo sobre a morte, mas nunca passou por minha cabeça que ela fosse tão dolorosa. A minha vida, tudo voltou para mim em forma de flashback. Eu vi toda a minha vida como um filme confuso e desordenado. Fragmentos a que eu sempre me condenei. Não é uma sensação muito boa de sentir, ainda mais quando alguém se levou uma vida igual a minha. Algumas lembranças podem ser dolorosas demais. — disse pesadamente.

Há muito tempo que Regina não se abria desde jeito com uma pessoa. Mas, ali nos braços de Emma, a mulher que amava, Regina resolveu começar a se desfazer dos fantasmas de sua vida. Essa conversa de certo modo era libertadora, renovadora e a fazia se sentir livre novamente. Como se um grande peso tivesse sido arrancado de suas costas.

- Por favor, Regina! Meu amor, eu preciso que você se acalme um pouco. Não precisa me contar tudo agora. Eu posso dar um tempo para você. Não precisa me contar tudo agora. Tenho certeza do quanto foi difícil para você relembrar sua vida toda. Eu não sei o que lhe dizer, mas eu não vou ficar lhe iludindo com frases de impacto que os outros sempre falam nessas horas. Afinal, isso não faz o meu estilo. Mas, eu preciso que saiba que eu não posso mais viver sem você, que o sentido de minha vida teria sido outro se eu te perdesse por causa de tudo isso. — disse tudo em meio às lágrimas com as mãos gesticulando rapidamente ao redor do quarto. — Só quero que nunca mais me dê um susto desses. Nunca mais escolha esse caminho que parece ser fácil, mas não é. Você sempre fica falando que o amor é uma fraqueza, mas você sabe o que é ser uma fraqueza? Desistir de tudo igual você fez. Pensar que pode acabar com sua vida como se fosse um brinquedo. Eu quero que me prometa nunca mais fazer uma besteira dessas. Promete-me? — perguntou Emma enquanto se virava na cama para ficar de frente para Regina e lhe deu um selinho apaixonado.

- Eu prometo! — balbuciou Regina. — Eu te prometo. — tornou a repetir. — Mas, eu preciso continuar a te contar sobre tudo o que passei. Sinto que estar aqui te contando toda minha experiência é o início da minha segunda chance que eu tanto pedi durante toda minha vida. Eu senti uma forte dor no peito, foi quando caí no chão, e não sei quanto tempo se passou, mas aos poucos a escuridão foi tomando conta de meu corpo e quando dei por mim eu já estava caminhando por uma longa estrada. Eu usava um vestido tão claro como não usava há muito tempo. Ele era todo branco, quase que transparente e esvoaçava por meu corpo. Algo me induzia a sempre continuar andando para frente. Era tudo tão confuso e eu estava num turbilhão de emoções. Será que assim que era a morte? Eu me perguntava isso durante todo o trajeto. Será que encontraria a luz que me daria à felicidade eterna? Era um caminho e essa estrada parecia ser a única verdade de minha vida naquele momento. Ficar vagando por uma estrada desconhecida que ao mesmo tempo me parecia familiar. Sei que parece loucura, mas eu senti algo estranho em minha mão, ela parecia estar sendo beijada e foi a partir daí que todo aquele cenário concreto que me rodeava começou a vacilar. As árvores que antes eram enraizadas começaram a se mexer como se dançassem um balé no céu azulado como também as imagens começaram a se desfocar. Já não tinha mais certeza se continuar seguindo em frente era a melhor opção. Eu não sei quanto tempo se passou depois disso, mas pude escutar vozes ao fundo, e reparei que eram conhecidas. Logo fui capaz de perceber que era você e Henry. O meu corpo foi puxado de volta e eu me vi aqui nesse quarto de hospital me deparando com a pergunta de meu filho ao lhe perguntar se eu ficaria bem. Meu peito se apertou tanto e naquele momento eu só tinha certeza de algo. Que eu queria voltar e tentar reverter o que tinha feito para mim mesma.

- Regina, eu nem sei o que lhe dizer. — sussurrou Emma. Realmente as palavras tinham lhe sumido, ela não sabia e nem tinha o que falar ao ouvir todos os relatos de Regina. Doía para a loira ver tudo o que Regina tinha passado até acordar naquela cama de hospital. Tudo o que podia fazer para acalmar Regina e mostrar que estava ali com ela era fazer carinho com suas mãos passando por entre os cabelos da morena e depositar beijos ternos sobre a cabeça de sua amada. Nisso, uma enfermeira interrompeu o momento pessoal entre as duas para verificar Regina.

- Boa tarde Sra. Mills e Xerife Swan. Dr. Whale me pediu para que viesse verificar Regina. — a enfermeira fez o que lhe fora pedido. Ela analisou com cautela a fluidez do soro venoso nos braços de Regina, ao aferir sua pressão constatou que tudo estava normal, mas o que mais preocupava todos os médicos era o coração de Regina, que depois de três paradas cardiorrespiratórias poderia dar problemas futuros, por isso ainda inspiravam cuidados. Mas, novamente tudo se encontrava na mais perfeita normalidade e seus batimentos cardíacos estavam normais. — Tudo está na mais perfeita ordem. — disse a enfermeira anotando alguns itens em sua prancheta, tudo aquilo era um comportamento de praxe. — Dr. Whale passará por aqui mais tarde e se Regina continuar se recuperando bem creio que provavelmente você terá alta daqui alguns dias. — disse a moça dando um sorriso para as duas mulheres e logo em seguida saindo do quarto.

