Please Be Mine

11 Capítulo 11 - Finalmente, nós dois


Continuamos ali, parados, abraçados, nos beijando. As pessoas a nossa volta olhavam e depois ignoravam nosso momento de amor ali. Sua mão ainda acariciava meu cabelo, notava as pessoas em breves momentos que abria meus olhos. A água respingava em nossos corpos, que estavam juntos, unidos, inseparáveis.

Ele afastou o rosto, olhando fixamente para o meu em seguida e sorrindo na sequência.

— Te amo. — disse ele sorrindo. — Me desculpa?

— Te desculpar sobre?

Sabia do que ele estava falando, mas queria ouvir isso vindo dele. O sorriso em minha face era incontrolável.

— Ter negado que houve aquilo entre nós. Ter magoado você. Ter sido idiota.

— Te desculpo.

Seus olhos pareciam estar mais aliviados. Seu rosto era lindo com a luz que emanava da fonte.

Novamente nos abraçamos. Afastamos-nos da fonte e fomos para um lugar mais calmo, precisávamos ficar a sós e conversar.

— Não querendo estragar muito o clima, mas já sendo tarde demais. — disse eu enquanto sentávamos. — Qual o motivo de você ter me procurado? E qual o motivo de você ter me magoado?

O clima não fora quebrado. Seu olhar era pensativo.

— Eu não conseguia mais segurar isso dentro de mim. — iniciou, não conseguia olhar diretamente para mim. — Eu fugi naquele dia porque me senti atraído por você, não conseguia entender como é que poderia me sentir atraído por um garoto. Aquilo me deixou confuso e me fez recuar e agir daquele jeito.

O jeito com que ele me contou foi ótimo, me deixou com um sorriso bobo estampado em minha face. Aproximei-me dele. Minhas mãos se posicionaram em suas bochechas e eu o forcei a olhar para e desferi um beijo. Depois que afastei meu rosto do dele, um sorriso lindo e reluzente se instaurou. O sorriso que eu queria ver a um bom tempo: aquele belo sorriso, os traços perfeitamente curvilíneos expressos naquela face.

Permanecemos um bom tempo ali, trocando beijos e carinhos. Minha noite não poderia ter sido melhor. Senti-me feliz, corrigindo, estava radiando felicidade. Cada parte de mim explodia em felicidade, o ambiente parecia modificar-se e completar meu devaneio amoroso.

— William conseguiu achar o garoto? — perguntou minha mãe, enquanto eu adentrava na sala.

— Encontrei sim. — era impossível esconder meu sorriso de orelha a orelha. — Encontrei muito bem.

Meio perdido em pensamentos, eu fui direto para o banho, precisava muito de um bom banho. A viagem de volta tinha sido bastante cansativa, drenou minhas forças, um bom banho me acalmaria depois de toda a explosão sentimental que houve.

Depois do banho, meu celular tocou. Era um número que eu não tinha adicionado aos meus contatos, mas reconheci o número. Alex.

— Dave. — sua voz estava suave e falara meu nome lentamente, como se quisesse apreciar a sonoridade dele. — posso te encontrar amanhã à noite?

— Por que não antes? Poderia ser à tarde.

— Eu não queria parecer que estava muito ansioso para te rever.

— Então pode ser à tarde?

— Claro.

Marcamos um horário e local e ele desligou. Saber que ele esta ansioso para me reencontrar me deixara feliz, pois a vontade dela era recíproca.

Eu estava cansado da viagem e nem tive como prolongar a noite: deitei na cama e desmaiei lá. Dormi profunda e calmamente, meus sonhos por algum motivo desconhecido, não tinham sido embalados com as lembranças da noite com Alex. Eles foram sombrios e vazios, minha memória não me permitiu recordá-los. Isso era o de menos, queria que essa tarde chegasse logo. Não conseguia esperar muito, estava terminantemente ansioso com isso.

A manha passava vagarosamente. Meu celular parecia inquieto: mais ligações.

— Will. — a voz familiar de Clare surrou meus tímpanos.

— Clare. — eu não conseguia esconder meu tom de felicidade na voz.

— Então, o que aconteceu para você voltar tão rápido? — a curiosidade dela aparentava ser imensa. — você foi tão repentinamente.

— Ele me ama Clare. Ele me ama. — minha voz emanava felicidade.

— Oi? Alex? Só poderia ser ele pra você sair daqui a essa velocidade toda!

Contei para ela tudo o que aconteceu, todos os detalhes, todas as sensações. E contei também sobre eu ter marcado de o ver essa tarde.