- Emma... — disse Regina, sua voz já indicava que estava com sono, mas ela queria terminar de contar tudo o que tinha acontecido. Mesmo chorando com tudo o que contava para Emma, Regina se sentia livre ao sentir seu coração ficando um pouco mais leve.

- Regina, eu não quero que se sinta muito pressionada a falar nada que não esteja pronta para falar. Eu só explodi àquela hora porque eu me preocupo com você. Por isso que eu quero que faça terapia, para que você se sinta melhor.

- Emma, por favor, me escute. Eu preciso desse momento que estou tendo agora. Não estou falando nada que eu não queira falar. Eu sinto que é o momento para isso. Eu escolhi me abrir com você. Nunca achei que estaria pronta para poder me entregar dessa forma a outra pessoa em minha vida, mas estou me abrindo agora porque eu quero. Há muito tempo que eu não me sentia tão amada e protegida. Sinto que aos poucos eu me sinto capaz de amar novamente.

- Regina, você nem sabe o quanto eu estou feliz por poder ouvir sua voz novamente, poder ver os seus olhos olhando em direção dos meus, poder sentir suas mãos se movendo sobre as minhas. São coisas que para outras pessoas podem não significar nada, mas que para mim vale tudo o que eu já passei por toda minha vida. Percebi só agora que eu nunca estive verdadeiramente apaixonada. Posso ter gostado, mas agora não posso dizer que é amor. Porque o que eu sinto por você, isso sim que eu posso dizer que é amor. Eu te amo Regina Mills. — terminou de falar visivelmente emocionada e puxou Regina para si e lhe deu um selinho em seus lábios.

- Eu também te amo Emma Swan, como eu nunca pensei que eu fosse capaz de poder amar alguém. — cantarolou Regina para a loira ao seu lado. Tudo bem que foi apenas uma frase, mas para Emma tinha a sonoridade de uma musica ou um belo recitar de um poema. Emma percebera que Regina de fato estava melhor desde a última vez que a tinha visto. Ela parecia ter adquirido uma nova vivacidade. Ela mostrava mais vontade de viver e isso ficava claro em todo o quarto que estava calmo com exceção das mulheres que conversavam na cama. — Eu te escutava todos os dias enquanto falava comigo nessa cama, querendo que eu pudesse acordar e principalmente desejando ser capaz de me salvar. Isso me enchia cada vez mais de vontade de poder voltar para o meu corpo e acordar. De poder te falar sobre o meu amor por você. — sua voz já estava embargada, mas ela quis falar mesmo assim. — Eu estive ao seu lado em todos os momentos. Quando apenas você ficava ao meu lado, ou então com Henry e eu via você tentando lhe passar a força que você lutava para conseguir. Sua conversa com Mary, eu reparava ela lhe implorando para que você fosse para casa descansar e Henry, sempre sendo o nosso menino querendo salvar as nossas vidas. E ele lhe pedindo para que você me beijasse. Eu vi o seu receio de não funcionar e eu continuasse desacordada e sem nenhuma esperança de recuperação e eu finalmente pude sentir os seus lábios sobre os meus e eu pude sentir a vida de volta ao meu corpo e acordei com você me olhando com os olhos verdes mais lindos do mundo. Eu te amo Emma, o seu amor por mim foi o que me trouxe de volta a vida. — terminou de contar chorando copiosamente. Tinha sua vida de volta e principalmente Emma ao seu lado. Elas se beijaram apaixonadamente e só se separaram quando o ar se fez necessário.

- Eu também te amo Regina. E nunca mais ouse me dar um susto desses novamente. Eu não sei o que seria de minha vida sem você ao meu lado.

- Minha vida sem você... — disse Regina fingindo indiferença enquanto pensava, mas logo colocou um sorriso divertido em seus lábios. — Eu não consigo imaginar, porque eu quero que você fique sempre ao meu lado.

Com o cansaço tomando conta de seu corpo, Regina encostou sua cabeça em Emma e ficaram ali em silêncio onde a morena podia escutar perfeitamente os batimentos cardíacos da loira. Parecia ser uma música de tão perfeito e ritmado que era. Emma reparou que a respiração de Regina havia se acalmado um pouco e logo constatou que ela estava dormindo. Como era tranquilo ver Regina apenas dormindo, e tendo a certeza que ela acordaria em breve. Ela dormia feito um anjo. Sua expressão era tão serena. Emma nunca tinha visto a expressão de Regina dessa forma, mas de uma coisa ela tinha certeza. Que ela amava ver a morena dessa forma. Emma passando suas mãos pela cintura de Regina e fechou seus olhos a fim de eternizar esse momento.

Notas finais
Gostaram?? Mereço reviews?? Bem, espero que a conversa entre Emma e Regina tenha agradado, escrevi de coração; Nos próximos capítulos começam as sessões de terapia de Regina, o que acham que descobriremos sobre seu passado??

Bem, fico muito feliz pelos meus leitores lindos, os presentes e os fantasmas também!!!