— Tava torcendo pra isso acontecer! — seu entusiasmo era de uma proporção imensa. — Ta muito ansioso?

— Meu coração está a bem mais de mil por hora.

— Olha, te desejo sorte nisso. Jullie ta me chamando aqui.

Ela desligou e eu fiquei deitado no sofá. Fiquei tentando me distrair assistindo algo, mas minha mente não me deixava eu me concentrar na programação. Ela viajava as mil e uma possibilidades de coisas que poderiam ocorrer nesse encontro. Mas parecia que o tempo não estava conspirando a meu favor, ele se movia lentamente, parecia aproveitar cada segundo para aumentar minha ansiedade. Brincava com meus sentimentos.

Fui tentar ler Pôr do Sol. Enquanto folheava as páginas, reparei que tinha um papelzinho dentro entre duas páginas, especificamente na parte do primeiro beijo entre os velhos amigos e novos amantes, com o cenário tão perfeito quanto o primeiro beijo que dei no Alex.

“Bem, eu não consigo parar de pensar nele.
Escrever sempre me libertou dos problemas.
Mas, por que imaginar isso como um problema?
Amar é problema? As pessoas não acham isso errado?
Mas isso vira um problema a partir disso?
Minha mente se encontra imersa em dúvidas.
Escrever talvez não seja mais meu refúgio.
Porque toda vez que vou escrever, lembro dele.
Aquele jeito dele, desastrado. O jeito que seus olhos encontram o meus
Isso é tão errado.”

Esse garoto, só conseguia me surpreender mais a cada instante que descobria coisas sobre ele. Ele escrevia. Eu admirava pessoas que conseguiam expressar-se bem usando palavras e criando textos com nexo e sentido. Aquelas palavras, escritas com uma bela caligrafia — o que não era meu forte —, naquele pedacinho de papel amassado. Típico de escritores, escreverem seus sentimentos e ideias em pedacinhos de papel e deixá-los jogados por ai. Isso me deixou mais encantado por ele.

O tempo pareceu se esvair, depois que comecei a ler minha cena favorita, repetidas vezes e lembrar-se de Alex.

“(...) Então, com o pôr do sol como cenário, suas mãos passearam pela nuca de Fred. Eles se entreolharam. Patrick via os nuances de laranja estampados no rosto de Fred. Os olhos então se fecharam e os lábios resolveram se aproximar. Eles se uniram e com tudo em volta suspirando amor, eles se beijaram apaixonadamente. (...)”

Aprontei-me e fui para o local marcado e na hora marcada. Não consegui me acalmar com a certeza de que Alex estaria me esperando. Meu coração palpitava dentro do peito.

Eu cheguei ao local marcado e fiquei um tempo procurando Alex.

— Dave. — apareceu ele, me dando um breve susto. — Me desculpe. — acrescentou sorridente.

Nos cumprimentamos com um abraço. Seu perfume era marcante e envolvente.

— Te amo. — tinha sido a primeira vez que eu tinha falado isso.

Seu sorriso se estendeu mais ainda e ele me beijou. Ficamos por algum bom tempo trocando carinhos e beijos, perto de uma árvore que nos doava uma sombra para nos protegermos do calor escaldante. Notei que ele trouxera uma grande sacola, a principio não me importei muito com aquilo, mas depois de um tempo despertou minha curiosidade.

— Alex.

Ele permaneceu olhando fixamente para mim. Eu então apontei para aquela grande sacola que ali jazia.

— Eu quase ia esquecendo. — disse ele, continuava sorridente. — Aquilo?

Eu fiz que sim com a cabeça. Meus olhos quase brilhavam de curiosidade. Ele tirou seus braços da minha volta e foi para perto da sacola e começou a manusear o que tinha dentro. Retirou o conteúdo. Era uma orquídea. Eu particularmente adorava orquídeas, era a flor preferida de Patrick, meu personagem preferido de Pôr do Sol.

— Eu estou temendo ser muito rápido. — iniciou. — Mas se trata de você. Eu quero algo sério.

Eu não conseguia acreditar no que estava acontecendo. Orquídea e querer algo sério?

— Pode parecer idiota trazer uma flor. Mas eu arrisquei porque acho que você gosta do Patrick.

Meus olhos começaram a marejar.

— Namora comigo?

Quando ele falou aquilo, eu não o respondi com palavras. Apenas cheguei e o beijei. Beijei intensamente seus lábios, enquanto não conseguia mais conter as lágrimas presas em meus olhos.

— Te amo, Alex. — sussurrei.